quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Reflexão de Curso EFA que não entreguei!

Finalmente- eis que se deslumbra a “luz ao fundo do túnel” a  escassas  horas para o término do curso EFA, iniciado em finais de Janeiro de 2007. Uma pausa nesta recta final para momento reflectivo a todos os níveis educacional, formativo e social.
Integrado nas Novas Oportunidades - arrancou tardiamente, aos soluços - quanto a mim e à opinião pública dos demais muito pela lacuna na selecção dos formadores, alguns mostraram-se completamente desintegrados e inadaptados para o exercício das novas funções, sem carisma nem atitude, no seu pior alimentavam bisbilhotices entre salas de portas abertas, em fomentar o descrédito do curso e das suas normativas e, em aplicar a sua capacidade colectiva de uniformidade na abordagem de conceitos e métodos a aplicar, por falta de inércia e vontade. Por sua vez os formandos sentiram-se desmotivados com tanta falta de método e de vontades.

Muitas foram as mudanças verificadas ao longo deste curso. Era frequente ouvir os formandos opinar sobre as diferentes posturas de conduta dos formadores, cada um “a remar para o seu lado” procedendo de acordo com a sua vontade, num desempenho individual, egoísta. Alertei, instiguei e confrontei em debate acesso à urgente necessidade de achar ser primordial a sua discussão nas reuniões de docentes  e foram muitas, com apelos na urgente exigência de padronizar as directrizes emanadas do Ministério, para que os formandos se sentissem valorizados conhecendo as regras e a temporização do curso. Lamentável que com tantas evidências de desinteresse, falta de atenção e dedicação muitos foram os formandos que abandonaram o curso. Situação que verifico amargamente continuar, mantêm-se a dificuldade em prestar atenção, em comunicar, personalizar, e sentir orgulho por cada novo formando que adere ao sistema.
Há que mudar consciências, vontades e exigir querer fazer para que os formandos não se sintam desfraldados com um curso que teve uma carga horária muito elevada numa exigência de “créditos? ” que pelos vistos ninguém que eu saiba conseguiu ainda tirar as devidas ilações?

Chamada a reflectir não posso deixar de contextualizar tais evidências negativas. Muito fiz pelos novos alunos que iam sendo integrados na minha turma, no papel adstrito ao formador que se anulava em o fazer, alguns até ironizavam ao vê-los perdidos à procura da sala, da organização do curso, da escolha das disciplinas, como fazer as fichas de trabalho, do portefólio. Assisti com desagrado à falta de atenção dada a todos aqueles que iam terminando, e pouca ou nenhuma atenção lhes era facultada, como mereciam. Tristes ficavam no dia que orgulhosamente se apresentavam com o portefólio, e não ouviam uma palavra de apreço, desvalorizados, de cabeça baixa não recebiam um gesto de louvor pela conclusão nem eram questionados se tinha valido a pena voltar à escola, e da eventualidade em passarem a mensagem a outros amigos em iguais circunstâncias, pior, nem perguntavam a motivação de ter vindo e a avaliação final, razões profissionais ou vontade de ingressarem para o ensino superior.
Sendo a Escola um meio facultado pelo Estado acessível a todos os cidadãos inserido nas Novas Oportunidades em qualificar e certificar competências para os formandos se valorizarem no trabalho, procurar melhor trabalho ou a continuação dos estudos para um curso superior, era de esperar que a Escola tivesse uma postura diferente, mais interessada, de atendimento personalizado, trabalho de equipa, o empowerment, eficácia na aplicação dos objectivos e satisfação final de todos, formandos e formadores.
Mas não!

Ao voltar à Escola 30 anos após a minha saída para o mercado de trabalho, o facto é que me sinto bastante frustrada. O ambiente circundante é pesado, os auxiliadores quase sempre indisponíveis, de trato incomum, dando a sensação de apenas trabalhar por favor, abusam falar de assuntos desconectados do ambiente escolar, disparatam uns com os outros, instigam-se com as diferenças de ordenados e não sei mais o quê. Questiono-me, se voltei à Escola para constatar tanta falta de civismo, falta de capacidade para o bom desempenho do trabalho e dedicação ao mesmo. Também notei com desagrado a falta de manutenção dos equipamentos, alteração de quadros, sem pintarem previamente as paredes, salas que não são varridas, relógios que não mudam as pilhas, flores que não são cuidadas, casas de banho sem papel. Tanta falta de zelo, urgente contrariar inercias!

Teimosa, fui ficando, da minha turma apenas restamos dois. Heróis!
O melhor da Escola, as amizades travadas, de alta estirpe!
Também as substanciais melhorias que por práticas profissionais de emanar pareceres durante anos me habituei a escrever informaticamente “tipo mensagens”, nesse pressuposto constatei com alegria que melhorei a minha performance de escrita de texto corrido e gramatical. As temáticas dadas foram de abrangência elementar, e importante para quem se pretende manter actualizado no dia-a-dia. Um senão, a massificação de temas relacionados com a multicultariedade.

Comungo a ideia que a Escola quando se iniciou no projecto descuidou a análise de diagnóstico das faixas etárias a abranger, não estabeleceu prioridades, descuidou as entrevistas aos candidatos, apresentando as várias alternativas, não elaborou um planeamento para a longevidade do curso, lembro que ouvimos as datas mais ridículas, cada formador contava as horas à sua maneira, negligenciou estratégias de integração, falhou na metodologia que deveria ter sido de padrão, uniforme para não causar distúrbios e executada consoante as orientações emanadas das directivas superiores depois de debatidas e esclarecidas nas reuniões para finalmente poder ser feita uma avaliação pelo formandos como um curso de Sucesso.

A Escola denota não ter pessoal capacitado para atendimento personalizado e de acompanhamento dos formandos, não colabora, e os propósitos dos formandos caiem por terra pela falta de eficácia nos procedimentos e atitudes.

O que não aconteceu!

Infelizmente optei por não entregar esta versão.

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