quarta-feira, 30 de abril de 2014

Liberdade de 10 anos a horas de se extinguir...Sem jamais a perder!

Em vésperas do Dia do Trabalhador ainda conturbada com as emoções...Sejam desilusões, preocupações e ansiedade, apenas alguns dos sentimentos que me tem acompanhado durante os últimos 10 anos e alguns dias. O maior problema é que enquanto me preocupo com o que perdi, não estou a dar atenção ao que ainda tenho -, com isso posso  sem o querer criar outras situações de risco...
Hoje o meu último dia de liberdade -, em  fazer dos meus dias uteis da semana o que me apetece, seja a hora de levantar, a sair à rua, tratar da lida doméstica e do tempo no computador a escrever e a falar...
Na hora do jantar acabam  conversas de conteúdos em peso pesado de toneladas-, ofício do  meu marido, o último com  a revisão da massa oscilante, culatra, soquete, corredores, munições e mesa de carregamento... 
Os colegas da equipa da seção de armamento reformaram-se o mês passado, os seus papéis demoraram mais, por isso neste mês se comprometeu em fazer a 1ª etapa do trabalho -, o desmontar da peça com a equipa restante, quiçá ainda aprendiz, e depois reparar e voltar a montar uma peça de 100 usada na proa e na ré das fragatas da Marinha Portuguesa, demora anos e anos a saber fazer com eficácia, além do gosto peculiar, da motivação e memória visual -, importante as cábulas dos vários passos -, uma vez feita a reparação geral, a montagem faz-se pela ordem inversa, em caso de dúvidas existem os  livros em francês, mas antes raciocinar será o passo mais lógico! Ele há gente que só decora e não perde tempo a pensar...
Sabendo que estava reformado habilitou-se a sofrer algum acidente (?) ainda assim destemido e determinado subiu à peça onde se fartou de trabalhar e a ensinar a equipa, destilou suores a desagarrar peças agarradas, até um trapo encontrou deixado por colega desmazelado, e que complicação poderia ter ocorrido...
O seu chegar a casa tem sido de constante cansaço, afinal 37 anos a  escalar sem receio das alturas, do mesmo modo descer com destreza, pior andar entalado entre porcas e parafusos, sem medos, astuto seja com o empilhador nas mãos em manobras, homem para todo o serviço, polivalente -, quis  ontem a teimosia  ganhar em rematar o trabalho a que se propôs , com isso pegou na ponte e retirou o cano da peça pelas 3 da tarde finalizando com sucesso o objetivo a que se tinha comprometido -, literalmente sentiu-se reformado e livre e do trabalho diz já nada se lembra...
Sempre se pautou por trabalhar com brio, em ser merecedor do parco ordenado que auferiu ao longo dos anos, ao invés de muitos colegas que não tendo a mesma aptidão, nem habilitações, nem coisa que o valha, só lábia emproada, uns abanadores de colhões que passam horas a jogar nos computadores, outros não sabem comandar, ainda outros que não sabem da coisa-, o serviço, se portam como os demais em tanta empresa que ainda não implementou o sistema de Empowerment -, um conceito de Administração de Empresas que significa "descentralização de poderes" ou seja, sugere uma maior participação dos trabalhadores nas atividades da empresa ao lhes ser dada maior autonomia de decisão e responsabilidades. Ferramenta que visa lidar com a lentidão e burocracia numa empresa -, para ser implementado é necessário haver um compartilhamento extensivo das informações com a possibilidade de uma verdadeira autonomia e diminuição dos padrões hierárquicos e burocráticos. Sendo que o objetivo da delegação de poderes passa por ter trabalhadores mais motivados e envolvidos nas decisões que se passam na empresa -, que ao sentirem que possuem mais responsabilidades, procuram soluções e tornam-se mais criativos porque sentem estão a contribuir para o rumo do sucesso da empresa, sobretudo que pertencem de fato à organização. A autoconfiança, cooperação e proatividade dos trabalhadores também são estimuladas. O entusiasmo para desenvolver o trabalho aumenta porque a chefia é vista de forma diferente, aberta a sugestões, mas sem descurar das suas próprias responsabilidades, porque continua a desempenhar o papel de liderança.
  • O que supostamente ainda falta na nova empresa IMPORDEF...Mas que vivi no BCP.
Também no ARSENAL DO ALFEITE não teve a sorte de ter chefias bastantes que lhe deferissem o real valor e o mérito profissional e humano que ajuda sem olhar a quem, valores que  caraterizam o seu estar de pessoa credetícia. 
Reformado de cabeça erguida, cansado da falta de visão empresarial  que enxerga curto e de conviver com gente que quase nada sabe, e pouco quer fazer , mas se acha sábia, sem brio em perpetuar obra bem executada, de papo cheio em arcaboiço de manias no dia a dia no encosto a bancadas a fazer de conta que trabalham, outros no bricolage, a jogar ou na internet, ainda a dormir pelos cantos ou a passear de oficina em oficina opinando sem valia...
Jamais afilhado do partido,  lambe botas, engraxador ou sinónimo que o valha. Homem integro, também sente que por culpa própria se deixou adormecido, nunca se deslumbrou com o brilho da sua prestação profissional do curso que abraçou , serralheiro mecânico -, sem  nunca estar parado, tão pouco se deixar encostado, pautou-se pelo gosto de se sentir ocupado a trabalhar -, aparentemente de estar apagado, no entanto sociável, sempre presente para dar opinião do que era o certo, quando auscultado por gente de pelouros, por isso admirado e até invejado por colegas por a escolha nele sempre recair sobre meandros do trabalho laboral , também pelo gosto gratuito em transmitir saberes, perfil de sapiência que a nossa filha herdou.A vida  profissional não lhe sorriu como o merecia, ainda assim um ganhador, porque outro assim de parecenças e atributos , duvido a empresa venha a encontrar!

Trouxe-me como souvenires...Facalhão encontrado numa gaveta cheia de bocas que limou e ficou nova, uma faca em inox a dizer ARSENAL DO ALFEITE do refeitório dos tempos de  antanho e uns invólucros de munições de vários calibres ariados se mostram lindas, uma delas igual à primeira que encontrei no quintal dos meus pais usada na segunda guerra -, estranhamente ali em terras do Maciço de Sicó...Interessante é constatar quando entrou no Arsenal em 77 agraciou-me com bibelôs feitos em latão então na moda feitos em moldes que trazia embrulhados em jornais, e neste agora voltou a trazer embrulhados em trapos dos bons,desperdícios das fábricas de confecção e outras peças com defeitos que servem para limpar peças...Estando no interregno  de anos e anos, sem me trazer nada de nada...

Amanhã é novo começo, para não estranhar levantamos cedo a caminho de Óbidos para a feira de velharias. Já firmei contato.Na sexta rumamos a Coimbra passear e ver a nossa tia hospitalizada. No sábado ainda não sei se faremos Figueira da Foz...
  • O convívio que se vive nas feiras é crucial para nos ajudar a viver melhor.
Neste agora o mais  importante é focar a minha energia nas coisas e pessoas que merecem a pena. Porque o que passou passou... Não tenho saído de casa, e sei que devia procurar sítios ao ar livre e respirar fundo, por vezes bastam 5 minutos  para  se relaxar o corpo e mente, ficar aliviada, mas e as forças?

Interiorizo fortemente que devo ser mais prudente na linguagem, na forma de me expressar no peso que as palavras têm...Esqueço-me constantemente até onde posso ir,  forço demais e magôo...
Não consigo ser diplomática sempre que alguma coisa não está do meu agrado. Sou muito de dar recados...
A minha filha cansa-se e com razão, sinto que tenho de resfriar, analisando as minhas atitudes. 
Resquícios do meu trabalho profissional a lidar com gente tacanha, mesquinha e limitada, onde tinha de me fazer ouvir a dar recados...

O meu marido com uma tábua de madeira e o namorado da minha filha parece árabe com a camisola enrolada na cabeça...Na feira de Azeitão.
Hoje no último dia da minha liberdade que se extingue... Estarei pronta para a batalha? Para os desafios a tempo inteiro a dois? Será que algo ou alguém  se pode revelar bastante diferente do que espero, causando com isso alguma decepção ? Pois sei que tenho de me adaptar à nova realidade que tem vindo a surgir na minha vida, fazendo fé que é tempo de se afastarem maus augúrios que não são bons para mim, deixando o meu caminho mais limpo de más energias e olhares gordos...
  • Uma coisa é certa deixo de estender e passar a ferro macacos azuis  e outra roupa do trabalho diário. Outra é que hoje vou estar aperaltada para sair e jantar fora, ora merecemos comemorar!
Sonho ainda realizar desejos ocultos ...
Pelo que o mais importante  é manter a receptividade em aberto e acreditar que mereço ser mais feliz, continuo a aproveitar a boa energia à minha volta, das boas amizades,e de pessoas que sinto me querem bem. 
Tenho de me adaptar, porque a liberdade é crucial em mim, serei sempre livre e jamais agrilhada!
Por hora basta-me !
Acrescento, acabou de chegar a casa a chorar...
Em 40 anos acontece pela 2ª vez, sendo a 1ª a morte do pai ...
O chefe de divisão elogiou-o " empregados do seu calibre todas as empresas gostariam de ter nas fileiras" os colegas, empregadas da limpeza e do refeitório se despediram emocionados, no balneário abraçados todos choravam e cantavam ...Fenómeno jamais assim visto em todos os que antes se foram reformados!
Cantavamem coro ...
"Coimbra tem mais encanto na hora da despedida"

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seguidores

Arquivo do blog