quarta-feira, 4 de maio de 2011

Esquecia-me, o mais importante é ser feliz, muito feliz!

Último sábado de abril de 2011 acordei  com sonhos de tréguas e rumei a Setúbal, um hábito de anos. Adoro apreciar a transformação da paisagem, sempre em constante mutação, pelas novas vias de comunicação, grandes superfícies comerciais, e novo casario, vinhas a rebentar gaviões, ladrões, gavinhas em hélice e corninhos a imitar caracóis.Na Quinta da Bacalhoa que data do século XV em Azeitão,cujo proprietário  atual Joe Berardo.
Brutais contrastes deslumbrantes da serra da Arrábida, veredas com névoa, aldeias semeadas pelo vale, cavalos no pasto, manjedouras com palha ,banheiras com água...Grande o quintal repleto de galos de todos os tamanhos de cristas vermelhas, esporas amarelas e penas de todas as cores, emproadas as pretas que reluziam aos raios de sol.
A cidade de Setúbal acordou fresca, de mãos nos bolsos percorri a feira. Poucos feirantes. De conversa com um vendedor de Barrancos, homem muito educado e com sentido de etiqueta, snobe e mui delicado. Um verdadeiro gentilmen...Não resisti à compra de um bule sem tampa de Alcântara e mais uma prateleira para candeeiros a petróleo, pratos e ainda camarões para pendurar as chávenas. Mercado em obras. O agora improvisado de paredes meias abarrotava de afluxo de gente.Não cabia mais. Morangos de Palmela, rijos, gordos, doces, pão da Lagoinha, entrecosto e morcela para as favas, cebola nova para a salada de alface cortada em juliana, batatinhas novas, vinho e o jornal. As minhas compras.
Cheguei a casa e preparei a favada aromatizada com coentros trazidos do lavrado de minha mãe. Mesa posta nesta época do ano na marquise.Prazer em degustar a contemplar o metro de superfície e o rio Tejo. Vista da marquise a perder de vista, dada pela altura no último andar. Um regalo, sem preço.
Saboreamos a dois o repasto. Ainda queijo curado de cabra. Morangos e uma fatia de Pão de Ló sobra doceira da Páscoa, iguaria da minha mãe, do melhor.Café e um cheirinho de bagacinho. Arrumada a cozinha num ápice, lavei os dentes e rua para tomar ar, abater calorias, refrescar o olhar, saborear repentes!
Sentados num banco na praça Gil Vicente deparei com uma limusina banca. Saiu uma noiva.Perguntava-me a mim mesma, se alguma vez tinha visto uma noiva tão simples;elegante, muito morena, cabelos longos, ramo de jarros brancos, no melhor, já a vestimenta do piorio; calça beje à boca de sino e colete creme, lavrado sem estética, corte a direito não a favorecia.Contei os convidados coisa de uma vintena. Todos trajavam sem rigor de cerimónia, para não chocar com a noiva... Pior o seu pai apareceu de calça e camisa às riscas, barriga saliente e oculetas no nariz, meio careca, sem casaco para levar a filha ao Conservador.Convivas faziam de fotografo, máquinas digitais, e uma manual. Arraial sem pose para fotos eternas...
Dizia eu para os meus botões, será da crise?
Não. A noiva chegou de limusina!
No caminho de casa pensei como é bom sonhar em casamento, fadas madrinhas, festas, bailes e prendas...
Esquecia-me, o mais importante é ser feliz, muito feliz!

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