terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O Fundo da Rua em Ansião e algumas das suas gentes


O que se deslinda do passado de Ansião nesta foto?
A iluminação pública a gás mandada pôr pelo Dr Domingos Botelho de Queiroz.
E,...
Novas ruas abertas; sentido Pombal/Pontão com cruzamento ao Fundo da Rua  (chamada Rua Direita a única que havia depois da construção da Ponte da Cal ao Cimo da Rua com bifurcação para a Ameixieira e Casal das Pêras).
Dá-nos ainda a visão dos muros de remate a norte do Fundo da Rua da quinta cortada ao meio com esta estrada/Rua Direita. 
Ainda não haviam os prédios dos irmãos Francisco e Júlio José da Silva, levantadas nos gavetos norte e sul a nascente,o teriam sido na década de 30, atendendo à idade dos filhos.
No gaveto poente já existia o prédio da família Valente com o letreiro pintado.
Entre o prédio do "Valente" e a casa alta onde por último morou o Sr Adelino Silva tinha sido comprada pelo seu pai  a Carlos Feio, homem rico, que dele se fala " deu conta da fortuna e ainda que ia todos os dias a Coimbra engraxar os sapatos..."
Na casa mais baixa adoçada a norte a conheci com chão lajeado, seja por isso a mais antiga de todas (?).
 
A família Valente ao Fundo da Rua teve julgo 5 filhos : Virgílio, Eduardo, João, Claudemira e Fernanda.  
O Virgílio Rodrigues Valente segundo me confidenciou o Antero Morgado era natural dos Nogueiros, a família mandou-o para o Brasil, ao que parece era homem de espírito libertino (?) sendo natural a afirmação de homem de sucesso, pelo que  depois de ganhar umas coroas, a saudade ditou-lhe a volta à sua terra. Permitam-me que especule, à partida o prédio, que é grande, possa ter sido aquisição com dinheiro que trouxe do Brasil, ou mandado por ele construir , sendo certo que aqui ou perto já funcionava uma pensão da "Maria das Caldas" alcunha que lhe dita suposta origem nas Caldas da Rainha e aqui aportou para governar a vida, sem se saber  se tinha ascendência com alguém de Ansião. Casou com a Maria das Caldas e fundou o Café Valente. 

Prédio sob o comprido de traça solarenga de gaveto ao cruzamento com a estrada Pombal /Pontão.
A foto do painel azulejar com o nome de Ansião colocado pelo Automóvel Club de Portugal colocado antes de 1928 em época de iniciativas e realizações tendo sido pela primeira vez editado o Mapa das Estradas, por isso o nome das terras para nele constar.
Fontanário ao Fundo da Rua com abastecimento da mina da Garriaza (Carrascoso) engrandecido com painel azulejar alusivo à Rainha Santa Isabel  mandado executar por Virgílio Rodrigues Valente e pago pela CMA .
Rainha Santa dando esmola a um ancião - uma das lendas da proveniência do nome da terra...Outros evocam o nome de um povoador de origem franca, o nome de uma terra em Itália a reportar para o tempo romano, possivelmente a mais correcta (?).

O portão a norte abria com aldraba em meu poder -, oferta da Ana Maria por saber do meu gosto por velharias.

Curiosamente o apelido "Valente" apesar de ser comum na região, no meu caso a coincidência dos mesmos apelidos (Rodrigues Valente) julgo não sejamos parentes (?), apenas existe o vínculo de parentesco na genealogia da família do meu pai, com a família da D. Lucinda casada com Virgílio Rodrigues Valente filho do fundador do Café Valente, primogénito, a quem foi dado o nome do pai, tendo ela sido nascida no Cimo da Rua, de onde era também oriundo o meu bisavô paterno Francisco Rodrigues Valente.
As famílias de apelido "Valente" de Ansião há quem defenda que advenha o nome da bravura dos soldados valentes e vitoriosos da batalha de Ourique supostamente travada por D. Afonso Henriques contra os sarracenos nos planaltos estéreis, secos e cársicos que se estendem desde a várzea de Aljazede aos arrabaldes do sopé do morro defensivo onde no tempo existiu o castelejo na Atenha, ao limite de Chãos de Ourique, o nome que lhe haveria de caber na lenda (?) dos nossos antepassados.Ou dos celtas!
Sem o ser historiadora -, apenas curiosa no papel de autodidata, faço parte do leque de pessoas que defendo que o epílogo de uma batalha se travou nestas serranias de outeiros da aba de Sicó.Segundo as palavras do meu amigo historiador Dr. Manuel Dias "D. Afonso Henriques e as suas tropas estacionadas em Coimbra não tinham condições nem meios para ir até aos confins do Alentejo seria um suicídio para o seu exército e para Portugal" conclusões de valor verosímil da mesma ter sido travada acima de Santarém. No entanto por a história não ser uma ciência exata, há falta de documentação que prove e ateste o local de tal famosa batalha, várias foram as localidades que ao longo dos séculos chamam a si tal episódio -, conforme as épocas, os estudiosos, e as lendas, aventadas como teatro do recontro que se deu na incursão de D. Afonso Henriques que partira de Coimbra, pelos domínios sarracenos".
O Prof. Hermano Saraiva aventava as hipóteses: Chãos de Ourique na extrema de Ansião com Penela; Chã de Ourique no Cartaxo, o bairro lisboeta de Campo de Ourique  e a conhecida por todos e celebrizada de Ourique no Alentejo. Os factos referem a designação "Batalha de Ourique" com eleição ao Alentejo, por ser o lugar maior - com mais conceituado número de entendidos para referir o local de uma batalha aqui travada  e no entender de outros travada muito mais tarde, não exatamente na vila de Ourique nesse tempo um lugarejo (teve foral de município em 1290) o confronto deu-se nas imediações da vila de Castro Verde (que lhe fica a Oriente) e em cujo termo, mais precisamente em S. Pedro das Cabeças, aí sim, se terá dado um confronto das tropas... " De cinco reinos haviam chegado homens aguerridos, decididos a não deixar progredir o pequeno exército dos cristãos. Tinham vindo muitos de Sevilha e de Badajoz para se juntarem à hoste composta por gente de Elvas, Évora e Beja. Diz-se mesmo que tinha vindo gente de além-mar, até corria que o exército árabe tinha uma ala de mulheres guerreiras... ". 
«Reza a lenda que por ter vencido a batalha D. Afonso Henriques mandou pôs no seu pendão cinco escudos, representando os cinco reis mouros que derrotara. Pô-los em cruz, pela cruz de Nosso Senhor e dentro de cada um mandou bordar trinta dinheiros -, que por tanto vendera Judas a Jesus Cristo.» 
Euzinha na várzea de Aljazede no sopé do morro da Ateanha 
A denominação Ourique advém séculos mais tarde das várias hipóteses atribuídas ao local da batalha que lhe recebe o nome e "se confundem quanto a mim em duas batalhas" precisamente conhecidas com o mesmo nome "Ourique" - e, é pena, para nós que gostamos da nossa terra - Ansião -, o gosto de a ver enaltecida nos anais da historia com a dignidade que merece. Vestígios desse passado na região foram encontrados artefactos em ferro, uma espada e, …tal e qual como no Alentejo. Falta um historiador mais teimoso na busca exaustiva de provas, atendendo ao tempo reconheço não "ser pêra doce"
À falta de estátua em Ansião registei a foto em Ourique no Alentejo
Recordo-me em miúda de entrar no café Valente onde por cima da porta na quina da parede havia uma prateleira com a televisão - um aparelho Philips com botões de lado, igual à dos meus pais , no outro canto havia a cabine telefónica -, o posto público assinante nº 3 do PBX do Correio , ao meio não faltava a mesa de bilhar forrada a felpo verde, na parede tacos à espera de jogador, de lado estendia-se o balcão, nele o João ou o irmão Eduardo atendiam a clientela, pelo meio mesinhas de pé de madeira e tampo em mármore preto raiado de branco. Café carismático serviu de palco a pequenos ensaios teatrais, a Anabela Paz herdou um baú com roupas e acessórios para representar esta arte há tantos anos enraizada na família, cujos atores eram os pais; Artur Paz, e a D. Fernanda, o "Júlio do 29" e a irmã D. Fernanda, o César Nogueira, e outros amigos de Ansião que declamavam peças teatrais no palco do Ensaio. Gratificante é saber que nos dias d'hoje de novo abre o baú com alegria e usa com as primas em festas de cariz especial. Também o café foi palco para juntar homens de saber onde se recitaram poemas - o poeta? 
O grande poeta João Valente!
 
Privilegio um poema seu escrito em 56 na véspera do ano do meu nascimento. 
PENSAMENTO LIVRE…«Que importa que me prendam e me algemem as pernas e os braços? Que importa que me metam em cavernas e me tratem como farrapos velhos? Mesmo assim, algemado, acorrentado, com a carne a sangrar, o pensamento há-de ser livre e hei-de pensar e arquitetar o que quiser, pois não há cadeia nem corrente que evite que se pense livremente… »
No tempo ouvi falar que não deixavam entrar toda a gente no café -," os cachopos casaleiros " e outros que aqui acorriam ao chamamento da caixinha mágica sobretudo para ver a série celebrizada com o Roger Moore, "O Santo" - espreitavam pela persiana da vidraça -, parece que não os deixavam entrar, corriam com eles, sobretudo o "Eduardo enchutava-os aos gritos "seus cahopos de merd"… estranha atitude, conhecendo-se a linha de pensamento livre, seria tanto assim (?). O primeiro lugar onde comprei bons gelados "Olá" de leite e cobertura de chocolate, hoje ainda os que há, são tudo -, menos gelados como nesse tempo!

A modista D. LucindaInevitável a televisão ao entrar tão cedo na minha vida alterou em definitivo hábitos conservadores na minha forma de vestir, tenho quase a certeza que fui a primeira em Ansião a usar uma maxissaia em tecido de lã em tons avermelhados feita pela D. Lucinda, esposa do Virgílio Valente -, um dos filhos da família Valente, homem de boa figura, dono de belos olhos azuis tinha como oficio ser chauffer do seu táxi. Mal pude esperar para a estrear de braço dado com a minha mãe numa volta pela vila no inverno de 75, recordo os olhares dos rapazes à porta da mercearia do Carlos Antunes.Durante anos a nossa modista eleita, fazia todo o tipo de roupa: camisas de dormir, saias, vestidos e blusas - estilista do meu vestido de casamento num modelo inspirado noutro que vira, o que me recordo de a ouvir descrever o feitio na sua sala de jantar -, no tempo também a sala da costura, comprei crepom de algodão branco, custou-me seiscentos escudos em Coimbra, tecido enrugado para fazer predicado ao modelo comprido e moderno como sonhava para ser reutilizado em vestido normal, que nunca foi. Ainda me emprestou um grande saiote para o armar, tal a magreza, de corte simples, atava com grande laçarote na anca, na frente decote em bico, ladeado de pequeno floriado, na cintura cós alto em trapézio para enaltecer o pequeno peito, na roda da saia uns pequenos folhos para dar graciosidade ao andar. Vestido airoso, diferente, ao tempo, fui a primeira noiva em Ansião a contrariar cetins, seda lavrada, drapeados, rendas, véus - as sandálias cremes compradas na sapataria Lisbonense em Lisboa, por falta de as haver em branco. Lembro-me bem das recomendações que dei à D. Lucinda - de mãos muito prendada o único defeito, a morosidade. Então não me lembro das vezes que noivos esperavam noivas na igreja - e ainda a D. Lucinda a ultimar o que iria ser mais um famoso modelo nascido da sua criatividade e delicadeza de mãos. No meu caso -, o reparo valeu a pena, ficou pronto de véspera. Os cabelos foram tratados na cabeleireira D. Fátima Godinho, de escova pequena torneou caracóis e prendeu a franja com fina travessa ornada com florezinhas. Menina tímida - não sei se iria feliz a noiva! 

Virgílio Valente… O filho primogénito da D. Lucinda e do Sr Virgílio Valente, na sucessão de herança consecutiva do nome do avô, nasceu em janeiro de 57, mais velho do que eu uns meses - , meu fiel provador no tempo de criança até ao dia que enfadado de tanto experimentar vestidos e saias, gritou à mãe "não sou menina, não quero vestir vestidos"…rapaz tímido, reservado, mágoa dum tempo que não nos permitia manter conversas mais abertas, tomar atitudes mais espontâneas na construção de sólidas amizades, na altura o recato e a defesa da honra da família era mais que um dever. O Virgílio pediu-me ajuda para o apresentar ao amor da sua vida (?) Teresa, regressada de África a seguir ao 25 de abril - de lindos cabelos negros pelas costas, minha colega no Externato e amiga, vivia no Escampado da Lagoa em casa dos avós.Completamente apaixonado na primeira festa que me lembro do Senhor do Bonfim em 76 (?) o destino não os quis juntar...no arraial, acomodavam-se pessoas sentadas em mantas pelo terreiro das oliveiras, todos queriam ouvir a escritora de literatura juvenil Odete de Saint-Maurice, trazia consigo as netas, filhas do maestro Vitorino de Almeida, a Maria de Medeiros e a Inês de Medeiros - meninas pequeninas vestidas de saias azuis e blusas brancas. Ainda veio o cantor Vicente da Câmara com a sua guitarra alegrou os grandes festejos. A última vez que vi o Virgílio, passava à minha porta -, estava eu de volta das ervas que teimam nascer por entre a calçada, registei o demorado olhar lânguido verde água que me dirigiu - forma de me dizer o último adeus sem palavras…dias depois partiu para uma terra que todos sabem existe, mas ninguém ainda voltou, para contar como é! 

Vacaria do Dr. Manuel da Junqueira… Médico natural da Junqueira, lindo o solar remediado da família à beira da estrada que o viu nascer – homem de voz forte tal pronúncia baralhava-me quando me pedia chamadas pelo PBX para Valado de Frades...onde tinha uma pessoa amiga. Resolveu num segundo um problema que tive no ano que estive no Colégio Religioso as Salesianas - a receita milagrosa - uns comprimidos amarelinhos...munida de leiteira de alumínio pela mão do Bairro até ao Fundo da Rua onde fui muitas vezes à sua vacaria na quinta de gaveto defronte do consultório médico - casa que tinha sido antes do Dr. Amado. Bom era o leite acabadinho de ser mugido das vacas, grande pena em minha casa só eu o gostava de beber. A vacaria acabaria por ditar a alcunha aos seus três garbosos filhos que na altura andaram comigo no Externato: do mais velho para o mais novo assim foram alcunhados : "Vitelo", "Vitelinho" e "Vitelão" ! 

Serração do Carlos AntunesSediada na estrada de Pombal logo a seguir ao Fundo da Rua. Era um vaivém de camionetas a entrar carregadas de toros de pinho -, tantas vezes haveria de observar a serem cortados na serra alta oval de cor verde, grande barulho a serrar, do outro lado via saírem tábuas - grande azáfama de cargas e descargas - os escritórios funcionavam nas casinhas brancas de janelas baixas em frente, também tinham a balança de pesagem das mercadorias, nunca soube o porquê de fechar portas tão precocemente. Outro dos seus negócios - angariador de cortiça - grandes os estaleiros de fardos arrumados no seu armazém em frente das bombas de combustível à espera de serem levadas para as fábricas. O Carlos Antunes era um homem inteligente, trabalhador de veia negocial, dele correu o boato de apoquentações e desgostos com os filhos (?) Fernanda, Maria do Carmo e Carlos (?) … para os atazanar constou-se a suposta arrolação da herança para a 4ª geração… 

Armazém do Sr. Júlio da SilvaGrande era e ainda persiste no casarão o portão na fachada da frente com um balcão corrido para atender freguesia, aqui comprei uma caixa de novelos de linha branca Ancora para me iniciar no croché. Tempos de um entra e sai de camionetas numa correria de descarga e carga de mercadorias para distribuir pelas lojas sediadas no concelho, o chão empedrado a pedras negras com prateleiras abarrotar até ao teto alto -, ao lado o exíguo escritório de portada para a rua onde trabalhava o filho dos patrões - Fernando Silva, com outros empregados...O Fernando Piedade um deles -, homem solteiro da Sarzedela, malandreco -, sei da cachopa casada que lhe dirigiu um piropo " és uma boneca" -, tinha o hábito de ir a termas ao Gerês, morreu precocemente, ainda havia outro empregado - Adelino, casado com a linda Leonor Tomé. O Sr Júlio teve dois filhos - Fernando e Celeste - puxam raízes pela altura ao pai, quero acreditar também noutras por parte da mãe Augusta, senhora com raízes no Alvorge - "Os Namoras" . 

Loja do Sr. Francisco Silva Grande de gaveto com a estrada a caminho de Além da Ponte - balcão corrido sob o comprido havia de tudo naquela loja - mercearia, ferramentas, taberna e correspondente bancário. Conheci um empregado de quase toda a vida o "Zé Carates" sempre montado na sua pasteleira quando fazia a contagem da eletricidade. Também aqui trabalhavam -, o genro do Sr Silva -, o Sr Miranda de lentes brutalmente espessas , até a D. Dídia tinha dias de dar uma mãozinha. Os três filhos: Adelino, Palmira e Laura - senhora que conheço melhor, alta, vistosa a reivindicar heranças francesas do tempo dos foragidos do Buçaco…a contrastar com os outros irmãos morenos e mais baixos. Realmente uma mulher que deveria ter sido Miss de Portugal, senhora alta de boa silhueta, dona de um belo par de olhos em verde água e cabelos cor d'oiro numa figura de arrasar abençoada ainda de altar e par de pernas... 

Salão da cabeleireira Ermelinda...A novidade nasceu na vila um pouco antes do advento da CUF. Senhora de porte elegante, simpática e reservada, julgo dos lados de Abiúl. O seu salão sempre a abarrotar também de mulherio. Houve tarde nas vésperas de Natal de 71 que aguentei horas perdidas à espera de vez para me cortar a longa trança que o meu pai exigiu que me fizesse com o condão de trazer a mote de recordação -, e depois andou pelo sótão perdida anos... morosa foi a minha chantagem para a permissão de me deixar cortar os cabelos longos -, no Colégio Religioso As Salesianas no Monte Estoril passava horrores para os secar, só existiam dois secadores, sujeitava - me contra a minha vontade a ser das últimas, o que me ditou o mote de querer alterar tal preceito -, se melhor o pensei melhor o fiz -, nas férias exerci o meu poder de sedução ao meu pai a que acedeu triste, porque na sua cabeça pairava a lembrança dos belos cabelos de origem fenícia da sua querida mãe-, que em mim gostava de ver tal continuidade...até essa altura o salão da especialidade que conhecia -, o do Sr Monteiro em Coimbra e o do Sr Franco no Pontão. 

A única bomba de combustível… O dono era o pai da Milú, e das irmãs, que sendo mais velhas, esta a que recordo melhor, julgo se chamava Sr. Albertino, ainda me recordo quando faleceu e fui a sua casa entregar um telegrama, também me lembro com saudade da frondosa mimosa de copa florida em amarelo que todos os anos se vestia pela primavera.O Padre Melo costumava atestar o depósito de gasolina em Ansião. Uma tarde passava eu e uns colegas do Externato a caminho da Mata quando nos pediu auxílio, corremos todos para lhe empurrar o carro até pegar -, enorme, enchia a estrada em cor verde ervilha -, um Doggie (?). Também do dia que o meu pai depois de também encher o depósito da motorizada a deixou ficar - estaria com uns copitos a mais, veio a pé para casa…quem a foi buscar - a minha irmã que nunca aprendeu -, a guiou sem medos, já eu no dia que quis experimentar tal prazer sentei-me atrás do meu pai, mal ele arrancou, num impulso me levantei, fiquei de pé cheia de medo…
Quem ainda se lembra do trágico acidente do bom rapazito que trabalhava nas bombas no despique e teimosia com um cliente que o afrontava " vou à laranjeira roubar uma laranja" o pobre do João, filho do "Ti João do sol posto" do Casal de S. Brás indignado com tal despropósito na defesa do património do patrão pegou na arma que havia no escritório para desencorajar o homem atrevido - apesar de assustado e temoroso, homem ainda menino prime o gatilho sem sentir que o fez - o cliente do lado do Vale Avessada pereceu morto no chão …o João foi um dos últimos reclusos da cadeia da vila. Não esqueço o pai dele nesse dia pela tardinha em minha casa a implorar auxílio ao meu pai - que acredito lho concedeu sem gorjeta - um seu apanágio ajudar todos a troco de uns copos de vinho - porque havia outros colegas em "profissões chave" se faziam pagar e bem,- tal se constou as gordas heranças deixadas após as suas mortes - se atendermos aos ordenados magros do funcionalismo público e às suas mulheres domésticas -, e no caso a minha mãe até ganhava mais do que o meu pai -, quando este morreu havia no banco 300$00 para o amortalhar, é certo que faleceu cedo em 72 ,e quero acreditar que o enriquecimento floresceu após o 25 de abril...contudo não deixa de ser assunto para pensar! 

Gente bonita, alguns do tempo do colégio que moravam no Fundo da Rua: Anabela Paz de belos olhos azuis, muito doce e boa amiga, na sua bicicleta vermelha aprendi a andar -, grande o seu coração de fibra e personalidade quando decidiu em boa hora assumir ser mãe solteira do primeiro filho fruto do seu namoro com o João Carlos que vivia em Além da Ponte -, rapaz imaturo de postura irrequieta denotava rebeldia pelo que escrevia nos diários no Externato; Nídia e Eduarda - miúdas muito giras, morenaças; Maria João Valente, João e Rui , irmãos de olhar doce igual ao da mãe D. Aurora; Fátima Miranda , rapariga sedutora tal qual a irmã Dídia que Deus nos roubou tão cedo desta vida; Virgílio, Ana Maria, Cristina e Pedro, igualmente bonitos; Carlos, Graça e Mário Jorge Silva, este último tão novo Deus chamou, a Si; Pedro e Natércia Gaspar, bonitos mas reservados e, … 
Saudades do Dr. Amado, quando faleceu falou-se dele mais de uma semana, coisa inédita de outro nunca assim ouvira falar! 
Poucas ou nenhumas do Acipreste que aqui também morou…seria por não o entender? Ainda me lembro das missas em latim e dos achaques que me davam na missa por sair de casa em jejum...

FONTES
Fotos  http://zecky.webnode.pt/
Fotos do google

4 comentários:

  1. Olá,Isa
    Saudades dos tempos que não voltam...
    Por mais que tentemos...essas não nos deixam
    Os anos passam e a memória teima em nos recordar tudo e todos aqueles que já partiram
    Ou para Deus ou para outras terras que já não os deixaram regressar
    Mas temos as recordações bonitas da juventude e
    de tudo o que já passou
    Todos aqueles que connosco privaram,seja na infãncia ou juventude,para sempre ficam no nosso coração
    Tenham sido momentos bons ou amargos,sim ,porque esses até podem ser mais que os bons,todos esses fazem parte da nossa vida
    Para sempre
    Um beijinho

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  2. Seja bem vinda ao meu blog Maria. Pelo comentário é alguém da minha idade e de Ansião...quem será...quem será???
    Corroboro na integra o que diz " Tenham sido momentos bons ou amargos,sim ,porque esses até podem ser mais que os bons,todos esses fazem parte da nossa vida"
    Pois assim foram, a mim dá-me um inusitado prazer escrever sobre essas memórias.
    Bem haja pela cortesia
    Beijinho
    Isa

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  3. Olá ,Isa
    Não :( não sou de Ansião
    Embora na minha juventude tivesse namorado com um bonito rapaz de Ansião ,chamado Manuel e que era policia cá no Porto,mas...não deu em casamento :)
    Quanto a idade 53 anos bem gordinhos Uns feios 85 Kilos : (
    O resto foi sentido,pois a vida também me deu momentos lindos e muitos bem amargos
    Continue a escrever coisas tão interessantes como tem feito até aqui
    Continuarei sempre a ser assidua no seu Blog
    Um beijinho

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  4. Olá Maria muito obrigada pelo seu comentário.Será que conheço esse tal Manuel? Vou fazer 56 e peso menos...mas vou fazer dieta a bitola deve ser 69 para nos encorajar estar na casa dos 60...sou malandreca!
    Obrigada pelos elogios da minha escrita e pela vontade em me seguir. Acho enternecedor, porventura a transporto para bons momentos de antanho da sua vida com a minha escrita simples e afetuosa.
    Confesso adoro o Porto, a cidade se pudesse viveria.Em jeito de remate apraz-me dizer - Já fui muito feliz no Porto"
    Beijinho
    Isa

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