quinta-feira, 6 de março de 2014

Como te disse falei com Santo António...




Acordei tarde pelas onze...Chochinha a pensar no ato inusitado que desde criança nos impele em atirar uma pedra ao poço, ao lago, ao rio ou ao mar -, para sentir o bulício da água  se agitar durante  segundos, para  depois tudo voltar à calmaria e se estabilizar, como acontece quando temos um problema na nossa própria vida!
Sabendo de antemão que nenhum problema é eterno!
  • Acalmo evocando Fernando Pessoa...
"Jamais desista de si mesmo.
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário."

"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente."


"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.
A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm.
A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana.
Não é o caso da literatura. Essa simula a vida.
Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa.
Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso."

"Para ser grande, sê inteiro; nada
Teu exagera ou exclui;
Sê todo em cada coisa; põe quanto és
No mínimo que fazes;
Assim em cada lago, a lua toda
Brilha porque alta vive."

"Quando te vi amei-te já muito antes.
Tornei a achar-te quando te encontrei.
Nasci pra ti antes de haver o mundo.
Não há cousa feliz ou hora alegre
Que eu tenha tido pela vida fora,
Que o não fosse porque te previa,
Porque dormias nela tu futuro."

"Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...
Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...
Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo. . .
Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...
Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena..."

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XVIII"  Heterónimo de Fernando Pessoa

..................Como te disse falei com Santo António.

Ah sim e ele, abriu-se?
O "Casamenteiro" e das "coisas perdidas"...Sabes ler o "responso ao Santo António"?
Sim, aprendi nas freiras. 
Abriu-se. Como é o Santo das "Quadras populares" ditou-me os versos que este Santo, te quer presentear. Aqui vão
  • O título é: NÃO FOI.
Não foi a mim que escolheste para os crepúsculos doirados.
Não foi a mim que escolheste, para andarmos de braço dado por entre as aguas dormentes.
Não Foi!
E para além, de nós e porque o destino o quis...
Não a mim que escolheste...
Para te fazer Feliz!
  • Pois...O Santo é Santo e ditou isto!
Versos  magnânimos carregados de muita emoção que como te disse deixam-me triste, por sentir que estás a sofrer-,  não sendo o propósito do meu querer, antes o saber que estás feliz.
O Santo disse-me que era o meu Karma! Pronto!
E tu homem de Deus aceitas resignado?
Por esta não estava à espera! Homem que se preza Homem vai ao fim do mundo atrás dos seus ideais, ou não concordas?
Pois...De facto ele disse-me que eu era um Lutador. Que se fosse "à Luta" que tinha muitas hipóteses de "Vencer" mas alertou-me que tinha que lutar em muitas frentes...
Sabes que estou a ficar "Cansado", ainda me avisou  "Que me deveria retirar por algum tempo do campo de batalha e refletir bem no assuno." 
Vou ter de aceitar o conselho do Santo. 
Afinal ele é Santo!
Vou com as aves...
Ora medida ponderada mui acertada. Eu também vou sair...

Solidão apagada na sorte do sol admirar em pano de céu azul...
Idílico contexto abafo sonhos em querer ainda viver o mel
Ontem saí na teimosia de bater forte a calçada
Desenfrear calores ao sol em ser mais feliz nesta vida!



Perdi o olhar na nora calcinada de alcatruzes pretos vazios d'água
Beleza da estrelícia em crista amarela no jardim sem cuidado
Mirone o leão, o guardião feroz  pintado no azulejo
Fascínio remate de madeira em crista branco cru repenicada.



Mas não desvies a conversa... 
Fica tu com a certeza que antes de ter ido ao Santo..."que todas as coisas estremeciam só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração".
Cuida desse coração apaixonado, alivia a mente de pesos que o torturam e tanto te desespera a cada dia -, já que a mim sendo tua amiga me deixa abaladamente triste, por ainda não sentir o fervor de tal sentir...
  • Fica-te sem medos neste pensar-, porque tudo tem um começo, primeiro faz-se o que é necessário, depois o que nos é possível, e de repente, quando dermos por nós, estaremos  a fazer o impossível!
Não Foi, quem sabe pode Ser?

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