sexta-feira, 25 de maio de 2012

Retalhos do Avelar nos meus tempos de antanho!

AvellaalDesta forma o mandou escrever no foral de Penela D. Afonso Henriques em 1137. Há ainda quem se lembre de assim o ouvir pronunciar às velhotas...
A origem do seu nome arcaico provêm da existência de terrenos de aveleiras.
Foi vila por foral de D. Manuel I em 1514 pelo qual foi edificado o Pelourinho. 
Acredito em farto largo...
Quis o tempo teimar em lhe dar outro uso e serventia ao ficar encafuado entre casario numa rua sem aparente fulgor. 



Também de Almafalla como herdades confinantes da primeira, no termo a sul que pertenceram aos Marqueses e Duques de Vila Real. 
Foi no ano de 1259 que Avelar teve a primeira Carta de Foral.  Transcrição de foral da herdade de avellal e almofala - 1259 . Em 2021 completa 800 anos!


Leis duras - "homem soberbo ou desordeiro que não se quiser corrigir nem emendar, seus vizinhos mandarão vender-lhe o seu haver e a sua herdade e terá de sair da vila"... e ainda " quem este foro meu quiser infringir seja maldito de Deus pai poderoso excomungado e sempre maldito permaneça"...


Em 1514 foi confirmada pelo rei D.Manuel I com a Reforma dos Forais. 
"FORAL DO AVELAR - E paga-se mais por direito Real na Vila e lugar do Avelar por foral dado por pessoa particular que os direitos se devem aí de arrecadar na maneira e forma seguinte:
Paga-se primeiramente de todo o pão, vinho, linho o oitavo e assim dos legumes, tirando as favas e ervilhas que não pagam. E pagam mais, cada morador nas eiras dois alqueires de trigo que declaramos serem da medida velha e mais dois capões. Os quais foros se pagarão cada ano. E porque no dito foral se declara que haja relego meio tempo do ordenado nos outros forais da comarca. Declararam porém os moradores da terra que ficava em escolha do senhorio tomar o primeiro tempo dele ou segundo. Qual mais quiser e não o terceiro. E declaramos no tempo do dito relego que assim o senhorio tomar não se poder vender nenhum outro vinho salvo o que no dito lugar do Avelar se houver dos oitavos da dita terra. E nenhum outro se poderá aí mais vender. E se não bastar o tempo do relego, em qualquer tempo que se acabar não haverá aí mais relego.
E declaramos que o medidor será pago à custa do senhorio e haverá juramento pelos oficiais do concelho. E não se pagará na dita terra eirádega nem outro foro além dos sobreditos nem vendagem de terrádego.
E os Maninhos serão dados pelo Almoxarife do senhorio, guardando a nossa Lei das Sesmarias com o foro somente da terra sem outro mais nenhum, não prejudicando aos outros moradores da terra.
E são mais do Senhorio as moendas de água desta terra as quais pagarão o quarto do que renderem se não fizerem contrato ou avença primeiro com os oficiais dos ditos direitos reais.
E os Montados dos gados de fora são do senhorio daqueles lugares com que não tiverem vizinhança ou irmandade. E levará dos outros por seus concertos e avenças. E aos que aí entrarem sem cada uma das ditas coisas levará de cabeça de gado maior a dez réis. E da menor a real. E não se quintará como ora faziam por que não houve aí foral nem fundamento para se dever de levar o tal quinto.
E por quanto no dito foral se declara que o Juiz e mordomo como de seu Julgado não pagam foro, declaramos dever-se assim de guardar somente no Juiz porque o mordomo é ora Almoxarife e criado do Senhor o qual pagará segundo ordenação do Senhorio.
E posto que no dito foral outras cousas fossem contidas não se fez aqui nelas menção por que não há memória que delas se use e as outras são superadas por outras que aqui vão e não estavam no foral. E outras pelas ordenações do Reino.
E tem a ordenação do partir do pão. E o gado do vento. E o tabelião. E dízima das sentenças. E a pena de arma. E a portagem com a pena do foral, todos estes direitos são tais como atrás jazem declarados no foral do Couce que chamaram primeiro Palhais".
Em 2014 comemoram-se os 500 anos deste último Foral. 
AVELAR em 1747: Dicionário Geográfico
Relato da descrição e origem da devoção e Festa à Nossa Senhora da Guia exarada no livro " A Estremadura Portuguesa"
O coreto a que chamavam " Farol"
Graças a uma lenda ocorrida no Fetal "aparecimento de uma menina formosa ". Local onde viriam a construir uma capela, haveria outra igreja maior ser construída a matriz em 1767 com data que ostenta na frontaria da porta principal graças às muitas esmolas dadas à milagrosa imagem de Nossa Senhora da Guia. 

Festejos ao cimo da rua do Avelar
Maria Emilia Forte Simões, referencia que a  primeira artesania em forma de barco, foi feita nas Ferrarias, na casa do Sr.Mateus Rodrigues já falecido.
Após as festas, o voltar a casa nas carroças armadas ( termo referenciado no livro acima) sendo cobertas com panos serviam para nelas se dormir. 
 
No terreiro da igreja no forno medieval manteve-se durante anos a tradição de cozer o bolo na romaria . O forno era aquecido durante os três dias da festa com carradas de lenha. O bolo -, nada mais do que massa de alguns alqueires de trigo, tal qual se fazia em forno idêntico em Abiúl . 
Sendo neta de padeiros imagino a amassadura, na força de mãos , no brutal peso da massa no tender e armar, sem quebrar para pôr a cozer no lastro varrido do forno de cúpula banca (sinal que estava no ponto para a cozedura)...
Reza a história, subida a escadaria do forno com o bolo em padiola,  perante a assistência dos romeiros  era metido no forno...
O que se fala é que depois de cozido havia  um  bom homem de cravo na boca devotamente o tirara do andor da Virgem, e o "milagre" acontecia , porque saía do forno sem se queimar ou crestar, levando umas sandálias calçadas..."
O caso nada mais era que a verificação de um vulgar princípio de Física…
Prefaciando o meu colega do Externato e primo Padre José Coutinho que a meu ver se esqueceu de dar explicações do “vulgar princípio da Física” ao relatar este "milagre" quando abordou este tema ... 
Tive o cuidado de perguntar o fenómeno a uma engenheira com raízes no Avelar... debalde não encontrou justificação plausível...
  • Na minha cabeça há fatos que não batem certo (alqueires de trigo, sabendo que cada um equivale a mais de 10 litros... 
Se ao pensar que 5 kg enche um alguidar grande de massa levedada, será que teriam ao tempo uma masseira de madeira de grandes proporções (?) 
E depois como o transportavam para o forno (?)  a ser só um grande bolo (há quem diga que era transportado num carro de mão, mas como se tem a escadaria e grande ?) 
Sabendo o calor que a boca de um forno emana, como é que alguém conseguia ali pôr um grande bolo sabendo que massa tendida é mole ? 
Seriam vários bolos ali postos com a pá? O mais assertivo!
  • O mesmo do tirar cozido sem se queimar?
romeiro que se aventurava a entrar para o (s) retirar, tinha de ir de roupa encharcado em água, na cabeça chapéu de aba larga, trapos nas mãos e o cravo na boca para não crestar os lábios. Houve gente que morreu em Abiul, aqui não sei, mas a tradição se finou...
Forno Medieval de Avelar
Forno medieval
Prefaciando as palavras de Eduardo Medeiros "O Homem que punha o bolo no forno era meu bisavô Teodoro Nunes. E depois o bispo de Coimbra mandou acabar com a festa do bolo porque "roubava fregueses à Cova da Iria em Fátima"...
  • Gazeta das Caldas, nº532. 25 Abr 1936. p2


Uma coisa é certa o forno existe é muito bonito, de construção hexagonal com uma cruz de trevo no topo da cúpula ladeada por dois pináculos piramidais tipo altar ao cimo da escadaria emana beleza singela e incomum na vila o Avelar no concelho de Ansião!
Púlpito da Igreja de Avelar - Ansião
Púlpito da igreja do Avelar - foto de João Paulo Coutinho
Há quem diga que aqui existia desde a idade média, um forno comunitário.Supostamente vulgarizou-se o termo "bolo e não no plural bolos" na tradição do milagre ao jus do romeiro aventureiro, que aqui decidido e com muita fé entrava. 
No arraial o bolo era dividido em pequenos pedaços que os peregrinos levavam consigo de volta a suas casas .
  • Há quem diga os colocavam nas arcas de roupa contra a traça, será que a afugentava?  O inevitável aconteceu num tempo de República acabada de nascer com gente devota, maioritariamente iletrada. O bispo de Leiria excomungou os milhares de devotos que aqui acorriam para ver tal milagre e mandou fechar a igreja. Os fiéis continuaram a juntar-se na porta a rezar até que de novo foi reaberta...
No Avelar também se festejava, ruidosamente, o ESPÍRITO SANTO e o SANTO ANTÓNIO
Em finais do século XIX foi fundado o Hospital  de Nossa Senhora da Guia, adotou o nome da padroeira, continua a crescer a olhos vistos em prol da população que nunca o deixou extinguir. 
Hospital na esquerda do forno


No gaveto do antigo terreiro acima da igreja existe um fontanário em pedra com serpente esculpida, tanta vez a mirei num tempo que a minha mãe se deslocava ao Correio para substituir a D. Preciosa -, chefe da estação , sem nada para fazer passei horas nas ruas desertas a vaguear... 
Rua do Castelo estreita a subir a mais de meio caminho dei com uma casa comprida de gaveto e sobrado com as portas do r/c abertas - irresistível não olhar - na parede de fundo exposto um painel de grandes proporções em azul centrado por lavrado copioso de amarelos a fazer lembrar um brasão -, talvez a casa da família Falcão
  • Intrigada com a toponímia -, onde seria o castelo (?) nunca o encontrei nem vi jeito de ruína .
  • Na entrada da vila interrogava-me com o porquê do nome “Santo Velho... 
  • O casario estende-se sob o comprido a partir da bifurcação das duas ruas principais junto às Alminhas, lugar que atesta o marco do antigo cemitério que aqui existiu Fazendo fé em lendas, e a pensar no Santo Velho, a escassos metros do local acho uma forte possibilidade de em tempos idos aqui ter existido também uma igreja -, quem sabe até o burgo primitivo depois de o castelejo altaneiro ter sido abandonado ou destruído, resta-nos a toponímia!
Falar desta terra é falar de gente distinta!
  • Diamantino Monteiro da Tojeira, ourives que casou com a D. Piedade Lopes de Ansião afamada padeira prima do meu pai - , minha vizinha.
  • Presidente do meu Clube do Sporting Eng.º Luís Godinho Lopes filho de pais avelarenses imigrados em Moçambique onde este veio a nascer, não perdeu as raízes
  • Sr. Caseira, solicitador adotou Ansião para montar escritório e morar com a esposa D. Fernanda Lopes . Os seus filhos ; Engª Juju Caseiro irmã mais nova do médico psiquiatra Américo Caseiro primos direitos do Engº Godinho Lopes.
  • D. Maria Augusta Estêvão Pais cujo pai -, Adelino Gonçalves Estêvão foi no Avelar um grande empresário têxtil no seu tempo - o maior - conhecia-a por acaso numa rua de Almada numa conversa trivial sobre o caos do estacionamento nos passeios, vive a escassos metros de mim, falou-me da sua bonita amizade com a sua amiga dos tempos de menina e moça, a Fernanda Lopes. Viúva com dois belos filhos: Armando e Engª Fátima Pais - Faty para os amigos, estudou em Coimbra com a Juju (filha do Sr. Caseiro) e com o meu primo Rui Lucas amigos e colegas de curso de Engenharia química, exceção da prima Isabelinha Paz, minha e do Rui, que escolheu Letras.
  • Como tudo começou? Falo da indústria de lanifícios da grande concentração de fábricas no Avelar .
Nesta terra  foi grande o centro têxtil iniciado nos finais do século XIX , resiste ainda hoje mas em menor escala. Ao tempo este império sediado no concelho de Castanheira de Pera - o 3º maior pólo de lanifícios no País  na altura com fábricas de negócio familiar. 
A matéria-prima a lã existia e muita. Grandes os rebanhos nas serranias também gente que sabia fiar, cardar, tecer, pisoar e tingir.
Em 1860 existiu a primeira fábrica a usar a força motriz da água da ribeira de Pêra para mover a roda hidráulica em vez da utilização dos teares manuais. Por sua vez outras fábricas proliferaram pela mão de filhos destes industriais  que após o casamento partiam para novas terras levando consigo a arte da fiação aventurando-se também no negócio. 
Foi o que aconteceu com uma família de nome Moreira que se estabeleceu na Lomba da Casa no concelho de Figueiró dos Vinhos com uma indústria têxtil familiar com teares manuais. Rapidamente um dos  seus filhos se veio radicar no Avelar ,atrás dele outros assentaram arraiais. Começaram por tecer estamenha ( tecido grosseiro de lã) xailes, cobertores, mantas, meias e ...barretes (?) não sei se algum tecelão tirou o poleiro do seu fabrico a Pera. 

Havia diversas fábricas em 1908, aqui se fizeram meias, camisolas, barretes, xailes, e fazenda de lã.


  • De todas as fábricas no Avelar e houve muitas destaco - a “Fábrica de Lanifícios Adelino Gonçalves Esteves Lda.” cujo pai nasceu precisamente na Lomba da Casa . 
O primeiro industrial de xailes no País, fabricava também tecidos para roupa de homem . Especialista na fantasia lavrada em seda e merino , tecidos de melhor qualidade usados por mulheres ricas e em casamentos, também em algodão com mistura de seda  usados nos xailes das tricanas de Coimbra lavrados em relevo a vermelho e rosa. 
No tempo da guerra no Ultramar a fábrica produziu mantas para os militares. 
Os xailes eram tecidos em vários materiais que ditavam o preço. O seu traje distinguia a riqueza do pai de cada mulher que o usava . 
  • O da minha avó Piedade Cruz de Ansião de oito pontas em merino preto e franjado de seda de primeira qualidade. 
No inicio de 60 foi a primeira fábrica que se modernizou. Vieram famílias da Covilhã para ensinar os tecelões, alguns acabaram por se radicar na vila com a implementação de teares mecânicos de tecelagem, tinturaria e fase de acabamentos para franjas de fitilho nos xailes, enquanto as franjadas eram feitas manualmente por duas mulheres, a sua filha Maria Augusta -, menina fina a estudar, desistiu  por infelicidade de doença do único irmão que acompanhou na beira do leito até falecer, sem carecer de tal serventia avulsa sentia o frenesim de querer ajudar na fábrica contra a vontade do pai.
  • Os outros industriais sediados no Avelar e um na Rascoia vinham nesta fábrica acabar as suas tecelagens.
  • Prazer senti de ouvir a D. Maria Augusta contar do tempo em que as pessoas acorriam a sua casa trazer travessas de arroz doce e bolos de noivos , doçaria tão típica na região na altura dos casamentos e festas -, o seu pai apadrinhou mais de meia centena de afilhados. Outra grande amiga da Maria Augusta Pais a D. Fernanda Pintassilgo, olhando ao apelido sugere ser oriunda da Covilhã onde existem famílias de apelido igual ou então da Lomba da Casa - dos primeiros tecelões (?) Proeminente proprietária ainda hoje da fábrica Fareleiro  em atividade. 
O Avelar crescia a olhos vistos nos anos 60 com novas apostas no seu desenvolvimento e ajuda do então diretor das contribuições e impostos de Ansião o Dr. Vítor Faveiro -, a ele se deve o desenvolvimento de novas fiações e do Externato Infante Sagres mais conhecido por colégio, inaugurado em 61, onde o médico Dr. Manuel Medeiros e a esposa D. Adelina foram professores entre outros, tal como o diretor Dr. Jorge Condorcet que também conheci. Depois do 25 de abril frequentei-o com a Fátima Miranda e outros colegas de Ansião a título de explicações para exame de matemática do 5º ano, no meu caso não surtiram efeito voltei a chumbar a Ciências mais um ano. 
  • Tempo ainda para falar de outro ilustre que aqui estudou quando os pais regressaram de Moçambique - o mágico Luís de Matos filho de professores, o pai foi colega da minha mãe no Externato em Ansião com casa na Serra do Mouro aprendeu a arte da magia em pequeno em Chão de Couce com o seu amigo Serafim Afonso -, há quem diga que lhe deu continuidade pela mão do Dr. Condorcet outro amante de magia na sua casa de Coimbra para onde veio morar para estudar  com os seus  filhos...
A caminho da vila abriu um Banco, novidade ao tempo pelo grande desenvolvimento industrial, com ele a necessidade de transações comerciais: empréstimos, letras, livranças, avales, penhores, hipotecas, inevitavelmente falências. 
  • A Pensão Larsol a coqueluche da altura, um amigo -, Mano Lopes com raízes na aldeia de Alge onde herdou uma casita de xisto contou-me que em adolescente aqui dormiu com os pais -, a senhora tocava piano ao almoço e ao jantar, a criada  vestida de farda demasiado mini...eles passavam-se  a olhar para as pernas dela !
Na década de sessenta a volta a Portugal com o emblemático Joaquim Agostinho passou pelo concelho de Ansião, seria a primeira vez (?) Meta no Avelar mesmo na frente da Larsol onde se hospedaram, muita gente na rua para os ver chegar, eu também!
  • Relembrar estórias de antanho...do farmacêutico Dr. Medeiros - do seu único filho - José Arménio frequentava o  último ano da sua licenciatura em farmácia "dele se falava ser um rapaz inteligente e bom -, do pai diziam que ser muito exigente com ele”
O José Arménio não tinha jeito para a dança pisava os pés das moças... 
Contou-se que antes de se suicidar com botica que ajustou na farmácia do pai, foi na véspera a um bailarico na casa do Sr. Ferreira -, a moça que com ele dançou nessa noite, pisou e repisou! No finado bailarico sendo um rapaz educado e cavalheiro, não se esqueceu de agradecer tão gentil gesto de amizade e compreensão à moça recatada pelo seu  desajeitado dançar... 
Na manhã seguinte o sol ia alto e o “menino” não descia do quarto... encontraram-no morto na cama com um bilhete. Grande consternação para os pais, sobretudo para a mãe, seu único filho! Veio a ser herdeiro o sobrinho da família o Dr. José Emídio Medeiros, advogado que conheci em Ansião - gente ilustre, socialista a dar cartas na política e a servir o País. 
  • Do médico conhecido por “João semana - Dr. Manuel Augusto Fernandes Medeiros” homem simples e bom que a todos atendia com a mesma afabilidade. Acorria ao chamamento de pobres e, … 
  • Da sapataria dos pais da Fina  amiga da minha mãe de longa data.
  • Da casa de ferragens Farrica.
  • Da padaria do Rocha padeiro obsequiador, gostava de dar um papo-seco às meninas - no caso dava sempre um à Maria Augusta Pais que a ela lhe dizia “não preciso, dê a outra mais precisada…” Atualmente o presidente da edilidade camarária do concelho - um filho de Chão de Couce com raízes no Avelar - precisamente neto desse homem de bom coração - Rocha (tal como eu neta de padeiro) .
Boas as morcelas de sabor a cominhos compradas no talho de paredes meias com a sapataria da Fina - a minha mãe sabendo desta minha gulodice tantos sábados aqui se deslocou no carro para me presentear o apetite na década de 70. 
  • Bonitas casas solarengas e quintas.
  • Não menos bonito o pavão que vivia na casa defronte da estação de Correios. Nunca antes tinha visto um animal igual, vi-me louca para o tentar apanhar, que nunca consegui, na ideia de lhe arrancar uma pena tais as cores e desenhos exuberantes...desconsolo meu fugia de mim abria em leque o rabo comprido para me fazer inveja!
Quando trabalhei nos Correios em Coimbra em 76 estreei uma casa da Laura Miranda  de Ansião nas costas do Seminário onde vivi com a filha Fátima e duas raparigas do Avelar. 
Uma sofria de raiva de ser filha de pai incógnito - não ter o nome do pai no bilhete de identidade -, corajosa confessou " pedi-lhe que me perfilhasse, não me desse mais nada, só o nome"  contava as vias das andanças para ele a reconhecer legalmente, julgo que a mãe uma senhora vinda da Covilhã, ela estudava história - eu não lhe via sentido nenhum para tal arte...mas era boa cachopa, mui sofrida isso sim!
A outra mais inteligente trazia o concentrado de tomate artesanal guardado em garrafa verde de litro que a avó do Espinhal sabia fazer . Rapariga prática, expedita com ela aprendi a fritar o arroz, moda nova que continuo e bem a fazer.
Os seus nomes foram-se e tenho pena!
  •   “salvam-se estas memórias dos resquícios dum tempo que existia um mau estar entre o povo do Avelar contra o de Ansião e vice versa…a causa nada mais era que a sede do concelho.” 
O povo do Avelar reivindicava-o pela concentração da indústria têxtil, pelas ideias socialistas de um sarrafo de boa gente progressista e do 1º banco com balcão aberto ao público no concelho. 
  • Coisas e loisas que o tempo se encarregou de adormecer e apagar  daqui a menos de 50 anos as duas vilas se juntarão numa cidade. Assolado o Camporês com unidades fabris” teria sido local ideal para um grande aeroporto no centro do Pais”... há ainda gente que se lembra de aqui ter aterrado um dia um avião...
Enigma vai ser o nome a dar à cidade!
Eu luto por Ansião.
Outros vão lutar por Avelar! 
Pensamento justo, decisão difícil. Que tal inventar (?) 
Na moda parece estar a extinção de freguesias e até se fala também de alguns concelhos irem “à vida”…
Urge pensar num nome sonante, quiçá apele às raízes de povos por aqui vaguearam deixando indelevelmente marcas ainda presentes no tempo. 
Este o  desafio? 
Atrevo maior pensar no nome da nova cidade de todos nós - Ansianenses e Avelarenses !
Sei que gostaria se iniciasse por "A"...


Prefaciando um comentário que me deixou completamente rendida
"Quem não se sente em casa, quando, vindo de Coimbra, atravessa o rio Dueça e entra nas Vendas dos Moinhos. Quem não se sente em casa quando, vindo de Tomar, passando a ponte está já no Barqueiro. Quem não se sente em casa, vindo de Ansião, avista o Camporês. Quem não se sente em casa, vindo da Serra da Ameixieira avista Chão de Couce e o Avelar. Quem não se sente em casa, quando, vindo de Figueiró dos Vinhos, vislumbra a serrania em volta da Ribeira de Alge e o São Simão. Quem não se sente em casa no vale das azenhas do Carregal, nas muitas serras, como Santa Helena, Aguda, Nexebra, Ovelha, ou Ferrarias de São João. E nos muitos lugares no âmago da nossa terra, as Cinco Vilas e circundantes…"
  • Senti a obrigação de reformular a crónica, engrandecendo-a, com fotos e excertos de textos, que retirei da página do Facebook de grandes amigos das Cinco Vilas de Chão de Couce e circundantes.
Bem hajam , também a todos que gostam de nos ler!
Estão de parabéns. Denotam muita sapiência e hombridade em servir os outros na partilha gratuita de saberes das nossas terras. Quão grande sabor acutilante que a leitura, o exímio das pesquisas, sejam de índole histórica, das gentes, ou das tradições, nos deixam no coração. Quisera que no mesmo gosto na vila de Ansião, houvesse assim alguém, com engenho e arte na mesma lavra-, que o Avelar aqui se mostra a cada dia em excelência.
Outro comentário " Concordo! Tenho pensado muito nisto: que bom se em todas as terras houvesse um Henrique Dias, um Raul Manuel, um David Silva...Homens de carater incansável, amigos do seu amigo, e das raízes das Cinco Vilas. Estão de Parabéns!"

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