quarta-feira, 4 de maio de 2011

O meu marido a convidar-me para petiscar paio e um copito de vinho rosé...

Véspera do meu aniversário de 54 primaveras em dia vulgar, ao meio da semana. Acordei com o sol a estatelar-se na vidraça da marquise.Teimei voltar a fechar os olhos , acordei com a despedida do meu marido.Mais uns minutos e levantei-me, o sol -, esse tinha ido embora.
Bebi o meu café cheio de creme com um pãozinho pequenino repleto de manteiga dos Açores. Há anos que não lhe sentia o paladar. Comprei-a para a alcatra à moda da Terceira. Vibrei com o sabor, lembrei-me da minha infância, não havia dia que não saboreasse manteiga Primor, o que eu gostava de a tirar do papel e pôr na manteigueira.
Muito cedo, ainda não eram 8 horas decidi ir ver a minha telenovela que felizmente acaba esta semana, aprendi a gravar, insuportável o horário, tudo por causa do share. Fintei-os.
Horas de dar um jeito à casa. Puxei as orelhas ao lençol bordado, alisei bem a colcha, não gosto de nesgas,ontem tinha feito limpeza geral, num ápice ficou o quarto arrumado.
Pior a varanda, pelo chão um mar de pétalas das muitas sardinheiras. Enchi uma pá cheinha. Um jeito aqui outro ali e duche. Pronta sai para a minha caminhada, voltei por volta das 11 horas. Não resisti a um quadradinho de chocolate preto, carências...
Abri o PC, horas de tratar da gestão das contas da minha filha e da minha também.
O sistema não me permitiu fazer uma aplicação financeira tive de voltar a sair.
Apreciava o vaivém da avenida através da marquise, no passeio ligeira vinha a minha boa amiga Augustinha, conterrânea do Avelar com mais de 80 anos, elegante, de óculos escuros e saquinho das compras pela mão,estranhei a hora, passava da 1,30, deu-me o mote, adora conversar, possivelmente perdeu-se na cavaqueira com o seu gestor no Barclays.
No banco tratei com o gerente do depósito Specil One...
Saí -, irresistível não olhar para a casa dos hambúrgueres. Mas a exigência da dieta a que me propus no inicio de abril deu-me o mote para me equilibrar, pensei na alcunha que um colega há anos tinha dado a um cliente com mania de grandeza oriundo de Serpa, "Hambúrguer com olhos", depressa resisti à tentação.Rápida a substituição por um salgadinho, um croquete ia saber-me bem, também resisti, passei ao lado da pastelaria...
Entrei na papelaria pedi para ver os boletins do euro milhões, uma vez mais goradas as minhas perspectivas de ser rica...
As ideias precipitavam-se na minha cabeça, o tempo ameaçava chuva, continuar a andar ou voltar para casa. Eis que me decidi continuar e que tal comer uma canja no Abanico.
Apesar da boa canja ser sempre a da minha mãe, quem sabe raízes da confecção da que ficou celebre, “canja de galinha”, sopa servida a Wellesley quando nos primeiros dias de Agosto de 1808 desembarcou em Lavos,na Figueira da Foz onde estabeleceu o seu quartel general por oito dias, período de tempo necessário ao desembarque de todas as suas tropas.Em cartas dirigidas à sua esposa, Kitty Pakenham, reunidas no livro de memórias da duquesa, descreve a dita sopa e aponta os ingredientes: galinha, orelha e toucinho de porco, enchidos, couve, massa, cebola e sal.
Curiosamente esta canja originou nesta zona outra variante de sopa associando feijão, eternizada pelos ratinhos das Beiras na safra das vindimas pelo Ribatejo.Hoje conhecida como Sopa da Pedra.
Servida a sopa em prato e na travessa as carnes, tal e qual como no tempo das invasões francesas foi servida ao General e ao seu exército, uma malga para a sopa, um prato para as carnes servidas à parte e outro com hortelã de que se juntava à sopa ao gosto de cada um.A canja é um prato asiático, que terá sido difundido por Garcia da Orta (médico da Corte e naturalista português), que, nos Colóquios dos Simples e Drogas e Coisas Medicinais da Índia fez referência a um certo “caldo de arroz ou canje”.
Ao chegar, defraudada fiquei, o placar avisava sopa de agrião.
Sentei-me, saboreei um excelente consome, só pensava nos agriões a nadarem na eira da nascente do Nabão em Ansião pelo Carnaval...
Voltei a caminhar,o calceteiro tinha terminado de remendar uma série de buracos ao longo do passeio com cimento ainda fresco.
Aqui e ali perdia-me em olhares fugazes nas montras e nas muitas casas de sobrado com papéis para aluguer,e brasileiros de telemóvel na mão a perguntar o valor das rendas. Acabei numa agência de viagens. Junho as primeiras férias a sério deste ano, talvez Palma de Maiorca seja um destino apetecível.
Mais uma caminhada até ao Pingo Doce, umas compritas de última hora, ovas de bacalhau para o jantar com grelos coveiros e ovo cozido, adoro saboreá-lo coberto de pimenta.
Mexilhão da Galiza, num segundo senti saudades da Corunha, Vigo, La Guardia.
Uma das muitas entradas do jantar de amanhã, queijo do Rabaçal, mortadela de peru com azeitonas para os canapés e ainda presunto para servir em bolinhas de melão.
Cansada, a primeira coisa foi atirar com os sapatos, despi-me e duche...
Depois tive de arrumar as compras...
Deu-me um ímpeto forte, uma vontade de escrever, melhor consolo neste dia...
Não...Oiço o meu marido a convidar-me para petiscar paio e um copito de vinho rosé!

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