sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Bairro de Santo António no meu olhar zelador no apelo à Junta de Freguesia de Ansião

O Bairro onde eu cresci até casar foi em tempo acrescentado "de Santo António" o orago ada sua Capela, lusivo aos viajantes da estrada real que passa ali muito perto a poente.
Foi abençoada de escadatório em pedra na ligação da Capela ao Ribeiro da Vide nos finais do século XIX quando foram roteadas novas estradas em detrimento da medieval; Alvaiázere, para o hospital e do largo para os Escampados e ainda construida a fonte.
A estrada medieval foi percorrida por Reis , frades, viandantes, forasteiros e pedintes.
Ao largo do Bairro de Santo António de farto terreiro e em redor casario onde houveram em tempos distintos duas estalagens e duas prisões a masculina e feminina, também a primeira Casa da Câmara de sobrado com janela de avental e banquinhos namoradeiros, pela frente da porta havia um átrio, teria sido coberto de telheiro que ruiu, no meu tempo conheci apenas duas grandes colunas quadradas ladeadas por dois degraus em pedra muito gastos com duas frondosas parreiras, do lado nascente no gaveto com o caminho havia outra porta com lintel e a inscrição 1767, haviam pelo menos duas cisternas ( onde se falava deixavam forasteiros depois de espoliados das suas riquezas (?), um poço de chafurdo com escadaria em pedra, cavalariças, uma casa de formato quadrado com lintel de 1680, seria a casa do Administrador da vila (?) seguida de outra em arquitetura semelhante à Casa da Câmara, tinha na frontaria uma porta e pequena janela, o que indicia poder ter sido a casa da roda (?), onde se deixavam os órfãos e filhos de pais incógnitos-, os expostos, no tardoz houve a casa de fazer pão e na frente com a estrada uma oficina de ferrador e,...
Espaço emblemático continua a ser aos dias d'hoje mal amado por quem de direito, ainda assim o Largo do Bairro actual mantém a traça do passado, com ligeiras alterações.
Toponímia atribuída àdoque do passado deste Lugar que foi a Cabeça do Bairro onde o poder da vila foi exercido:
O Largo-, o certo contemplar o poder da vila que aqui existiu - Cabeça do Bairro

Rua do Hospital e Rua 13 de junho, deveria ter a mesma denominação - Estrada Real

Rua de Santo António
, deveria chamar-se Rua do Hospital da Misericórdia, porque foi aberta para o fazer.

Quelha do Vale Mosteiro, além da necessidade em ser limpa, tendo em atenção que faz parte da rota de Fatima, deveria chamar-se Travessa do Vale Mosteiro, a primitiva ligação aos Escampados de Calados, Belchior e Santa Marta.

Rua do Largo do Bairro, para o Ribeiro da Vide a nascente, na casa da minha mãe coloquei o painel azulejar do nome que consta na escritura desta antiga propriedade comprada quase na totalidade pelo meu bisavô, avô e o meu pai -, Quintais do Bairro, toponímia adquirida quando o poder aqui se instalou entre o adro da capela e o largo do Bairro, ficando os quintais para os residentes cultivar as suas hortas para sobreviver.

Quanto à Rua de Alvaiázere, se deveria chamar Rua da Quinta do Bairro ou Rua Belchior Reis, por ser chão da sua quinta, onde nasceram os seus filhos, sendo que ele nasceu no Casal Galego, hoje Pinhal
onde ainda hoje há descendentes que no seu chão habitam e tem terras.
Em Ansião alteraram a Rua de Pombal para Rua Dom Manuel Melo, não vejo razão para aqui não o ser.
Casa dos meus pais no gaveto a nascente da quinta do Bairro com os Quintais do Bairro
     
    A casa baixinha em amarelo ocre em baixo foi alugada pelos meus pais no Bairro de Santo António onde vivi desde que nasci até agosto de 57. Arrepia-me aqui passar e vê-la a cair a cada dia que passa... Dela só me recordo no verão, durante anos , a emprestarem para aqui se fazerem as flores de papel para engalanar o carro alegórico do cortejo do povo nas festas de agosto. Estendiam-se cordéis pelo corredor onde se punham as folhas cortadas de papel para se enfolar, depois de cortado o fio, cada flor era atada e desfolhada, sendo que de seguida iam para um quarto, onde se amontoavam em monte até chegar ao teto de madeira...
    Estreei a casa nova de caras para o adro da Capela de santo António no dia do meu batizado . Construída pelo meu avô "Zé do Bairro" -, pedreiro de profissão além de padeiro-, a construiu no quintal dízimo da sua quota da herança recebida de seus pais -,os Quintais do Bairro. Claro que era avarento, gastou no tempo "500 mil-réis", nem a casa de banho acabou ,nesse dia uma cobra veio ao cheiro do meu leite, sendo de imediato morta com uma enxada pelo meu pai-, tão pouco a construiu seguindo a planta, seria mais alta, a sul só com portas para o sol entrar, e a norte com janelinhas da cave para o adro... Foram os meus pais que a acabaram como puderam, ainda hoje a minha mãe a melhora...
    Vista do adro a poente , no meu tempo tinha uma linda mimosa no canto do promontório
     Vista a nascente do adro
    A casa que foi da Ti Maria e do Ti Moreira, de cara lavada de paredes meias com a do familiar que alugou a casa mais pequena aos meus pais.
    A Quelha do Vale Mosteiro
    A minha mãe conta que quando comecei a gatinhar um dia fugi de casa. A criada que só tinha 14 anos, do Alvorge, descuido-se de mim... aventureira, cheguei à porta, e sabe-se -lá o porquê virei para cima num caminho de terra batida contornando a taberna do Ti Moreira entrando na Quelha do Vale Mosteiro...sem ser vista!
    Foi por aqui algures, e naquele tempo era bem pior,com regateiras a céu aberto de maus cheiros onde me encontraram há 55 anos escondida por entre ervas e silvas...mas acharam-me!
    A entrada da Quelha do Vale Mosteiro-, se deveria chamar Travessa do Vale Mosteiro .
    Do lado de baixo o muro da casa do filho do Ti Moreira, em cima um prédio no gaveto.
    Veja-se o lamaçal...tive de passar sempre a pedir licença à água, à lama, às ervas...claro ensopei as botas todas!
    Urge tempo da Junta de Freguesia fazer o seu trabalho. Proceder à limpeza da quelha, melhor ser asfaltada , com sarjetas para escoamento das águas pluviais.
    Gosto daqui passar no atalho para a avenida a caminho do Escampado e de outros locais, como a casa da minha irmã.
     
    O poço do Ti Moreira engalanado com cabaças. No meu tempo de criança no seu redor vinha apanhar salsa...entrava taberna adentro e dizia para a Ti Maria que andava de roda das panelas na cozinha - posso ir ao poço apanhar salsa ?..." Anda lá cachopa, apanha-a com jeito, não a estragues..."

    Imagem de fios entrelaçados ao jus de tanto fio de telecomunicações e EDP que cruzam o céu sem pedir licença em quintais e estardas, por tudo o que é sítio, uma aberração total de terceiro mundo, deviam respeitar o alinhamento das ruas, no melhor devia ser debaixo da terra e jamais cruzar terrenos à doc...um despautério em empresas que tem lucros de milhões!
    Porque pago IMI e o céu das minhas propriedades devia ser meu, a ter de passar o dever de pagar! 

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