domingo, 5 de setembro de 2010

Feira-da-ladra no encontro feliz com a Marília Marques

Encontro marcado para sábado, 9 da manhã.Cheguei no cair da hora sempre a pé desde o Cais do Sodré.Esperando por mim a Marília, quase a reconheci pelos lindos e vaidosos cabelos negros.
Novíssima, linda, doce, muito educada, naquela de perguntar a um qualquer feirante algum preço e nunca esquecer de agradecer sempre, sempre!
Tantos conhecimentos com feirantes. Uma grande maioria a conhecia de outras feiras Cartaxo,Óbidos, Caldas da Rainha.
Verdade seja dita o que comprei, tive a sua ajuda na intermediação, pois é!
De realçar o seu olho clínico, apurado, do andar calmamente apreciando em pormenor cada banca, cada estandarte no chão despojado,conseguindo discernir autênticas bagatelas escondidas entre objectos comuns.
Gostei muito dela, alegre, despachada, inteligente, dinâmica,uma mulher de negócio esperta e muito afável.
Quando cheguei já tinha dado uma volta pela feira, os sacos esses pediu a sua guarda debaixo de um estaminé a uma amiga feirante. Dentro da mala guardava uma lembrança linda em casquinha para o namorado Daniel.
Dinheiro gasto num instante. Tivemos que ir à voz do operário levantar mais, quase ficámos depenadas...
Comprei um castiçal em latão, lindíssimo para embelezar o meu oratório da casa de província, um minúsculo par de jarros de bicos gomados, encantadores em tons de azul, uma enfusa decorada a cantão popular com tampa,ainda uma palma de esmalte para acender uma vela na casa rural, sim essa por causa dos roubos está quase toda decorada a esmaltes, ainda uma pequena leiteira da VA em verde escuro , um lençol de linho com monograma e um casaco comprido típico de terras de Miranda do Douro que por não servir à Marília que aliás lhe ficava lindamente pelo preço 12€ , novo, acabei por trazer comigo, fez-me lembrar aquela espera ao relento, um frio de rachar numa manhã à porta do Museu.
A minha amiga comprou muita coisa bonita.
Corrida a feira de lés a lés ainda tive tempo para me perder na conversa com um vendedor de fósseis, artefactos encontrados no mar, rios e castros, alguns objectos de ferro, tem um detector de metais, e alguma pequena estatuária. Palavra puxa palavra e numa de saber a destrinça de uma bóia de mar e uma de rio que lá ficou com grande pena minha e só custava 5€, acabei por trazer um dente de dinossauro fossilizado do jurássico que arrancou à serra da Arrábida, dos 3, o meu o mais bonito, fez-me um bom desconto.Quando eu lhe disse que tinha um grande fascínio por pedras disse-me que era geologo desempregado, fazia uns projectos com esperança de serem valorizados a longo prazo e nas horas vagas dedica-se ao mergulho ali junto a Tróia onde encontrou uma estatueta alta cheia de algas que vendeu por 1.500€ e veio a saber que era fenícia.Também me contou a estória de um ovo de dinossauro que o vendeu bem, sem ter a certeza de o ser, mas que tal se concretizou quando o novo dono o mandou cortar ao meio.Mostrou-me ainda o fóssil mais antigo que tinha na banca. Adorei a conversa, um bom contador de estórias que por certo travará com a sua elite de clientes habituais. Fiquei pasma quando me disse que anda nesta vida há coisa de 7 meses,cá para mim acho que o conheço há mais tempo, só faz a feira da ladra, Algés, Oeiras e julgo Paço d'Arcos, a piada é que tira 1.200€ mês!
Um homem fascinante, de discurso cativante, sem ser maçador sabe conduzir a conversa sem ser exagerado na temática, só sei que com ele perderia horas no paleio!
A minha amiga Marília dava voltas ao quarteirão, devia dizer para os "seus botões" mas que amiga eu fui convidar!
Deixámos a feira afanadas de sacos e saquinhos até Sta Apolónia, lá chegadas com jeito arrumámos os sacos no carro da Marília que ainda me trouxe até ao Cais do Sodré onde me deixou. Tinha uma prendinha para mim, uma caixinha de bombons.Conversámos sobre intimidades. A Marília emotiva solta as lágrimas, uma mulher jovem, romântica, que olhando o rio se lembrou do porto de Roterdão com 82 km2 de largo, mas dizendo que a nossa costa por certo será ainda mais bonita, na esperança de um dia destes a poder contemplar do mar.
Despedimos-nos com promessas de nos voltarmos a encontrar!

4 comentários:

  1. Anônimo disse...

    Duas boas amigas, feitas aqui no mundo virtual, com o Luís como divisor comum.

    Fico encantado pelas duas, que têm, seguramente, coisas diferentes, mas que contam sobretudo as que possuem em comum, doutra forma talvez não se tivessem dado tão bem. Um bem haja para as duas!

    Quanto ao senhor dos achados arqueológicos é um conhecido de há algum tempo, e a quem tenho adquirido vários artefactos.

    Gosto muito de perder-me na conversa com este vendedor, que vai tendo muita coisa interessante que contar, e é verdade, a sua conversa não maça!

    Uma boa semana

    Manel

    14 de novembro de 2010 15:50

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  2. 14 de novembro de 2010 19:30
    Ola Isabel, foi tão bom o nosso passeio...e por falar em "emotiva" cá estou eu lavada em lágrimas depois de ler o post! Obrigado amiga pela apreciação positiva do nosso encontro! Adorei, temos que repetir. E podemos passar pelo senhor dos fosseis mais vezes que eu não me importei minimamente com a conversa, achei até bastante interessante.hehehe
    Estive hoje a lavar todas as peças que comprei lá e mais umas que tinha por aqui que vieram da Feira de Óbidos do passado Domingo (onde alias acabei por comprar mais do que vender lol)e amiga depois de limpinhas, ficamos eu e o Dany a admirar tudo e realmente trouxe coisas bem bonitinhas para casa, vão ficar quase todas por aqui, pouca coisa vai ser para venda (talvez as garrafas licoreiras, pois já tenho muitas e não sei onde as colocar e mesmo assim tenho que ficar com uma pelo menos!!! Quando arranjar um tempinho faço umas fotos para as mostrar lá no blog.
    Quanto à Isabel, é uma mulher lindíssima, elegante, com o dom da palavra e que me pareceu conseguir adaptar-se a qualquer ambiente...enfim uma Senhora com muito charme e uma presença muito forte mas ao mesmo tempo muito amavel a atenciosa, uma querida, adorei conhecê-la...ah é verdade e em relação aos "cabelos vaidosos" minha querida, não há grande diferença entre os nossos, não fosse a Isabel estar bem penteadinha e eu desgrenhada com um aspecto meio "Wild", como é habito, e dir-se-ia que pertenciamos à mesma familia. :-)

    Tambem concordo com o Manel, somos mesmo muito diferentes, com experiências de vida bem distintas, não há duvida que o que nos aproximou foi o que temos em comum mas também não tenho duvidas que o que tornou o nosso encontro tão interessante foi o facto de termos "mundos" diferentes e os podermos partilhar...o que também foi engraçado foi ter duas visões da mesma coisa (da própria feira)vindas de dois pares de olhos tão diferentes...
    foi muito bom, temos que repetir, quem sabe se para a próxima não encontramos o Luis e o Manel por lá perdidos no meio da multidão anónima...
    ...mas para a próxima vou buscar a Isabel ao Cais porque desta vez os passos foram muitos e as pernas não têm culpa desta paixão por velharias, feiras e pessoas...

    Beijinhos
    Marília

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  3. M Isa disse...
    Olá Manel , obrigado pelo seu comentário.
    Confesso, dá-me um prazer demoníaco fazer à pressa um post e depois numa de socapa vir alterar ou ainda dizer algo que me tenha passado, esse frenesim é que me acalenta a alma, do que fazer "tudo certinho"...
    Vinha eu, agora mesmo para escrever uma nota sobre uma estória com uma vendedora e já tinha dois comentários.E esta hein!
    Sabe, quando falei do vendedor de fósseis fi-lo porque sabia que é um daqueles castiços que nos preenchem quer pelo que vendem quer pela postura , então não sei que foi nele que o Luís viu e se apaixonou pela Vénus de Willendorf e que ele chama carinhosamente de Vénus pré-histórica...só que eu antes também a mirei,mesmo que a quisesse comprar, o meu marido, não ia na conversa...
    Valeu, fiquei a saber que também além de ser um grande amante de porcelana inglesa também não lhe escapam artefactos do passado, igualzinho a mim.
    Beijos e boa semana
    Isabel

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  4. Olá Marília, obrigada amiga, tão querida.
    Olha vinha eu alterar o post naquela de acrescentar outra estória que se me escapou, duma vendedora a seguir ao vendedor dos fósseis, dizia ela que não passava a roupa, bastava pôr 2 bolas de ténis dentro da máquina, as partículas dos átomos fazem que roupa saia da máquina impecável, não necessita de ser passada a ferro, basta ser sacudida e pendurada direita, diz ter aprendido num programa de televisão e que as pessoas tem dificuldade em aderir, mas que é uma grande poupança de electricidade e de tempo. Falava para um homem alto, eu e outra encostadas a ouvir,o homem desconfiado não queria acreditar, incrédulo vai daí a colega da vendedora disse-lhe, olhe ela fartava de me dizer e eu não ligava, vai dai um dia experimentei e não quero outra coisa...
    Marília, obrigada pelos seus elogios, há que séculos não os ouvia assim de um jeito tão eloquente. De facto continuo a dizer só encontrei verdadeiros amigos depois dos meus 50 anos, todos de inexcedível valor.
    Como eu lhe disse e aqui repito valeu a pena ter passado as "passas do Algarve", ter sofrido tanto, karma meu, desta minha vida que me permitiu encontrar pessoas que me preenchem com elas aprendo e me sinto feliz, como tal nunca antes acontecera , só por isso valeu a pena ter passado um período negro...que já lá vai, estou agora mais viva, mais mulher, com o ego valorizado e com alguns bons amigos e amigas, a Marília a mais novinha.
    Bom trabalho e muito romance com o Dany.
    Adorei a manhã de sábado...

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