quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Caminhada matinal, desfrute da mãe natura!

Gosto de mudança de hábitos - apesar do meu cariz conservador...
Acordei cedo pelas 6 H, saí de casa para a minha caminhada matinal às 7  - foram 2 H a caminhar pelos passeios sempre por companhia o Metro e outros caminhantes, poucos, de Almada ao Laranjeiro.Segui o rumo do percurso pela antiga estrada de ligação ao Feijó agora pedonal - casas comerciais fecharam, até um banco, outras mudaram de ramo - a linda "Casa Arte" virou loja de produtos para o  Bem Estar ligados à saúde, e a pastelaria onde tantas vezes fui "Arroz Doce" de cara lavada , cresceu no espaço, de resto pouca mudança . Reconheci o Verdasca - raio de apelido nada se coaduna com a bondade do homem baixote, olhos grandes esverdeados, fazia espera do seu pequeno almoço de pé ao balcão da "pastelaria dos Ribeirinhos" - antes reconheci o empregado - Luís - era um miúdo adolescente quando entrou na casa - fez-se um homem, alta testa com fartura de cabelo. Apeteceu-me contornar o prédio onde foi a minha casa - passei por um dos túneis, vi com agrado que a casa velha que confrontava e afunilava a estrada foi derrubada, segui na direção de Vale Flores a caminho do Fórum - sempre a descer - subi pelos degraus suportados por troncos, desiguais, da ribanceira alta do Parque da Paz ao lado da auto estrada - por aqui já andava uma grande moldura humana de todas as faixas etárias, uns a andar, outros a correr. Ao fim de hora e meia sentei-me junto ao lago dos cisnes para beber água e fazer alongamentos - saltou-me à memória uma conversa por aqui passada há 28 anos - nas traseiras do prédio onde vivi havia uma quinta desocupada, na extrema com o parque de estacionamento alguns vizinhos desbravaram, e fizeram em  seu redor favelas separadas umas das outras por persianas, tábuas e plásticos onde fechavam hortas, ao longe, ao meio  havia um redil coberto a lataria - restos de uma pocilga - erva, muita erva , nem uma couve - em toda ela em vários sentidos havia meandros de carreiros. Ao sábado da parte da tarde tínhamos o hábito de sair para caminhada em família, levávamos a nossa filhota no seu carrinho bebé - pelas costas a mochila com o farnel, rádio portátil, e pelo braço manta de trapos fina - acampávamos debaixo de frondosas copas de pinheiro manso, ainda se apanhavam pinhões - doce e agreste eram os cheiros das giestas, urze, estevas e,...onde hoje é o Fórum de Almada. Um dia  a miúda já andava, aventurámo-nos no descer   a ribanceira dos pinheiros - as raízes aéreas das árvores serviram de corrimão, em pé firme retomámos a rota do carreiro, seguimos no indireito de  umas casitas pequenas, julgávamos abandonadas - naquilo aparece um cão a ladrar, atrás dele o dono enfurecido gritava  " não vêem que estão em  propriedade privada, não viram  o letreiro?"...de imediato pedi desculpas, com a retórica - julgava que tudo isto estivesse já expropriado para a câmara fazer o parque urbano... o bom homem irrompe em voz forte " esses filhos da p.ta não vão fazer nenhum parque, querem comprar isto por uma tuta e meia, tanto me custou a ganhar,  vão é fazer vivendas de luxo para viverem com os amigos..."
Pois o bom homem estava redondamente enganado!
Esqueceu-se que a câmara sendo de esquerda não defraudava o previsto - disse que fazia o Parque da Paz , e fez bem feito - certo merecia atenção para melhorias substanciais que aproveito em jeito de zeladora relatar:
O pessoal da manutenção é pouco - há sempre muita erva para cortar e árvores para podar. A limpeza é necessária para os utentes que nele andam diariamente se sentirem seguros, e não com medos...que num imprevisto surja de trás de um arbusto algum galdério e,...
Podia haver uma piscina - tem tanto espaço - faz falta a céu aberto nos dias tórridos de verão.
Podia ter um parque de merendas, ou tem e não sei...
Podia ter um parque infantil.
Podia ter um parque de bicicletas da autarquia para aluguer, e um emprego de mecânico para as reparar.
Podia ter um bar - muita gente deixa de aqui vir porque lhe falta o cafezinho...a água...o bolo...o chocolate.
Podia haver música no parque com aulas de ginástica programadas.
Podia...
Há ribanceiras muito altas no limite de extremas em terra a caminho do Feijó - deveriam fazer os muros em cimento armado e remates a granito e xisto como aliás é a predominância do Parque - junto à auto estrada os cedros já grandes secaram por falta de rega e manutenção - há eucaliptos secos de pé,  junto à rotunda do Feijó a caminho do Fórum - não esperem que caiam com uma ventania  - matem como aconteceu há anos em Sintra...pois não?
Há desbastações a sul a caminho do Feijó para fazer - sozinha teria medo de andar por lá . Os técnicos de manutenção deveriam ter cursos de reciclagem e aprendizado de novas técnicas sobretudo nas podas que a meu ver são muito mal executadas, há negligência no deixar crescer silvedos...O Parque tem tantas potencialidades!

Passa por mim uma avó com o neto de 3 anitos, cruzam-se com uma amiga atrevida - via-a desafiar o gaiato  " mostra lá a pilinha"...ato imediato  - o puto igualmente atrevido abaixa os calções...espantada  - a idosa reage com voz forte...grandeeeee!

A quinta deu lugar a empreendimentos urbanos, ainda a Av Arsenal do Alfeite, acessos ao Fórum, e Parque da Paz como programado - o Parque é lindo!
Ainda me lembro dos fósseis que por aqui apanhei...
Noutra caminhada de antanho ao Alto do Índio onde a estrada - vai acima, e vai abaixo...um desatino de subidas e descidas - demos conta que a nossa filha se senta no meio da estrada, quando a interrogámos do perigo...diz-nos " tou cansadaa, nã saio daqui senão ao colo..." - aprendemos a lição - esquecemos redondamente que era uma criança, já tinha andado a pé mais de 3 km...outra vez houve, atravessámos a auto estrada onde hoje é o cemitério para o Feijó...loucos!

Sei que sou uma pessoa privilegiada - dotada de amor - pela vida e pelas pessoas. Há felizmente mais!
Porque digo isto? porque não perdemos a relação com : Terra ; Sol ; Lua ; vento; chuva; neve; brisa e,...tocar, cheirar, saborear, sentir alegria - ter prazer de viver !
Mas quantos de nós temos tempo para usufruir da Natureza? Constato que uma grande maioria  não sai do seu habitat citadino - a que chamo casulo ou selva - os centros comerciais. Logo na abertura entram, e se sentam nos sofás, depois mudam de andar, assim passam uma manhã a ver gente para trás e para a frente a fingir que lêem o jornal - não respiram ar puro, não procuram o contacto com a Natureza…aqui sentem-se confortáveis por ser quente de inverno e fresco no verão...o jeito de saírem de casa - os homens para não estorvarem as mulheres na vida doméstica, as viúvas para arregalar os olhares...eles também - então, não oiço as conversas no autocarro quando lá vou...vêem telenovelas a mais...

Acredito, só darmos valor a estas  nuances fundamentais da Mãe Natura -  quando, por alguma razão, já não conseguimos desfruta-las...só os paraplégicos  - dão valor ao simples andar… só os invisuais dão valor às lindas cores da vida.

Assumimos tudo como garantido - a vida, por exemplo. Vivemos como se fossemos imortais, mas não somos, um dia a vida dissipa-se num instante, ou em sofrimento prolongado.Não paramos para pensar. Não tratamos bem as pessoas  que amamos  - um dia eles partem - pior, não demonstramos o que sentimos - vivemos cheios de máscaras. Raro alguém  conseguir ser ser ele próprio - raro alguém nos conhecer genuinamente… e, é pena  - porque todos nós, acredito termos beleza, magia e carinho para dar - porque só dando se recebe!

Mudar é a premissa. É preciso, talvez, darmos todos um pouco mais, ser mais expressivos. Ninguém adivinha o que se passa na nossa alma e coração - às vezes, aliás, muitas vezes, o que aparentamos não é o que sentimos. As causas? Insegurança na  nossa “metade” que se reflecte em instabilidade na  nossa vida a todos os níveis. Devemos derrubar atitudes algo masoquistas e de auto-comiseração - sem que nos apercebamos - tomam conta dos nossos pensamentos e actos a maior parte das vezes.

Lanço o desafio: há que ver a situações doutro ponto de vista. A forma de ver a vida, os outros e a nós mesmos poderá estar demasiado… viciada - porque só vemos o que nos interessa, e como nos interessa. Dificilmente alguém consegue ver para além do seu umbiguinho - sem perceber o quão injusto somos  por causa desta cegueira. Mais dia, menos dia, vamos ter de deixar de culpar a vida - Deus, os pais, os filhos, os amigos, os inimigos... compreender que tudo acontece por uma razão maior. Enquanto, não aceitarmos as circunstâncias, enquanto resistirmos às naturais mudanças - vamos continuar a bater com a cabeça na parede porque é  difícil  insistir em não ver para além das aparências. O lema é  tentar encontrar a raiz do nosso desconforto. Não adianta tentar curar uma doença senão a identificarmos primeiro - se conseguirmos encontrar a chave do ponto de desarmonia - esse o segredo -  o busílis que mima tudo o resto…para tal é necessário aprender a dar a importância devida a cada acontecimento.
Se cada um souber não empolar, não dramatizar com a prudência, e discernimento na avaliação de cada um dos acontecimentos, e principalmente, não se maltratar - porque para isso já basta  - o que a nossa sociedade nos tenta fazer a cada dia mais e mais!

Desfrutem da Natureza porque ainda é de borla!

4 comentários:

  1. Cara M Isa
    Gostei deste texto porque também moro na Margem Sul e também adoro o contacto com a Natureza.
    Vivo há 10 anos no concelho do Seixal e não posso deixar de realçar a quantidade de pessoas que caminham ou correm à volta da Baía do Seixal.
    Felizmente como estamos perto de pinhais, praias, jardins, temos mesmo de aproveitar o que a Natureza nos dá. É para bem dos nossos espíritos.
    Gosto das descrições que faz das feiras, porque eu costumo visitá-las e tenho apenas a visão do "outro lado" das bancas. Parabéns pela sua energia e alegria.
    Já agora se puder, podia informar-me quando se realizam as feiras em Alcochete? vou convencer a minha Mãe a viajar um pouquinho mais longe.
    Cumprimentos, Ana Caetano

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  2. Cara Ana Caetano
    Seja bem vinda ao meu blog.
    Obrigada pelos elogios. A feira de Alcochete de verão tem a frequência quinzenal - no 1º e 3º domingo no jardim em frente do rio por trás da Santa Casa da Misericórdia. Atenção por causa das festas (?) não se realiza. Julgo que haverá no domingo dia 5 - vou para Montemor o Novo.
    Boa feira
    Cumps
    Isabel

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  3. No sábado 4 vou à feira do Seixal, mas costuma ser muito fraquinha. Domingo 5 vou tentar espreitar a de Alcochete. Aproveito e almoço por lá. Boa feira em Montemor-o-Novo, depois conte-nos aqui como correu.
    Cumprim
    Ana

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  4. Olá Ana - muito obriga por ter voltado.
    Não sei se vou ter tempo...vou de ferias para a província...conto depois. Bom almoço com a sua querida mãe. Bom passeio.Divirtam-se.
    Bjs
    Isabel

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