quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Lavínia finalmente se encontrou e definiu!



O que podia  ter sido um amor!Lavínia de idade abastada de mulher madura, bonita de feições em corpo esbelto, e que altar desempenado em brio -, transborda em cultura enciclopédica, tendência a cultos minimalistas, contemporâneos, poliglota, no momento sozinha nesta vida, ainda assim cedo para querer viver em clausura.Com muita coisa dentro de si para oferecer, qual poço de sabedoria e muitos talentos. Já viajou pelo mundo, atualmente viaja lá fora cá dentro, por  períodos pequenos ao longo do ano. Apaixonada por Lisboa que conhece ao recanto -, muitos amigos em cada galeria e livreiros, sempre a pé pelas ruelas, a subir e a descer escadas, a contemplar o rio e o mar, seja Costa de Caparica, Mar da Palha ou até pelo Algarve. Todos os anos dá uma escapadela à Europa -, Paris a cidade dos  seus amores, para se refugiar consolada no campo a tratar da sua horta e no receber amigos.
  • Numa dessas temporadas na capital acordou com a vontade nata de olhar o mar para se reencontrar...Nesta etapa da sua vida, ainda assim  tão jovem!
  • Decide numa tarde luminosa apanhar o autocarro na paragem do 15.
Na fatal espera senta-se ao lado de um cavalheiro de perfil atlético, fino no trato e boa apresentação, inevitável a troca de conversa  pelo atraso que se assistia no  fluxo do trafego. Eis que o autocarro chega,  nele se instalam acomodados no continuar desfiar conversa alegre que tanto os motiva, emociona, num entusiamo sem explicação, que os espanta sem o saberem de sorrisos rasgados...Como se já de outra vida se conhecessem!
Lavínia foi a primeira a tocar para sair, ao se levantar, de estado eufórico com tal inusitado sem o ser, despede-se calorosamente sem se lembrar de trocar contato… 
Na rua perdida no norte da direção do mar, interrogava-se como foi possível não o ter feito, logo ela uma mulher destemida, afoita, moderna, despida de preconceitos. Amofinada com a turbilhão de emoções que a atormentam, quis aquele cavalheiro transmitiu-lhe algo especial -, seria o olhar, a forma de falar, o estar elegante, sem barriga que abomina nos homens portugueses, apenas sabia que a perturbou, com isso sentia desejo de o rever , perceber afinal se aquela impressão que lhe ficou retida e tanto a intrigava-, seria real, ou fora sugestão por culpa da enorme carência…
Nem tão pouco o mar a ajudou a deslumbrar e despertar naquela angústia profunda...
  • Tanto o havia de contemplar e tanto lhe implorou ajuda, um sinal -, qual quê tanta fúria de ondas altivo sem respostas...
Assustada com tanto alvoroço de ondas em branco de mil  espumas que a deixa a ela também em fúria, mente abalada e triste, com isso regressa a casa em desconsolo puro de raiva, porque aquilo que sentiu, há muito não lhe acontecia...Com tanto tormento jazia em dor e o corpo padecia!

Fatalmente teve de se despedir de Lisboa quase em lágrimas pelo término das mini férias, outros afazeres tinha em espera. Arrumada a bagagem leva na cabeça a imagem daquele belo homem que tanto a inspirou e despertou neste mote de continuar a viver o dia a dia em felicidade, anulando com isso a tremenda solidão, apesar da companhia virtual diária dos amigos no Pc... Sobretudo sentir-se amada e amar!

No comboio teve a sorte no lugar a boa companhia de uma  velha e boa amiga de viagem que reencontrou de seu nome Graciosa, num tema de conversa prazerosa ao falar de homens portugueses que ambas atestam serem simpáticos...
Não esperavam era que a passageira da frente não reagisse ao suster o riso, dizendo, acham que acredito?
Lavínia responde "não sou que digo, é o meu coração, agora saiba que sempre fui simpática com quem for simpático comigo"….
Espantada Graciosa diz "Isso sei que sim… Mas essa do coração te falar...hummmmm"
-É verdade que o meu coração fala comigo muitas vezes, introspetiva, sinto quando pensam em mim, coisa de promissão... Houve um namorado que me dizia " quando te vejo dá-me desejos de fazer amor contigo... o mesmo que eu sentia também..."
- Graciosa responde-, mas isso é altamente forte, intenso.
-Pois é, eu também acho querida, talvez o seja, depende da nossa imaginação, do tanto querer amar…
Lavínia tenta fechar os olhos no recato  " no seu pensar para com os seus botões"  responde-lhe -, olha foi só um amor impossível -, porque os tive e muitos bons, bem vividos, em  assaz plenitude, sempre repletos de bons orgasmos…
O trepidar do comboio  acelera a parceira na resposta " nem sei que te falar…"
-Lavínia responde, não precisas basta que sintas no que te falei!
  • Sinto que este homem mexeu muito contigo...
-Não sou mulher de alimentar paixonetas, lembra-me logo de novelas…
Nesta idade já não me interessam relações a dia inteiro, só ocasionais no  privilegiar passear de mão dada a sorrir, a registar fotos, a degustar uma boa refeição, claro desfrutar prazer,  muito prazer a dois…
Divaga naquele recordar do tempo que tinha homens focados nela e parece se finou, no entanto ainda sente ser coisa que lhe faz  muita falta por se sentir viva, cheia de energia com muito para mostrar e dar!
-Remata Graciosa -, pois tenho homens que me querem namorar, sendo casada...
Imagina nesta vida acompanhada e sozinha "mal fodida"  dia após dia…
Sem perder o sonho de ainda encontrar a minha alma gémea, apesar da idade madura…
Mas e o medo de mudar e ser ainda pior?
  • Pegando nas tuas palavras " mal fodida" – amiga, a confessares esse estado sexual só tens de arrebitar querida, atirares tudo o que tens na tua frente e na traseira, porque tens potencial para seres feliz. 
Nem tudo o que luz é oiro, verdade bordadinha é que estou  a ficar velha, a minha vida tem-se perdido no tempo, restam-me boas memórias de admiradores, em saber que apesar da idade ainda persistem em continuar, o que conferem um encanto nesta vida de desamor…
  • Qual velha qual caraças, tu sabes pegar na peça e fazer uma cena de deixares toda a plateia em transe…
Na verdade não tenho nada, sinto-me mal-amada e triste, amargurada, infeliz e dou a sensação do contrário…Grande suplício este meu grau  e padrão de exigência!
  • Graciosa olha que tu não consegues ver o talento que tens dentro de ti, por isso só vez defeitos onde há virtudes.
  • -Lavínia, isso é o que tu dizes porque gostas de mim, és minha amiga.
Não valho quase nada, comparada com outras tuas amigas, claro que são muito mais novas de corpos enxutas, desempenadas, ora eu com mazelas…
  • Que importa a beleza exterior se o que conta mais é a beleza interior? 
Olha que eu não te devia dizer isto mas tu estás muito há frente no top dessas amigas que falas!
Sabes que eu estava só a imaginar-te despida de preconceitos, agora sem roupa isso não estava há espera-, gostava mais que te fosses vir!
  • Mas ficas perturbada sexualmente quando falas comigo?
- Digo que houve um tempo que ficava perturbada, na verdade andei tempos a contrariar pensar em ti...
 

Mas olha sugiro-te que penses porque só te vai ajudar, e a mim também. Não queiras alguma vez me retirares da tua cabeça, depois quem vais meter no meu lugar? Não sabes reconhecer isso que te digo, serás sempre a minha amiga querida, nunca mais te vou esquecer nesta vida. Tenho contigo os melhores momentos que vivi, tu consegues que eu veja em ti aquilo que não consigo ver noutra mulher. Não podes nunca me esquecer, porque eu juro que nunca te vou esquecer também, por isso não quero fazer nada para te esquecer, ao contrário de ti -, de estar pessimista  por isso a nossa relação nunca passou da amizade e do carinho. Sabes que todos os dias sonho que vou acabar contigo, isto é acabar junto de ti amiga!

-Belas palavras, sabes que há coisas que mudam e o nosso tempo acabou há muito. Mas a amizade, sim essa será eterna!
  • Lindo soou a poesia... Lavínia sente que tem de batalhar  e já em se definir!
O seu coração dita para nunca deixar de batalhar para encontrar o seu eu sexual -, pois por muito cansaço que ela possa sentir a recompensa estará bem mais próxima do que ela pensa. Só tem de se manter firme e definir o seu propósito, no querer voltar a amar e ser amada!
  • Ora uma parte de nós deseja nunca crescer, no querer brincar para sempre… Seria tão bom não ter responsabilidades…A vida não é só isso-, jamais fugir ao dever  fazendo-o no prazer, as escolhas. 
O problema foi precisamente esse, sentir nesta etapa da vida uma lufada de ar fresco que lhe arrepiou o estar, a deixou escancarada, no querer viver ainda nesta vida amando um homem -, a sua decisão mayor!
  • Desolada, desnorteada meio perdida entre o norte e o sul, sente que gostava de saber dele, desemparada naquele mar de paisagem refugiada, perto ou longe com ele no pensar constante, sem futuro, só sentia que precisava de o  rever, entender que ambos podiam dar azo à louca e desenfreada paixão que sabe e sentiu nasceu naquela paragem do 15...
De mal com o inverno invernoso decide antecipar férias, e precipita-se em marcar nova  viagem a caminho de Lisboa, na bagagem leva na cabeça o homem que tanto a deslumbrou, no querer o reencontro.
Instalada na zona histórica, refresca-se no banho de espuma que a deixa de pele delicada e macia , no espírito carrega a leveza da poesia doce que a perturba em flama, vestida de teenager, cabelos arrepiados grisalhos, em alvoroço à hippie , olhar expressivo no remate do sorriso vaidoso, branco, enigmático, sai de casa feliz a descer a calçada em relâmpago direta à paragem do 15 na ideia de o voltar a encontrar…
  • Debalde foi  e ficou horas na espera...
Voltou e jamais ainda o encontrou…
  • Será que ele também voltou à paragem do 15 na busca da sua musa, debalde o desencontro?
Ambos têm de teimar neste continuar-, porque num qualquer dia de sol se voltarão a encontrar, e aí perceber se o que sentiram naquele impacto do conhecimento foi de fato emblemático e perene no querer acontecer o amor.
O sonho comanda a vida. Os dois merecem ser felizes, basta a teimosia no pensar contínuo na telepatia...
  • Lavínia sabe hoje que finalmente se encontrou e definiu!

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