quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ranço salazarista nesta gente d´hoje!

Não é preciso ser da mesma cor do Baptista Bastos
- Nem aceitar as suas ideias -
Para concordar que o ranço agora cheira tão mal como na era salazarista !!
  • Diz a mensagem de JCalou-
Cada vez mais nos afastamos uns dos outros.
Trespassamo-nos sem nos ver.
Caminhamos nas ruas com a apática indiferença de sequer sabermos quem
somos.
Nem interessados estamos em o saber.
Os dias deixaram de ser a aventura do imprevisto e a magia do improviso para se transformarem na amarga rotina do viver português e do existir em Portugal.
Deixámos cair a cultura da revolta.
Não falamos de nós.
Enredamo-nos na futilidade das coisas inúteis, como se fossem o atordoamento ou o sedativo das nossas dores.
E as nossas dores não são, apenas, d'alma:
são, também,dores físicas.
Lemos os jornais e não acreditamos.
Lemos, é como quem diz – os que lêem.
As televisões são a vergonha do pensamento.
Os comentadores tocam pela
mesma pauta e sopram a mesma música.
Há longos anos que a análise dos nossos problemas está entregue a pessoas que não suscitam inquietação em quem os ouve.
Uma anestesia geral parece ter sido adicionada ao corpo da
nação.
Um amigo meu, professor em Lille, envia-me um email.
Há muitos anos,deixou Portugal.
Esteve, agora, por aqui.
Lança-me um apelo veemente e dorido:
'Que se passa com a nossa terra?
Parece um país morto.
A garra portuguesa foi aparada ou cortada por uma clique, espalhada por todos os
sectores da vida nacional e que de tudo tomou conta.
Indignem-se em massa,como dizia o Soares.'
Nunca é de mais repetir o drama que se abateu sobre a maioria.
Enquanto dois milhões de miúdos vivem na miséria, os bancos obtiveram lucros de 7,9
milhões por dia.
Há qualquer coisa de podre e de inquietantemente injustonestes números.
Dir-se-á que não há relação de causa e efeito.
Há, claro que há.
Qualquer economista sério encontrará associações entre os abismos da
pobreza e da fome e os cumes ostensivos das riquezas adquiridas muitas
vezes não se sabe como.
Prepara-se (preparam os 'socialistas modernos' de Sócrates) a privatização
de quase tudo, especialmente da saúde, o mais rendível.
E o primeiro-ministro, naquela despudorada 'entrevista' à SIC, declama que está a
defender o SNS!
O desemprego atinge picos elevadíssimos.
Sócrates diz exactamente o contrário.
A mentira constitui, hoje, um desporto particularmente requintado.
É impossível ver qualquer membro deste Governo sem ser assaltado por uma repugnância visceral.
O carácter desta gente é inexistente.
Nenhum deles vai aos jornais, às Televisões e às Rádios falar verdade, contar a evidência.
E a evidência é a fome, a miséria, a tristeza do nosso amargo viver; os nossos velhos a morrer nos jardins, com reformas que não chegam para comer quanto mais para adquirir remédios; os nossos jovens a tentar a sorte no estrangeiro, ou a desafiar a morte nas drogas; a iliteracia, a ignorância, o túnel negro sem fim.
Diz-se que, nas próximas eleições, este agrupamento voltará a ganhar.
Diz-se que a alternativa é pior.
Diz-se que estamos desgraçados.
Diz um general que recebe pressões constantes para encabeçar um movimento de
indignação.
Diz-se que, um dia destes, rebenta uma explosão social com imprevisíveis consequências.
Diz a SEDES, com alguns anos de atraso, como, aliás, é seu timbre, que a crise é muito má.
Diz-se, diz-se.
Bem gostaríamos de saber o que dizem Mário Soares, António Arnaut, Manuel
Alegre, Ana Gomes, Ferro Rodrigues (não sei quem mais, porque socialistas,
socialistas, poucos há) acerca deste descalabro.
Não é só dizer: é fazer, é agir.
O facto, meramente circunstancial, de este PS ter conquistado a maioria
absoluta não legitima as atrocidades governamentais, que sobem em
escalada.
O paliativo da substituição do sinistro Correia de Campos pela dr.ª
Ana Jorge não passa de isso mesmo: paliativo.
Apenas para toldar os olhos de quem ainda deseja ver, porque há outros que não vêem porque não querem.
A aceitação acrítica das decisões governamentais está coligada com a
cumplicidade.
Quando Vieira da Silva expõe um ar compungido, perante os relatórios internacionais sobre a miséria portuguesa, alguém lhe devia dizer para ter vergonha.
Não se resolve este magno problema com a distribuição de umas migalhas, que possuem sempre o aspecto da caridadezinha fascista.
Um socialista a sério jamais procedia daquele modo.
E há soluções adequadas.
O acréscimo do desemprego está na base deste atroz retrocesso.
Vivemos num país que já nada tem a ver com o País de Abril.
Aliás, penso,seriamente, que pouco tem a ver com a democracia.
O quero, posso e mando de José Sócrates, o estilo hirto e autoritário, moldado em Cavaco,significa que nem tudo foi extirpado do que de pior existe nos políticos
portugueses.
Há um ranço salazarista nesta gente.
E, com a passagem dos dias, cada vez mais se me acentua a ideia de que a saída só reside na cultura da revolta.

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