quarta-feira, 19 de março de 2014

És muito especial para mim Marialva...




Maria engalanou-se de preto e branco para mais uma viagem de comboio, na vontade desenfreada em estrear o vestido comprado nos saldos logo ao raiar do primeiro solarejo depois do nefasto inverno prolongado. Teimosia  premeditada, a pensar nos cabelos a despontar à laia da crista branca, com ares de madeixa, por isso se engalanou a preceito-,  exagerada pelo ar intelectual dela arreigada há tempos, talvez em demasia, carregado! Não fosse por isso na mala levava outro vestido mais airoso por estrear.
Chegou-se à estação para comprar o bilhete, na fila de espera sente o olhar atento e demorado de um bilheteiro quarentão e bem-parecido que atendia um homem de modos apressado a julgar que a estrela lhe cabia em sorte, debalde azar, foi atendida por uma colega com o mesmo nome... 
  • De lugar coube-lhe um frente a frente, com outra mulher  a que chama Marialva.
Nas imediações do Entroncamento, a terra onde acontecem fenómenos, acomodadas no banco em jeito de encosto a dormitar  se estrebucham ao  toque inusitado do telemóvel de Marialva -, estridente canto de galo -, cócórococó...Maria sorri  pelo recordar do doce madrugar adormecido da sua meninice, apenas de volta quando dorme na sua casa da província.
Era o filho de Marialva. Maria perspicaz entende que a mãe lhe mente descaradamente falando em voz baixa, mas perceptível, que tinha alterado os planos de antecipar a viagem, já estava a chegar a Pombal, sendo que se estava no momento a sair da estação do Entroncamento...

Mote que desencadeou em Maria a vontade de exercitar a sua mente, graças ao seu  poder de mediúnica, idealiza arquitetar a viagem num romance lunático, do que podia ser um encontro assaz romântico de cariz amantizado, tema que a excita, e de que maneira, só no pensar. 
  • A grosso modo exalta o seu prazer maquiavélico na vontade de extrapolar por palavras o enredo, sabendo que para ela não há impossíveis, mulher corajosa e ousada por acreditar nas suas capacidades, quase ilimitadas , sentem-se poderosa, nem pensa duas vezes e avança neste compilar.
Na véspera Marialva  na sua conversa diária virtual com Jasmim confirma que desta vez não o pode ir visitar, explica as razões, mostrando-se relutante em ser dissuadida -, apesar de no seu intimo o querer de novo rever teima em dizer-lhe o contrário -, na verdade o que ela queria era sentir o desespero dele nas palavras mágicas proferidas docemente " que precisa dela, que ela lhe faz falta, que se perca a implorar" ...Sendo que Jasmim apenas se expressa em parcas frases que ditam o mesmo, mas ela não quer enxergar, por ser teimosa e mui exigente -, "que não tem dormido a pensar como a receber" ...
" que a vai esperar plantado na frente da estação de rosas  vermelhas nas mãos e se ela não for as vai deitar na Ribeira..." 
Depois de tanto ouvir as alegações de tamanha recusa, que eram válidas, Jasmim  na hora do jantar remata impulsivamente a conversa " se ela não aparecer se vai arrepender..." Marialva não lhe responde, deixa o chat, sem mais palavras, mas fica a pensar e repensa até que se decide aventurar na ida sem lhe comunicar absolutamente nada -, fazendo fé nas palavras escritas, no sentimento que elas lhe transmitem, e no querer testar se ele era bastante homem para estar na estação como afirmou, apesar dela lhe reafirmar que não podia ir desta vez -, quiçá a chave do teste ao amor que ele diz sentir por ela,  e dessa forma brutal o quis surpreender -, sabendo de antemão que ele adora ser despertado pela surpresa...Por culpa das palavras proferidas no último repto em descontrolo a gravitar e a colidir na sua cabeça que lhe deram energia bastante para nessa tarde, de hora tardia, incutir uma reviravolta de planos já delineado, de fato tinha outro plano bem diferente, já programado. Havia tarefas para fazer, desconvocar a chegada marcada com boleia acordada, mas sobretudo mimar-se, tratar da sua imagem. Cansada, deitou-se tarde para acordar bem cedo pelas 6,30 no mesmo teimar de sempre em  deixar a casa arrumada, tratar da sua higiene, aperaltar-se, na pressa apressada, de não perder a rede consecutiva de transportes que seriam quatro, a contar com o andar a pé, de malote nas mãos e de salto alto.

Maria sente  inquietude no estar de Marialva que lhe  parece nervosa, se remexe no banco como se tivesse no assento " bichos-carpinteiros" se levanta por duas vezes para usar o minúsculo WC da carruagem, retoca a maquilhagem, remexe nos cabelos, observa  o telemóvel...
Chega-se o comboio à estação de Ovar onde Marialva costuma atender Jasmim...Mas desta vez não toca, e naquela manhã de hora a passar o meio dia, nunca tocou... Em frente da antiga fábrica das Devesas, em Gaia, Maria deslumbrava-se com a vista panorâmica do Douro sobre a ponte D. Luís, cenário por demais romântico de contexto de beleza imensurável e única nortenha, só faltava um príncipe para o deleite ser magnífico, sentido a dois no extasiar -, Marialva se mostrava de cariz apreensivo mas de esperanças, em rever o seu amor na frente da estação de Campanhã, munido de rosas vermelhas presas nas mãos, plantado ansioso à sua espera...No trajeto de transbordo do cais, a vê molhar sorrateiramente os lábios com a língua  atrevida no ensejo de selar em beijo lânguido bem molhado na surpresa do encontro -, sabendo que na verdade jamais fora confirmado... 
Pelo visual é abordada por um taxista se precisava de transporte,  a que responde airosa, que não...
Olha na frente da estação e não  vê Jasmim, relança o olhar em todas as direções e nada de o distinguir em nenhum canto, nem tão pouco viu rosas...Apenas umas raparigas se passeiam com gerbérias nas mãos, em véspera ao Dia da Mulher, por ser no dia seguinte, sábado.
  • Marialva sente uma muinha de revolta sem estar revoltada, tão pouco nervosa, apenas apática, bastou-lhe o sol para se acalmar, embuída de coragem  nesta premissa mudança drástica, adapta-se  numa nova forma de encarar o sucedido -, apesar de lhe ter saído o " tiro pela culatra" assume uma postura de autenticidade e liberdade neste querer continuar a acreditar, por isso caminha de frente no alcanço da  felicidade plena, que almeja, até porque foi o mote que a conduziu ali!
Na sala de espera sentada decide telefonar-lhe, mas ele não atende e por isso envia  mensagem a comunicar a sua chegada. Por ter recebido um smartfhone na antevéspera, ainda sem o saber manusear corretamente, ansiosa, sozinha em desespero, sem o querer admitir, se engana e liga para outro amigo que em tempos  amou, homem proibido, de todo insensato dele se aproximar que só se libertou da tamanha paixão depois do luto instaurado a ferros, pela teimosia em querer conhecer outro para o esquecer de vez, sendo que tal escolha recaiu em Jasmim, por ser maduro, perfil atleta, cabelos grisalhos, e livre...Tanta atrapalhação na cabeça quente a manusear o aparelho  novo de toque sensível que num repente irrompe a tocar ao mesmo tempo que ela insiste em ligar de novo para Jasmim, contexto estranho para ela esta sostificação avançada -, sem saber como, recusa a chamada inadvertidamente, e disso fica triste, o que pensaria ele desta atitude fria, sabendo ela que sempre foi um cavalheiro e doce nas palavras ...Mas se atendesse  iria sentir-lhe a voz trémula, teria de lhe mentir, e disso não queria, afinal ele ainda a adora, e ela adorou-o foi demais.
Visivelmente o estar de Marialva era de pânico por Jasmim não a atender. Insiste em enviar segunda mensagem...Enquanto isso senta-se de novo para acalmar, fazer o mesmo que os demais, saborear o parco farnel -, pão de sementes com presunto, sumo de laranja e uma banana, mas não consegue estar sentada, e de novo em pé se encaminha para a frontaria da estação,  para mal dos seus pecados sente que é regalada pelos taxistas, que sem trabalho, a miram -, alguns até se passeiam na sua frente e a olham de alto a baixo, quiçá a despem com os olhos, ela em desespero se amofina em controlo absoluto, para não disparar, jamais mulher de escândalo, a fazer jus ao seu ar de lady, sempre senhora!
  • De cabeça a fervilhar na indecisão em ficar ou ir embora decide confirmar no placar os horários para regressar. A nostalgia era visível estampada no rosto, amargurada a engolir culpas do mau agoiro por ter dado razão ao instinto, já para não falar da teimosia  no querer apostar na  surpresa, que se revelou gorada e malfadada, com isso a sua auto estima descaiu em forte queda, pelo espírito maligno de tantas interrogações, que a atormentam, mas que sabiamente controla e apazigua, porque é forte, jamais derrotada, apenas um pouco perdida, e num golpe de força, decidida, em cima dos saltos altos em camurça  com ar de perfil altivo, e crista branca, a revindicar maturidade, aposta na sorte do euro milhões  " sorte ao jogo, azar ao amor “e assim com a deixa popular se deixa enganar!
Mulher destemida decide ficar. Se tinha apostado na vinda, queria sentir se ele tinha arcaboiço bastante para aparecer, ou não. De novo pega no telemóvel e para seu espanto há duas mensagens de Jasmim..."dentro de 30 minutos estaria lá, a outra dizia 20 mn"...
Movimentou-se entre a sala de espera e a entrada por culpa dos sapatos justos que lhe afogueavam os pés com o calor. O tempo ia longo, mais de uma hora de espera, olha de novo o telemóvel que depois do imprevisto inicial não mais largou das mãos, constata um novo telefonema, e duas mensagens sem o ter ouvido tocar...Afinal tinha mexido no som sem se dar conta, e por isso não o ouviu...Estaria a ficar descontrolada?
  • A mensagem dizia " estive ai e não te vi, mas isto é uma brincadeira? Estás a gozar com a minha cara é? "... 
Marialva sente-se de fato nervosa, deixa cair o telemóvel por culpa das mãos suadas, mas também pela ineficácia, mais valia o velhinho que nunca destes dissabores lhe dera, mas sobretudo pela desesperada  longa espera...Num ímpeto decide telefonar-lhe mais uma vez, que de novo não a atende,  insiste, e desta vez ele a atende em voz forte, num tom  impulsivo a reclamar a sua  posição autoritária, que não podia ter atendido porque ia a conduzir, como se fosse dono da razão de tão longa demora ser culpa dela...Marialva acatou o despropósito e ainda se desculpa " sabes que ainda tenho dificuldades em usar o smartfhone" sem sequer saber que tinha retirado o som, ao carregar no botão inadvertidamente ...Acalmado de voz  em tom agressivo e impulsivo, ela aproveita para lhe reafirmar que nunca da estação saiu, achando estranho ele dizer que lá esteve, sem que  ela nunca lhe ter posto os olhos em cima...Difícil foi despegar desta teima!
Continuou a longa espera prostrada ao sol, a ver gente a chegar e a partir, ao som de rodados gastos de malas e malotes, mulheres com ar de mulas emproadas, semi despidas, desertas por arejar ao primeiro sol o mamalhal  garboso, a saltitar no impulso forte dos saltos altos a pisar a calçada , arrumadores de carros magricelas, ramelosos de carnes, e barbichas a contar moedas reluzentes em amarelo, sem falar em  alguns olhares indiscretos de homens a cair de maduros, de mãos enfiadas a remexer fundilhos dos bolsos das calças, no querer despertar o que está morto há muito!
Finalmente Marialva avista Jasmim na fila do transito a descer a rua, ele de longe também a distingue, havia depois de lhe confidenciar que a achou de pernas mais magra, a que ela lhe diz que não-, sim fruto da toilette estilo executiva, a que ele remata "esperava-te como de costume  florida em vestido de ar atrevido" ...Imediatamente ela dá corda aos pés metidos nos sapatos que reclamam andar, insiste na pisada forte e uma vez chegada em dois tempos ao seu encalço, o sente apressado  a sair do carro para abrir a mala para ela depositar o malote, ao mesmo tempo que se debruça para a beijar, mas Marialva foge-lhe com a cara... Quão eletrocutado ficou, sem saber o que dizer ou fazer... Ela nem espera que ele lhe abra a porta do carro...Segue-se um desatino na troca de palavras -,  conversa do diz que disse, acusas, desculpas, assumir culpas, quem tinha razão (?) . 
  • Marialva  finta-o e diz-lhe "de fato não confirmei a vinda, bastou-me reler o que escreveste, que me deu forças para alterar todos os planos, quis viver o sonho de te saber aqui plantado à minha espera de rosas vermelhas nas mãos para mim, as tuas palavras deixaram-me encantada, não tinha como não vir ..." 
Seriam duas horas da tarde dentro do carro, ele pergunta-lhe onde quer ir almoçar, ela diz-lhe que não tem fome, sem mais nem menos partem aparentemente sem rumo, parando estrategicamente num estacionamento nas imediações do motel. Ela questiona-o porque estacionou, fazendo-se desentendida do local onde estavam, estar nervoso ele confirma, o que ela sabe, e bem...
  • Marialva remata a discussão a oiro " o que hoje aconteceu é passado, não interessa incutir quem tem culpas, o que interessa é este agora, presente, teres vindo, sei que não confirmei a vinda, acreditei na força das tuas palavras que ficaram a gravitar sem cessar na minha cabeça, se não viesse culpava-me o resto da vida..."
Mudos de palavras, só a troca de olhar doce desperta o forte impulso e ensejo de  se virem a amar -, a fazer fé no costume, na bagagem haveria uvas, morangos e chocolates para repor energias...Entraram no quarto ao sabor de música e da quentura do ar condicionado, Marialva sem meias medidas mal deposita o malote na mesa, tira os óculos de sol, o anel e as argolas, num impulso forte atira Jasmim para cima da cama, o comanda a galope em cima do seu peito impregnada de ímpetos agressivos instigados na defesa de castigo ou não -, o arrepanha pelos cabelos crispados em gel até fazer doer, morde-o mordidamente nas orelhas, sobrancelhas, nariz, boca, queixo e mamilos, e só se levanta dele, depois de ouvir demasiados ais... Finalmente de raiva resolvida, pronta para o amar e ser amada, no desfrute e delírio em querer viver realmente o sonho real, tantas vezes fantasiado na calada da noite,em insonias perdidas a rabiscar a pele dos presuntos das coxas, a versos de amor escritos de mansinho a chamar o sono, já para não falar de tanta noite em acordar sobressaltada, a baloiçar o corpo em vaivém  frenético, como se estivesse a sentir um orgasmo...Que sentia só pela fricção!

Jasmim deixa escapar um piropo, diz-lhe que adorou a madeixa... Encantada, sem tabus despe-se, e ele o mesmo. Beijam-se sofregos de horas, dias e meses de faltas...Imprevisível , misteriosa e feiticeira  ela foge-lhe dos braços famintos, naquele gosto da apertar para sentir a carne macia, em ato de fuga, decidida, corre para tomar duche, pois a espera de duas horas a fez destilar...No mesmo corrupio ele a acompanha, ambos se esfregam e acariciam demoradamente até que ele pega no toalhão quente, e o lança na volta dos seus corpos colados de pele molhada, por conta da desmesurada e louca fúria em despertar para a festa os príncipes, em impulsos se sentem já a saltitar de júbilo -, a Joaninha e o Zé... Desenfreado esfregaço vivido na desfeita do sumié emproado de travesseiros e almofadas de vários tamanhos, sem saber como já rolam pelo chão de onde se levantam para dançar ao sabor de música do favorito Abrunhosa, a saborear morangos e uvas, que à vez poem na boca um do outro, e no doce saciar bombons a meias, mordidos na ponta da língua, que se esgueiram em frangalhos pelo chão...Lambem-se desmesuradamente esfomeados do sabor da pele a creme de coco, esfregam-se em fúria, ele aperta-lhe os seios, dolorosa ela grita em súplica, sente dor pior que mamografia, saciam-se de prazeres carnais desnorteados sem contudo a perda do norte, desfrutam alucinadamente mil posições em 4 horas de muitos prazeres na criação do que poderia ser o seu próprio filme porno!
Ele gosta de a testar nos limites, de a sentir na plenitude da sua performance de boa amante. Ela sem o pensar ou não, desta vez não se fez rogada, aplica um golpe de tesoura que o excita loucamente -, levanta as ancas e em força o imita no vaivém feroz, e aperta o Zé no canal doce de céu macio, onde o prazer  da penetração se devora louco, frenético, no teste pensado-, clímax fulminante e acaba com ele alucinado em dois atos!
Ofegantes a transpirar. Valentes, as calorias derretidas naquela ferverosa, intensa e única relação de comunhão de corpos, em neles o querer mayor de sorver todo o prazer possível um do outro, em tão desatino, desatinado, louco enlace. 
Novo banho, e ainda assim o Zé chorava de prazer...Atrevida passou-lhe na cabecinha com o dedo para apanhar o último suspiro do leite derramado que passa pela boca em ar lascivo e ainda lhe diz  " é salgado"...
Entrelaçados de corpos desnudados conversam longamente até que ela de novo inusitadamente, atrevida e de soslaio irrompe no delírio do surpreender de novo a beijos doces  e carícias na teima de  despertar o Zé...A olhos vistos cresce sem se fazer rogado!
Amaram-se de novo e foi  maravilhoso, quiçá melhor!

Riso sórdido naquele entardecer estampado no rosto de Maria, inexplicavelmente se derrete e deleita neste belo pensar-, atroz teima, no teimar em construir a estória, seja pela volúpia dos carinhos, ou das palavras quentes, ditas umas a seguir a outras no meio de suspiros em vibrato, sobretudo da conversa desconcertante que a absorve, visualiza naquele contexto, e lhe suga a mente ditada pelas expressões de Marialva que naquele comboio se revelaram aos seus olhos  tão forte motim inspirador, mas sobretudo, porque ela acredita ainda um dia, também assim como ela, poder ainda  acontecer...Afinal bem melhor do que dormir sozinha num qualquer quarto vazio de hotel, apesar do luxo...
  • Na deixa do remate a oiro lembra-se de um admirador que um dia se lhe declara nestes termos.
"As paixões são as velas do meu barco...A minha alma de sonhar- te anda perdida, meus olhos cegos de não te ver...
Dormi só. Uma claridade lívida ao acordar, sozinho a pensar 
Queria ter - te junto a mim e sentir a cabeceira da cama a bater na parede, a explodir de entusiamo.
O pequeno-almoço comido no quarto
Sentado a um móvel com espelho
No lado oposto do vidro um homem nu e sério
Que embora me copiasse os gestos não era eu
Quase ninguém imagina a melancolia de um quarto de hotel. 
Quando não falam connosco, quando só metade do lençol tem a marca de um corpo
Quando ninguém pede-Por favor não faças barulho
E nem a voz tem som...
Desilusão. Tristeza.
Parecia idiota mas achava-me seguro de te encontrar na 1ª esquina em Lisboa
Se me auscultasse ouvia os soluços do coração lentos e fundos."

Enquanto isso os amantes  Marialva e Jasmim visivelmente felizes  regressam à estação ao cair do pôr do sol  com uma hora de antecedência ao horário. Marialva insiste para Jasmim não ficar  pelo transito, até porque ela, neste dia, tinha-lhe saído na má sorte, a fatal espera -, a somar seriam 3 horas... 
  • Acomodada na carruagem pensava na mentira, ou supostamente não-, que ele lhe pregara..."Que tinha lá estado..." 
De novo as interrogações -, Marialva após ter constatado que ele não estava na estação lhe telefona de imediato, que não atende. Sabendo que aquela hora era a sua hora do almoço sagrada. 
Pelo que acredita ele almoçou, sendo que depois teve dois percalços-, um  em arranjar uma desculpa para faltar ao emprego da parte da tarde , e outra para ir a casa mudar de roupa...Acredita que aquela roupa gira não era propriamente ideal para se ir trabalhar num dia comum...
  • Que ele inventou a mentira -,de lá ter ido, sem nunca ter estado (?) apenas para a baralhar e se justificar, na sua imensa demora de duas horas...
Em delírio e para sanar a aparente raiva, idealiza que fez  espera, esperando duas longas horas prolongadas por culpa ao despacho do comprimido azul...Mente ardilosa sabe que ele ainda não precisa! Foi só para sentir alívio, então não sentiu a performance do desempenho sexual ... Homem galã, de corpo atlético já o conheceu em melhor linhagem. Porque irónico sem etiqueta, no uso corrente da mentira, para sua defesa, isso sabe ser uma característica enraizada.
  • Pela noitinha Jasmim deixa-lhe uma mensagem "és muito especial para mim Marialva"...
  • Ora se fosse teria arriscado, teria ido para ver se ela chegava, ou não?
  • Revela que apesar de ela ser especial no dizer dele, mostra a fartura de mulherio a gravitar na sua beira e quiçá a relação aberta, que dispõe a seu gosto, quando quer-, isso marca a diferença cabal!Não tem fome, nem faltas.
  • Depois não se amofinava com o estrangulamento das obras na rua ...Revela que nunca lá esteve!
Marialva já em casa e sem rosas, nem se quis indispor com o despropósito do falhanço da surpresa.
Lamenta a perda da cuequinha rendada preta que ficou esquecida...Era bela, belíssima!
Avivava a mente no ajuizar no que de melhor aconteceu-, bem adulada e amada. E o foi maravilhosamente beijada, apertada, sofregada em amor, e prazeres vividos em êxtase por tempo prolongado, como adora. Pensava ela. De madrugada acordou ainda com fome! 
  • Remédio outro não teve senão em se satisfazer...

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