quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Migalhas no amor quando as há...

Difícil é descrever o que sente o coração de Maria...Apática, estranha ainda assim sem jeito, eletrocutada!
Ontem ao final da tarde Jota ligou-lhe pela primeira vez, fora de horas, estava à sua porta com a lembrança que tinha trazido das férias para lhe entregar em mãos. Maria perguntou se queria subir, respondeu " estou com os miúdos, estamos todos"...Maria decidiu descer , num segundo se vestiu de calças brancas, camisola vermelha, sem soutien...Solta os cabelos, lavou a cara e desceu. Trocaram beijos na porta da entrada do prédio... Recebeu das mãos de Jota a lembrança, ele entre dentes diz -lhe " agora quando subires vais dizer...para que quero isto..." A que ela lhe respondeu -,vou guardar junto a outras lembranças na vitrina das relíquias e souvenires . Falaram das férias e de outras pequenas notas soltas, acabando Maria por lhes endereçar convite para aparecerem pela província, comer uma sardinhada...
-Ela perguntou aonde era a terra da casa rural...
Jota envergava a camisa favorita de Maria que se questionava, seria propositado ou não?
Maria sentiu aquela voz doce, amiga, confiante...Mas e o resto? Despediu-se a pensar para consigo, que imagem deixou  transparecer?Tensa, acha até que falou demais, pelo nervosismo...
Passou a noite toda a tentar perceber, entender, sem jamais conseguir associar os sinais!
Afinal fora inusitada a surpresa ou a pagou com a mesma moeda? Igual à que em tempos também lhe fizera? Maria reconheceu que naquele dia não estava bem, nem sabe porque reagiu daquela forma abrupta, mal entrou no escritório dela, saiu, só se lembra que Jota ficou a olhar para ela estupefacto. Depois horas mais tarde, fazia em espera de tempo à saída da escola, acompanhada de colegas, mas na esperança de o voltar a rever...E aparece, e mal a vê fica em estado quase paralisado, parco em palavras nem entra ao portão decide ir embora sem se despedir , e disso atrevida o chamou à razão...
Volta atrás educado e de mão estendida no aperto que sente frio, distante, quase sem vida...
Teria sido gesto desolador, assim merecido?
Jota encontrou o jeito de enfrentar Maria -, dar-lhe agora o troco? Por isso assim procedeu de igual forma para ela entender... Mas entender o quê? 
O que se passa com eles?
Acaso terá laivos de sadismo?
Quando magoado cobra com a mesma moeda? 
Tanto sofrer, tanta amargura, tanto desalento, tantas lágrimas, tanto desamor! 
Maria sente que Jota deseja que ela acorde -,mas para que realidade?
Desistir dele, será isso? 
Ponderou os sinais... Afinal ela continua linda, jovem, irradia alegria, muita felicidade no retrato de família muito feliz!
Maria demorou horas para as lágrimas se formarem grossas fosse pelo sentir o peso da idade, nada ter para oferecer,ou muito pouco (?) e a mágoa dura de Jota jamais poder ser dela-,essa a verdade. 
Também se interrogava se a acontecer saberia estar com ele, disso não tem a certeza!
Mas até quando ela vai conseguir viver com migalhas? E porque razão deveria ele gostar dela?
Sente-se idiota, estúpida, inexperiente...Precisa de crescer para a vida, o meu tempo de amar foi perdido no tempo. Agora sente ser tarde, muito tarde, apesar de acreditar no ditado "nunca é tarde para amar". 
Maria só sabe que o irá recordar assim bonito vestido de camisa escarlate!

Notas soltas
Retrato o teu olhar na camisa que escolhes
Apreensiva, terrivelmente insegura
O peso dos anos de uma vida cansada cheia de nada
Contigo descobri o amor
acordei de novo para esse elixir
Há tanto tempo almejado!
Em sonhos vivo, noite e dia
mudaste a minha vida
tornei-me mais doce
teimo nessa aposta continuar a cada dia que passa!
Contigo vivo dia e noite no meu pensamento!
Partilho alegrias e tristezas
abafo mágoa e ardores
vibro e satisfaço calores!
Amo-te em silêncio devagarinho
para não te assustar e perder
deixar de ver , outra vez, mais uma vez!
Apanho migalhas quando as há
Mas o meu olhar não te enxerga
não dizes nada, sinto um vazio
Uma tortura sem igual.
Assustei-te?
Estás nostálgico, indeciso
não sabes o que fazer, nem pensar!
Mas alguma coisa me diz que afinal viste o site...
Sinto-o pela cumplicidade nas coincidências!
Confuso, baralhado, não te quero pressionar.
Decidir afinal é difícil, sem igual.
Prantos, dúvidas e inseguranças
Medos e traumas
tamanha a vontade em decidir
Por favor diz-me de uma vez!
O pior é quando te vejo 
coro, ruborizo, como se fosse uma miúda.
Sinto-me atrapalhada
Sem jeito como se fosse adolescente
mas o que se passa comigo?
Saí da casca, desabrochei
Sinto saudade de te ouvir ao telefone
"Não consigo dormir..."
Eu p'ra qui sozinha à espera e nada acontece.
Hoje há festa envolta em surpresa para ti
Não de mim!
A minha agonia cresce por não ser convidada.
Me deixaste ausente...
Perdidamente fico à espera 
De migalhas quando as há!

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