terça-feira, 14 de abril de 2009

Rosas de Alexandria onde o silêncio é abismal!

O espólio de avós herdado : casa pequena com sala, dois quartos, hall, cozinha, casa de banho.
Em pano de fundo avista-se a serra do Anjo da Guarda onde o calcário se esminfra... e na frente a Nexebra eucaliptizada de costados  xistosa.
Já proliferam antenas eólicas, na serra da ovelha além do miradouro, moinhos de vento  recuperados que se deslocam sobre rodas em  eiras de pedra, mesas para piqueniques, a capela do Anjo da Guarda, casa dos caçadores, casa do Ciclo do Pão, vestígios do paleolítico -, pedras de calcário esculpidas pela erosão de todas as formas, orquídeas da serra, tomilhos, sendo a predominante e mais conhecida na região, a erva de Sta Maria, também há alecrim, cucas, jacintos, lírios do campo, alfazema e rosmaninho.
O almoço pascal  de 2009  aconteceu na casa rural...A minha mãe fez o almoço e trouxe-o para aqui ser degustado. Desde que herdámos a casa foi a primeira vez que comemos na sala, temos utilizado o terraço, a cozinha velha, também chamada de churrasco, ou a cozinha da casa. Estreia dos copos de cristal que em tempos comprei novos, mas em 2ª mão. A mesa estava bonita com uma toalha branca bordada do meu enxoval, enfeites e uma jarra com rosas do jardim, ainda um prato cheio de amêndoas de chocolate branco e preto, lilás, de Paris, e... 
O arroz de pato assado com couve lombarda " Pato à Franklim" estava uma delícia. Como sobremesas havia o arroz doce símbolo da época festiva, o folar, o bolo com doce de chila, terminámos com o cafézinho e um pichel de aguardente de cana trazida dos Açores, de morrer, pena estar prestes a acabar.
Depois do almoço fomos até ao Vale matar saudades, o sítio onde a minha mºae nasceu e eu em mi+uda passei dias de férias com a minha avó.
A figueira da Índia ou do Inferno como lhe chamava em pequena, por causa dos picos, trazida de Coruche cresceu no talho na frente da eira da minha mãe.
E com forças fomos caminhar a pé pela Nexebra até ao Santaínho, propriedade herdada que fica junto à estrada de terra batida agora mais larga, vendemos os eucaliptos precisamente à um ano, fomos ver como estavam os novos rebentos. Decidi ir conhecer o limite da propriedade que se estende por uma das faldas da encosta, ninguém me quis acompanhar -, caminhei sozinha apenas por intuição e cheguei primeiro à Mina de S.João, do que eles, que optaram regressar pela estrada. Aventura vivida na loucura vivida em êxtase -, o terreno apresenta-se a pique, com eucaliptos de todos os tamanhos,apenas via resquícios de céu por entre as pontas, de tão altas , e pelo chão infestantes troncos nus, sobrepostos, e muita ramagem deixada pelos madeireiros nos cortes -, uma loucura o emaranhado de restos de madeira, tive de saltar, abaixar-me, sempre com medo de escorregar devido ao declive e obstáculos  sempre surreais do terreno. 
Finalmente encontrei uma mina  que contornei com cuidado por o terreno se mostrar traiçoeiro, optei por descer pelo seu leito, por entre silvas, e outros pequenos arbustos e finalmente cheguei sã e salva.

Já no Vale a descer a quelha do Vale, parei na porta da  casa  do tear da Ti Joaquina tecedeira, hoje a casa da Maria  e do Silvério que se abre para o largo da fonte e dos tanques.

Adorei ter conseguido fazer a descida sozinha de imprevisto.Aventura fenomenal.
Depois ainda não satisfeita esgueirei-me pela ribanceira abrupta do Carvalhal da minha mãe, com o alargamento da estrada, o acesso ficou muito alto, com muita pedra de xisto solta e íngreme - eis que num repente vi junto ao carvalho o grande tanque em pedra que outrora levava a água para casa em queda livre, vi também as rosas vermelhas de Alexandria -, as favoritas da minha mãe e já eram da minha avó.
Meti-me a medo na descida íngreme, aqui é que foi difícil por entre silvas e carvalheiros, chegar às rosas, que colhi e logo me encaminhei na direção da eira a olhar ao longe o Anjo da Guarda.
Já de saída fui ao ribeiro que desce da Nexebra apanhar jarros. 
Quando fomos embora passei por casa da minha irmã e deixei um ramo de jarros para enfeitar a sua casa no dia de Páscoa. Os restantes fui ao cemitério enfeitar a campa do meu pai, e as rosas foram para a campa logo atrás, a  da minha Titi, irmã mais velha da minha mãe, marido e filha Isabelinha...
Rosas de Alexandria para recordar outros tempos da minha querida avó Maria da Luz que as adorava!

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