sábado, 11 de setembro de 2010

Nascente do rio Nabão e do seu afluente Agroal!

Ansião-, o concelho está inserido no planalto do Maciço de Sicó que engloba Condeixa até à serra de Alvaiázere, e para oeste abrange a serra de Sicó. A rocha predominante -, o calcário, é frágil e parte com facilidade pela erosão, criando muitas fendas, a água infiltra-se armazenando-se em grandes grutas, que se chamam algares - por isso os terrenos são mais áridos e secos, sendo que a água, essa corre muito funda sobretudo no verão. Desconhece-se o tamanho do algar do rio Nabão. No poço Manchinho, na Fonte Carvalho, no concelho de Ansião, nasce o -"rio velho", Nabão.Muito provavelmente o velho e o novo rio Nabão nascem do mesmo algar (?), sendo que o novo Nabão rebenta aos Olhos d'Água quando a gruta  por não aguentar mais água das chuvas a expulsa pelo poço feito na década de 40, assim poços da mesma época; Manchinho, Ameixieira e o do Olho do Tordo em Alvaiázere.No tempo dos romanos o rio que passava em Tomar deram-lhe o nome de Tomarel, seja já em tempos do século XIX (?) que o tempo por apenas o ver com águas na altura dos nabos (?), lhe desse o nome de Nabão(?).
Aos Olhos d'Água num raio de escassos quilómetros nasce noutra gruta a nascente o rio Dueça, já pertença do concelho de Penela. Dizem os antigos que a proveniência da água dom Nabão é do mesmo algar do poço da serra da Ameixieira,  onde conta que antigamente foi feita uma experiência - "atiraram laranjas que vieram a aparecer no Agroal"...
O Agroal é o maior afluente do Nabão, sempre a brotar água seja inverno e de verão sito no limite do concelho de Ourém, o maior caudaloso afluente que no vale lhe corre aos pés passando por Tomar.Acredito que as gentes destas redondezas julguem que a nascente do rio Nabão seja no Agroal...mas não é!
Agroal
Agroal, onde o afluente se junta ao Nabão
O que sei é que as águas tem as mesmas propriedades na cura de mazelas de pele, rezam-se estórias de curas milagrosas com aquelas águas, equezemas e outras moléstias.
Nem a propósito, uma estória verdadeira: O meu tio Alberto Lucas era enfermo com uma doença de pele, foi pela sua mãe,minha avó tratado com as águas do rio Nabão em Ansião nos tanques que existem por debaixo da ponte medieval, onde reza a lenda da Rainha Santa se apear da sua liteira para beber água fresca e dar esmola a um Ancião...
Ponte da Cal em Ansião

Quis o destino que nos anos 40 - outra nascente no Moinho das Moitas a que chamaram de "Olhos de 
Água" perdurasse até hoje, como a principal nascente deste rio.
Exsurgência dos Olhos d'Agua, o poço da nascente cujas águas provêm de algares cársicos
Eira atual


Citando o núcleo dos amigos das lapas, grutas e algares
Olhos de água de Ansião-Mais um passo para a exploração sub-áquatica
“Ontem, (23 de Novembro) mais uma grande exploração no Maciço Sicó, desta feita nos Olhos d’Água de Ansião (Gruta da Nascente do Rio Nabão).Pela primeira vez foi possível explorar a seco a galeria freática que desce até aos 80 metros de profundidade (falta confirmar desnível com topografia!).Esta galeria apenas tinha sido visitada apenas uma vez, pelo espeleo-mergulhador João Neves (SAGA) em 2005.
Muita, muita lama, tipo manteiga e muitos metros de corda e cabo eléctrico sujos, mas valeu a pena!
As explorações futuras estão neste momento mais facilitadas devido ao alargamento da estreiteza que antecede esta galeria descendente, sendo que a exploração subaquática é agora bastante mais fácil e poderá dar resultados surpreendentes.
Entaladeira
Rampa final
Foto do sifão terminal

Desde sempre ouvi falar da apanha de agriões na ribeira do Nabão, assim no meu tempo de infância se chamava, a Fátima Duarte que morava no Moinho das Moitas os apanhava, mas não são agriões, antes ranúnculos aquáticos, de nome científico Ranunculus peltatus.Mantos floridos de branco como se fossem tapetes. 
Desde sempre local para encontros e namorados
Os meus pais
Com os meus colegas do Colégio

Contraste da antiga ponte em pedra com o meu marido

Contraste da antiga ponte e eira com a minha filha
O novo leito do Nabão

Aqui existia ao tempo um conjunto de azenhas minúsculas serpenteadas ao longo de ribeiros estreitos tipo levadas ladeados por muros de pedra solta , no curso principal havia o moinho com uma enorme roda de madeira para a elevação da água, tradicional neste rio até Tomar.
  • Também havia a seguir um Lagar de Azeite e um Alambique.Ainda sou do tempo de ouvir falar que o Ti Parolo mestre do Lagar  que desceu à gruta, coisa de 40 metros para tentar bombear a água para fazer trabalhar o Lagar.
Saudades dos Olhos de Água da minha meninice,de ver grãos de milho a saltar da mó e dos taleigos enfarinhados dos fregueses que eram entregues à porta de casa pelo moleiro na companhia da sua carroça puxada pela mula - do cheiro da aguardente a sair por tubinhos a escaldar,das batatas roliças espetadas num arame em roda assadas no brasido - da linda ponte debruada a grandes lajes -da eira repleta de agriões floridos - da água a fugir de mansinho pela porta aberta ...
Durante anos no dia do entrudo gostava de lá ir apreciar a beleza das águas na viagem por entre pedras grandes e pequenas, muita espuma, cascatas brancas...em melodia sinuosa.
Tenho fotografias desse tempo com os meus pais a namorar nos anos 50.
  • Sei que o espaço foi prejudicado há anos com o traçado do IC 8, precisamente debaixo dele na curva haviam as últimas nascentes de "Olhos de água" - quando andava no colégio ainda por lá tirámos fotografias.
Hoje o espaço foi revitalizado, mantiveram o que puderam, o moinho grande em pedra  podia ter ficado...parecia uma casa de r/c e sobrado todo em pedra, era diferente, histórico.
Podiam ter feito melhor? Podiam! Ter a ousadia de manter a eira redonda e a ponte de pedra!
Ah! Porque não ter aproveitado a largura do dito rio no términos da barreira em borracha para uma piscina? O verão em Ansião é abrasador!
O espaço enriquecia de gente nos dias tórridos de calor, a fazer lembrar tempos idos que eu e a minha irmã tomávamos banho mais abaixo junto às Lameiras por entre agriões escondidas pelos verdes e espigados milheirais das fazendas de extrema com a ribeira, assim chamada aqui - e não rio!
  •  Reproduzo uma foto antiga de tempos de antanho. A mulher é do Casal.

 Rio Nabão num adeus sereno na Igreja Velha
Os rapazes do colégio iam mais abaixo aos Mouchões
 Ponte Galiz  

Marquinho no açude junto às tamargueiras floridas em rosa pálido em jeito de beijar as águas correntes na represa... 
Ponte romana-,triste é no verão   o rio  vai seco...seco...
Depois da ponte do Marquinho 
Deixei o carro da minha mãe na estrada
 
Que dizer do investimento com apoio comunitário, em todo o país vingado e aqui falhado!
Onde está a água no verão? Nos espelhos? Há que a bombear!
Queria água, muita água em Ansião no verão!

 Formigais 
A nascente da Fonte Grande desagua no Nabão


Fonte da Mata na Botelha em Formigais
Em tempo de chuva parece uma cachoeira
Olho do Tordo em Pelmá



FONTES
https://nalga.wordpress.com/2008/11/29/olhos-de-agua-de-ansiao-mais-um-passo-para-a-exploracao-sub-aquatica/

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores

Arquivo do blog