domingo, 14 de julho de 2013

Matar a saudade do 13 de julho de 2010

Pedro Abrunhosa ilumina-me...Ilumina-nos, de novo com o deslumbre da tua voz e da música enquanto não há amanhã, neste querer matar a saudade do 13 de julho 2010 !
Quadro de José Malhoa - Paisagem fluvial vendida na Oportunity Leilões 
Lembrei-me da Ribeira d'Alge -, o vermelho que desponta inexplicavelmente na paisagem reportou-me para os barretes que se teciam em Pêra, aldeia perto de Figueiró dos Vinhos, para onde foi viver a partir de 1885, o Mestre, na sua casa de verão - o casulo, onde tinha o seu atelier . Aqui contactou mais de perto com a vivência no campo, as tradições e adquiriu o gosto por temas populares, que retomaria ao longo da vida. Valores igualmente apreciados por mim pela cumplicidade -, ambos somos nascidos sob o signo Touro .
Ditou o calendário mais um aniversário no dia de ontem
Senti que o sentiste por telepatia -, apesar do manifesto ambiente de festa rija na tua cidade...
Já eu me pautei com juros de mora no lembrar -, fosse pelo cansaço, aconteceu ao deitar!
Sofredora sem descanso, maldita mente, explode na tormenta saudade...
Atropelos galopantes de lembranças gravitam na aparente felicidade em aura.
Desenfreada vontade neste querer reviver memórias guardadas em cofre. 
Sequer equacionar estragos comungados (?) na louca, e desvairada aventura...
Rápido foi o pego da chave, segredo e desligar o alarme, para te voltar a abrir! 

Despropósito abuso no deixar cair a máscara do conforto
Sem a qual, temo dias e meses neste meu difícil viver 
Insisto, nem que seja pelo medo do fracasso vil ... 
Nesta vida senti o felling da chegada de oportunidades
No lamento o resulto de vida desperdiçada! 
Dita a lição aprendida num tempo de ditadura -, difícil não desgarra tão pouco desgruda. 

Um ano, o limite no alicerçar sinceridade com verdade, em segurança, sem medo de maldição ou consequência... Sensato dosear de peso e medida as palavras, atitudes, cada gesto no contrabalançar do bom senso, para no fiel da balança da razão, sem querer ingenuamente magoar alguém -, tomar uma decisão, no partido do sim, ou do não. Sentimento crescente a cada dia -, fervor o sonho e premência desenfreada, com vontade de arriscar -, o destino fatal. Porque o certo é apostar em pessoas que valem realmente a pena -, que nos dedicam atenção, ouvem até à exaustão, tratam e mimam de carinho , denotam gosto especial, seja em momentos tristes ou alegres, também de mau humor, de qualquer jeito e maneira, até no síndrome de Calimero... 

O dia da grande viagem, tão desejado e ousado, teve data marcada . Aurora de sol, vestida fresca de seda e florzinhas, ornada a oiros à minhota -, sem medo de assalto!
Já no destino na calçada os olhares se cruzaram ao longe em fulminante corrida , encandeados se juntaram em terno abraço sentido, e mui forte...
Imagem pessoal de ti sentida a minha primeira -, perfil de pernas altas, andar travesso, ares de menino estampado na cara, tronco "M" vestido de lima limão, ao rubro voz fogosa com sabor a norte! 
Atabalhoado estar na teima e troca de presentes -, jamais esqueço imagem do porta bagagens aberto, prostrado no fundo preto em forte contraste -, ramo de rosas vermelhas de caules altos desnudados presas em cordão cerise de cetim.Ainda uma caixa com bolos... Ao fundo enrolado vi o cascol do teu clube de futebol, calções e toalha para uma escapadela à praia...

Intenso o clima de romantismo, apesar de ambos maduros, assaz tímidos...qual clima de adolescentes! 
Fazia-se hora de partir em divagação espontânea sem destino(?) -, apurado gesto cavalheiro no abrir da porta do carro, na primazia de nele poder entrar, e em seguida em rota de viagem, estampa nas caras de sorrisos abertos e parcas palavras -, tal o fulgor sentido nas mãos presas na manete das mudanças!
Breve passagem pelo Shopping de braço dado caminhantes...estonteante o entusiasmo no percorrer dos mesmos espaços, noutros dias sozinho, a pensar em mim -, em nós, enquanto não há amanhã, no sonho de se correr o mundo em andanças ! 
Sem delongas a sugestão de fazer piquenique . Premeditada escolha do socalco altaneiro sobranceiro ao mar, com partida e chegada de navios, rodeado de frondosos plátanos. Naperon de linho bordado pela minha mãe a servir de toalha -, inusitado agrado havia de suscitar outro -, morangos e cerejas lavadas em bacia improvisada, no saco de plástico!
Outra tela do mestre Malhoa -,paisagem fluvial que me faz lembrar a Foz da Ribeira d'Alge no Zêzere com a Ribeira do Brás.


Conforto sentido no banco traseiro, onde se tragou o parco farnel ligeiro -, estar alegre, de conversa sincera, a falar de nós,  como se o conhecimento fosse de toda uma vida...Ao mesmo tempo a ouvir boa música do rádio, num repente soa  a voz gemida, sussurrada e doce do Pedro Abrunhosa  -, fez-se um clique que nos derreteu no mesmo comungar pelo intenso da letra e encanto poético da música... 
Ilumina-me enquanto não há amanhã...ilumina-me...ilumina-me!
De portas abertas - , intenso impulso clamado forte na pose de imitar Céline Dion e Brad Pitt na proa do Titanic -, rápido improviso de encosto ao carro a saborear jesuítas...Marotas as migalhas sem pedir licença, descaradamente entraram pelo decote do vestido -, mal aliviado o elástico da cintura, sorrateiras foi vê-las a esvoaçar em graça, num ápice a estatelarem em voo ondulante pelo chão, no justo querer mayor de arrancar sorrisos, como se não bastasse o mote -, finalmente juntos!

Abstraídos dos demais carros espalhados ao alheio pelo recinto -, desfrutado a dois em ambiente de manifesto clima imperial e doce, romântico, sensual, único-, o meu primeiro -, neste local idílico, assim sentido, na torreira do calor e refresco da folhagem -, um paraíso!
Emoções sentidas ao rubro -, saíram em frenesim as palavras, tudo quiseste esclarecer!
De mim tudo sabias-, em tempo quis escancarar sem receios o meu livro -, falar do bom, mas sobretudo do menos bom. 
Nenhuma relação de amizade é sustentável se houver escusas da verdade, mesmo que doa, ou por muito que se custe falar... 
Ambos caminhantes nesta vida, errantes, na procura exaustiva do que é difícil de ser encontrado...
Alguém especial, para amar e ser amado!
O tempo, se ditou, por parâmetro de exigência mui elevado nas escolhas!
Espanto em nós o "fogo com terra " fez faísca! 



Difícil, é acreditar o perdurar no tempo -, na consolidação do objetivo final a saldar-se positivo -, fosse no apego ou nas múltiplas cumplicidades sentidas, desejo da conversa, sentir, e apaziguar desabafos, gosto da aventura, sobretudo da loucura, no dar azo às crianças que vivem dentro de nós -, por isso valiosa, inexplicavelmente bela, enigmática com laivos de doidice avassaladora -, apesar dos perfis de cariz livre, autoritário e impulsivo, um quebra cabeças! 
A muita dor e raiva acumulada no meu coração, contigo foi por demais aliviada -, nesta minha vida -, euzinha verdadeira, sem sofismas, consegui deitar por terra fantasmas do dizer NÃO, quando queria dizer SIM! 
Não seja só por isso -, és o meu ídolo e herói!
Tais lembranças quero amornar o meu estar, neste hiato alivio de tensão mínima ,a se restabelecer de vez! 
Saltou-me a loucura para o desnorte, no meu melhor - a imprevisibilidade!
Ilumina-me no mirabolante sonho, no apraz viver o mesmo outra vez -, com partida iminente nem que seja em amanhã de nevoeiro... 
Na ambição mayor sentir outro beijo louco no Porto no rescaldo da areia quente ao pôr do sol no Castelo do Queijo, seja a saltar nos penedos graníticos pelas clareiras em festejo iluminado, iluminada a cores quentes, festa bem regada a champanhe, outra vez, no lamento -, só por ser efémero!

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