segunda-feira, 24 de março de 2014

Redimida solidão em tamanha tristeza!

Me redimir...

Magoei demais seu coração
E hoje é o meu que sofre
Literalmente certa, eu não te dava valor
Te dou toda razão em me deixar
Não te fiz feliz, só te fiz chorar

Eu vou mudar
Pra ter de novo o seu amor
Eu faço o que preciso for
Se você me aceitar
Essa solidão vai passar
E a minha dor vai curar

Pare pra refletir
Tome uma decisão
Mas pense com o coração

Refrão
Me redimir
Você precisa me desculpar
Agora eu estou por aí
Vagando sem destino a chorar
Não quero mais brincar de amar
É sério, pode acreditar

A semana começou fria e de chuvisco. Na minha solidão não redimida no abandono cheio de coisas boas, senti a necessidade em ser  forçada a adiar a minha saída à rua para a parte de tarde. Fiz espera ao sol a raiar para me aquecer na brigada do calcorrear calçada , no caminho pelo Bairro do Pombal em Almada,  feito após a 2ª guerra mundial, sendo que a maioria dos seus habitantes são idosos, e outros novos que vão comprando as casas de várias tipologias. Nada de deslumbrar  viva'almas na Rua das Terras dos Cortes Reais, apenas um cão enorme vestido de casaco, mais me pareceu um sobretudo prostrado ao sol no jardim. Erguida de pé uma nogueira seca de ramos, morta na frente da quietude da casa com cortinas de renda na janela da portada. Surpresa, a vivenda de gaveto me pareceu ampla nas vistas com a pinheira cortada em mil ramos e troncos, possivelmente desencanou a canalização e chamou  humidade. Em frente a outra geminada que bem me lembro dos velhotes, está à venda, possivelmente já não estarão nesta vida e a de paredes meias a conheci quando foi remodelada pelo marido da minha amiga, o Fernando -,  nela ainda vi por entre sacos de cimento e areia, as mesinhas de cabeceira, a cristaleira, lenços da cabeça, sombrinha, naperons, que muito me havia de deixar impressionada na altura por estarem a fazer obras sem a terem despojado dos bens...
Admirei jardins com vasos de estrelícias, malmequeres e rosas. Muitos limoeiros carregados de limões amarelos, também pessegueiros floridos a cor de rosa pálido e outro rosa bem forte. Mais outra vivenda das pequenas com a tableta de venda. A dos meus amigos grande de persianas feias de alumínio sempre fechadas, o chão repleto de limões, e a oliveira carregadinha de flores para vingar azeitona...Que desperdício haver gente com bens, sem lhe dar usufruto que merecem, nem sequer as gozam...Preferem viver isolados entre paredes de um andar!
Uma nespereira de frutos a tgrês cores: laranja a despontar virados a poente, a norte verdes e a sul de crosta preta de moléstia. Admirei as copas redondas e fechadas das pinheiras do antigo centro anti tuberculose, agora centro de saúde da Cova da Piedade mesmo no limite das freguesias, em jeito de abrigo ao estacionamento dos carros, nas ribanceiras do muro campainhas amarelas de pétalas fechadas, no gaveto já de folhas amarelecidas tal como as malvas, alguma friagem  as queimou-, também quem as mandou florir tão cedo se ainda falta tempo para a Páscoa?
Em frente a um consultório,  um casal discutia sobre uma velha, dizia ele "fod... da velha caral...só está bem se estivermos a falar com ela a dar-lhe atenção..."
Na lavandaria fiquei de boca aberta ao saber o orçamento do arranjo das calças de pele e do casaco, tenho de remediar os estragos, porque aquilo que me foi dito é roubar.
Veio-me à lembrança que  hoje é o dia de aniversário do ZEM ...Melhor manter o afastamento, por via das dúvidas!
Mudei de percurso com a ideia de passar no antiquário, no último mês passei umas quatro vezes, e sempre de porta fechada.Tinha visto da montra uma terrina sem tampa de casario em verde, e um bule de Sacavém. Fiz o negócio perante o olhar de uma bela mulher de olhos lânguidos, me parecia um lago de nenúfares...Alta de beleza imensurável esperava avaliação para vender um relógio de pulso de homem...Visivelmente chateada, porque o vendedor de brinquinho de brilhante à Quaresma, só queria conversa "dizia-me que a terrina era ratinha" logo o desmarquei , até que ele me dá razão e diz  "já percebi que a senhora sabe..."


  Fiz o negócio sem dinheiro na carteira, com à vontade disse-lhe que ia ao multibanco, nisto entra outra senhora que apreça a mesma terrina...Saio "numa perna e vim noutra " com o guito na mão, sempre a pensar , se o homem acreditou em mim ou não, de passo apressado apareci ao rebate da porta, reparei nela ansiosa a falar com o dono, e com isso sentiu que perdera a corrida ...
E o homem sem jeito para arrumar as peças no saco hilariante na conversa conta-me que no bom tempo se ganhou muito dinheiro, comprou uma vivenda na Aroeira...
E da vez que foi avaliar um contador em pau santo no alentejo, depois logo outro apareceu na mesma zona -,  o gosto de lhe dar troco na conversa fiada "sabe que houve uma  rota da seda  para os lados de Alter do Chão, ainda  hoje o uso corrente do condimento da Índia o cardamomo na sopa de abóbora, com a abolição das ordens religiosas pelo Marquês de Pombal , os bens dos conventos expropriados foram vendidos em haste pública, nesse entretanto o povo  roubou o que conseguiu, como o mesmo se verifica hoje nos golpes de estado nos países de África, é vê-los de cadeirões às costas, televisões, e ..."
Eufórico quer ganhar na corrida das estórias e remata que na feira da ladra um homem comprou um quadro para aproveitar a moldura, em casa ao tirar a tela com uma faca para a despegar da madeira sente que ela ficou fixa sem sair, com isso repara que afinal é uma placa de cobre pintada...Tinha vindo de França por uma criada que o trouxe da casa onde trabalhava, do tempo do Napoleão, que veio a valer uma pequena fortuna...A rapariga já farta de estar à espera lança-lhe um ultimato " tem de ir mudar o carro outra vez , estou cheia de pressa para apanhar o barco..."
Despedi-me feliz, de compras na mão fui apostar no euromilhões, e fazer umas compras com um presente para o meu marido para não me chatear ...Ele adorou ainda me disse para comprar mais!

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