terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Feiras de velharias;Ladra e Paço d'Arcos no mesmo fim de semana

Fim de semana em grande, velharias e boa comida.Ainda sorte na companhia da minha querida filha. Amazing!
Sábado rumei até Lisboa no lugar marcado o nosso encontro, percorremos a feira estava para o fracote, o nevoeiro não ajudava. Comprei uma travessa quinada com uma grande flor em azul ao centro e bordadura da mesma cor por 10€, o vendedor com a banca no chão vestia calças de cabedal e blusão de motar...Ainda um prato de Sacavém do cavalinho num azul luminoso, intenso que reteve o meu olhar,uma tampa de um prato coberto de Sacavém em preto muito pequena por 2 € partida, ficou de morrer num escaparate da saleta e um pequeno prato de faiança por 8 € partido muito colorido com um vidrado invejável, todo ele num tom amarelado, regateado pelo estado. Estes pratos há décadas pendurados, trazem inclusive os arames feitos à medida, a antiguidade destas faianças e as diferenças de temperatura fazem estalar a massa, e abrem simplesmente. Já comprei três assim. Tem de ser muito bem colados caso ao serem de novo pendurados nas aranhas acabam por cair, e ai perdem-se de vez.Naquilo a minha filha repara num caixote muito estreito coisa de 15 cm e 60 de comprimento todo ele compartilhado em madeira grossa, muito interessante para nele se porem velas, 5 € ficou a matar na sua mansarda de Alfama. Horas de almoço na descida a caminho de Santa Apolónia uma tasca habitué, peixe fresco grelhado a refeição completa 6.5€ com bolo de bolacha, bom demais. 
Caminhada até ao carro na zona do Jardim do Tabaco fomos fazer umas compras ao Lidl, de volta carregados com os sacos calcorreamos as escadinhas de Alfama até casa dela, uma ajuda preciosa onde cheguei sem fôlego. No pátio uma vizinha simpática dizia,"deixem aqui ficar, não se cansem mais, deixem cá..."gente humilde de bom coração, sempre deles ouvi boas palavras. Arrumada a despensa, roupa na varanda de ferro forjado a secar, porta entreaberta para a maldita humidade fugir. Viemos embora a olhar para o Tejo com os turistas de máquinas e objectivas a tirar fotos a tudo...
Chegamos cedo a casa ainda fomos dar uma volta a pé pela cidade, encontramos uma antiga vizinha do 1º prédio onde moramos. Ficou radiante de nos ver, já lá vão 18 anos, a minha filha nunca mais a tinha visto, nós apenas uma vez ao sair da missa no Cristo Rei. Caiu a noite, fez-se frio a caminho de casa -, horas de fazer o jantar,  vim brincar para o PC como o meu marido diz -, a filhota apresentou com as sobras guardadas no frigorífico um jantar de gala. Linda menina, aprendeu tudo com a mãe e ainda com amigas, certo é que sabe apresentar como ninguém, até dá gosto.
Refastelados nos sofás com as mantinhas ficámos a ver televisão.
No domingo levantamos pelas 9 H, nas calmas fomos até à feira de Paço D'Arcos. Deixamos o carro mesmo em frente do palácio dos Arcos que lhe deu o nome, apreciamos a zona histórica com belas casas a serem restauradas na traça antiga, muitos remates dos telhados em porcelana das fábricas do norte, Massarelos, Santo António da Piedade, pena não levei a máquina, estava de nevoeiro...Chalets abandonados entre os fornos de Cal e o jardim de frente para o rio, de lá vinha uma humidade sem igual, coitados dos vendedores na feira de velharias que habitualmente ali montam as bancas, tremiam a bom tremer de frio.
Eu fiquei de conversa afiada ao meio da feira com o vendedor dos fósseis -, artefactos encontrados em antas, mar, sei lá mais aonde. Geólogo, desempregado, chamam-lhe o Pedrinhas, anda nisto há coisa de 1 ano, eu julgo que o conheço há mais. O ano passado ofereceu-me um "raspador" da pré história em silex, muito pequeno que encontrou na praia da Galé. Antes de sair de casa à pressa fui buscar uns fósseis de conchas e uns de rosquilha que encontrei no Cristo Rei há anos quando fizeram uns buracos para plantar cedros, meti tudo nos bolsos do casaco comprido cheguei ao pé dele cumprimentei-o, disse-me logo, "já tinha pensado em si, há que tempos que não a vejo" dei-lhe o que trazia, admirado explicou que as de cor de argila eram mais antigas, coisa de 20 milhões de anos, enquanto que a escura só tinha metade do tempo.Ainda me disse o nome, mas escapou-me...
Queria contar-me que com a ajuda de uma pessoa conseguiu fazer um livro sobre arqueologia que vai ser editado pela Minerva no CCB daqui a 20 dias. Até me disse as teias do negócio.Explicou as premissas do livro, sentia-se apavorado "tenho medo de ser preso..." Palavra puxa palavra disse-me que o livro ia revelar uma grande descoberta submersa no mar, coisa grande maior que Roma com casas, ruas, palácios, colunas, estátuas de testa alta, olhos encovados, nariz muito grande, queixo saliente e cabelos em jeito de trança virado para trás tipo cifres de granito, o que se estranha.Tirou muitas fotografias até onde a sua objectiva alcança, 60 metros. Na minha curiosidade perguntei como descobriu, se foi ao acaso, disse que não, foi atrás de lendas que sempre ouviu, juntou umas e outras, ainda me contou duas...
" alguém que precisava de cuidados veio à aldeia pedir ajuda, com ele foi uma mulher que chegada ao areal pergunta "vamos para onde?" naquilo entram num túnel no meio das rochas... " Outra "do pescador desaparecido que foi e voltou do mar" ainda...
Anda nisto julgo desde 1995. Não revela no livro as coordenadas, o que compreendo. No entanto quase me disse a extensão onde se situa a grande cidade que a meu ver será uma descoberta de grande riqueza e dimensão no mundo arqueológico. Fiquei maravilhada ali ficava o dia todo a ouvi-lo... Ainda tive tempo para o descansar, a meu ver tem o mérito da descoberta que pelo que diz é coisa grande, muito grande e que terá um impacto quer a nível nacional quer a nível internacional, por certo irão aparecer grandes empresas de pesquisa submarina para fazer a supervisão dos achados, cataloga-los dar a conhecer tal projecção do nosso Portugal à beira mar plantado e aos pés molhado ruínas de excelsa beleza, também, quem descobre no mar alguma coisa é da pessoa...ele vira-se para mim e respondeu num gesto de franzir a boca em jeito de não...será que as leis mudaram?
Fazia-se horas para me despedir, outros feirantes à laia de conversa riram-se para mim, "isso hoje é que foi conversa com o Pedrinhas..." . De facto este contacto anónimo é para mim incrível, autêntico, enche-me de alegrias. Esqueço tudo!
Finalmente fui ver a feira, não é que ocasionalmente encontrei dois pratos, um muito pequeno, outro grande iguais à travessa que tinha comprado na feira da ladra na véspera? pois é, o interessante é perceber que não se trata de loiça de Coimbra como aqui os vendedores os tentavam vender, o vidrado branco atira para Aveiro ou norte Devezas?.
No entanto pediam pelo pequeno de sopa 35€ e pelo grande 50€. Num estaminé no chão três pratos companhia das índias, demasiado sujos, dizia o vendedor "estão cheios de nicotina..." partidos colados, um faltava-lhe um pedaço, dizia ele, quem os mandar restaurar ficam como novos, fazia um preço acessível... Não levei carteira. Resmunguei no corredor da feira. Chamaram-me à razão,"para que queres tu mais pratos destes se já tens 5?"...tentei explicar, só sei que os queria, amuei!
Fiz birra, de tal forma que o meu marido disse para a minha filha, vamos lá...fomos três vezes e de vez, compram-me dois...vim satisfeita, mal falei até ao carro, só ouvi...isto tem de parar...o melhor é começares também a vender na net...
Mal chegamos a casa mudei de roupa num ápice meti mãos ao almoço, já tinha deixado adiantado o cozido -, uma e meia o almoço estava na mesa, antes a filhota fez um paté delicioso saboreado com tostas e bem regado com vinho do Dão.
Loiça na máquina e fomos tomar sol na varanda.
Os pratos de Cantão lavados com o esfregão de palha de aço e lixívia foram depois à máquina, saíram como novos, mal se percebe que estão colados, brilhantes. Sorrateira fui pô-los na entrada, refiz a decoração, no total sete sendo dois mais pequenos. Incrível , lindos, maravilhosos sem dúvida os eleitos de todos. 
Não é que ficaram de queixo caído a pedir desculpas...sou de olhão!

2 comentários:

  1. Ola Isabel querida, fiquei tao contente ao ler este post....parece que eu tambem lá estava convosco neste fim de semana...até deu para sentir o cheirinho do cozido do almoço de Domingo.....!!!:-)
    ...e o senhor dos fossei, hã????!!!Tenho que arranjar maneira de chegar ao livro, fiquie super curiosa!!!
    O meu Domingo tambem foi interessante, mas só te posso contar ao vivo e a cores, porque as palavras até me fariam corar...acho que me vais entender muuuuuito bem!!! Depois falamos!!!
    Um beijinho muito grande
    Marília Marques

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  2. Querida Marília tu és demais. Incrível gostares de ler os meus desabafos

    Bom fim de semana para ti e Dany
    Beijos
    Isabel

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