sexta-feira, 5 de março de 2010

Estórias de homossexualidade

Estória surpreendente de amores não vividos, afinal ainda actual, quem diria...
Maldito orgulho agora quebrado vir falar do senhor "maricas ou paneleiro" que no imediato atrevida, me catapulta à minha infância na província, nome que era atribuído "a homens moles, conas de sabão"...Sem contudo perceber o que a designação queria dizer...A ignorância rege-se por  rotular pessoas e atitudes em ditos populares. Fui percebendo ao longo dos anos, que o assunto era tabú, dele nada estudei ou li só em 80 em Lisboa, no local de trabalho onde tive um colega de comportamento algo estranho, tímido, mui reservado cujo andar era diferente por comprimir as pernas e o rabo, quando instiguei uma colega sobre o seu estar calado num relance disse-me -, é homossexual. Foi a primeira vez que ouvi a palavra mas armei-me em forte não dei parte de fraca sem na verdade perceber o que quis dizer.Depois tive outro com comportamento diferente, extravasava em simpatia, era gozado, metia-se dentro dos armários arquivadores para falar ao telefone, devia sofrer com os insultos dos demais que eram biscas bravas, vindas sempre dos homens que os repudiavam descaradamente.
Quem diria -,actualmente volvidos míseros anos a sociedade deliberou os casamentos homossexuais. Olhando para trás tanta coisa mudou neste país tão pequenino...
Se compararmos a mulher que desde sempre foi serva, escrava, sem direitos, subjugada a mandantes: o pai mandava nela até ao dia do casamento, depois mudava o mandante para o marido que tomava posse nesse dia -,na idade média foi obrigada a usar cinto de castidade em ferro forjado, enquanto o seu senhor ia brincar às guerras...Tudo mudou com o 25 de abril onde finalmente foi reposta a dignidade,independência, igualdade, e o direito à diferença para homens, mulheres e  os mesmos que gostam de pessoas do mesmo sexo. Fantástico. Desculpem a mim consterna-me aceitar (?) , porque se gera alguma confusão , sendo que para mim o certo é um homem gostar de uma mulher e o inverso. Mas temos de admitir o direito da diferença. Um processo lento que se vai aceitando quando os casais tem comportamentos sem chamar a atenção, já dos outros que dão nas vistas não acho graça nenhuma,  talvez por ser muito Mulher! 
Já tive alguns dissabores. No meu achar os piores são homens e mulheres que fazem a função de macho, denotam um temperamento de desconfiança de tudo, e de todos, reivindicam com fulgor os seus direitos , só agora estabelecidos em lei - detesto ver atitudes de bradar aos céus em praça pública, com o desfile de homens efeminados donos de andar esvoaçante, armados de grandes malas, decotes a mostrar peitorais e de falas à titia ao lado do macho com ar de chefe, protetor da  suposta "alma penada, enfezada de pregas laça de tanto ser injetada na retaguarda..."
Não pensem que sou má pessoa que repugno esta visão de felicidade - nada disso, até porque na minha atividade profissional há muitos anos, 2002 tive a ousadia de lutar na instituição bancária onde trabalhava por um credito à habitação cujos clientes eram dois homens, depois de terem recebidos "nãos" seguidos noutros bancos - analisei a operação, emiti o meu parecer, e derrubei barreiras, clichés e preconceitos, numa direção de analistas de crédito e diretores comerciais, onde homens e mulheres  ficavam surpresas com a minha luta e os argumentos que tecia - mas venci - julgo o 1º empréstimo celebrado entre duas pessoas do mesmo sexo na banca em Portugal! 
O casal depois veio agradecer-me, ofertaram-me um pendente pequeno em ouro, e explicaram a dificuldade que tiveram, agradecendo o meu alto desempenho.
O amor não devia escolher nem linhagem nem fortuna, é coisa mais séria profunda ditada pelo coração. Espero mudar a visão  sobre a homossexualidade, a aceitando em definitivo, convenhamos ainda navego em resquícios ditados pelo balanço da leitura de anos de missais caducos!

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