segunda-feira, 24 de março de 2014

O disco pedido na rádio - a namorada que sonhei...


-Tu tens mesmo de continuar a  escrever... Pois, cada vez que te leio consigo ver, ouvir e até cheirar, todos os momentos passados por ti por onde quer que andes seja no caminhar pelas feiras, em lazer, ou em trabalhos.Foi o que senti, o que a tua leitura me desponta sempre que cada vez que me deleito neste  ler de ti carateristico, próprio e absorvente. Em poucas palavras, mas dizes tudo.Foste sempre assim? Quantos corações ainda choram...por ti?
O Arménio foi um dos primeiros...
-Sabes que ele um dia dedicou-te um disco pedido? Escreveu para a rádio. Tu nunca o soubeste?Ele contou-me. Se o vires pergunta-lhe.
 Namorada Que Sonhei
Começava assim...
Receba as flores que lhe dou
Em cada flor um beijo meu
São flores lindas que lhe dou
Rosas vermelhas com amor
Amor que por você nasceu
Que seja assim por toda vida
E a Deus mais nada pedirei
Querida, mil vezes querida
Deusa na terra nascida
A Namorada que sonhei...
No dia consagrado aos namorados
Sairemos abraçados por aí a passear
Um dia, no futuro, então casados
Mas eternos namorados
Flores lindas eu ainda vou lhe dar...
Que seja assim por toda vida
E a Deus mais nada pedirei
Querida, mil vezes querida
Deusa na terra nascida
A Namorada que sonhei...

-Penso que tu não terás ouvido a rádio, vias mais televisão... Mas o Filipe (padre), ouviu, e contou à malta. Podes fazer uma cronica porque foi verdade. Escrever para um rádio a pedir um disco em 71, era vulgar, mas eu não tinha essa esperteza...
Sinto-me terrivelmente emocionada, porque jamais o soube -, este namorado foi de fato uma grande paixão, a primeira, e dele nada tive senão cartas e mensagens escritas no tampo da carteira de madeira, ainda a parca troca de olhares, e o pouco falar , apenas umas quatro vezes, nem um beijo me atrevi a pensar na honra...Haveria mais tarde de desisti por outras causas, mas sobretudo por orgulho.Acredito!
Lembro-me neste agora como se fosse hoje, o momento da queima das cartas em Coimbra -, no mesmo justo queimar fossem as fitas de curso, que nunca entrei na faculdade por culpa desta paixão... Ali naquele grito, o meu último, por estar prestes a casar -, não mais querer pecar em pensamentos proibidos, aconteceu no tanque de cimento ao jeito de penico, onde é hábito arderem, em Santo António dos Olivais...Golpe alucinado fatal sejam ainda os resquícios vivos ainda fitos em mim a flamejar labaredas quentes a fogo...Deliro a recordar memórias do passado, porque  saudade não existe, nada aconteceu!
Por isso me deslumbro com pouco, seja  com o mar, e o pôr-do-sol de raios intensos ao alto da Serra da Ameixieira e no mesmo gosto a adoração por penicos, que deles tenho quase uma dúzia, todos iguais, todos diferentes...
-Agora podes fazer a justa homenagem e escrever uma cronica, como só tu sabes.-Gosto tanto de ti e nunca te beijei (como tu com Arménio) e é nesse Beijo que ainda te não dei que guardo os versos mais lindos que te fiz...
Infelizmente o Arménio morreu nos seus áureos trinta e poucos anos... 
-Desculpa, não o sabia!
Fica com as palavras da canção...Receba as flores que lhe dou Em cada flor um beijo meu ...

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