segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Ensaio de romace na magia das Velharias - VIII Capítulo

Sinto que Lila vive momentos de grande inquietude e ansiedade, mulher de mente sonhadora parte em direções dispares, de mente fértil em devaneios imaginativos, quase irreais, cria com facilidade situações hipotéticas, questionando-se em constantes dilemas:ora sim, ora não,quiçá talvez...
Acordei com sol mas frio, abri o PC entre vários e-mails tenho um de Lila a sugerir um almoço, precisa de desabafar, agracia-me com palavras doces, " sua amiga predileta"... encantada com o elogio, também faminta de mais saber do seu romance, o convite não poderia ter vindo em hora mais assertiva, em rigor confesso que me sinto nas nuvens como se fizesse parte do enredo que a cercou nesta etapa da sua vida!

Almoço marcado para a Carolina do Aires na Costa de Caparica, sentadas na varanda da lateral com vista magnifica para o oceano, perdemos olhares nas ondinhas de espuma branca a finarem pelo areal, razia de gente à beira mar que parece não as querer desta forma saborear, pelos vistos optam caminhar no paredão em vaivém desordenado em conversas e contemplações, a mirar a imensidão do manto de água e do sol em bailado de raios de luz entrelaçados às cores, em tons; prata, verde ou azul, quem sabe outros caminhantes pairam a sonhar, eu também adoro!

Lila irrompe em elogios ao meu perfil:boa ouvinte e conselheira, na gíria uma psicóloga...serei uma conselheira "de língua forte, acutilante e objetividade", não desprezando o respeito por quem adquire a sua formação academicamente, que não é o meu caso, só me limito a falar do que sei, pelas experiências e, pela maturidade angariada no percurso ao longo da minha vida, não desprezando a vaidade, sinto-me lisonjeada por ser portadora dos seus segredos...

Abordámos o nosso novo negócio, a venda de velharias, ambas um pouco desiludidas, julgo que não temos carisma para feirantes, entrámos na altura errada, sendo a procura menor que a oferta, mesmo assim ambas esperamos melhores dias-,o inverno com frio nem apetece comprar, dissemos em uníssono para nos consolar de fracassos...

Lila confessa-se esfuziante por ter conhecido Adriano, poderá ser o príncipe dos seus sonhos(?).E abre de rajada o seu livro, diz-me " na vida, o importante não é ser, ter ou parecer-, o importante é fazer, construir e desenvolver sentimentos ou capacidades."
Sei que sou por natureza uma eterna insatisfeita, mas quem não o é(?)
"Não valorizo conquistas, às vezes, nem as festejo, já estou a partir para novas e assim tenho vivido sem sequer "curtir" alguns sucessos do foro emocional, já de outros, pelo contrário, festejo em demasia...
Não quero nesta idade continuar a ter medos, a fazer conjeturas, planos, a idealizar e nunca passar à prática, quero muito acreditar que é de vez, o homem por quem esperei toda a minha vida!
Usando a minha tolerância e ponderação quero encaixar-me ao centro, onde dizem estar a virtude para devagar, chegar a bom porto!
A persistência, um dos meus fortes, com o passar dos dias, meses e anos, há determinados valores morais que entretanto foram adquiridos, mas outros nem por isso, ao ter esta grande oportunidade, quero aprender mais, já que se mostra muito inteligente, crescermos juntos, provar que somos os dois feitos um para o outro, merecedores deste grande amor...que Adriano me fala tão explicitamente, adorna o meu coração de prazer, entra pela noite dentro de mim no pensamento a gravitar em insónias, delírios desenfreados de forte paixão, dou comigo a rabiscar o seu nome na minha pele, acredito que a ele também...
A energia da força do amor!
Pondero mudanças definitivas,são provas que tenho de superar a mim mesma."

Delirante foi sentir a presença de tanta energia positiva nas suas palavras, na força da sua voz, do seu querer.Remata a dizer que sentiu uma vontade imensa de lhe contar mais sobre si, do seu passado,dos seus receios, dos traumas, pergunta-me se quero ouvir, mortinha estava eu por o saber...

" Teria muito para lhe dizer meu querido, no essencial direi que tendo tido uma vida razoável, modesta, a contar tostões durante anos, sem ser feliz, não sei o que é a felicidade, viver em comunhão com ela...o meu marido no momento que me conheceu foi acometido de amor à primeira vista, ao fim de cinco dias já falava em casamento, surpreendida, sem paixão acabei o namoro umas quantas vezes, nunca desistiu de mim, lutou e, por fim ameaçava-me que se matava...foi o primeiro homem da minha vida, a noite de núpcias, nem quero lembrar, não senti colo, nem tão pouco beijos,que não me aqueceram, muito menos um terno abraço,despautério maior surpreendi-o a contar o dinheiro das oferendas dos convidados, homem conservador, sem experiência, sua única namorada,s em garra amorosa, atrevimentos ou loucuras, fetiches que aprecio, tais faltas criativas despojadas de doçuras, sei hoje me despertam fogosidade...eis que nos encontramos sozinhos pela primeira vez no nosso quarto engalanado com enxoval de linho, despi-me sozinha, ele também, estreei camisa curta de cambraia branca com lacinho de cetim, mal enfiei nos pés os chinelos brancos de cabedal comprados na Sapataria Lisbonense, um número abaixo do ideal, o jeito no momento foi deitar-me, tinha acordado muito cedo...não havia música, tal falta enregelou a meu ver o ambiente, tão pouco preliminares...saberia ele o que eram (?) eu também não, até beijar mal sabíamos, não me acariciou o corpo, não me tocou, nem sei se senti a sua pele, num ímpeto salta para cima de mim, a frio só pensava nele, quase que acaba antes de começar, fiquei pior do que estava, senti-me suja por dentro e por fora!
Interrogava-me incessantemente, é isto o amor(?) não pode ser, falam em prazer,em sentir auras de nirvana,que fazer para também o sentir?
Assim foi nesse dia, no outro, em tantos mais, a que se somaram anos,sempre acreditando que seria possível vir a amá-lo, ser amada como merecia!
Maldito presságio de adolescente, que sabia eu do amor, tal não aprendi em missais caducos carregados horas a caminho da igreja e da escola, tamanha frieza dos professores, tais medos deram em chumbos, por ser tímida, também em casa nada aprendi!
Na balança da razão ponderei o fato de ele não fumar, ser poupado, trabalhador, educado e gostar de mim, embora sem o saber demonstrar. Ao fim de oito dias,o meu maior desejo era o divórcio!
Libertar-me, fugir dele!
Grande e fatal erro o meu, pensar primeiro nos outros do que no melhor para mim, assim avaliei os desgostos que por certo infringia aos meus pais ,na despesa do casório, nos boatos que acarretaria na província, sim porque foi lá que cresci, de ficar "mal falada", vi-me forçada a acomodar-me à vida de casada. O tempo foi passando, difícil foi contestar que o meu marido tinha medo de ser pai, engravidei julgo por obra do Divino Espírito Santo, tal como a mãe de Jesus, tais os cuidados,obrigada fui a abortar...até ao dia que bati o pé, disse que não voltava a fazer e não fiz, nasceu a minha filha,debalde não quis mais nenhum filho, ameaçou-me se eu fosse para a frente que não me ajudaria a criá-lo, tive de me resignar.Colmatei essa frustração de falta de amor e ausência de carinho com tempos de vaidades, infeliz, desforrava-me em boas toilettes,elegante,agora com mais dinheiro e muito bom gosto,até ao dia que acordei, refleti na burrice do ato, uma mera tolice,afinal despertava interesses noutros, na certa à noite se derretiam com outras mulheres, à laia de mim, casada, mas sozinha, ficava " a ver navios"...sempre me "fiz muito cara, nunca estive a saldo" pecar(?) só por amor, e, esse nunca encontrei...assediada no trabalho, nos transportes e na rua, chegava a casa acometida de vontades, louca atirava-me a ele para o abraçar, repudiava-me,afastava-me com as mãos,com ironia dizia, guarda para logo à noite na cama...triste tive de me resignar, como se o amor tivesse local e hora para se fazer sentir...não havia afetividade, nem beijinhos de bons dias, nem abraços que tanta falta me fizeram, muito menos senti amor, havia de vez em quando sexo, que só me fazia sentir um depósito de espermatozóides...após o parto senti frigidez, tinha aversão ao sexo, mesmo sendo "frete"não descuidava a minha higiene diária, mentalizada que seriam apenas uns minutos de tortura, ilusão de aparente conforto com horas de descanso, debalde não o conseguia pelos pensamentos negros que avassalavam a minha mente como "acaso me pudesse decepar da barriga para baixo, não hesitaria em fazê-lo, para ele fazer dela, o que melhor lhe aprouvesse", de tal modo furioso, intolerante, faminto de desejo perdia o bom senso,batia-me, forte e feio...envergonhada fui trabalhar de olhos negros, obrigada a mentir, a inventar estórias, sentia um medo incrível dele, difícil seria perceber quando poderia acontecer outra vez, imprevisível,qualquer desagravo era motivo para mudar num repente, quando menos se esperava,tal fúria irrompia sobre mim aos murros, socos, puxava-me pelos cabelos,a única forma de me fazer calar, nunca me virei a ele, até ao dia, anos mais tarde,destemidamente o enfrentei " a próxima vez que me bateres um de nós morre,seja a faca, o ferro, o que for que tenha na mão, não vou ficar mais quietinha a levar porrada e ficar calada, quero lá saber se os vizinhos ouvem, que oiçam e, chamem a polícia"...
Tamanha violência doméstica vivi durante décadas, não tinha para onde ir com a minha filha, o medo, esse grande inimigo,sabia que se saísse da casa ele partia até ao fim do mundo à minha procura para me matar, já que nunca foi apegado à vida, lembro da vez que fui ao cabeleireiro, a espera foi grande, não havia telemóveis ao chegar à porta do prédio vinha ele a sair com a miúda ao colo à minha procura...grande tareia "de caixão à cova", a solução (?) continuar a viver resignada na acomodação duma vida sem amor, também nunca aceitaria viver com outro homem e com ela na mesma casa. Isso é que nunca!
O tempo encarregou-se de me ensinar a conhecer o meu corpo, a usar a masturbação como escape, na falta do registo certo, um bom amante que conhece o corpo de uma mulher, estratégia que conheci desde nova, também a substituir os orgasmos, que nunca o foram com o meu marido por os ditos intelectuais, sentidos no mundo do trabalho, glamoroso, foram tantos,estonteavam-me!
Enganei-me a mim mesma com louros e sucessos profissionais durante anos, até ser surprendida pelo infortúnio. Andei à deriva três anos, sem saber o que fazer, como fazer,entre outras coisas decidi completar os estudos nas Novas Oportunidades, pela 1ª vez conheci amigos de verdade .Ao celebrar meio século,os meus novos colegas acharam que seria mais nova, diziam "a minha mãe é muito mais nova do que tu e, no entanto parece muito mais velha,és uma mulher enérgica, amiga, jovem, moderna, gostas de ajudar, uma princesa..." admito que gostei dos elogios, um defeito, fizeram-me sentir vaidades, alguns reviam na minha alegria, a mãe, a namorada, a amante que desejavam ter, como senti!
Sem nada o fazer prever o pior aconteceu, sem stress na cabeça, inesperadamente começava a ter tempo para mim, isso refletiu-se na minha auto estima, de coração vazio, fácil foi apaixonar-me por um deles, mais novo onze anos...
Vivi um momento lindo, não houve nada entre nós, nem um beijo, sabe Deus a força que tivemos para lutar e esquecer o que os nossos corações sentiam.Perdia-me no meu diário a escrever para o meu amado cartas que nunca lhe enderecei...
Permita-me que transcreva uma delas que agora me veio à recordação...

Desde que o meu olhar encadeou no teu

Amor incrível, há primeira vista!
Sonho simpatias contigo no pensamento e no coração!
Atividades intelectuais tem sido essenciais neste tempo, sem tempo!
Quiçá a probabilidade de um relacionamento rápido e fugaz?
Tanto respeito, medo, timidez?
Coragem para decidir, enleias, foges?
Sinto que és a minha Alma Gémea!
Valorizaste a minha auto estima contigo cresci, amadureci, sofro!
Sinto que te preocupas nas minhas vontades,auxilias por mudanças urgentes na minha vida, fazendo fé que será bom para o meu futuro!
Romântico, afetuoso, mal ou bem conduzes a relação demasiado lenta ...quero, contudo ter esperança que venha a acontecer ou não? Diz-me tu?
Criticas ao teu perfecionismo,insatisfeito temo o desenlace de morte precoce, sem ser saboreada!
Sinto que tenho de me esforçar mais no respeito e recato, não brincar,proferindo palavras impensadas, ditas em relâmpago!
Sei que te quero mais do que nunca, tento esforçar-me por te agradar,debalde, entorno o caldo, queimo-me, sofro, sinto que também sofres!
Suplicas há tempos por um beijo, falas baixinho em tom meigo,que loucura se acedesse nesses instantes!
Saudades do último ...passei rés vez da tua boca,deliciosamente bela quase coladinha à minha...
Qual ímpeto de repulsa que não queria, mas fiz, afastei o rosto, beijei a outra face
senti arrepios, vontade de te abraçar, não largar mais!
Não pude, não posso, até quando, aguento meu Deus?
Atrás de mim baixinho pronunciaste "a melhor coisa que me aconteceu, foi ter-te conhecido!
Amo-te todos os dias, não interessa a forma, os actos e porquês!
Pertences ao meu pensamento, fazes-me sentir bem-disposta, livre...Mulher!
Sem nunca ter sentido o gosto da tua pele, contigo tenho estado todos os dias...
Desde que o meu olhar encadeou no teu!"

Bem, amiga, estou literalmentre de boca aberta, com a tua frontalidade, falares assim de ti tão intimamente a alguém que em abono da verdade ainda mal conheces, desculpa a verdade, é o que sinto.
Lila, acalmou-me, estás enganada minha querida amiga, libertei-me, se quero iniciar uma nova vida, tenho de enterrar o passado. A minha intuição diz-me que  ele tem potencial para ser o homem da minha vida, não me expus, apenas fui sincera, um sentimento nobre que deve unir duas pessoas que se querem em prol do amor, da felicidade que ambicionam comungar nesta etapa das suas vidas.

Ainda continuou a sua missiva, confidenciou a Adriano que hoje são amigos, apenas se falam ao telemóvel em datas especiais.Contou-lhe ainda que viveu dias de paixão, de desejo, de ternura, como se fosse uma adolescente, ambos se vestiam, perfumavam, tratavam dos cabelos, tudo para chamar a atenção um do outro, perdidos em jogos de pura sedução, quando estavam por segundos a sós, difícil suster a respiração tal a vontade de se abraçarem, só queriam fugir, viver esse amor que dilacerava os seus corações carentes...

Depreendo que Lila além de estratega é inteligente, embora tenha defeitos, alguma ingenuidade...reconheço a coragem e a audácia para tirar da cabeça tal amor impossível.Começava o 2º semestre,teve a ideia de travar amizade com outro amigo para esquecer o amor, fazendo jus ao ditado " um amor esquece-se com outro...", atrevimento maior foi ser virtual, escolha feita num grupo de seis contatos aleatórios no Sonico...critérios escolhidos: idade, mais velho do que ela, seis anos, cabelos grisalhos, divorciado a viver no Minho,apreciou o seu jeito atrevido...sim porque afoita foi ela em aceitar prontamente a amizade, mas logo se assustou, quis recuar-, mas ele com requinte chamou-a à atenção...Lila redimiu-se, viu que estava a ser indelicada, se queremos respeito temos de o dar , desculpou-se, começou a amizade a 13 de julho de 2009... Lila foi rápida em lhe arranjar um diminutivo, juntou as primeiras iniciais do seu nome...ficou JAD,a lembrar o verde, mais uma cor da sua preferência, no messenger se encontravam quase todos os dias, passaram horas a teclar,companhia foram um para o outro, ajudas mútuas em momentos menos bons. Lila sabia que no momento tinha pouco para oferecer,só sabia que tinha grande vontade de mudar de vida, de ser feliz, amar e ser amada, o mesmo que ele (?). Passados seis meses, pelo ano novo, sente inexplicavelmente que o JDN não fazia mais parte do seu pensamento, mas sim o JAD...
Gerou-se um situação difícil, os dois tiveram dificuldades em aceitar que se tinham apaixonado virtualmente, farta teimosia, irreverentes, não cediam, nasceu a primeira zanga.
Lila olhou para mim, de sorriso de orelha a orelha sem papas na língua disse-me "teimei conhece-lo,precisava sentir se era real...
Marcado o encontro, podia ser em Lisboa, acabou por ser no Porto...disse-me que chegou fresca de vestido de seda com florzinhas, decotado, cabelos compridos ao vento e óculos de sol...logo se reconheceram...afinal eram os dois reais!
Qual emocionado abraço, elogios,"conheci-te logo, estás linda, linda...de vestido...adoro-te", abre o porta bagagens, oferece-lhe um ramo de rosas vermelhas em número de treze, o dia do encontro de caules limpos e compridos atados com um cordão em cetim cerise, uma das cores preferidas de ambos, aquela que foi predominante na escolha da foto no Sonico,a mesma da camisola...
Que dizer, Lila ficou agradavelmente surpresa com o requinte, JAD abriu-lhe a porta do carro, ambos foram ao shopping comprar o que faltava para o piquenique acertado, em vez de irem a um restaurante.. De braço dado como se conhecessem há anos, fizeram as compras, partiram no carro para degustar prazeres num miradouro sobranceiro ao Porto de Leixões, debaixo da sombra de frondosos plátanos, passaram do banco da frente para o detrás, portas abertas a deliciarem-se com a música do Pedro Abrunhosa, JAD falava de si, do seu passado, enquanto Lila o surpreendia com miminhos, dava-lhe na boca cerejas, que alternava com morangos, que lhe levou por saber gostar e muito...JAD mostrava-se feliz, Lila sentiu-o nas mãos, podia fazer dele o que quisesse, afinal parecia um menino de 58 anos de pernas altas, confidenciou-lhe que jamais teve uma namorada tão doce, amável, compreensiva, criativa, amiga, que o tivesse ensinado tanto como ela...saíram do carro, abraçados saborearam jesuítas,caiam em migalhas pelo decote do vestido, beijaram-se loucamente, riam do inusitado,esqueceram o local público,de novo no carro ao colo um do outro perderam-se em amores até que ele louco a surpreende e pede para a penetrar...Lila, ajeita-se ali mesmo, coisa inédita, aconteceu a união dos seus dois corpos, quão grande desejo ele não se segurou e, se apressa em pedir desculpa...
Lila fica agradada com o cavalheirismo, conforta-o " a 1ª vez é sempre a primeira vez", acaricia-o para se acalmar, enquanto isso ele reforça, "há tanto tempo que te desejava ter que foi impossível aguentar a pressão, esperar por ti"...
Lila, compreendeu, claro!

Havia na minha cabeça uma dúvida, como conseguia Lila viver em dualidade, não ter receio de ser descoberta pelo marido, para meu espanto disse-me," sempre privilegiei o diálogo , sei dos ímpetos de coragem, num dia disse-lhe que tinha conhecido um amigo na net, ele ao principio achou que seria brincadeira, que o estava a testar, até parecia não se incomodar,sabia que passo o tempo sozinha, seria uma companhia ,apesar disso nunca negligenciei o assunto, fui avisando quando achava o tema oportuno até ao dia que ele começou a acreditar, ficava amuado, mas logo mudava...e, mudou muito...posso dizer que no momento nem tenho razões para me divorciar...a não ser que não o amo, já lhe disse que lhe dediquei muitos anos, chegou a hora de mudar, além de ser um direito de todos nós, a liberdade, conhecer outras pessoas e até no caso de me dar mal...
Lila disse ao marido que tinha ido buscar os papéis para tratar do divórcio e mudado de quarto...Ao fim de uns dias num sábado de manhã ,ele surpreende-a, entra no seu quarto quase a chorar,deita-se ao seu lado, abraça-a e se confessa..."dou-te tudo, não quero nada, assino os papéis, faz amor só mais uma vez comigo, ambos precisamos e sem o saber, carentes estavam efetivamente a entregaram-se um ao outro!
Nova chance com o marido num momento de zanga com o JAD...

Decididamente Lila não sabe o que quer, melhor com quer ficar, isso sim, mas isso não confidenciou, é coisa minha.

Ofegante de tanto falar Lila posa o talher da sobremesa,diz-me, "estou para aqui a falar de mim e, tu deves achar que sou uma tola, mais, onde se encaixa o Adriano, é ou não é?...
Sorri e respondi estou surpresa, afinal a tua vida dava um lindo ensaio de romance na magia das velharias...
Lila surpreende-me mais uma vez e remata, o que acabaste de ouvir foi o que de uma maneira sucinta escrevi na carta que dirigi ao Adriano, "foi um pouco da minha vida até você me surpreender, relação ao namorado do norte(?) acabámos há dois meses..."

Senti um nó na garganta, se fosse eu nunca contaria nada do meu passado, e logo ela fazer questão de contar tudo com pormenores, o que queria ela afinal?Perguntei se Adriano lhe respondeu...
Claro, diz Lila, porque razão não o deveria fazer...desata a contar a sua carta,
"Boa noite meu amor, acabei de beber o meu chá, já há algum tempo, e estava de saída para a minha habitual diversão, que é sempre muito simples, ao fim de semana, pode ser a discoteca, embora não saiba dançar, vou com amigas danço com elas, e com as amigas delas, como vê, é tudo muito bem explicado, pois podia omitir amigas, mas eu nunca ando com amigos, detesto homens na minha companhia, só em casos muito especiais, como família ou casais amigos, estou a falar de fim de semana, os dias normais da semana, já lhe contei que tenho o hábito de ir beber um café ao Casino Estoril, oiço musica, e regresso a casa.Em traços gerais, uma parte desta sua vida que tão bem exarou na carta, já ma tinha contado de forma simples, exaustiva, e com alguma revolta, não seria de esperar outra forma de reagir. Tudo o que se passou, tudo o que a magoou, tudo o que a faz ter algum sentido de revolta, não se lhe vai pedir que esqueça, só o tempo se encarrega de o fazer, mas enquanto o tempo não reage, deve fazer por se ocupar de coisas interessantes, e não admitir, que esses pensamentos rebeldes a perturbem.Fiquei muito feliz por saber, que tendo existido um romance antes de mim, já não existe, pois eu quando tenho uma companheira, quero-a só para mim, o amor entre duas pessoas, é lindo, não pode passar disso, alguma coisa corre mal ao desencontro, não é o que se pensava ou imaginava, avisa-se, estou de saída...o muito que à dizer, os planos que há a traçar, não o vamos fazer aqui, nesta máquina, fria, desumana, insensível, vamos aguardar para quando estivermos juntos, em amena cavaqueira, na tranquilidade da nossa casa, do hotel, de onde nos apetecer estar, se não percebeu alguma coisa, pergunte de novo, se quer saber o que pensa que eu não disse, pergunte já lhe disse quem sou, sem me desviar um milímetro, sério, respeitador, educado , sincero, honrado, e humano" .Como lhe disse não minto, se fosse verdade não caía o mundo por esse motivo, há milhões de pessoas a navegar na internet, para arranjar, namoro, amante, flirt, e mais outras tantas coisas ligadas ao ramo negocial do engate, se eu estivesse nessa área de conquistas, não me tinha declarado na rua a si, as pessoas que andam na net, não conseguem pedir namoro na rua a uma menina, só o conseguem fazer escondidos atrás de uma camera, são mesquinhos. Tudo o que tem dúvidas a meu respeito, o que lhe faz confusão, o que não conseguirá percebe, não tem de pedir desculpa, pergunta e ponto final. Não deve haver tabus entre nós, muito menos em situações que nos possam deixar apreensivos.Quero que saiba que não senti um frenesim ao de leve na terça-feira quando a conheci,como me disse em tom irónico, nem senti prazer em a descobrir: senti foi um enorme prazer em a ter, em ser a minha mulher, amiga, amante, o que você melhor desejasse ser-me, portanto quero-a; hoje na nossa conversa, perguntou-me, porque tem corrido mal os meus relacionamentos, dei-lhe a explicação plausível, mas agora também lhe posso dizer, em forma de apêndice! Tanto os homens, como as mulheres, e aqui até mais as mulheres, fazem as escolhas baseados nos seguintes critérios: não a quero, ou não o quero, porque é feio, é muito gorda, é pequenino, é muito alta,e,...sem saber que muitas vezes estes atributos que se pensam serem negativos, entre quatro paredes, ou na rua como falamos à pouco, ou na discoteca, são mulheres muito mais interessantes que modelos das passerelles.Fica a saber que o que mais aprecio numa mulher " é o asseio",para mim o grande prazer do sexo, do amor, passa pela higiene, limpeza, e arrumação .
Tenho muita calma consigo, já lhe provei isso mesmo, não a apresso em nada, da maneira que estive esta noite, e hoje todo o dia, podia tentá-la, venha cá depressa, é muito rápido, está aqui tão perto de mim: Mas não, não fiz nada disso, espero, e esperarei que seja você a dizer, vai ser assim, em tal sitio, as tantas horas, dia tal, e se gostar da minha forma de amar, de fazer amor, e de mimar o seu corpo, já ficarei feliz, afinal eu quero que as pessoas que me rodeiam estejam felizes, para eu estar feliz também. Vivo casado, mas separado há mais de 15 anos na mesma casa, com vidas totalmente diferentes, nem festas, o divórcio está em tramitação, calcura por certo o motivo de tanta espera(?)a divisão de bens, sou por isso livre como um passarinho que espera ardentemente por si, por ser livre também, mas não me meto, essa responsabilidade é sua, apenas e somente...
Vou dormir com os anjos, com os arcanjos, e consigo, vou penetrá-la não em virtual, mas na minha fantasia, vou sentir a sua boca a beijar-me todo, até ao dia em que os nossos corpos passem da fantasia, à realidade de se sentires perto, muito perto e por fim colados.
Já resolveu, o nosso encontro, ainda é pior, vai parecer que as horas não passam, dia nove, bom número, bom dia de semana, quarta - feira, para estar de volta às 17 horas, a que horas gostaria de vir? De manhã, cedo tarde, a meio da manhã, ao fim da manhã, quer almoçar comigo, almoçamos em casa, levamos o comer do restaurante, pense tudo muito bem, e diga sem receios, vai ser assim, assim, e assim.
Vou-me divertir como me sugeriu, o máximo possível, e com o juízo que lhe disse ter, estou a assumir um compromisso consigo, não quero que ninguém me toque no corpo, continuo consigo, ninguém mais toca, eu não gosto de colecção de mulheres, gosto de ter uma mulher com quem me sinta bem. A partir de agora, quero essa joaninha, bem mimada, para quando eu a for visitar, ela me leve todo para dentro dela...e me faça perder completamente...depois passearmos de mão dada, muito colados um no outro, adoro uma mulher muito colada a mim, mais do que de andar de braço dado..."
Estou de saída minha querida,em contagem decrescente para a ter finalmente comigo, colados pele com pele, sentir esses lábios sedutores na minha pele, arrepiei só de pensar como poderão ser kalientes...
Já sei que não gosta do termo adeus...(nem me atrevo a dizer-lhe bay bay, minha querida).

Um comentário:

  1. Espero a continuação desta história...sinto que o final não será tão feliz...beijos

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