quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Bem hajam a todos os meus bons amigos!


A nostalgia tem destas coisas, hoje deu-me para avivar a memória com lembranças da adolescência
Adorava tomar iniciativas, conversava com qualquer um, sem rodeios, de qualquer assunto,era uma miúda decidida,prática e simpática, num estilo moderno, diferente das demais, embora bastante tímida e reservada
Nos bailes tinha resmas de pares, a minha irmã confrontava-me e outras indignavam-se,não tinha aqueles atributos de encher o olho, era magra, em relação a elas algumas meninas já de imponente peito aprumado
Não havia baile onde não houvesse zangas e zaragatas, dava-me ao luxo de escolher o par para dançar,naquela de fazer sofrer, chatear, incrível escolhia o pior, o que nunca seria para espanto dos demais...
Sentir aquele fascínio de espicaçar era demoníaco.
Adorava testar ao limite um a um, esse gozo, incrivelmente divertia-me
Acaso algum decidia presentear-me com um sermão durante a moda dançada,logo ali o largava, assim sem mais nem menos
Reconheço que fui vezes demais indelicada e injusta!
Velhos tempos de dançar até rebentar com os saltos dos sapatos no largo de argila branca no Bairro de Sto António ao som do Dennis Russos e dos Abba...
Atrevida, descalçava-me no meio do corridinho, atirava-os com desprezo e continuava a dança
Tive alguns imprevistos com tanta imprevisibilidade e fogosidade...não é que ficavam atiçados...enquanto eu só pensava em me divertir sem envolvimento algum!
Num desses bailaricos com o meu gravador ali à porta do Mocho na esquina com uma antiga estalagem em plena estreada real o Alberto foi a casa buscar pilhas e demorava-se, enquanto esperávamos, conversava-se e ria-se
Naquilo fomos surpresos com um grito de pedido de ajuda, todos corremos na sua direcção
Para nosso espanto, o Alberto tinha-se atirado para dentro do poço, sorte a dele, que era verão, a água não o cobria e com o balanço conseguimos traze-lo acima
Incrédulos todos ficaram sem perceber a razão de tal nefasta aventura.
Infelizmente, eu tinha a resposta...ciúmes!
Apaixonado, recatado, já não bastava sentir-se inferiorizado em relação a mim por não estudar,alguma coisa lhe disse, que não recordo mais e para chamar a atenção não foi de "modas", atirou-se mesmo, para estragar o baile e conseguiu!
Não valorizei, só anos mais tarde quando efectivamente se suicidou eu compreendi.
Não que sinta remorsos, nada disso, mas poderia ter sido muito mais agradável, e não fui, sei que não fui
Abusava das mini saias, sempre as adorei.
Adoro provocar, tirar do sério, descambar, depois ala que se fazia tarde...fugia a sete pés...afinal eu era uma galga, segundo dizia o meu pai...a correr, claro está, pernas para que te quero...nunca fui apanhada!
Tive sorte e fui respeitada!
Sei que desrespeitei, marcas que ficam para toda a vida...
Não vingou nenhuma amizade, tais os ressentimentos, as dores, as mágoas.
Onde quer que nos encontramos, na terra ou fora dela, somos autênticos desconhecidos.
Doí!
A culpa foi de má aprendizagem, não fui habituada a respeitar os homens!
Aprendi só aos 50 anos,travei amizade com um homem que tinha apenas 39, colegas nas Novas Oportunidades, além de inteligente, mui respeitador, amigo de ajudar, sem pedir nada em troca, a que fui juntando outros também especiais, com isso tenho ganho fabulosos amigos, como jamais imaginei, jamais!
Tarde?
Não, é sempre tempo, estou viva, decidi aprender, valeu a pena!
Nesta vida, nada melhor que uma boa amizade, na partilha de conhecimentos, alegrias, humanismo
Geram-se empatias e cumplicidades por coisas que vamos descobrindo que também gostamos, guardadas no baú das recordações,empoeiradas à espera de chamamento, de uma luz para acordar e resplandecer de novo!
Bem hajam a todos um a um.
Todos diferentes, todos iguais, todos fundamentais!
Numero-os pela ordem que os fui conhecendo nestes últimos 3 anos.
LJ,AE, MD, JM, LM, M
Ups, também fiz amigas,MG, NS e vão aparecer mais...
Para mim amigos de coração!

4 comentários:

  1. Pelo gentileza que teve em me considerar um dos amigos que aqui fez, tenho a agradecer-lhe o cuidado que sempre teve no tratamento comigo, tanto mais que poderia perfeitamente ter-me ignorado, pois afinal o blog é mesmo do Luís. Eu nem blog tenho nem sequer prevejo que algum dia o venha a ter.
    Por norma, quando o blog é de outra pessoa ignoro completamente os outros comentadores, e comporto-me sempre como se não conhecesse quem quer que seja, pois tenho medo de invadir o espaço de terceiros. Mas estou tão à vontade com o Luís, o qual conheço aliás há muitos anos, e com o qual tenho tantas cumplicidades, que me senti à vontade, depois de o consultar, claro, em me dirigir também a si. E aliás, foi sempre tão simpática e afável com a minha presença, que achei que não haveria grande mal se invadisse também o seu espaço. Por isso, aqui estou!
    Continue, pois gosto de a ler, sobretudo quando escreve sobre as suas memórias da região que nos é comum, pois como vivi toda a minha infância e adolescência fora dali, sinto que me foi roubado um bocado. A Maria Isabel está a preencher essa lacuna, bem haja por isso
    Manel

    ResponderExcluir
  2. Obrigada Manel pela sua autenticidade, uma das características que aprecio em si, além de outras...claro
    Pena ainda não o conhecer, será um dia destes, numa feira, agora já conheço o Luís
    Bem haja pela força, e tem sido muita, vou continuar a escrever, sobre as minhas lembranças e sobre a nossa região
    Bem haja
    Beijos
    Isabel

    ResponderExcluir
  3. Querida Isabel
    E eu que estive aqui tanto tempo a escrever-lhe e na altura de postar o comentário o texto evaporou-se....Fiquei danada. Tentei reescreve-lo, mas claro, não saía nada de jeito.
    Mas na sua essência o que o texto dizia é que me sinto muito honrada, por me considerar uma amiga sua, sentimento que lhe retribuo. Aprendia-a a conhecer através dos seus escritos e acredite que a estimo.Gosto da sua maneira de ser generosa, verdadeira,cheia de genica e encanto.
    Por outro lado, o que escreveu teve o condão de me remeter, para a minha própria adolescência...Os bailes... que maravilha, os jogos de sedução (já saberíamos que disso se tratava?), as mini -saias, adorei as pilhas a acabarem-se :) também estive em bailes em que isso aconteceu!

    Sabe que andei com ideias de escrever sobre o "dançar", que é uma das coisas que eu gosto. Desisti, mas depois de a ler, qualquer dia aventuro-me.
    Um bem haja para si
    Maria G

    ResponderExcluir
  4. Oh Maria Gabela, deixou-me enternecida com as suas palavras
    Bem haja pelos bons momentos que me tem proporcionado, pelas cumplicidades...quem diria, até dos bailes!
    Vamos continuar a redescobrir sonhos
    Acredito que sim
    Sinto-me muito jovem!
    Beijos
    Isabel

    ResponderExcluir

Seguidores

Arquivo do blog