quarta-feira, 5 de março de 2014

Lágrimas ocultas em farrapos de estórias...


Ao jeito da poesia sofrida de Florbela Espanca digo-te que vou sair...Vou chorar para os "correios”. Quem sabe se lá apareces...Na mesma sorte do outro quero acreditar!
Voltei agora. Estive lá (no correio) 2 horas e,... 
Nesse entretanto fotografei um prato VA com o Motivo Popular do Cantão China que comprei na feira de Setúbal para a minha coleção. Sabes que este motivo é muito interessante-, encerra uma história de amor impossível, da filha do Mandarim que se apaixona pelo lacaio pobre. Um dia decidem fugir para viver o seu amor, a ponte é o símbolo da fuga para o barco no rio, o pagode a casa onde ela vivia, os montes para a província rural onde se refugiaram, os amantes neste prato não estão caraterizados, habitualmente são pombas ou cruzes.Mas para mim o mais interessante é saber que a loiça da Companhia das Índias ao chegar ao cais do Porto e de Lisboa -, nesse tempo os oleiros só viam os pratos a ser descarregados, sem os poder comprar -, sendo que já o motivo apresentava variações, tenho vários do século XVIII, todos diferentes, embora pareçam iguais, assim por cá cada oleiro na sua criatividade, no melhor sem saber a história do desenho, o fizeram à revelia, à sua maneira e com isso irradiando uma série de  motivos populares, partindo do motivo verdadeiro na essência não pode faltar o pagode, a ponte, as árvores, barcos e,..
  • Mote para numa noite de chuva à lareira contemplar a minha coleção, no melhor descobrir as suas diferenças, sinto ser coisa para a noite se prolongar... 

     Lágrimas Ocultas  de Florbela Espanca

Se me ponho a cismar em outras eras 
Em que rí e cantei, em que era querida, 
Parece-me que foi outras esferas, 
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida 
Que dantes tinha o rir das primaveras, 
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida! 
E fico, pensativa, olhando o vago... 
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim... 
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma! 
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Fiz uma sopa à moda da nossa terra, está quase pronta...
Ah! O cheirinho da sopa!
A esta hora estarás a preparar o Jantar. Não te incomodarei.
Perdi-me na janela com o metro que descarrilou na rotunda... 
Correu tudo mal. Nada do previsto. Estou bem , correram mal as minhas divagações.
Choveu toda a tarde, talvez o céu a chorar comigo!
Vi tudo com uma nitidez que me cega. Ouvi tudo.
As primeiras palavras que ouvi no berço: Brasil/Lucas/Mota Redonda, como se chamava Moita Redonda.
Lucas. Minha mãe nasceu ao lado da casa do Ti Lucas. Trabalhou na juventude para o Lucas a sachar milho...As famílias foram sempre muito cúmplices a ponto de uma neta do Lucas casar com irmão da minha mãe, que foi para o Brasil. Recordo a despedida a mulher do Lucas velhinha a chorar pela neta que foi pró Brasil...Lucas nome que ouvia insistentemente no berço. Depois dos Lucas -, o Alberto, e o meu Professor Lucas que trabalhava na Câmara e que suicidou por ter engravidado a empregada...
  • Mouta Redonda da minha infância!
A irmã de meu pai casou com um senhor da Moita Redonda, nunca tiveram filhos e eu fui o filho que eles gostariam de ter tido. Passei grande parte da infância em casa dos pais desse meu tio. Chamava-se António Ferreira alcunha o "CATIOVOS"...
" sei de um ninho com quatro ovos, dizia ele em criança e ficou CATIOVOS."
Ainda lá tem sobrinhos, um deles andou embarcadiço nos barcos...
Farrapos de histórias...Preciso de avivar a memória com meus pais, e tia a tal que casou com esse senhor Mouta Redonda.
Esse tal Lucas morava junto pais de minha mãe seria irmão de outro Lucas da Moita Redonda?
Meus avós maternos eram vizinhos e muito amigos desse Lucas, como já disse que não descansaram enquanto uma neta não casou com irmão da minha mãe.
Eu não me lembro dele. Lembro muito bem da mulher dele. As casas ainda hoje lá estão velhinhas a cair...
Tinha um pavão coisa rara...Seriam ricos, teriam terras...Hoje tirei algumas fotos da minha casa e da aldeia à chuva.
  • Ah! Falei com Sr.António.Foi uma conversa interessante de trás da orelha.
Que boas estórias, pena a chuva. Desanuviaste...É sempre bom voltar às raízes. 

Olha por cá bom tempo, o jantar foi um sucesso, o costume, fiz uma sopa de feijão catarino, saborosa com lombardo cortado tipo juliana muito cozididinha a derreter, até ouvi elogios, por ser diferente da sopa à lavrador, apresentei uns bifes do acém comprido com cogumelos frescos e molho de natas que acompanhei com massa tipo fita de nastro.
A Dina tinha-me pedido para fazer um arroz doce para levar para as colegas, que fiz, e ainda a Pavlova de chocolate com doce d'ovos e framboesas...
Ao a pôr na mesa perguntei se a queria levar também-, amou  a ideia , não desperdiçou a oferta e ainda me disse " as minhas colegas elogiam-te, disseram que tenho uma mãe jovem e muito generosa"...
Pois respondi-, sei de algumas que não se davam ao trabalho de fazer doces para elas saborearem no lanche...
  •  Nos valeu para sobremesa a travessinha de arroz doce que fiz a  mais ..

Recebi um telemóvel topo de gama, à conta do dia da mulher, da mãe, d'anos e até de natal...
Esteve a ensinar-me...Espero dar conta do recado... 
  • Descansa meu amigo -, sinto que estás tenso e agitado, acalma o espirito, abraça a tua mãe com força vais ficar melhor, e ela também...

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