quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Azedume com troca de palavras sobre herança

F....em primeiro lugar dou-te os parabéns porque escreves muito bem
(o que não é o meu caso).

A B... queria responder-te com todos os itens como merecias mas entendi ser eu a fazê-lo porque costuma-se dizer que quem cala consente e eu não posso ficar calado com esta tua atitude.Para já nem queria acreditar que tivesses mandado uma cópia à mãe.
Ficaste toda chocada quando nós viemos da terra e lhe contámos o sucedido e agora tens uma atitude destas?
Nem queria acreditar.Enviaste a carta com aviso de recepção com receio que eu não tivesse conhecimento dela?
Olha que aqui em casa somos todos honestos uns com os outros e isso diz tudo. Ok?
Foi simplesmente descabido.
Há pouco liguei à mãe, até para a reconfortar, e ela disse-me que não tinha conseguido ler a tua carta por completo porque não segurou as lágrimas.
Eu disse-lhe que não te ia responder, mas não consegui ficar calado.
Quem lê aquela carta fica com a noção que tu és sempre a prejudicada e nós os maus da fita, mas se calhar não será bem assim.Vou-te reavivar a memória.Procedeste sempre de igual modo em todas as partilhas em que te envolveste.
Foi no Ti Bernardo, no avô e agora no pai.
No Ti Bernardo, a B... estava contigo na sala; escolheste para ti as peças que ele tinha de mais valiosas e a ela apenas deste dois pratos que inclusivamente um partiu-se logo antes de chegar a casa.No avô, a situação repetiu-se.Foste lá sozinha recolher o que querias, um livro de sementeiras, outro de futurologias, óculos, caneta e mais que não sei.
Depois foste lá com a B...e deste-lhe um travesseiro com renda e três almofadas pequenas brancas.No entanto, ficaste com as toalhas de linho todas.E agora com o pai estavas a querer repetir o mesmo, ou estou enganado?
Por acaso o que temos para dividir é fraco e caricato.
O que interessa aqui é a atitude, o que ninguém quer perceber, imputando as culpas para nós “maus da fita”, quando a situação foi criada por ti.
Nesta história toda nós fomos sempre os parvos e tu sempre a esperta.Mas agora dissemos Basta!O que quero, e enquanto irmão mais velho, é o direito de escolha e o respeito que pensava merecer.Dizes também que fomos à terra propositadamente para vasculharmos as casas.Pois se não sabes, o que eu duvido, nós tivemos lá uma semana e houve um dia que passámos lá o dia todo a fazer vários trabalhos e como levámos piquenique, a B... foi à cozinha buscar louça e deu por falta de uma bacia de faiança.
E como era uma bacia que já nos tinha chamado a atenção, causou-lhe estranheza.
No mesmo dia, foi à casa de banho e deu falta do copo casca de cebola que tinha a escova de dentes. No sótão verificou igualmente a falta da cesta dos pregos, já guardada para a B..., e na outra casa ao deixar as chaves da outra casa foi, aí sim, propositadamente verificar se a jarra lá estava e verificou que não.
Dizes que a mãe te deu autorização para retirares tudo o que fosse necessário à S..., para a sua nova casa.
Só que no meio disto tudo, a realidade é esta: tudo o que está nas casas não é só da mãe (como afirmas) mas sim dos três, a partir da morte do pai.
Dás-me um ultimato para recuperar o quanto antes tudo o que é meu das casas da MR com o desplante de afirmares que não tens certezas, nem tu nem a mãe, de algumas das peças serem efectivamente nossas.
A resposta a este ponto é muito simples: não aceito ultimatos nem despropósitos.
Só retiro tudo o que é meu quando tu fizeres o mesmo com as tuas coisas, porque vou às casas as vezes que me apetecer até às partilhas, da mesma forma que tu e a mãe têm esse direito (porque como já te disse as coisas são dos três e não só da mãe como gostas de afirmar).
Sobre o ponto em que dizes que a B... quando vai a tua casa é só para fiscalizar, é tão simples como isto.
A B... é observadora e reparou, sem nunca o ter dito, em objectos que estavam na aldeia e que são dela (os quais eram apenas decorativos naquelas casas) e que trouxeste sem pedires satisfações tais como (e aqui fica a lista pedida) o bule, o azeiteiro verde com o bico partido, o candeeiro branco a petróleo com chaminé, e a jarra em louça branca com desenho arroxeado, de meio litro.Em relação aos famosos paus, ditos varejões, pelo que ela me disse, quando os encontrou na casa da lenha meteu-os a um canto e, na altura de os guardar, deu pela sua falta.
Não vos disse nada porque, para variar, não se queria meter em confusões.
Para finalizar, sendo dois, peço que entregues um.Quanto à máquina-de-lavar penso que te fizemos um jeito, pagando o justo valor pedido.
Esqueceste-te, no entanto, de dizer que tudo o que tens na terra de móveis, o frete foi pago por nós.Sobre a ajuda prestada para o casamento, 20 contos, acredito e agradeço apesar de não me lembrar.
Agora é lamentável afirmares que não consta que a família da B... tivesse tido atitude semelhante (nem parecida).Tal como eu não me lembro também tu podes não te lembrar, ficando aqui o reparo: a R.... pagou a boda em mais de 80 contos. Relativamente ao roupeiro, estava a mais na casa dos pais, foi para a minha casa, mais tarde levei-o para a terra sendo usado pela minha sogra a qual, em devida altura, deu a mesa actual aos pais como contrapartida, sendo as cadeiras por nós compradaslevando-as eu no meu carro, assim como o bar e o escaparate das bacia.Por último, quanto ao lavatório, o teu está guardado no sótão da casa, como sabes. O conjunto de louça do lavatório foi-me oferecido pela mãe já que tinha um quarto todo em ferro.
Em relação à cama recordo-me do que afirmas.Está na terra à tua disposição, é só avisares com alguma antecedência porque não pago mais fretes.No que respeita à talha oferecida à M..., é um assunto que apenas às duas diz respeito. Não sou moço de recados.
Quanto a mim foste igualmente infeliz no remate da tua carta ao presumires e afirmares que somos iguais ao TZ e que fazemos “caixinha” contra vocês.Essa era evitada.
Está tudo dito.Espero ter sido claro.Pessoalmente não entrego esta carta à mãe mas se quiseres dar-lhe conhecimento fica ao teu critério.

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