quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Património histórico desaparecido em terras de Ancião!

As minhas recordações do património que inexplicavelmente desapareceu, também o que está em vias de extinção em Ansião.Sendo uma fervente mulher persistente,  teimo afirmar que nesta terra existiu um pequeno Mosteiro -, apesar de nada existir escrito sobre a sua existência até ao momento ! 
Transcrevo um email do meu amigo e historiador Dr. Manuel Dias," para ele não existiu nenhum Mosteiro em Ansião, o que houve foi uma Igreja dedicada a S. Lourenço na parte Poente da Vila, que hoje não se vislumbra onde seja (provavelmente esta que eu conheci e aqui descrevo). Diz também que não houve Convento porque a documentação vernácula do início do século XVIII descreve a vila e as suas instituições e não fala do Convento (diz-se sempre que há ligações da Igreja local com o Convento de Santa Cruz de Coimbra). "
Versão semelhante a do Padre Zé Eduardo Coutinho, que me confidenciou ter também dúvidas de tal existência (?), por nada ter lido que o ateste . 

Grande ou pequeno, certo é que uma igreja existiu no local. 

Muito gostaria eu de saber o motivo da decadência, possivelmente anterior ao Terramoto de 1755, sabendo que o pároco não falou nele no Inquérito Paroquial de 1758, a que respondeu, como todos os outros párocos do Reino, muito menos abolido no tempo do Liberalismo, fato acorrido à posterior, acredito há muito desabitado , quiçá por incêndio(?), peste, abandono ou o terramoto de 1531 (?).
O nome do Mosteiro, sobrevive na toponímia nos dias d'hoje, ainda o conheci apenas com duas casas a que nos últimos 50 anos outras se construíram e o local está completamente descaraterizado pelo grande enclave de casario, todas diferentes de paredes meias, possivelmente com o reaproveitamento de muitas pedras aparelhadas à mistura com velhos barracões no primitivo local onde um dia se instalou um Mosteiro pequeno. 
Digam o que disserem resta a toponímia "Vale Mosteiro" poucos saberão que se localizou no Vale que lhe ditou o nome para perpetuar na toponímia para sempre a sua existência neste local (?) com poucas ruínas nos dias d'hoje. Tive o privilégio de ter invadido esse espaço privado com 8 anos de idade numas férias de Natal com a minha irmã, já nessa altura sem o saber -, as pedras, o património antigo, incitavam em mim um fascínio enorme para descobrir. Tínhamos uma propriedade muito próxima -, de férias da escola decidimos pegar nos cestinhos de verga que o nosso pai encomendara por altura da feira dos puseiros em agosto ao "Zé Mau de Aquém da Ponte, e numa de fazer de conta de as passear e trazer alguma azeitona da fazenda da Vinha para retalhar e " também enfeitar a campa do nosso caniche -, o "Franguinhas" sepultado debaixo de um grande pereiro . Mal chegadas ao olival o tempo escureceu de repente ameaçando forte chuvada, no momento o abrigo surgiu no Mosteiro a escassos 100 metros... o nome como era conhecido. 
Fácil foi entrar à nossa direita na serventia para a casa do Ti António Serrador, na esquina havia uma casita de pedra e uma nogueira velha onde nasce um muro de sustentação ao aglomerado habitacional primitivo cujo formato original ainda presente em "L" sendo francamente alto a poente com o desnível do terreno para o vale -, visto precisamente de baixo apesar de assoreado de terras faz lembrar um forte onde no chão vi restos de uma pedra retangular esculpida em formato de rego, teria sido serventia de saída de águas (?) .Se fizessem escavações acredito encontrariam restos de pedras afeiçoadas, faiança e inertes, que poderia ajudar na catalogação . 
Entrámos pela serventia do caminho e, mais à frente do lado direito deparámos com um patamar retangular cheio de erva baixa, rebordado pela frente em pedra tipo soleira com friso fino -, tivemos de dar um impulso à pernita para o subir, o espaço apresentava-se amplo -, seria o chão primitivo do Mosteiro (?) e no canto esquerdo, uma parede de pedra com uma porta larga de madeira muito velha virada a poente, com cantaria em oval em estilo gótico ( só mais tarde quando estudei percebi) mas identifiquei ser igual apesar de muito maior, à que existia e ainda existe no tardoz da Misericórdia, que já conhecia quando brincava nos jardins do Solar dos Menezes, sob o olhar do meu pai que trabalhava no Tribunal. 
Sem medos empurrada a esburacada portada de madeira atada com cordéis, a cair de velha, deixava antever um largo corredor em terra doa lados e ao centro havia uma passadeira em laje de pedra calcária, quadradas, branquíssimas, muito polidas, grandes, todas iguais ( havia de ver mais tarde outra passadeira igual na Quinta das Lagoas -, noutra qualidade de calcário mais escuro, e outra igual no chão de uma casita pequena do Adelino Silva ao Fundo da Rua... 
Ao fundo do corredor abria -se um espaço que facilmente se atribuía na função de Igreja, com restos de arcos góticos nos cantos, e num exíguo quartito contiguo, curiosa descobri uma Pia de água benta e uma Cruz alta, ambas em pedra. Decidimos sair por uma porta a norte, já na rua por uma portinhola em ferro forjado com ombreira de cantaria encimada por pedra elegante, de pescoço alto com uma grande esfera, como vira mais tarde no Convento de Tomar, parece foi vendida, tal como a pia o foi há muitos anos para Lisboa pelo Sr Inácio do Bairro, com banca na feira-da-ladra, o mesmo fim teve a Cruz vendida pelo proprietário, o marido da Carmita do Bairro, para o Cemitério Novo de Santiago da Guarda.
Depreendo no raciocínio -,sabendo das vendas efetuadas na década de 60(?) a pia e o crucifixo pelos últimos donos, pode perfeitamente aventar-se a hipótese de os seus anteriores proprietários também já terem vendido outro espólio -, como livros, Santos...enfim tudo o que representasse dinheiro! Sabendo a vida difícil do povo nesses tempos de antanho...tal como hoje -, e da não servidão de peças de arte sacra nas heranças, fácil seria vende-las para se suprirem.  
Já a porta de arco ogival e a passadeira de pedras calcárias imensamente brancas onde outrora entrei numa manhã escura de inverno com a minha irmã e pisámos como se fossemos duas princesas... não existem mais devem estar soterradas no vazadouro de entulhos escolhido pelo construtor da casa do Nito tal como hoje as pedras afeiçoadas do hospital jazem ao fundo do pinhal da família do antigo presidente da edilidade Fernando Marques à beira do caminho que liga a Fonte da Costa ao estaleiro camarário...E assim se perde património!
Para mim o local é de eleição para ter assente arraial um pequeno Mosteiro(?).
O Mosteiro, composto pela Igreja, celas e adega, teria formato retangular (?) tendo pela frente a sul, o caminho medieval ou estrada Coimbrã vinda do cemitério onde comitivas de Reis e forasteiros tinham passagem obrigatória, e aqui se bifurcava em dois caminhos (?) um direito aos Escampados de onde vínhamos, e o outro para o Bairro de Santo António onde haviam estalagens. 
A Carmita recebeu de herança do seu sogro Inácio do Carvalhal , uma quota parte das ruínas do Mosteiro -nem mais nem menos do que a Igreja - acredito o teriam vendido à autarquia (?) se em tempo útil se mostrassem interessados em a adquirir. 

Recuando na história é pertinente pensar que aqui existiu um pequeno Mosteiro que bem podia ser pertença dos frades da Ordem de Sta Cruz de Coimbra cuja a propriedade se estendia de Coimbra até imediações de Ansião, Ordem mendicante ou militar (?).  
O que restou desse património - , um casarão construído sobre arcos de volta perfeita que teriam sido da adega (?),  e um peitoril na frontaria que outro igual havia na Igreja.Os degraus da escada da casa da Deolinda (azul) eram do varandim da Igreja, foram reutilizados sendo virados ao contrário.
Uma perda quase total -, irreparável para sempre , seja do conhecimento, seja da veracidade do que efectivamente aqui neste local existiu.
Arco no tardoz da casa, junto ao muro de sustentação restos de uma pequena coluna
Arco de volta perfeita dentro da casa 
Supostamente o pequeno Mosteiro ficou abandonado após o terramoto de 1531(?). Algo aconteceu para o Mosteiro e a Igreja de S.Lourenço, sita no terreiro do atual cemitério, terem sido abandonados e o burgo ter sido transferido para nascente onde se encontra a atual Matriz.Por isso acho plausível(?) a hipótese do terramoto de 1531, e as edificações ao tempo circunscritas no vale, poderia ter sido fator bastante de intenção de mudança (?).
Após a abolição das Ordens Religiosas em 1834, o património do Mosteiro foi vendido a particulares, sendo pequeno, é impressionante o número de proprietários .Aquele monumental conjunto de ruínas que conheci pertença de vários proprietários credibiliza a venda e não herança -, porque os proprietários não são familiares, isso corroba em parte a existência de um Mosteiro vendido como todos os outros por ordem do Marques de Pombal, e que julgo as certidões da Conservatória, devam dar conta de tal registo(?). 
O que lamento é que apenas nos últimos 50 anos do séc XX o que restava -, e era alguma coisa para se poder em absoluto concluir o que efectivamente aqui existiu, tivesse sido pura e simplesmente adulterado!
 Casa do António Serrador com um varandim 
Persistem em continuar alguns vestígios enigmáticos : pedra grossíssima com orifício ao centro a evidenciar Lagar dos monges (?).


Uma pequena coluna partida encostada ao muro de sustentação. 
Grades em ferro numa guarita e numa janela 
A palmeira igual à que existe na Quinta de Cima que morreu de velha há anos -, no entanto é uma curiosidade por se tratar da espécie mais antiga em Portugal plantada em jardins de palácios, Mosteiros e Solares do Reino trazidas no tempo dos descobrimentos 
Quatro arcos de volta perfeitos ainda de pé, embora só dois se vejam a descoberto, os outros estão por entre o casario antigo da casa da Deolinda (2) e do Ti António Serrador (2), no dizer do António Simões que aqui nasceu e viveu, irmão da Deolinda havia um arco parede sim parede não). 
Curiosamente uma das herdeiras do imóvel -, a Fátima disse-me que a sua mãe falava em túneis, este argumento achei-o mais perecível de veracidade,- foi na conversa com a "Fátima Pego" que me referenciou " em miúda ter entrado num buraco e dentro dele havia um algar" outros falavam que aqui se esconderam pessoas no tempo da guerra…argumentos muito válidos para a especulação da existência de um túnel...ou quem sabe por estarmos numa zona cársica se tratar de uma geoforma calcária tipo gruta que foi usurpada para sobre ela se construir . Falei com o António Simões "Arrebela" que viveu no local e confirmou a existência do buraco, que nunca lhe viu jeito de ser túnel com o teto em laje que foram dum varandim da igreja e onde uma vizinha chegou a criar coelhos, fazendo do buraco uma coelheira… 
Não é minha pretensão menosprezar os proprietários...de património, o que sabiam? Já da Câmara...todos os presidentes e foram muitos, nunca se preocuparam com a preservação do parco Património desta terra durante décadas -, apesar de propriedade particular, deveriam ter encetado conversações com os mesmos para terem adquirido o espaço invocando a legitimidade que lhe é conferida como um Bem Público de Interesse da População de Ancião tal como o fizeram em Santiago da Guarda na Casa Senhorial! 
Quem se lembra do Fontanário da Bica... em formato retangular revestido a laje calcárias enegrecidas pelo tempo ao endireito da ribeira do Nabão onde era o canil municipal a caminho das Lagoas -, no canto superior esquerdo havia uma bica a correr água fresquinha ladeada por pedras em jeito de bancos que serviam de mote para a lavagem da roupa (?), no nível abaixo havia um carreiro empedrado onde as mulheres assentavam os pés para não se molharem, logo abaixo o tanque de água corrente que se esgueirava em carreiro de queda livre para a ribeira . Cenário muito idêntico a outros que se vislumbram pela Bretanha. Lamentavelmente ficou há poucos anos subterrado no nó do IC 8.Sobre a ponte no Nabão de acesso à rotunda dos Bombeiros foi destruído o passadiço em pedra junto ao muro da propriedade contigua do canil que dava acesso a uma ponte em lage para as gentes das Lagoas atalharem caminho e eu com a minha irmã passámos algumas vezes para a nossa propriedade da Lameira.Hoje apenas visível a nascente de águas ainda potente que jorra debaixo do aluimento de terras feito para o ramal de acesso a Figueiró dos Vinhos, servindo apenas para alimentar extenso canavial a imitar campos de algodão-,bem poderia ser reaproveitada para bebedouro público com uma escultura em pedra da região para atestar esse património brutalmente destruído e esquecido!
Em jeito de remate vou falar do local onde existiu a Igreja velha , de orago a S. Lourenço. O nome do Lugar existe no aglomerado de casario junto à CUF. No aglomerado habitacional ainda existem umas ruínas de uma casa que na ombreira tem a inscrição de 1784 (?) Encimada com uma pequena cruz.
Algo semelhante encontrei na Várzea de Santiago da Guarda mais propriamente na Granja na aldeia onde existiu o Paço Episcopal do Bispado de Coimbra, embora estas mais elaboradas. 
A pergunta é pertinente, faria parte? Ou, trata-se apenas de uma característica particular do escultor? Seria casario pertença de frades jesuítas como sucursal(?) da Granja, cujas terras foram doadas à Companhia de Jesus em 1553 para se encarregarem de receber as rendas para o Convento de Santa Cruz de Coimbra em virtude da extrema da propriedade ser no limite de Façalamim Ansião (?) A meu ver os Jesuítas abandonaram a Granja no tempo que foram extinguidas as ordens religiosas.
Há um porém -, esta casa com o símbolo escultórico na ombreira estar aqui neste local na igreja velha a um quilómetro do suposto Mosteiro - eventualmente no contexto certo , se a igreja velha da toponímia ter mesmo existido onde hoje é a CUF, tal como na Granja as casas dos frades serviçais estão junto do solar, o que parece fazer mais sentido. E o que se julga Mosteiro o seria pequeno, mas muito mais antigo! 
Descobri na escritura de herdeiros da minha avó paterna um terreno chamado " Ribeiro da Igreja" de paredes meias com o cemitério.Este argumento forte de localização evidencia a localização da dita Igreja Velha no sitio do atual cemitério novo.
Falar do espaço onde foi o cemitério medieval e voltou a ser o local em 1875 onde o conhecemos hoje. 
O padre Zé Eduardo no funeral da minha prima Albertina do Escampado de S. Miguel foi gentil em mostrar-me uma sepultura aberta, nela escarafunchou telhos da época romana, neste local segundo a sua teoria "existiu um burgo romano e mais tarde medieval, o primeiro pelos muitos artefatos aqui encontrados: moedas de várias dinastias; restos de utensílios em cerâmica, faiança, e vidros; um pedestal com o pé de S. Sebastião; também andou muito tempo atrás de um jazigo um busto com a cabela coberta por farto cabelo em caracóis que o povo alegava ser do Marquês de Pombal (?) lembro-me de o ver, entretanto desaparecido, pode-se alvitrar de busto romano de mulher...era em mármore branco e ainda se descobriu uma pedra tumular com inscrição romana "STT" que no último alargamento do cemitério foi decidido incrustar a mesma no muro para não se perder, acontece que o rebocaram , não sei se sabem onde ficou(?).
Imagine-se só de pensar que Santiago da Guarda é hoje o centro nevrálgico do turismo no concelho graças a uma pedra de cariz semelhante reutilizada há séculos na parede da frente da torre medieval, de especial localização havia de gerar teorias e especulações até se chegar às ruínas romanas, muita sorte de ter sido dos escombros romanos aproveitada e logo reaproveitada com vistas de vassalagem. 
Num espaço restrito da "antiga Ansião" temos duas Igrejas a poente(Mosteiro+S.Lourenço) contando com a capelinha do Senhor do Bonfim ,foram três locais de culto.
Há ainda um conjunto de interrogações pertinentes a descobrir neste espaço, nomeadamente pelos vestígios de ocupação romana e medieval no espaço do cemitério e no mercado -, e até no que resta do espaço onde esteve edificado o Mosteiro. 
Pertinente é pensar na existência de túneis “passagens secretas, obscuras “do Mosteiro fazendo fé nas lendas … “haviam arcos a ligar o Mosteiro ao Senhor do Bonfim diz o povo que caíram com o terramoto de 1755, só ficando um de pé (que são três) ” conhecendo o terreno o grande desnível a poente não acredito nessa possibilidade, mas sendo o Bonfim ao tempo de gente abastada,- quinta da Boa Vista podia ter limites para nascente com extrema no vale e nele haver arcos. Outro boato ” havia túneis que o ligavam à capela no Escampado”…Também não acredito por o terreno ser sempre a subir, embora no local da Capela houvesse vestígios de ruínas da era de 1500/600 (?), tais factos deixam-me a pensar e alicerçar a veracidade da existência do Mosteiro naquele local, o buraco é sabido ter existido por debaixo do varandim de pedra, sendo que conhecido há roda de 50 anos a ligação ao corredor se encontraria soterrada (?) até porque o Mosteiro teria sido desativado a meu ver após o terramoto de 1531 (?) julgo faz sentido a ligação por túnel à igreja de S. Lourenço a nascente-, prática na altura usual entre Igrejas e Mosteiros, sabendo que o trajeto é curto, e pelo jeito do terreno ser a direito -, tese que poderá vir a “corrobar que a dita igreja de Lourenço teria sido edificada no lugar do cemitério novo” no caso, o lugar mais perto do ribeiro em detrimento de outros locais apontados (Igreja Velha e Mosteiro) onde acredito também existiram locais de culto, mas mais longe do dito ribeiro - a prova fulcral (?) porque a escritura dos meus avós atesta a propriedade confinante, e vendida para o seu alargamento, cognominar-se “Ribeiro da Igreja”… 
O Padre Zé Eduardo também me confidenciou que nas obras no recinto do mercado foram em tempos encontradas estruturas de arcadas de fornos (?) mais tarde voltaram ao local sem os conseguirem encontrar. Sendo que o mercado foi edificado em parte da Quinta do Dr. Faria onde se especula haver ainda achados a descobrir "os tais arcos podem muito bem ser do túnel ou de termas romanas…", caso que a meu ver ainda se deveria averiguar a sua existência. Sem desacreditar estas hipóteses na verdade falei com o Carlos Moreira do Casal S. Braz (Pirão) quando andava no colégio a estudar deu serventia ao pai, pedreiro, nesta quinta do Dr Juiz(Faria) também chamado por cauteleiro fardado ao endireito da casita em ruína do Lucas andaram a fazer um poço com minas  com arcos em cimento e areia lavada, para não salitrar, para encontrar água que por Ansião é rara. Uma técnica ao que parece antiga na região-, as minas com arcadas serviam para armazenar a água.
Outro património em vias de desaparecer, supostamente faria parte inicial da propriedade do Mosteiro, sita a poucos metros do referido Mosteiro onde ainda existem ruínas de casa de traça antiga 1600? com as tradicionais floreiras de pedra que ornamentavam as janelas de avental, no meu tempo de garota, chamavam-lhe casa assombrada - pela sugestão do enorme cedro de cúpula redonda e do grande tanque de pedra onde os animais saciavam a sede e depois foi lavadouro . O que gostaria de ver a casa restaurada, poder olhar de novo as janelas de avental, nelas as pedras a ladearem com vasos de sardinheiras vermelhas neste lugar altaneiro -, o mais bonito que a vila tem, que bem aqui ficava o "Museu de Ancião"! 
O Museu (?) …Andava há muito tempo para o visitar, a placa identificativa estava sempre a esbarrar-me no olhar a caminho da casa de minha mãe, há coisa de três anos convidei a família para um almoço Pascal, nas vésperas passei pelo edifício da antiga Cadeia, aqui não entrava desde miúda quando o Sr. "Marnifas" e a D. Celeste moravam com os filhos. Interpelei um homem atrás de uma secretária - pelo jeito licenciado...que após o cumprimento ao lhe perguntar se poderia visitar o Museu, olha para mim de alto a baixo não para me tirar as medidas, há muito que o elixir da juventude deu cartas, o que me deu nervos foi presenciar os movimentos com as mãos no remexer do fundilho dos bolsos das calças e de galopante respondeu-me" Museu, Museu, não existe" -, retorqui, não existe? Então e as placas? O homem calou-se, engasgou, vi-me obrigada a agradecer e de volta no caminho de regresso vinha a balbuciar, não existe. Finalmente as placas foram retiradas em setembro desse ano, ao que se fez constar "o Museu não cumpria as normas". 
Infalivelmente se acudissem ao tema -, se para tal houver mérito maior, pode vir a nascer o que faz falta a esta terra, apesar de um dia ter nascido torto, houvesse força para o fazer como deve ser feito, local apropriado para o "nosso Museu "existem vários para todos os gostos: Bairro de Santo António no que resta dos barracões seiscentistas; Casa da Quinta do Dr. Faria; Vale Mosteiro na casa do António Serrador Quinta das Lagoas ou a casa que foi da D Paulette … 
Imergente a necessidade de um Museu na nossa terra, que testemunhe a antiguidade e tradições de Ansião desaparecidas ou em vias de extinção, também dos artefactos que ao longo de anos foi sendo encontrado, (lucernas, machados do paleolítico, moedas, contas de tear, facas em sílex, placa de xisto e o percutor encontrados na Fonte Santa em 1866 junto a uma sepultura, ainda outros achados do passado encontrados na zona de Atenha e Chão de Ourique e noutros sítios. 
Não me vão dizer que fazem parte total, ou parcialmente , espólio museológico de alguns curiosos e amantes dos mesmos como uma mulher de um presidente usou cobres doados pelas gentes para o Museu e deles fez vasos na varanda... 
Aqui ficaria a meu ver muito dignificado o espólio particular de alguém que conheço e não revelo, acredito que gostaria de o admirar num Museu digno dedicado à sua vida de pesquisas, preservação e catalogação com muito carinho desde pequeno. Também de outros, que acredito existam. 
Pessoalmente adoraria que a minha mãe me surpreendesse com um Espaço Museológico no que resta do seu barracão seiscentista ao cimo do quintal no Bairro de Santo António, nele exporia as minhas faianças, barros, esmaltes, rendas, fósseis, pedras, coisas de um passado da nossa terra, fui estimando e adquirindo…
Quem se lembra dos bancos cilíndricos em pedra que embelezavam a Praça do Município? Retirados por volta de 1970, assim como as árvores centenares, substituídas por novas, mal escolhidas, não medraram e já se passaram décadas... 
Para finalizar na serra da Ameixieira existe uma grande exploração de pedra para calçada e adorno de exteriores, numa das minhas visitas ao local, fez-me recordar a Pedreira do Galinha para as bandas de Fátima, apesar de menor dimensão, só deveria ser desculpável se acaso encontrassem vestígios de pegadas ou fósseis de dinossauros ou o algar do rio Nabão...em tempos por aqui encontrei machados (?) afeiçoados pela mão do homem no tempo da Pedra, não estão catalogados é certo, mas que são, são... 

Para quando a existência de uma Escola de Cantaria em Ansião? Da região partiram muitos artífices para a construção do Mosteiro de Aljubarrota e da ponte da Fonte Coberta e,...concelho com boa pedra da melhor qualidade, sem estátuas? Onde estão aos beneméritos da terra? Será que não há nenhum?...Ah! temos o Pascoal José de Melo, o Jurisdiconsultor! Até tem nome de rua em Lisboa! Oh, não convêm ...porque em coloro com o Marquês de Pombal autorizou a execução da Família dos Távoras...horror da nossa história, quiçá da nossa terra pelo facto do ilustre ter aqui nascido, por isso não tem estátua?. 

Há outras estórias com história para a Constantina, Fonte Santa...

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