sábado, 22 de março de 2014

Ansião na feira de velharias de março

Em rota de despedidas de mais uma temporada por Ansião, decidi em boa hora de novo experimentar a feira, a minha 2ª, por estar em casa com o carro carregado onde cheguei quase em cima das 9H . 
Em paralelo neste dia realizou-se a feira de velharias e doces regionais integrada nas Comemorações da Batalha da Redinha, onde efetivamente teria imenso prazer em participar, mas estando com o tempo limitado para regressar ao fim do dia a Lisboa, acabei por ficar -, sem acrescentar que apesar de tudo não me posso queixar, sendo que a  estreia um fracasso, por ter saído a zeros  no recinto do mercado ao ar livre sob calor tórrido. Na altura alvitrei alternativa para onde agora se realiza, no estacionamento de terra batida defronte da avenida e do Intermaché, por maior visibilidade.
  • Não fosse no estacionamento estar um camião com atrelado que ali não deveria estar naquele dia ...Coisa que ninguém do pelouro parece se preocupar com o evento, cada feirante que se desenrasque como puder ao jus "carne para canhão" ...
De qualquer das maneiras o espaço não se aparenta o melhor, no verão a torreira do calor  sem sombras, e no inverno a lama  e o vento uma parouvela...
  • O pelouro da cultura a meu ver não encontrou ainda o local ideal para o certame se realizar. 
Só vejo dois bons locais-, um no centro histórico da vila onde se deveria apostar na qualidade e na diferença com barraquinhas todas iguais, como na feira de Belém, propriedade da autarquia, sendo que o certame se deveria desenrolar em paralelo com a venda de doces e produtos regionais.
Outro local  que me parece ideal, junto da rotunda dos Bombeiros a nascente -, no terreno que sobrou da expropriação com oliveiras a ser podadas, e o espaço requalificado no terreiro, seria ótimo por ser numa das entradas da vila com muita gente que por aqui circula com crianças para os parques, também pelo lazer, caminhar, e onde há abundância de estacionamento.
Abanquei ao lado do Sr Serra e da esposa Linda comigo tinham estado na véspera em Pombal, de manhã se chegaram à Redinha,  por sentirem confusão na atribuição de lugares vieram recambiados...
Apareceram algumas pessoas antes  e depois da missa.
  • Alguns mirones que me viram, pela surpresa da estranheza de não me reconhecerem no papel de vendedora de velharias de estaminé prostrado no chão, de boca aberta os vi ficar, depois acredito, a outros no caminho avisaram, que me foram ver, por via das dúvidas o quiseram verificar. 
Farta de gente inculta, cheia de preconceitos e clichés, que na cabeça tem tudo mesmo neurônios ativos -, nem a televisão que vêem todos os dias os engradece, dá brilhos em gostar de mais saber, sobretudo no gosto da reciclagem mental., e de novos estados de vida, não sendo do seu gosto pessoal, seja por isso desprestigiado!
Ele anda gente em demasia em psiquiatras, a consumir botica da farmácia e herbanária, enquanto outros como eu se deliciam neste prazer das feiras onde dou azo ao gosto de travar contato com gente anonima na partilha de conversa e estórias, a rir com colegas e clientes ,que se traduzem em experiências muito enriquecedoras, sendo que muitas delas me dão ainda em dobro também na escrita, para mais tarde recordar..
  • Vesti-me altiva de camisola verde na cor do meu Sporting, mostrei-me decidida e valente a fazer jus ao meu apelido de solteira nas minhas já habitués fotos self.
Participei na ideia de estar umas horas a pensar depois vir embora, acabei por ficar até quase ao fim, apesar de na hora do almoço começarem feirantes a arrumar as bancas ...
  • Um casal de estrangeiros nem se estriou. O Sr Vidal de Maçãs de D. Maria disse-me que nunca mais lá punha os pés, ainda desempatou 40€, só se lastimava na desfeita do fraco negócio " feira que não fizesse entre 200 e 300 € não era para ele..."
Outro casal já arrumava sem se ter estreado quando passa uma família em fim do almoço com um filhote que se encanta com um barco de plástico, encantado o avô lho ofereceu por 2€ ...Espantada a mãe o achou grande e barato...Queria ver se o homem tivesse pedido 5 € , que os valia, se ela dizia o mesmo!
Outro casal vendeu pouco, quase nada, também arrumou.
O meu vizinho fez 8€, dizia-me a esposa D Linda " nesta terra as pessoas só vem para comprar tremoços... e mira e anda  ".

O Sr Daniel vendeu uma toalha a um casal tradicional, a mulher escolheu perante o olhar do marido que abriu a carteira e pagou-, que me reportou à minha meninice nas compras atarefadas que se faziam no mercado na véspera da Páscoa para as madrinhas ofertarem aos afilhados...
  • Um vendedor dos arrabaldes vendia ferro velho, maquinaria e cacos -, pena tive de não lhe comprar um pé de máquina que igual nunca vi....Tinha uma terrina VA linda, faltava-lhe uma pega com pássaros e ramagens em rosa e cinzento. Graciosa.

Havia uma mulher um poço de banhas e a filha de traseira a caminhar igual, o marido de barriga a saltar da camisola parecia gravido de 7 meses, traziam um neto pequeno . 
Clima de grande ralho e gritaria-, a minha filha ficou doida de tanto ouvir barbaridades, no julgar como é que aquela criança há-de crescer a saber o real significado das coisas -, sempre a falar-lhe  com modos agressivos, exaltados, sem carinho, como se fosse para um cão que se repugna, onde as asneiras de meia noite sobressaiam sempre a comer comida plástica...Acredito seriam boas pessoas, onde a falta de formação é de extrema grandeza, sabendo que todos andaram à escola em tempo já  gratuita, enquanto eu,  os meus pais tiveram de pagar e muito.O que fatalmente me deixou a pensar!

Um dos feirantes falou-me numa cidade  romana perdida inserida no Maçico de Sicó, que foi explorada com fundos comunitários, supostamente dela saíram peças em oiro dentro de pacotes, que em Coimbra seriam limpas e catalogadas -, para mais tarde na cidade, ou em Sicó serem espólio de um qualquer Museu. Supostamente o técnico que as descobriu (?) encontrou à posterior a parte em falta de uma já enviada, no querer juntá-las  sentiu do outro lado, que as peças tinham desaparecido...Veio a descobrir que se encontravam à venda num site estrangeiro...Parece se despediu, por ser homem honesto, o que é raro.
A estória fez-me lembrar as escavações no claustro da Sé de Lisboa há coisa de 30 anos, moedas em ouro encontradas foram desviadas por trabalhadores, a troco de quase nada, as vi algumas a serem depositadas num cofre do Banco onde trabalhava, por um jornaleiro de lábia sabida, que ao lhe perguntar o que ia fazer com elas, sem lata me responde vão para leilão para Londres, teria a 2ª classe e a escola da vida bem sabida!
  • Da cidade fantasma romana de Sicó nada sei e gostaria!
Enquanto isso seria lamentável haver gente sem escrúpulos que  aposta em fazer prospecção por conta própria , e saquear para seu proveito uma riqueza que é de Sicó, e das suas gentes.
  •  Alguém de direito deveria averiguar "dar corda aos sapatos" e atuar já, antes que seja tarde, porque gente sem escrúpulos parece haver e demais!
 
Pedi à minha filha para tomar conta da banca enquanto fui a casa apanhar a roupa. Não vendeu nada diz que não tem jeito, de mim falou que me dirijo às pessoas numa de estabelecer conversa criando empatia que  gera negócio... Tem dias!

Constatei com agrado que aparece gente a caminho de Pombal, da Lapa e, ...Vêem a Ansião à missa e ao Intermaché, a duas dessas pessoas vendi pratos. Uma delas disse-me nada gostar de velharias levou uma replica de uma paisagem inglesa em rosa, já a outra olhou para um prato que a recordou a casa dos avós a que respondi que aquela fábrica-, Outeiro de Águeda vendeu muito na região, vinha com o marido e o filho com síndrome de Down, de ar doce a quem teci uma carinho, perguntei "  o menino gosta do prato" a mãe sem rodeios é que me responde " ele gosta é de o ver cheio"...
  • Tabelamos conversa sobre o forno medieval de Abiul , do Avelar e outros no norte na tradição do bolo para distribuir pelos peregrinos na festa da padroeira .
Confidencio-me que o seu avô  em Abiul foi o penúltimo a entrar no forno para  tirar o bolo, no ano seguinte coube a função a outro que foi  infeliz, não teve sorte de escapar ileso,vindo a morrer supostamente queimado, acabando o povo com a tradição porque se morreu estava impuro com Deus... 
Ainda questionamos como era possível ser um bolo de alqueires de trigo, parece dois, como o tenderiam no forno quente sem se queimarem, segundo o seu testemunho "o levavam numa padiola, o homem de chapéu de aba larga para não se crestar na cara e de roupa toda enxarcada em água" o que faz sentido, depois cozia de  porta  fechada  e tapada a barro.
  • Abertura da porta em  forma eclíptica para melhor o tirar rápido depois de cozido,outro segredo!
No pior apareceu-me um casal  sendo ele mais velho do que ela na procura de um candeeiro de mesinha de cabeceira que apreçaram por 2,5€  "de ar delambida " dos arrabaldes de nenhures, ostentava altar emproado em soutien fora de uso, que lhe chegavam aos beiços dele em bico...
Chateou-me a forma como despromoveu a peça no rasto irônico de voz surdida de gozo " nós não gostamos disso..." engoli o desaforo sem aqui não passar de lhe chamar  idiota -, diz  não gostar -, e tudo bem -, agora ele tinha gostado, atendendo ao preço queria o quê?
  • Detesto este tipo de mulheres com cara de cão com raiva de ar raivoso ! Elas a dominar e eles a deixarem-se ficar sem mais nem menos "uns conas de sabão"...
Haveria depois de a ver passar emproada como um galo com uma lava loiças debaixo do braço, porco de sujo, enorme em inox...Na fúria ferida logo o imaginei plantado na cozinha em  cima de tijolos crus, a ser para ela mulher despeitada talhado a  mármore!
  • Só vendi um livro. Esta gente não lê e é pena...
Um homem comprou-me na banca de um euro, 3 peças...
Falta de hábitos pela novidade, nem leiem os avisos dos preços...

Apareceu um casal, ele que conheci na minha adolescência de manto alvo na cabeça e bons óculos de sol, um senhor, que nem me reconheceu, a mulher aperaltada a cetim preto, rodas curtas, a querer imitar uma lady a quem supostamente falta etiqueta...Também julgo não me reconheceram o Carlos Silva, o Filipe, o Mário, a Filomena e,...
Falei com o Zé marido da Mena a quem enderecei cumprimentos, que me comprou uns binóculos para o neto.

Já arrumava os caixotes quando entra um carro de alta cilindrada certame adentro para espanto de todos...
Eram mãe e filha com dinheiro. Enfeiraram sem contestar.

Apareceu a Ti Augusta que a vi comprar um fogareiro de ferro, farta dos baratos dos chineses-, disse-me "ó Bélita tenho lá em casa coisas para te vender ..."
  • Visível a falta de publicidade ao evento mensal  por parte do pelouro, e do acolhimento da população que não enxerga que se trata de certame cultural por nele se reverem objetos usados pelos nossos antepassados, por reportarem lembranças de  pessoas que nos foram queridas, que já não estão entre nós. Outros que caíram em desuso, e claro objetos de coleção.
Senti que não o prestigiam como bem merece por falta de cultura, pelo que o aprendizado se prevê longo, demorado...Melhor as gentes do lado de Pombal, mais sábias  e interessadas nestas andanças das velharias...
Ora já pertencem ao Litoral e por aqui terras do Pinhal Interior...

Arrumada a banca, ainda ofereci dois cinzeiros de vidro, um com  publicidade ao Sr Serra para juntar aos demais que tinha. Sou muito de dar... 
Mal cheguei a casa para descarregar dei  brindes à minha mãe...
Um fim de semana com duas feiras que se somaram de resultado positivo sobretudo mais do que o dinheiro faturado, pela lembrança do Nabão  de agriões floridos a imitar um manto de noiva na véspera ao entardecer!

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