segunda-feira, 3 de junho de 2013

Acordei na necessidade imensurável de sentir prazeres a lembrar a Maria Clara!

O sol fez-me saltar da cama, num ápice vesti-me para um dia de cara outonal. A "chuvinha molha tolos" caia por entre os raios de sol a irromper em raios de brilho nos telhados molhados. Fiquei extasiada com tal beleza. Fiz umas compritas, o meu marido festeja aniversário no domingo. Regalava o olhar com montras de lingerie quando sinto uma voz que me chama - ,feliz coincidência encontrar a Maria Clara , há anos que não nos víamos . Entrámos numa pastelaria seguiu-se conversa farta...Quando a conheci tinha pouco mais de 20 anos, casada com um filho, afinal mais tarde teve outro, os dois reivindicam genes ao pai no olhar lânguido, a imitar um lago de nenúfares, aos 37 anos aconteceu o inusitado, o marido bateu com a porta...Há seis anos que vive divorciada, só no final do ano passado tirou a aliança, teimosamente a continuou a usar... Sabe-lá o porquê, julgo para afastar o assédio da clientela, no seu estabelecimento...Adepta do Facebook, confidenciou-me ter travado conhecimento em dezembro do ano passado com um homem de 60 anos, a que chama carinhosamente por Ge - alto, de excelente aparência, moderno -, com quem aos poucos se foi tornando amiga. Ge, mostrava-se ouvinte, amável, e muito disponível e o inevitável aconteceu, apaixonaram-se. A relação correu de feição, muito porque ambos respeitam o espaço um do outro, pela compreensão e paixão -, elogios para ela é coisa farta na boca dele -"fabulosa em tudo,cheia de atributos de elegância, carinhosa, meiguinha, uma doçura, e na cama uma cobra..."perplexa estava a ouvi-la - ainda acrescentou -, não estamos com pressa, há coisas que precisam de tempo, disse sentir que já faltou mais, ou talvez não -, paira no ar uma sensação desconfortável, ultimamente algo fez abrandar o entusiasmo inicial, apesar de continuarem amigos, mostra-se confusa, não sabe o que pensar -. suspeita duma relação antiga dele que tenha voltado...Ajuíza que o flirt aconteceu como "tábua de salvação" num momento de desenlace e carência e o mesmo pode agora acontecer com ela numa viragem de novo vento? Senti estar aflita com auto estima fragilizada -, por isso o desabafo e confidência!
Num fôlego diz-me " neste princípio de outono voltaram ao despique vários potenciais interesses em mim em novembro do ano passado conheci o Adre na casa dos 65 anos, muito mais velho do que eu, pois festejei o mês passado 44 -, faço querer que não apreciou o e-mail no meu jeito de conselheira -, o acusei de coisas e gostos esquisitos -, claro que este tipo de intrusão não lhe agrada, num ano a relação degastou-se sem que ambos tivéssemos inteligência suficiente para a querer salvar..."Quiçá porque tivesse medo da sua grande oferta, "deseja uma mulher para estar com ele, passear, curtir a vida, não para ser dona de casa".
Nisto esboçou um sorriso maroto ao dizer " quando a esmola é grande o cego desconfia".
Confidenciou-me que o pior foi sentir que ele está habituado a pagar para ter prazer...Disso não gostou. Aconteceu o desenlace do fugaz flirt até à manhã de outono que de novo a reviu numa manhã a passear na Costa de Caparica, a olhou demoradamente, vestida de óculos de sol, fingiu que não o viu... Dias depois ele telefona-lhe , pergunta a razão de não o ter cumprimentado? Diz-lhe "meu querido, estava acompanhado, não quis causar uma cena de ciúmes... " responde ele " minha querida, sabe que adoro a sua boca, a sua anca ,que a amo "... Insistiu para tomarem um chá, e conversar pessoalmente. O que aconteceu em Lisboa numa das mais categorizadas pastelarias, onde lhe dirige convite para passar uns dias em Ferreira do Zêzere, com a lábia - "muito passeio até Espanha, boa comida, e bom sexo...num tom malandreco"...Pensei aceitar a oportunidade para testar - "sim ou sopas" -, mas na hora não teve dúvidas em rejeitar a oferta ...Por não se sentir confortável!
Entretanto também há um ano travou conhecimento com um homem mais novo de 37 anos a viver no Algarve, há tempos desaparecido do meio cibernauta e de novo reaparecido, disse "ter tido um problema de intrusão de estranhos no PC", mas no dizer dela - "não há dia que não lhe tolde a cabeça com um assédio tenaz de luxuria para se masturbarem virtualmente" e insiste para o ir visitar...Senti que os olhos dela brilharam quando o descreveu: "homem alto de corpo atlético, vigoroso, mui ativo, sensual, um demoníaco sexual de seu nome Mig, adora andar de bicicleta e fazer desporto -, na sua cabeça fantasia com mulheres mais velhas, de boa mente e,... Azar teve com a ex companheira que despachou por ser péssima dona de casa, desorganizada, e para sexo não funcionava, sendo ele mui ativo, metódico, e impaciente...Ficou com a guarda do pequenito com 4 aninhos, de quem cuida escrupulosamente, por isso não se pode deslocar. Nisto senti que Maria Clara franze o beiço..." pena ele ser mais novo do que eu"...
Porque nele apostava com prazer experimentar!
Maria Clara respira fundo, diz-me - não sabes a melhor - como se tanta fartura não bastasse suspeito que uma mulher ande perdida de amores pela minha pessoa...Ouvir tal notícia inusitada, o remédio foi pedir dose dupla de café!
Desabafos  da vida à mesa do café entre amigas...Senti uma pena da coitada da Maria Clara, não sabe o que fazer. Afinal tem tantos interessados, para refazer a sua vida, e ser feliz -, e ao mesmo tempo senti estar sozinha...Apesar de aparentes interesses!
Uma coisa ela garantiu-me -, só deseja tabelar relação com um homem forte e viril que goste dos prazeres da vida, sem hora para acabar, além de todas as normais virtudes. Mulheres é que nem pensar -, jamais sentiu dúvidas sobre a sua sexualidade - tal como eu! Tal vigor no dizer destas palavras regurgitou o café sobre a mesa...Acorre o criado às pressas de pano na mão perante tal aparato!
Acordei na necessidade imensurável de sentir prazeres ,a lembrar a Maria Clara! 
Não deixem jamais de expressar os vossos sentimentos! 
Desabafar alivia tormentas que turbam a alma com dúvidas!
As dúvidas de Maria Clara num beco sem saída apesar das virtudes e insignificantes defeitos ... 

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