domingo, 30 de janeiro de 2011

Feira de velharias em Carcavelos

O sol acordou-me para me fazer saltar da cama em dia agendado para passeio a caminho da linha do Estoril, porque ontem ainda vi o Enterprise, o porta aviões norte americano com mais de 300 metros de comprido ancorado no Tejo, navio brutalmente cinzento de tamanho descomunal. Na marginal o rio estava sereno, lindo o jato de água na praia de Paço d'Arcos, soberbo a fazer lembrar outras paragens, mas o destino era Carcavelos, onde percorri as ruas com bons exemplares de chalets. Fui parando para apreciar os muros com términos de pedra solta calcária -,esculturas pela erosão, alguns com delicados buracos. Algo se me fez luz na minha grande  paixão por pedras que pode muito bem ter raízes no Monte Estoril, quando frequentei o colégio religioso  As Salesianas , onde também havia muitos muros assim decorados.Tudo tem uma razão de ser, encantada fiquei por voltar a relembrar 1971.
Em Carcavelos entrei no recinto do mercado e dei uma voltita pelas bancas de velharias, de todas as feiras na região da grande Lisboa, a mais fraquinha (?) ao centro havia uma banca com  mãe e filho, supostamente traziam bens de herança, trazida em sacos azuis do Ikea, estava apinhada de gente,, e pelo chão pratos de Alcobaça com versos, pratos de cerâmica do Redondo, um deles óptimo para a sardinha, no pregão da senhora, ainda uma pequena panela de ferro com a tampa, candeia, vidros, e, ...impressionante os vendedores não sabiam o valor que pedir pelas peças -, à pergunta dum curioso sobre o preço da candeia de azeite, a mãe demorou a ditar preço, se mostrando a filha mais crua para o negócio com ele ficou entalado na garganta... o filho em jeito de aviso dizia-lhes, vou buscar mais ao carro, isto está a dar...não lhes comprei nada, tive pena, havia um covilhete gracioso inglês azul sem azul, nem roxo, a esfumar-se em sépia, tinha ali sido partida ao meio, pediam 1€...do meu marido ouvi raios e coriscos, o costume nestas situações. Na sorte comprei um conjunto de vidros em verde, lindos, prato, taça com seis tacinhas e respectivos pires, o vendedor ao fazer o embrulho dispersou-se no atendimento a outra freguesa, e por lapso não meteu tudo dentro do saco, e nenhum de nós reparou.Demos outra volta à feira, nisto ele irrompe à minha frente -" desculpe, ficaram aqui estes"...agradeci, mas não confiante ainda olhei toda a sua banca e reparei noutro embrulho junto às roupas, e pergunto - desculpe isto aqui também não será meu? Fomos ver era a taça...há que estar atento, sempre!
O melhor da festa foi a compra de um conjunto de arte nova - saleiro e pimenteiro brancos com relevos em preto...deliciosamente belos por 2 €, assinados.Irresistível, oferece-los à minha filha, imagino vê-los na sua mesa, na mansarda...acredito vão ficar um espanto!
Ainda passei em frente à igreja, julguei estar na província porque se ouvia o padre ao adro, para soltar um sorriso, à porta com um letreiro " Bar Aberto"- desci os degraus gastos, achei graça à conversa doce da minha filha "gostava de aqui casar ou na igreja do Estoril". Interessante nos dias de hoje os jovens ainda pensarem em casamentos em igrejas...a tradição não muda - acrescentei -, sabias que a igreja dos Salesianos, faz parte do meu manancial de memórias, fazia parte do coro na missa aos domingos, quando estudei no Monte Estoril.
Parei no quiosque para comprar o jornal, à minha frente um letreiro"Hoje há bacalhau à Minhota", com a graça do "O" de hoje ter uma cara pintada...sorri com a delícia deste bom e saudável humor.
Gente Boa.Gostava de morar por aqui, até vimos algumas boas propostas...Perdido o norte ao carro, finalmente encontrado, hora de acelerar, fazia-se tempo de vir acabar o almoço, um cozido à portuguesa, como sempre um prato de comer e chorar por mais.

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