terça-feira, 22 de março de 2011

O sol vai-me dizer o que falta saber!

Sintomas de inquietude, o meu estar nesta manhã de sol escondido, tonturas,carisma estranho. Ontem uma amiga de longa data telefonou-me, marcado encontro para tomar café, desabafar, foram quatro horas. A primeira vez em mais de 30 anos, deixou cair a carapaça, ser ela mesmo, coração aberto, falou, desalmadamente..Chorou a bom chorar!
Comemoramos o aniversário no mesmo dia. Uns anitos mais velha, até parece mais nova, vive em grande conflito interior e no trabalho, depois de 38 anos de tudo dar e pouco receber quer reformar-se, o patrão esse diz que não!
Impõe-se a tomar medidas sobre a sua vida, fazer mudanças...
Atarantada gere os problemas sozinha, alguma medicação, raros amigos, marido ausente, pede colinho e ajuda...Nem os filhos a viver a sua vida se preocupam, desvaloriza, são rapazes. Fins de semana apáticos,vive em permanente desconforto conjugal,marido egoísta, pensa só no seu umbigo, não deixa por nada o ginásio para manter o corpo atlético, continua no despropósito de a maltratar, distrates em cadeia, maus modos, palavras duras, soam mal de todo imerecidas.
Conheço-a bem. Excelente dona de casa, poupada, séria, mãe, compreensiva e tolerante num tempo que tudo fez para ele poder estudar à noite, anulando-se na sua ascensão profissional, ele progrediu, reformado há mais de dois anos, de novo a trabalhar no Algarve onde tem outra casa.Sente-se cansada da vida que tem. De ser desrespeitada.Também do modo de vida que ele enveredou após a reforma, nada melhor a vida que tinha antes,saia às 8 da manhã e voltava às 9 da noite sem dizer por onde tinha andado durante meses até arranjar novo trabalho,há dois anos, vidas em separado, ele não se preocupa em gozar férias com ela, agora que tem uma vida desafogada podiam aproveitar para conhecer o mundo,economista , diz que não sabe gerir dinheiro ao invés dela que sempre o amealhou, facto estonteante!
Tranquilizei-a.Ainda lhe perguntei se não havia outra mulher na vida dele, desvalorizou, continuo na minha, haver há!
Acrescentou, estou farta, nem os bens materiais me interessam mais, só tenho pena, porque não foi esta a vida que idealizei.
Confidenciei-lhe que também eu estou em mudança, admirada, ficou aliviada, sempre em mim bebeu a sabedoria das palavras certas sem hipocrisia em momentos de crise. Conheço-a bem, sei como ferve em pouca água, se altera, enerva, perde as estribeiras e com elas o bom senso, prejudica-se e muito. O mesmo que eu, porém apanho as rédeas mais cedo, prática resolvo na hora com precisão, ela odeia, eu não, esqueço simplesmente, sem contudo esquecer,quem me faz mal, desligo como se a morte fosse o fim ...Perfis de karma com personalidades marcantes.
Ambas sabemos que o viver acomodado está em vias de extinção. Sinto-o eu, ela, e outras como nós.
Não fossem os problemas para resolver, solver a contento de todos,tudo se tornaria mais fácil, sabemos. Corremos nesta vida, fizemos amizades, ajudamos pessoas e no entanto estamos sozinhas, caricato é quase ninguém, poucos se lembrarem de nós, do que fizemos,do que ainda valemos e temos para dar.Enxutas, queremos mais, muito mais. Para trás ficam memórias, coisas boas e menos boas. Anseios por vida nova,conviver com pessoas que nos respeitem, admirem, contemplam, que valorizam a nossa criatividade, a nossa juventude, os nossos ideais de poupança,que desfrutem dos valores da família e dos bons prazeres da vida.
Depois de uma vida agitada em correria para o trabalho por conta de outrem,em ser donas de casa sem remuneração,ainda mães,sem nunca deixar de ser apenas mulher!
Ciclo prestes a chegar ao fim.Novo se há-de iniciar, e se não der certo, de olho na esperança, essa sim vale a pena não deixar esmorecer.
Tempos de valorizar a nossa auto estima, de ser livre, de viver tudo a que se tem direito.Teimar em ser feliz!
A vida corre depressa demais, só com coragem se consegue vencer os obstáculos.
Há tempos iniciei essa corrida, ela vai ainda iniciá-la.
Despedimos-nos calorosamente.
A Primavera acorda despertares...
Ando há que dias nessa caminhada, na procura incessante,escolha feita?
Faltam acertar detalhes.
Ponderada, balanço prós e contras, atitude conservadora que sempre me consola avaliar.
O sol um dia destes...
Irá dizer- me o que me falta saber!

3 comentários:

  1. Cara Maria Isabel

    Raramente venho a este blog. Talvez injustamente. Mas quando aqui entro, sinto sempre que folheio as páginas do seu diário, que violo até certa forma a sua intimidade e fecho rapidamente o blog.

    E no entanto, talvez faça mal, porque há bonitos textos como este. Recordei-me de uma escritora portuguesa, já falecida, a Maria Judite Carvalho, cuja leitura influenciou toda a minha juventude. Num dos seus romances, a personagem central, uma adolescente, a Mariana acorda a chorar durante a noite porque se sente irremediavelmente só. O pai tenta-a consolar explicando-lhe, que apesar de vivermos rodeados de pessoas, estamos sempre irreversivelmente sós.

    Não resisto a transcrever-lhe um bocadinho do que o pai lhe disse “Todos estamos sozinhos, Mariana. Sozinhos e muita gente à nossa volta. Tanta gente, Mariana! E ninguém vai fazer nada por nós. Ninguém pode. Ninguém queria, se pudesse”

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  2. Olá Luís.
    Gostei imenso de o ler. Tenho um 3º blog esse anónimo sim, o meu diário...
    Neste vou escrevendo memórias, passeios, desabafos...
    Gosto de escrever,pena não o ter feito há mais tempo.

    O remate do seu comentário é extraordinário
    "E ninguém vai fazer nada por nós. Ninguém pode. Ninguém queria, se pudesse”

    Com paciência acredito ainda haver, como diz o ABRUNHOSA na canção

    Tudo o que eu te dou
    tu me das a mim
    tudo o que eu sonhei
    tu serás assim
    tudo o que eu te dou
    tu me das a mim
    e tudo o que eu te dou...

    Somos uns românticos...
    Beijos
    Isabel

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