segunda-feira, 26 de abril de 2010

O meu 25 de abril, 36 anos depois!

Longe vão os anos que esta data criava em mim tamanha ansiedade, fosse de assistir aos muitos concertos, este ano até vi o palco, mas faltou-me o entusiasmo...estou murchinha, porque será? Despertei com o sol que adoro sentir a brilhar enroscada nos lençóis, e lembro-me de ouvir o meu marido a dar-me na cabeça "que só gosto de cama"...quando ia e vinha ao quarto, não temos janelas só portas ,o que se certa forma proporciona uma facilidade de se entrar em toda a casa por dois lados... Com isso se perder privacidade!
Mas o jeito era de me convencer a levantar por isso me perguntou se queria que me fizesse uma torrada, a que disse que sim, sabe sempre bem. Em passo rápido dei um pulo da cama, tomámos o pequeno almoço , por entre conversa curta perguntou-me onde estava a pensar irmos passear, não me apeteceu dar palpites -, nesse momento diz - não queres ir à feira de Algés? Nem hesitei!
Caminhámos por entre estátuas de pedra, com gente que ia e outras que vinham!
    Algés 2009
A minha filha não atendia o telemóvel.Gostava que tivesse aparecido , já o tem feito. Insisti, insisti, e nada de atender, estava quase em pânico...Sabia que tinha ido para o Bairro Alto comemorar o aniversário de uma amiga na noite de sábado. O meu marido para me acalmar perguntou-me se queria passar pela sua mansarda de Alfama, para me acalmar, ver se estava tudo bem, coisas de "mariquice de mãe"...Demorou a atender o vídeo da porta, dormia em sono serrado deitou-se às 5 da manhã, do cimo da escada enrolada numa mantinha, com ar de aflição aterrador perguntei se estava com alguém...Resposta escorreita -, não mãe, mas  não gosto que venham cá a casa, quando está num caos...Acalmei-a, deixa lá a mãe ajuda, sabes que adoro fazer-te as coisas...Aceitou, o que habitualmente não gosta, tem uma personalidade férrea. A loiça era mais que muita atulhada no lava loiças, mas de boca calada com o que não gostei de ver, dificuldade tive para a lavar toda, pela pequenez do espaço...com o que havia, fiz o nosso almoço, em vez de sair para se almoçar fora. A consciência dizia-me -, se almoçássemos na casa dela, ficava "o dia do 25 de abril mais barato"...preparou-se a mesa com vista sobre o Tejo, tão bonita até parecia que havia festa.

Nada faltou desde a tábua de queijos e presunto, os croquetes, a boa salada com oregãos de Sicó, arroz branco, uma das minhas especialidades para segurar a lasanha, que não era muita...salada de frutas, café, bagacinho do nosso lavrado em garrafa de vidro antiga servida em cálices comprados na feira da Ladra de todas as cores e tamanhos, todos diferentes e tarte de requeijão. Depois ela não queria mas adiantei-me, voltei a arrumar a cozinha. Deu-nos o mote para saímos, passear e fazer umas compras. Tantas escadinhas por entre a muralha velha do castelo .O dia estava a convidar. Alfama é lindíssima com tantos miradouros cheios de gente, tantas frestas de caras para o rio, a caminho da Graça sempre a subir...
Visita à Villa Sousa, logo à entrada dois tetos em estuque autênticas obras de arte, em semelhança com os agora condomínios de luxo...Encontrámos outro miradouro sobre o rio, mas sem forças fui devagarinho até ao miradouro da Senhora do Monte...chegava-se o tempo de ir fazer compras de ocasião e regressar a casa. Interessante passámos ao lado das Mónicas, na pedra gravada a inscrição -, CASA DE CORRECÇÃO.Lixada fiquei, tinha-me esquecido da minha máquina, e o dia convidava a fotos únicas. 
Cansados de sacos nas mãos e tantas escadas a subir e a descer Alfama...
O pior foi quando cheguei a casa. Tinha prometido passar a roupa toda a ferro, aí é que foram "elas", demorei três horas  a transpirar, tanto era o calor, o mote era tirar a roupa toda. Foi o que fiz.Gostei. Fez-me logo sentir outra, adoro esta imprevisibilidade que se apodera de mim de vez em quando...claro que a minha filhota ficou felicíssima por termos aparecido.Ficou com a casa arrumada e a roupa de quase um mês engomada. Eu nem pude reclamar, aqui estou lixada dos ossos, nem sinto os pés...adorei tê-la ajudado, foi um prazer!
Aqui estou eu a descongestionar o stress e o cansaço.Contente apesar de tudo. Teimosa, apenas bebi um chá verde e uma fatia de bolo de chocolate que fiz ontem, uma delícia, a cobertura ficou um espanto, cremosa a derreter suavemente na boca...ainda consegui introduzir o IRS, este ano diferente pela primeira vez. Amanhã pago os impostos, essa é para doer, e muito. E o 25 de Abril onde ficou neste me longo dia? 
como descrevi... há, ainda vi uns turistas de mochila às costas com cravos entalados à laia do que se viu há 36 anos nas espingardas...e alguns, poucos, murchos pelo chão...

2 comentários:

  1. Pois é Maria Isabel, por pouco não nos cruzámos na Feira de Algés! Mas como só apareço pela tarde, muito tarde, quase à hora do fecho, seria difícil!
    E, tal como a Maria Isabel, sou um falador nato! Falo com toda a gente que me quiser dar dois dedos de conversa! Porque também sou curioso e adoro saber tudo o que os vendedores quiserem partilhar comigo. Algumas vezes aprende-se, é verdade! Mas, a maior parte das vezes, tenho mesmo de confirmar as informação entrecruzando-as com leituras, com conhecimentos que vou encontrando on-line e com conversas com gente que, reconheço, entende mais que eu.
    Vou guardando junto de mim um conjunto de pessoas que sei serem conhecedoras e com as quais vou aprendendo algo do pouco que sei
    Tenho uma coorte de gente que vende nestas feiras (são quase sempre os mesmos que se deslocam entre as feiras da Linha ou a Ladra), que sendo muitos, conhecidos, alguns ultrapassaram mesmo essa linha e tornaram-se quase amigos, e até fazem o favor de me guardar esta ou aquela peça.
    Regra geral dizem-me coisas que reconheço serem refinadas mentiras, ou informações deturpadas, ou ainda coisas do "diz-que-diz", que sei não serem absolutamente correctas. Ainda não percebi se me querem enganar, ou se a ignorância é verdadeira, mas eu deixo-os, faço um ar admirado, de quem não sabe nada, e deixo-os desbobinar a "estória" ... e eles, por vezes, embalados pelo ar sequioso do ouvinte, enterram-se até à ponta da cabeça, outras têm algo de verdade no cerne da questão, mas o que constroem em torno, torna a informação quase inútil, e, pouquíssimos, sabem realmente o que vendem e a informação correcta do que possuem! Estes são de evitar cuidadosamente, pois pedem preços proibitivos, ainda que justos!
    Manel

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  2. Oh, Manel
    Divago tanto que esqueço-me sempre de coisas.
    A feira fez-me muito lembrar do Luís e de si por arrastamento, amigo que é.
    Vi uma banca com livros magníficos, caros todos sobre marcas de faiança, faiança de Miragaia, das Caldas, ...
    Ai, o que lá me lembrei de vocês, como os imagino á minha frente, tem vezes que olho opara tirar parecenças...do que nada conheço...sou uma craitiva nata.
    Deixou-me com água na boca...afinal o que trouxe para casa?...vá lá não é que gostava de saber, matar esta minha curiosidade.
    Beijos
    Isabel

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