sexta-feira, 19 de março de 2010

Difícil escolha de Lares de repouso!

  •  Errante procura de um  Lar de Repouso para o meu amigo Fernando Ceia
Ontem ao meio da manhã a minha amiga Leonor telefonou-me, se queria ir com ela ver uns Lares para internação do marido que sofreu um enfarte. Acedi, marcámos a hora e  fomos. Deambulámos pela Charneca, tão confusa, quintas, becos e falta de sinalética.
Valeu-me o meu poder de orientação, e algum conhecimento, porque ela, tão deprimida precisava de companhia para a ajudar.
A fazer tempo num dos Lares, sentadas no sofá da recepção, aparece um velhote travesso com o seu cafezinho de cevada na mão e a sorrir perguntou a nossa idade. Atrevida a sorrir também respondi, temos 20 anos. Ele com a mão, dizia não, três vezes mais. Emendei para quarenta, mas o velhaco do velhote teimava em dizer que era mais...não é que tinha razão!
  • No decorrer da visita vimos uma senhora com 92 anos de cabelos brancos e óculos de sol numa cadeira de rodas, o aspecto era muito agradável, invejável diria,mui graciosa, os pensos deixavam adivinhar o que tinha acontecido mui recentemente. Só tem um sobrinho. Irritada por este não a ter vindo visitar, para se fazer sentir, decidiu cortar os pulsos.
  • Noutro quarto uma menina com 27 anos. Fazia dó só de olhar. A idade da minha filha. Aos 7 anos sofreu um acidente de viação. Os médicos davam-lhe 5 anos de vida e já lá vão 20. Ali jaz morta, com as mãos e pezinhos enrolados, de olhos grandes castanhos e cabelo preto, os dentes parecem ainda de leite.Apesar da desgraça, a despesa é paga pela Seguradora.
  • Travámos conversa com um senhor deitado na sua cama.
Dizia a empregada que só de lá sai para a sala no Natal. Deu para perceber que era um pesadelo. Sinais de neurónico, tipo doença bipolar. A cabeça com raciocínio claro, a voz tropêga falhava...por ver 3 moçoilas à sua frente. Destreza mesmo?
No comando da TV...acho!
  • O eterno problema. Deixamos passar o tempo sem o gozar.
Avisos para não descuidarmos de viver e gozar cada dia, como se fosse o último.

Noutra visita a outro estabelecimento,deparámos com um ambiente tão familiar e macabro por se instalar numa vivenda de 3 pisos onde ao longo da escadaria foi adaptada uma cadeira rolante.
  • Num quarto uma velhota sobre a fisga de sol na janela remendava umas cuecas.
  • Numa das salas outra enrolada num sofá dizia, isto aqui é muito bom...
Tudo exíguo, frio, austero com tantos Santinhos.Demais!
Na lavandaria a roupa lavada aguardava em carrinhos de supermercado para ser estendida.
As árvores do jardim mal podadas não serão boa sombra para os dias de verão.
A empregada cicerone, obesa e cabelo delambido ceboso, ignorante, sem qualquer formação, estragou o acolhimento com a linguagem a puxar para o vulgar, tipo lastrápia, embora fosse pessoa de bem.
Um despautério, confesso. Riscámos este Lar no imediato.

No terceiro também inserido numa vivenda, embora maior, de gaveto o escritório era no 1º andar. A dona cinquentona, boazona, arrevesar refinado bom gosto, vestida segundo os referencias da moda, a fazer juz ao ambiente espaçoso onde trabalha, deparámos com 2 enormes cadeirões baixinhos a imitar um qualquer Luís de França. Aveludados e madeira prateada, sobre uma pele de vaca em tons castanhos...um luxo. Na despedida aflorei o bom gosto. Apreciou o deleite.
Cansadas e de regresso fomos tomar um chá e um pãozinho com manteiga.

A minha amiga está de rastos. A carga emocional é muito grande. O desespero toma conta dela. Não sei como aguenta tanta pressão. No final do mês faz um ano que o marido sofreu um enfarte.
Espero que a sua vida estabilize rapidamente.Bem merece.
Eu, cá estou para ajudar, como sempre.

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