terça-feira, 30 de março de 2010

Sardinha assada na casa rural e lavar a loiça no alguidar

Na casa rural não desperdiço água -, alguns desafios da água e da falta dela!

Este tema leva-me a tecer as minhas experiências de vida no quotidiano -, aperceber-me do quanto estou rodeada de máquinas, tecnologias e facilidades, tornando-se o simples facto de acordar, tomar banho, vestir, comer e ir para mais um dia de trabalho cheio de automatismos, sendo o recurso à tecnologia mais uma das rotinas, tão ou mais enraizadas que qualquer outra. Olhando para experiências passadas, percebo que escolher duas tecnologias das quais não conseguiria abdicar afinal não é assim tão fácil como se julgue à primeira impressão, se pensar na questão do hábito, do chamado conforto! 
  • Contudo ao ter de escolher acabo por optar pela água e gás. 
Não há pesadelo maior que acordar de manhã e ser obrigada a adaptar as necessidades de higiene às contingências existentes, pensar que água posso utilizar, será que ainda tenho o garrafão de 5 litros que guardo sempre de prevenção? E depois é todo o incómodo dos banhos curtos, muitas das vezes frios e que nunca vêem a calhar, já para não falar da necessidade da água para a confecção das refeições.
Por outro lado o conforto da água aquecida, da comida cozinhada a fogão a gás ou electricidade -, também é uma prioridade o  microondas ,fica difícil encontrar uma solução caseira, para quem viva num apartamento sem lareira!
Paro para reflectir e identificar uma situação actual na minha vida pessoal e as medidas por mim introduzidas com vista à redução do consumo de água na minha casa rural.
No Verão os caudais de água da rede pública são reduzidos, sobretudo na zona da minha casa rural, chegando mesmo a haver interrupções.
Como pessoa responsável e atenta a esta temática, tentei aliar as medidas necessárias à sustentabilidade do meio ambiental e à salvaguarda do conforto no lar, controlando de forma mais eficaz as perdas e desperdícios de água naquela casa . Assim, procedi a alterações no âmbito da cozinha, rega do jardim e no autoclismo.
  • Na cozinha não lavo a loiça à torneira, é um autêntico desperdício de água, (até dói…). A solução que introduzi foi de passar a lavar a loiça à antiga. Limpo bem todos os utensílios utilizados. Seguidamente são lavados num alguidar com um bom desengordurante e lixívia. Por fim são passados noutro alguidar por água limpa.
O método não me oferece dúvidas. A loiça fica muito bem lavada e desinfetada. Para mim que gosto de “meter as mãos nas coisas” não tem desvantagens.
  • Na rega dos jardins comecei por reflectir na eventual utilização da água de um poço existente no quintal. Embora distante da casa, situa-se num nível superior ao quintal, pelo que apliquei saberes aprendidos no tempo da minha infância: “tirar água dos poços que não sejam por meio de balanço, picota ou motor consiste no ferrar a água utilizando o sistema de queda livre”. Introduzi uma mangueira dentro do poço que enchi com a ajuda de um regador até ferrar (agarrar). Ferrada a água do poço, jorra graças à queda livre da inclinação do quintal.
Optei pela utilização de meios tradicionai, a custo zero -, o poço é um depósito de água armazenada na época das chuvas, proporcionado uma abundância de água para todos os jardins e árvores de fruto, com a vantagem de melhorar a qualidade da água que deixa de estar estagnada e propensa à proliferação de microrganismos e líquenes.
Quanto ao autoclismo sendo a casa antiga, o modelo apenas tem uma função de descarga. Preocupada com o desperdício de água, procurei investigar, achei a solução de introduzir uma garrafa dentro do autoclismo, o suficiente para surtir o efeito desejado, redução na descarga.

Estas medidas tem tido o objectivo de sensibilizar a minha família e todos os meus amigos na mudança urgente de atitudes no consumo exagerado de água no nosso dia-a-dia.
  • Mote de conversa no deguste de petiscos, uma boa sardinhada, limpeza do quintal ou safra da vindima. Todos apreciam in loco as minhas iniciativas e criatividade. Aderem em jeito de colaboração à rega dos jardins e até de lavar a loiça no terraço, apesar do cansaço que possam sentir em relação à altura do alguidar, a experiência não deixa de ser enriquecedora, sentem a sua quota-parte de contribuição para alterar procedimentos enraizados de maus hábitos.
  • O lema lá da casa rural
“ Se não podemos mudar o mundo, importante é mudarmos nós"
Sendo meio caminho andado para a mudança, ao juntarmos mais alguém terminamos a nossa caminhada, na alteração de hábitos consumistas no dia-a-dia e poupança dos recursos hídricos.
Porque o mais importante é pensar no futuro, nas gerações vindouras.
  • Não gosto de desperdícios!

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