segunda-feira, 8 de abril de 2013

Feira de velharias em dia Pascal em Figueiró dos Vinhos

O certame acontece nesta vila há seis anos no dia Pascal -, se a manhã se apresentar seca realiza-se em frente do Jardim Bissaya Barreto, se estiver molhada no Mercado Municipal.
Estreei-me na minha primeira vez há cinco anos neste certame no Mercado -, penei com o ar gélido que vinha das serranias da Pampilhosa, na segunda vez há três anos em dia de sol penei com o pólen dos plátanos seculares e na terceira voltei ao Mercado num dia de invernia chuvoso no dizer popular "chuva se Deus a mandava cum  katano "...
A vila considerada a Sintra do Norte ,- reformulo do Pinhal Interior oferece ao visitante belezas naturais de excedível beleza  pelas sombras nos contrastes em tons verdes das ribeiras em particular d'Alge de águas límpidas, translúcidas com espumas graciosas, imita claras em castelo nas represas na pressa de fugir para o Zêzere embate em fúria nos penedos desagregados das veredas, já na Pena, em convite aberto brinda a quem ali vai a banhos nas piscinas naturais.
  •   Percursos pedestres pelas veredas dos outeiros e aldeias de xisto recuperadas.
  • Quintas e Jardim Bissaya Barreto com cameleiras centenárias, talvez das mais antigas em Portugal  só se dão em ambientes húmidos -, daqui à Galiza vindas da China no século XVII por alguma razão se chama a Figueiró dos Vinhos a Sintra do Norte. 
    Esta é minha
Doçaria conventual - Pão de Ló -, especialidade conventual da  Confeitaria Santa Luzia na continuidade no fabrico há 119 anos -, então denominada Fábrica de St.º António dos Milagres de Figueiró dos Vinhos que encerrou portas em 1965 e onde cheguei a entrar quando a minha mãe aqui vinha trabalhar ocasionalmente nos Correios,  levava sempre um Pão de Ló -, até me atrevo a dizer que teria sido o primeiro que comi nesta vida - ao tempo não haviam assim tantos bolos nem tão pouco se faziam como nos dias d'hoje. Apreciava mais a aposta do nome antigo, porque confeitarias há muitas, e fábricas com história há poucas, mas sou eu a dizer!
  •  Gastronomia regional  e os vinhos..então não ostenta no nome ?
Património arquitétonico estilo Art Déco com o ex-libris do chalet do Mestre Malhoa  rematada a frisos de azulejos da lavra de Rafael Bordalo Pinheiro -, escolheu esta terra para viver durante 50 anos  no seu Casulo, aqui teve o seu atelier onde pintou muitos quadros com motivos tradicionais da regionalidade vivida nestas terras até Chão de Couce a escassos 15 km  onde passava o mês de setembro na Quinta de Cima -, o seu quarto na torre virada para Figueiró deixando a esta terra a sua última obra em 1933 um belíssimo retábulo dedicado a Nossa Senhora da Consolação, falecendo a 23 de outubro no Casulo.
  • Há muito para conhecer no concelho de Figueiró dos Vinhos, claro falar das suas gentes trabalhadoras e honradas. 
  • Em miúda ouvia dizer que não havia mulher mais fogosa "como  prás bandas de Figueiró até pra lá da Castanheira ... "
Arrumava o estaminé de chão na feira de velharias quando chega a Luísa -, rapariga da minha idade, magricela, mui moderna com ar de hippie ,- confesso adorei vê-la na feira de Torres Novas e de Pombal com uma grande descontração e calmaria tirava a mercadoria da carrinha grande logo depois ia estacionar  para voltar de bicicleta...saudades desse tempo constatei que mudou para uma mais pequena e a byke nem vistas dela... desta vez trazia uma linda grafonola - , presenteou-nos com música  durante um quarto d'hora, pelo que se fartou de dar à manivela ...amorosa a Luísa  pela hora do almoço pegou na ceira entrançada pelas mãos para abancar na  mesa de colegas no início da feira deixando a sua "ao Deus dará".
  • Lamentavelmente com as pressas por esquecimento nem me despedi dela nem tão pouco lhe desejei votos de boa viagem, da próxima vez tenho de lhe endereçar desculpas garrafais!
Grafonola
Estavam muitos colegas meus conhecidos -, o Sr Henrique e a D. Ilda da Marinha Grande , senhora com laivos de estátua romana, seja do olhar lânguido, dos caracóis ou do porte - de tão linda que é, já o marido de descendência moura com sorriso franco e olho para o negócio.
Outros que passei a conhecer -, ainda um casal de Assanha da Paz  a D. Elvira e o Sr Raul(?) - gente por demais de simpática!-, um dos filhos é casado com uma prima minha...dizia-me ela "a sua filha parece que a conheço"...pois foi ao casamento!
Naquilo o último a abancar foi o Carlos de Pombal com o seu ar de calmaria ainda não vendeu o  prato de José Reis que dizia ser Vilar de Mouros...na banca pôs um pratinho com bombons e outro com amêndoas para dar a quem quisesse , eu provei e adorei!
  • No final da tarde com os bolsos quase vazios apressou-se para se ir embora com receio de inundações em casa...confidenciou!
Os vendedores à espera de freguesia
Visitantes de manha apenas vi o Sr Pardal de Almoster, fazia compras para a feira de Pombal, mostrou-me um pequeno crucifixo, ainda tabelámos conversa sobre a ausência de outro comum conhecido da terra o Sr Daniel, não deu ares da sua graça...alvitrei,  algum azedume ...de resto quase ninguém - , tão pouco se atreveram os que foram à missa... culpas do tempo que não convidava a passeios, já de tarde em cima das três horas apareceu uma dúzia e meia de pessoas...todos comentavam que ninguém se atrevia a sair do borralho preferiam ficar em casa a saborear  doces e acepipes em família!
  • Comentava-se que por volta das três  não aparecesse gente o melhor seria arrumar... falava com uma colega no meu tardoz que já arrumava a banca quando se abeira de mim uma senhora, e me questiona se sou a Isabel...estupefacta perguntei se me conhecia...resposta escorreita - " conheço-a do seu blog"...pois estas situações são sempre muito carinhosas pela franca abordagem. Ainda me disse " procurava pelo Externato António Soares Barbosa quando a descobri...". 
Afonso o neto da Guilhermina
Guilhermina de seu nome -, senhora de meia idade abençoada de rosto gracioso deslumbra pela simpatia , estudou com umas primas minhas da Moita Redonda - Zita e a Lídia Lucas, licenciada, haveria de se apressar em deitar por terra o titulo -, julgo Professora do Ensino Secundário  cujo filho o Pedro -, homem alto de porte atlético e chapéu de aba larga na função de fiel guardião da feira em representação do staff camarário. Vinha acompanhada da sua linda nora de belos olhos negros,- uma sedutora tal como o filho - o neto da Guilhermina herdeiro da simpatia e da beleza da avó. 
Afonso de seu nome a fazer jus ao primeiro rei de Portugal  que no maciço de Sicó travou guerras com os sarracenos, por isso tão enraizado nestas terras, do qual eu também o tenho no sobrenome, e disso confesso gosto -,uma gracinha de miúdo andava  delirante com o chapéu em chapa que serviu na guerra de 14 com correia em cabedal que o pai comprara, orgulhosamente desfilava com ele enfiado na cabeça fazendo a meu pedido pose à soldado na frente do  carro da minha mãe. Fugia de nós para teimar na ajuda ao pai na oferta de brindes camarários a todos os participantes entregando os saquinhos com postais alusivos de Figueiró  e,...
Guilhermina -, senhora nascida em Chão de Couce numa casa de vidrinhos verdes na curva a caminho do Furadouro...então não conheço, agora paixão -, a casa dos seus avós sita no desnível do terreno em relação à estrada por a achar mais castiça, baixinha com alpendre mesmo ao meu gosto.Confidenciou-me coube em herança a um irmão, tendo ela uma pequenina no Avelar.
  • Adorei saber que o filho está a recuperar uma azenha na Ribeira d'Alge...que lindas foram no passado em fila -, Deus sabe como adoro água, azenhas com a abertura em triângulo herança celta ou visigótica(?).
Antiga Azenha na Ribeira d'Alge
Azenha na Ribeira d'Alge
Irradiámos em conversas soltas sobre posts que já tinha lido... confidenciando "escreveu sobre uma prima minha do Casal Soeiro, um dos meus avós era de lá..." e do Delfim, mas olhe que não tem nenhuma irmã, pois acredito que não tenha na certeza porém aparecia na courela do Ribeiro da Vide em Ansião com uma miúda gira morena como ele que esqueci o nome, dos dois não sei qual deles o mais afeiçoado a ares de beleza árabe, seria prima?
  • A minha filha quis presentear-me com a sua presença na feira, estava a ler um livro -, havia de me confidenciar ter apreciado o  lado simpático de se estabelecer conversa com pessoas que não nos conhecem pessoalmente, apenas pela nossa escrita ...por entre dentes ainda disse "tens jeito para vender..." porque a Guilhermina apostou comprar na minha banca duas belas bacias em faiança ambas marcadas que só por isso tem valor:
  •  uma com florzinhas azuis da Fábrica do Outeiro de Águeda cuja  fábrica encerrou portas na década de 60, outra maior da Fábrica de S. Roque de Aveiro, ainda uma palangana de Coimbra com um vidrado melado.Tentem descobrir as peças na foto do meu estaminé ao acaso espalhadas.
Verdade verdadinha até ao momento tinha feito um mísero euro na venda de uma caixa de enrolar tabaco à Luísa...na maioria os colegas ficaram no prejuízo e se  havia mercadoria de primeira!
  •  Parte da banca de cobres, latões e ferro, rádios e relógios e garrafões do Sr Manuel e da D. Helena.
Até a placa identificativa ESTADO estava à venda. Isto é que vai uma crise!
Banca do Jorge de Coimbra que conheci nesta feira apesar de já o conhecer de vista. Belas colchas em bordado de Castelo Branco.
Colchas em bordado Castelo Branco da banca do Jorge de Coimbra
Travessa em faiança fabrico de Coimbra que comprou na véspera possivelmente na feira do Fundão que atesta um prato meu pela dúvida que tinha se seria Coimbra ou Alcobaça
Bacia de lavatório em faiança fabrico de Coimbra igualmente comprada na véspera
A banca do Sr Jorge e da esposa  D. Rosa da Barquinha seria a meu ver a mais requintada com peças de coleção em faiança e da Vista Alegre.
Sendo uma apaixonada pela faiança FALANTE -, registei esta foto com três belos exemplares que a olho nú se identificam como sendo fabrico de Coimbra, mas analisando o tardoz verifiquei ser fabrico de Aveiro.Naquele meu jeito brejeiro exclamei o dizer do prato em voz alta... 
  • Gostas de Mim Amor? Então vem comigo...não quis vir -, por isso voltei da feira triste!
Prato publicitário da fábrica de Alcântara
Traziam por companhia um amigo de longa data - Leonel com 81 anos, mas parecia ter 61 - um gentilmen de cavalheirismo, ao ver-me comer a bucha aviada de casa interpelou-se se depois me podia convidar para bebermos um café - claro que fomos, sentados na mesa do bar a ver a chuva que caia copiosamente falou-me da sua aventura nestas andanças.
Na banca do António "Bacalhau" alcunha que lhe ficou por o ter vendido no passado vi pouca coisa desde a última vez que o vi na feira de S. Martinho do Porto. Tinha duas peças em faiança espanhola.
 além dum  lavatório em ferro a precisar de restauro com uma bela bacia em faiança da fábrica de Sacavém ricamente decorada.
Aldrabas...adoro
Faiança espanhola
Prato antigo marcado  na massa com a âncora de Massarelos (?)
Travei conhecimento com a D. Helena e o Sr Tony de Pombal - muito simpáticos, a senhora tinha ao colo uma botija de água quente para se aquecer...
Na  sua banca selecionei esta terrina em faiança provavelmente fabrico de José Reis em Alcobaça pela imperfeição da pintura dos filetes em manganês, porque o formato, as pegas e as flores foram também usuais na sua cerâmica.
Conheci um colega de Leiria com uma banca onde as latas eram rey - o Rui , decorador de interiores com ar de erudito, cabelos ondulados, sedutor e bom vivan vestido de cabedal, com quem me fartei de conversar onde comprei uma caixa de charutos da Jamaica que me reportaram à minha infância trazidos pelos amigos do meu pai quando vinham do Brasil e os compravam nas Caraíbas.
  • Ofereci  a caixa à minha irmã, sendo fumadora, julgo na sua casa ficam melhor,foi com agrado que ao mostrar a caixa logo se lembrou desses tempos de antanho que os abocanhávamos na boca a fumar ouvindo de perna trocada os Parodiantes de Lisboa na sala de visitas sentadas nos sofás de espaldar de madeira com corações esculpidos...






No Zézinho como lhe ouvi chamar comprei uma talha em cerâmica para o jardim da minha filha em Lisboa e uns castiçais em vidro, havia de me ofertar um covilhete da Crisal  da Marinha Grande, anos 30.
Parte da minha banca com a talha exposta
Noutra banca havia fartura de pedras, fósseis ,cerâmica medieval e romana encontrados no Tejo, julgo o vendedor um rapaz ainda jovem de poucas falas, mas simpático se chamaria Miguel(?).
Cacos e caquinhos em ceramica
Um bico de ânfora, uma malha e dois púcaros de textura extra fina o que achei estranho como não se partiam ao lume...
Vista geral do meu estaminé postado no chão na feira de Figueiró dos Vinhos
Termino com um belo exemplar de carrinho de bebé...no caso igualzinho ao meu quando nasci, já lá vão 56 anos!
Novinho...em folha!
Deixei a feira com chuva na frente do Jardim passava a comitiva Pascal -,  três homens vestidos de opa vermelha nas mãos seguros chapéus de chuva pretos contra o vento  molhando descaradamente a Cruz de Cristo,  a sineta e,...não vi em nenhuma porta flores prostradas pelo chão a convidá-los para entrar!

  • Adorei o certame fosse pela conversa, pelo contato humano -, algum anónimo passou a pessoal  no caso em  especial destaque para o  Leonel e  a Guilhermina!

2 comentários:

  1. Ola Maria Isa!!!
    Fico feliz em sabe-la por São Martinho do Porto!!!

    Uma das bancas que tem o cavalo da vista alegre chamou-me a atenção!! Adorei as peças Velha Paris!!

    E fiquei encantado com o prato de brinde aos fregueses da fábrica de alcantara!!
    Lindo!!!


    Um abraço do Flávio

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  2. Caro Flávio, esta crónica tem um ano foi no dia de Páscoa na feira de Figueiró dos Vinhos onde o Mestre Malhoa viveu 50 anos, sendo nascido nas Caldas da Rainha, pintou na região muitos quadros com as tradiçoes do povo.A feira de S. Martinho do Porto deixei de fazer...fiz duas crónicas engraçadas...As feiras são interessantes pela partilha do que se vê e se regista .Ontem estreei-me na feira de Algés.
    Um abraço
    Isabel

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