sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Campos de Façalamir por terras de Ansião


Santana - cúpula de  forno  pequeno em muito bom estado com telhos de telha mourisca(?)
No prado em frente ao palacete existe uma casa de alvenaria redonda com uma abertura, dentro e por fora um grande emaranhado de silvas e hera, escondem a beleza dos buracos no interior com piais em pedra branca-, um pombal do mais bonito que jamais vi.
Granja-, aldeia pitoresca engalanada com uma capelinha de traça muito antiga no cimo do outeiro rodeada por outros igualmente de beleza rara pela nudez. 
No cimo do outeiro uma capela com orago de Nossa Senhora da Orada, com o átrio lajeado, frestas de lado, e o típico beirado português, atestam a sua antiguidade.
Foi a primeira Matriz do burgo “o povo em anos de desconhecimento cultural escondeu imagens mais antigas, valiosas dos olhares dos peregrinos por se terem partido, molestado, achando que não tinham valor…quem lhe acode antes de serem roubadas, talvez até testemunhar um culto mais antigo que aqui existiu (?) ”.
Peças de grande valor deveriam ser pertença de Museu. 
Encontrei a Maria da Várzea, que me confidenciou da existência da capela no r/c. O seu sogro com casa paredes meias lhe confidenciou -, o pai dele assistiu a grandes festas, onde via chegar vinho do Carvalhal para os padres.
Entre a Várzea e a Venda do Brasil existem restos de povoado antigo no lugar de Riães, com muito espólio romano, machados em pedra, e outros artefactos encontrados julgo a maior parte em mãos particulares, pelo jeito continua a ser devassado pelos amantes destes testemunhos do passado…e sendo eles património da região os vemos sair sem ninguém pedir licença! 
No tempo do Marquês de Pombal os padres jesuítas foram acusados de terem estado envolvidos na tentativa de regicídio ao rei, com a ajuda fulcral do Pascoal José de Melo Freire dos Reis, notável jurisconsulto, professor e estudioso da História do Direito Português, natural de Ansião. 
A ordem foi extinta, os jesuítas expulsos, e os seus bens integrados na Coroa. Segundo o padre José Eduardo Coutinho, parece não ter sido o caso desta propriedade -, a mesma teria passado indevidamente à posse de particulares, e, mais tarde descoberta a ilegalidade, teriam sido os bens vendidos em hasta pública. 
Atrevo-me a dizer - será que o Pascoal José de Melo não sonhou com o solar para si (?) no concelho onde nasceu - apesar da linda casa de família que o viu nascer de altas janelas em cimalha redonda tal qual a escadaria em meia lua com o bucólico jardim, bancos de pedra e o poço onde funcionou o Externato.
A grande ajuda prestada ao Marquês de Pombal teria de ter retorno -, haveria de ser ressarcido de honorários e bens, ou não?...a fazer jus ao adágio de Ansião...
"Ancião, terra de trinta moradores e trinta e um ladrões"...
Lamentavelmente nos últimos cinquenta anos a envolvente do Largo do Bairro de Santo António foi sendo aos poucos completamente descaraterizada, esquecido o seu rico património histórico -, calcetado, perdeu a beleza do saibro branco do terreiro, e reconstruções de algumas casas modernizou o local, perdendo a traça antiga que o dignificava -, interesses do progresso, situado na confluência da estrada real onde comitivas reais e forasteiros acamparam desde o adro da capela e quintais circundantes. Nas traseiras da estalagem da Ti Maria da Torre, existia uma cisterna, o que se ouvia dizer…”muitos forasteiros depois de saqueados os matavam, e atiravam para aqui acabar de morrer”…reza o adágio, que nada abona esta terra, ainda assim muitos -, o conhece, não sei se a origem tem a ver com o que acabei de mencionar…
Façalamir, o povo lhe chama Façalamim-, segundo as Memórias Paroquiais, em 1758, possuía 71 fogos (casas) e 243 habitantes, e provavelmente produziam vinho, trigo e cera. Em 1805, a propriedade de Façalamir estaria na posse da Marquesa de Angeja, D. Francisca Teresa de Almeida, depois dela outros ficaram com as terras como: o meu bisavô Elias, o pai do Dr. Vítor Faveiro, o Zé André, o Elísio e, …

Serradas de Cima e Baixo n o Pinheiro…propriedade que foi do meu bisavô Elias Cruz, que viveu no Alto, ao Vale Mosteiro, aqui nesta terra semeava trigo e aveia, as pessoas mais pobres dos lugares vizinhos: Caniço; Pinheiro, Anacos e Lousal,aqui vinham trabalhar por conta dele, dele falavam que “chegava montado na sua charrete na companhia de uma mulher-a-dias, traziam um poceiro com comida, a sua burra branca despertava interesse, ninguém antes vira um animal desta cor”. 
Os cachopos a caminho da escola do Vale de Boi, tomavam o caminho limítrofe da propriedade, a antiga via romana (?) saltavam o muro, entretinham-se nos buracos dos penedos (grutas) em atirar pedras, passado um bocado ouviam o barulho estridente, um dos seus divertimentos-, a Elisabete, menina linda do Pinheiro uma delas, o Emídio, a Elvira e o Fernando também.
A ribeira do Nabão corre aos pés destes Lugares - o açude dá-lhe a graça do lençol de água aos Mouchões. 
Quelho das Caneiras…as mulheres do Caniço, Pinheiro, Anacos e Lousal desciam por ele com gamelas de madeira na cabeça para lavarem a roupa, uma vez por ano aguavam cobertores, despejavam os colchões da palha de centeio para os lavar e voltar a encher de palha nova, lavavam também as ovelhas para na tosquia a lã ser vendida branquinha sem cheirar a “ cebum” noutros tempos na ribeira do Nabão no sítio dos Mouchões, no linguarejar doutros tempos assim se falava - algumas o pronunciam de “Maróchões”. 
A gamela, essa, tinha outra serventia: transporte da lavaje aos porcos e tirar água na picota dos poços.
Por estes recantos de cariz rural e bucólico contam-se lendas...
Lenda de duas meninas moiras… reza a lenda que viviam numas grutas nos Poios, na Mata da Mulher, atravessavam o Nabão subiam o Quelho dos Caneiros direitas ao Caniço à casa da tecedeira Maria moleira - onde a ajudavam a preparar o linho, batiam com o maço, fiavam, e pela manhã a tecedeira via o pano tecido.
Lenda conta a falta de água no verão…"do seu roubo" da ribeira do Nabão por um mouro para a nascente do Anços. Conta-se que existia para os lados da Redinha um rei que tinha uma filha muito linda pela qual o mouro se apaixonou, afoito não teve receio de pedir a mão da sua amada ao rei que lhe achou piada, até ousadia, prometendo dar-lhe a filha em casamento mediante um acordo, concedia-lhe a mão da sua filha sim, se o dito mouro lhe pusesse um rio à porta do seu castelo. Valente e apaixonado mouro -, grande o túnel escavado desde os Olhos d’Água atravessando os fundos da serra de Sicó dando o rebentamento de Anços que brota em força, e assim ficámos sem água no Nabão no verão em Ansião…
Leito do Nabão com a secura os limos secos que cobrem as pedras aos Poios, na frente da Gruta do Calaias... 
O Nabão com águas correntes e agriões 
Via romana…existe ainda no Vale Boi, um troço de calçada romana catalogado a custo pelo espírito de preservação de gente interessada neste património. 
Parafraseando o meu bom e atento amigo Dr. Manuel Dias -, "o Ilídio Batista morava junto, a percorria até Ansião, conhecia as suas características, dela se fez ouvir e, com o Zé Eduardo Coutinho, todos estudantes ao tempo em Coimbra, solicitaram ao Prof. Dr. Jorge Alarcão, especialista na matéria, aos seus pedidos se deslocou ao local para atestar tal reconhecimento."
Calçada romana totalmente encoberta com vegetação, entulhos e lixo... 
Inexplicavelmente perdi as fotos!Vou voltar para fotografar!
A sua localização não se deslumbra a “olho nu” pelo cingido e desnivelado da estrada nova, houve uma proprietária que na altura não permitiu o corte das suas oliveiras, agora pareceram-me desprazíveis, do outro lado uma fazenda da minha amiga Elisabete Mendes, que me confidenciou se lembrar da calçada branca e muito bonita, a meu pedido foi minha cicerone com outro amigo o Nuno Valente. 
O troço de calçada romana apresenta-se em jeito de curva tapado de vegetação, silvas, pedras, atulhado em parte por um proprietário que “sem meias medidas” fez uma serventia com manilha -, sem pejo nenhum.
Estrada aberta em cima da calçada romana
Mais incrível a Junta de Freguesia de Santiago da Guarda abriu em tempos um caminho sob a calçada. Obras feitas após a inventariação deixam gente de bom senso a pensar, única desculpa (?) a falta da placa toponímica e, da sua manutenção. 
Gostaria de ver a limpeza da calçada e autos levantados a quem infringiu! 
O então ilustre autarca Dr Higino não escolheu o melhor traçado para a estrada nova para o Vale Boi deveria a meu ver ter sido mais persistente no seu traçado (não cortar a calçada romana, desviando a estrada para os lados da Sardezela (?). 
Ao não pensar na preservação do património, faltou-lhe tenacidade ao permitir o atrofiamento da calçada romana…”que se lixassem as oliveiras” da fazenda por onde o traçado deveria correr da propriedade da frente. Numa fazenda da minha mãe numa dessas novas avenidas da vila, propriedade estreita, as cortaram todas em fila e, ainda fizeram parques de estacionamento, que poderiam ter feito na parte da frente onde as propriedades são grandes, coisas do progresso…ao retirar o mérito e destaque que a calçada romana merecia na história da região - sendo um homem de estudos, imperdoável ter sido condescendente ao deixar o troço catalogado ao abandono " ao Deus dará, à mercê de outros que a desprestigiaram e atulharam". 
Inacreditável a falta de visão, ou estarei a ver mal (?) Acabei de saber de fonte segura que a calçada romana foi recentemente "sepultada" pela orientação da Junta de freguesia de Santiago da Guarda...e esta hein???
Uma vergonha do concelho de Ansião, está na hora MUDANÇA a visão do que é cultura! 
Cansada de ver gente no comando de vistas curtas e pouca valência, salvou-se a visão da casa senhorial Conde Castelo Melhor em Santiago da Guarda , mas não é suficiente sobre o rico património do concelho, que assim acaba por desaparecer para sempre!
A Elisabete mostrou-me outro troço de calçada romana muito maior por catalogar.
Perdi a foto. Mas a forte evidência de ser a continuação do primeiro troço catalogado cortado que foi pela nova estrada para o Vale Boi. A poucos metros a caminho do Lousal abre-se um Quelho à nossa direita, visíveis as lajes ao subir na direção do limite de João Frade -, tudo indica ser a continuação da via romana catalogada pela lógica do enfiamento e das lajes ao longo do caminho (seria a tal que o Ilídio Batista fazia a caminho de Ansião (?)) acompanha o baldio pertença da Junta de Freguesia de Santiago desce na direção do Pinheiro, aqui vi rampas de calçada, a maior parte soterrada com erva e terras, a Elisabete Mendes, cicerone, e fiel companheira com o empregado o Nuno Valente atreveu-se a esgravatar o chão com o pé e com a mão para eu ver as lajes. 
Ainda refleti sobre o aproveitamento do lajeado calcário do terreno fértil em lajes grandes semeadas à toa às quais foi fácil juntaram outras pequenas, pela lógica deveriam descer na direção de Façalamir, Quelho das Caneiras, atravessava o Nabão em direção à Lagoa do Castelo abaixo da Ponte Galiz, subia à Lagoa do Castelo na Costa, Escampado de Santa Marta, Albarrol, Suimo, Macieira, Romila, Fárrio, Rio de Couros, Ourém e, … 
Quelho a poente do Escampado de Santa Marta pode ser calçada romana (?) 
Porque o quelho ao lado da capela, onde havia um troço que conheci e uma laje com uma Cruz pequena esculpida, ao fazerem a ligação da estrada a Albarrol destruíram tudo...
Para os lados da Constantina também existe um troço de calçada romana vinda da Ribeira de Alcalamouque que aqui se bifurcava; uma na direção de Aljazede e outra na direção de Santiago da Guarda.
Interessante seria limpar preservar e estudar demais novos traçados da via  romana, por catalogar vindos de Conímbriga, sem dúvida valorizar o que temos, dar destaque a tão importante testemunho aos jovens e a outros que gostem de saber e conhecer este rico património a dois passos da Casa Senhorial.
Santiago da Guarda catalogada de grande interesse histórico com belos painéis de mosaicos romanos. 
Mosaico
No meu ver seria útil integrar no circuito turístico a sede do concelho - Ansião, e não se deixarem ficar pelas bóreas do mesmo que virou sala de visitas, para pensar! 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores

Arquivo do blog