sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Mais vale ser feliz um dia do que infeliz toda a vida!


Enredos de amizade cibernauta  revelada saudável aos dias d'hoje, apesar do sabor a traição! 

Maria conheceu Jasmim -, nome fictício de cariz amoroso que  lhe haveria de inventar há quatro anos, num desses primeiros sites de amizades. 
Antes de aderir meditou tempos; fosse nos prós e contras, na teima de aderir a este conceito moderno em aceitar novas amizades, também dos receios da sua idade com meio século -, neste dizer a si e aos outros -,o que é  certo e o errado. 
O problema é que a ideia não lhe saia da cabeça dia e noite. A aventura desde sempre vivia dentro dela reprimida, arrepiada, escondida -, sentia que se queria soltar, o seu coração hilariante despertava para este meio de interagir com gente anónima, desconhecida. Aparentemente sem medos, apesar do bom senso a avisar de não descuidar detalhes -, quiçá de hipotéticos aborrecimentos.
  • Inexplicavelmente no Sonico uma panóplia de escolhas com seis  novos amigos (?). 
Atinou o seu olho clínico e apurado em cada um. A  decisão recaiu em alguém especial -, fosse pela idade madura, cabelos grisalhos, perfil atlético, ar sedutor e atrevido que a fotografia deixava antever. 
Implacável em avançar nesta modernidade cibernata, dita o clique no "Sim" apesar de algum anseio...

Maria usava o PC diariamente para fazer os seus trabalhos artísticos, Jasmim começou a aparecer no chat -, Maria fazia de conta que simplesmente não o via -, não se fazendo rogado e bem, a questiona implacavelmente " porque razão aceitaste a minha amizade e não me cumprimentas ?"… 
Maria sente que procedia  mal e logo emenda o rumo da conversa com "pezinhos de lã no uso das palavras" e desculpas pelo meio.Percebeu que afinal tinha sido afoita, mas depois ao que parece, apetecia-lhe fugir... isso diga-se de passagem nunca tinha sido o seu estilo  de estar  nesta vida, até se interrogava nesse mau estar que mais parecia ser do tempo de adolescente, em dizer não, quando queria dizer sim...
Conversa puxa conversa, rapidamente se gera química numa resposta meio atrevida que lhe deu "pica, acende a química" e sem querer -, ou não, galgam cumplicidades que no tempo haveriam de os deixar agarrados num louco mitigar de emoções das suas vidas...
Foram dias, horas, meses a teclar. Maria sabia que Jasmim era  um homem livre há quase duas décadas e um nato sedutor -, no ditado popular " um homem de muitas mulheres"...
Já Maria não foi exceção às mulheres da sua geração -, sofrida, mal amada, carente...apesar de acompanhada, vivia na solidão. Fácil foi apaixonar-se por Jasmim que a cada dia se revelava amigo fiel, companheiro naquele ouvir sem reclamar,  escutar desabafos, tristezas e preocupações. Homem amável, sensível, educado-, um querido pelo tempo disponibilizado, também por emanar força para Maria continuar a sua luta nesta vida de inglória e desamor -, e assim se transformaram as longas e infindáveis conversas  no dia a dia sem vontade de jamais terem fim... 
  • Fenomenal era o  sentir da sua presença quando estava prestes a chegar -, coisa de telepatia brutal -, a orelha esquerda  de Maria queimava de tanto aviso...

A amizade sincera e amiga estava prestes a celebrar a sua primeira anuidade.  Maria sentia que o tinha de conhecer em pessoa -, perceber se aquele homem a quem dedicara horas a fio, era realmente verdadeiro, sobretudo a razão porque mexia tanto com ela, a fazia sonhar numa vida melhor, e no amor.
Se o pensou melhor o concretizou, decide testá-lo na sua pretensão em o visitar, ajustando a data ao aniversário da amizade, por ser emblemática para ambos. Cavalheiro logo aceitou. De véspera Maria pergunta-lhe como gostaria que fosse vestida, dando dois palpites-, vestido de seda com florzinhas ou linho castanho de linhas direitas. Jasmim não se fez rogado -,antes pelo contrário adorou o ensejo de Maria , sem delongas diz-lhe  "gosto muito de florzinhas". Estava feita a escolha. 

Chega o dia desejado. Maria parte de comboio para Coimbra na bagagem leva morangos e cerejas em meados de julho, dia de muito calor. Estremece o telemóvel para os lados de Pombal, Jasmim queria saber se tudo decorria conforme o combinado, mostrando-se ansioso pela chegada. O comboio chega no horário, Maria dirigi-se para a entrada da estação  vestida de óculos escuros, imediatamente esbarra em Jasmim que reconhece pela T-shirt cor lima que sabia tinha estreado recentemente e dela recebido elogios das colegas. Desalmadamente ambos correm ao enlace que jamais ela esquece, estonteante foi a intensidade daquela imagem sentida daquele abraço tão desejado, nunca antes assim sentido,  que todos os dias ainda perdura e atordoa o seu pensar...
Beijam-se agarrados alguns segundos com muito fervor e trémulos... Jasmim abre o porta bagagens, oferece-lhe um belo ramo de rosas vermelhas, delicadas, ricamente apertadas com cordão cetim escarlate e uma caixa com bolos -, especialidade da sua terra que teimou ensinar como se devem comer. Maria propôs um piquenique, seria mais familiar do que no restaurante frente a frente, apesar do longo conhecimento -, naquele abreviar de tantas emoções neste dia sentidas pela presença física , também pelo encantamento da voz, do sussurro dos sotaques...dos olhares e da leitura que deles cada um queria testar.
Decidem ir ao Shopping fazer compras, saem do estacionamento de braço dado como se conhecessem de toda uma vida. Já no carro dirigem-se para um parque sobranceiro ao Mondego  na Lapa para  piquenicar no banco traseiro do carro, ao som da voz quente e sedutora do Abrunhosa . Maria fazia as sandes de presunto enquanto  ele abria a garrafa de vinho. Jasmim parecia encadeado com os oiros reluzentes que Maria atrevida se engalanou  para o encantar como se fosse minhota...de sandes na mão sem apetite aparente -, desata a falar do seu passado, que até já lhe tinha revelado...quis ela naquele momento o sentir como triunfo em dose de doçura açucarada, com sabor a melaço -, no momento Jasmim queria ser só seu!
Tamanha alegria mostravam sentir por estarem juntos.
Mulher desenrascada transformou no imediato um saco de plástico em bacia para lavar a fruta. Sorrateiramente em gestos atrevidos ia pondo na boca de Jasmim cerejas ora morangos ... 
Atitudes inesperadas haveria naquele dia de voltar a repetir com outras imprevisíveis que o deixavam visivelmente encantado, e num gesto cavalheiresco não se cansou de mencionar tal revelação estonteante, fosse a registar fotos a dois, a beijarem-se na rua, a rir como adolescentes ou a rebolar na relva... Jasmim irrompe cheio de carinhos  em voz doce e tímida, apesar do alto perfil  ..." o que eu aprendo contigo Mariazinha"...

Jasmim mostrava-se fascinado e estupefacto porque Maria revelava-se em relação às outras suas amigas uma mulher glamorosa, sensual, sexy, moderna, imprevisível, repleta de criatividade...
O encanto tomou conta de ambos. Tudo era nos dois por demais admiração!
Fora do carro saboreiam os doces que com tantos abraços e beijos se estatelam no chão...
Sentem-se loucamente atraídos um pelo outro, naquele momento queriam ser um só... 
Haviam sem o premeditar remediar no carro a loucura desenfreada, louca, deliciosa, única que os dilacerava naquele momento efusivo de paixão...sem pensar que o lugar era coisa pública!
A primeira  aventura de Maria...afinal que sonhou toda a sua vida, saldou-se mui positiva!
  • Mais vale ser feliz um dia do que infeliz toda a vida!
Na volta de comboio a casa vinha a pensar como valeu a pena -, valeu muito a teimosia da aventura! "  porque a nossa vida é como uma comédia: ninguém repara se foi longa, mas sim  -,se foi bem representada." 
Não quer isto dizer que se deva representar, quer dizer que não podemos ser figurantes na nossa própria vida, como somos, quase sempre. 
Às vezes agimos como que alheados da própria vida, nunca se deram conta ? 
Estamos cada vez mais indiferentes, mais distantes de tudo e de todos. 
  • O nosso estar é cada vez mais de isolamento, e sem bons, e verdadeiros  amigos –, deve ser por isso que cada vez há mais redes sociais, onde se encontram grandes mentiras , sobretudo gente com traumas, complexos, carências que só conseguem comunicar virtualmente...Para pensar !

Maria e Jasmim foi um caso de amizade sadia, verdadeira, de partilha e cumplicidades .
  • Amizade afectuosa para toda uma vida que só acrescentou brilho na vida de ambos -, sendo almas exigentes, cada um procurava pelo outro, e sem o prever aqui se encontraram, e foram um dia muito felizes!

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