sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Poema...desisto de ti

Ao meu pai que tinha o gosto da poesia, em particular dos sonetos -, ainda li alguns com que brindou a minha mãe, ao tempo a sua namorada, em tanto telegrama e cartas...era domingo, eu e a minha irmã, sozinhas em casa, os nossos pais de saída de táxi a caminho de Lisboa para ver o tio Chico hospitalizado. 
Arrombámos a mala de cartão cheia de recordações do namoro...por causa da loucura com a febre da coleção dos selos que corria na altura ...li alguma coisa, na memória ficaram versos....as cartas com títulos de duas linhas com lindas palavras afetuosos ...minha querida e mui amada Dinita que adoro e sonho e,...
A minha irmã herdou-lhe o gosto da poesia ...fazia versos na adolescência em livros usados nas mercearias para apontar as dívidas dos clientes...
Eu bem queria, mas falta-me o engenho e arte. 
Teimosa e sempre aprendiz, sei que alivio o pensar!
Para mais tarde recordar.
Dedicado a LJ, JL, 43-52 depois da loucura não vivida, só sofrida -, prevaleceu a boa amizade.

POEMA

Dor nostálgica amarga e triste 
ego sem luz, insípida que tortura 
malvado tempo que me persegue
em idade fatal, jamais perdoa!

Atenção perdida nos dias...
já de noite sinto a falta que reclamo
outra assim não basta, quero mais 
desejo vivo de ti, sabes adoro!

Repito, quero mais, muito mais
teimas firme e seguro estar, não reages...
má sorte a minha, ignóbil
como se nada nos unisse afinal! 

Sinto fugas e medo, do laço enfrentar
falar deste amor que me consome... 
retorno inglório, desiste amar!
Apático estar no jaez acompanhado 

Bom senso, dita no ir ou no ficar
tal mote tenaz e inseguro
dualidade, só inspira sonhar!
Pressões, ameaças, chatices...

Longe vão momentos do que arrepia 
despedidas doces e húmidas de visão turva...
rubra emoção o abafo efémero, fuga a dois!

Falha ousada neste querer maior de avançar 
talvez força para não recuar, e o medo afinal?
de ti, de nós, dos outros, da vida vil... 
para enfim, no confronto se amar !

Onde estás, o que fazes ?
pensarás em mim, sonho azul ? 
sim , não, talvez, em nós... 
tenho a certeza, na tua vida afinal! 

Desisto de ti, fel cómodo estar
indeciso, no rol de vida ingrato 
porque urge força convita e audaz

Ditada ao jus do teu olhar...
mas creio, nunca serás capaz! 
Desisto de ti, fugaz paixão
agora sou eu que quero!

Justo querer, outra ter, que te alente
Aqueça, vibre de novo o ego 
augúrio da sorte, feliz afinal não pela metade!

Jamais teu destino fatal, sofrer forever...
Já eu teimo a luta, em viver para amar
porque nunca será demais!

Fazendo eco ao pensamento de Carlo Dossi  "Os loucos abrem caminhos que mais tarde percorrem os sábios". Num mundo onde a maioria das pessoas quer mostrar mais do que é, livre é aquele que tem coragem de trilhar novos caminhos. 
Livre é aquele que não se deixa abater pela crítica, e constrói a sua própria estrada... Eu? Sempre a recomeçar...Em 2007 .

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