sábado, 8 de maio de 2010

O meu tempo de criança em histórias da vida …

Maldita que não se enxerga! Sem quê nem porquês, se lembrou de tirar o cano do telhado, o fulcral avisador do tanque cheio de água, no sótão -, sendo a hora de desligar o motor elétrico, para parar de jorrar água para o patim...
Tormenta maior todas as semanas havia festim!
Cegas andava eu com a minha irmã na brincadeira.
Sem o maldito cano, a água espalhava-se pelo sótão, descia a escada,  entrava pelas rachas da placa e caia em chuva nos móveis. Exímias, em pouco tempo executávamos o trabalho com brio e excelência. As batatas no sótão nadavam, a escada de madeira mais parecia uma cascata, inundava o quarto da costura, e ainda descia para a loja. Desatino total. O melhor? Nunca fomos apanhadas pelos nossos pais, que jamais desconfiaram. Metódicas no excelente trabalho de equipa nesta execução de tarefa catastrófica em tempo recorde. Fantásticas, até nos excedíamos em entusiasmo. Cada uma sabia bem o que tinha de fazer e bem feito. Muitas das vezes para não dar nas vistas mudávamos as salas, e os quartos virados de pernas para o ar, uma mania que teima ainda persistir, e a minha filha Dina herdou de genes " O nosso lema - Valente e Valente, Lda."
Bons os banhos tomados neste tanque, cuja água era usada na casa (?) sem eles saberem...
Também dos tomados de mangueira na loja.
Pior ao abrir a torneira do patim com o motor ligado era choque garantido -, a "filha da mãe" nunca esteve ligada à terra, tantas descargas em nós "de caixão à cova" e, sovas pelo couro da nossa mãe quando nos apanhava, galgas lhe fugíamos, no seu dizer de raiva " suas malditas, estafermo, sempre a inventar, agora tingem roupas"… Ao lume na panela velha de esmalte com bolinhas azuis e água a ferver com pozinhos comprados na loja do Carlos Antunes, um desatino.
Na minha casa, comer em paz? Deveria ser. Implicativo meu pai por tudo e por nada, de saúde frágil, esquisito com a comida, tudo lhe fazia mal, a minha irmã também não ajudava, irrequieta, teimosa, só fazia o que lhe dava na "telha" persistia comer com as mãos, em vez de usar os talheres, havia horas de exaltação e até bofetada "de meia-noite" às refeições... Qual quê a comida não surtia efeito, tão pouco era saboreada, uma pilha de nervos sempre com medos pela imprevisibilidade, tinha momentos que se transformava num demónio. 
Martírios que todas passamos e não foram assim tão poucos. 
Coitada da nossa mãe, e de nós! 

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