quinta-feira, 29 de maio de 2014

Banco Pinto Sotto Mayor... Nunca me esqueci de ti !

Souvenir...

Na linha do pensamento " Os grandes feitos devem ser ditos com simplicidade; a ênfase estraga-os.
Os menores precisam de ser ditos com imponência já que eles só se sustentam pelo modo de expressão, pela atitude e pelo tom."
Adivinha quem vem jantar ?
O nome do restaurante do Eládio Clímaco locutor da RTP em Alcântara há mais de 20 anos.
Entrei e sentei-me nos sofás acolhedores enquanto o próprio nos deu as boas vindas a vomitar charme naquele olhar lânguido e voz doce.
Repasto soberbo: Frango com amêndoas e tarte de bacalhau. Tanto a apresentação como o sabor divinal.
Não recordo a sobremesa...seria doce!
Boa a companhia do meu grande colega e amigo Aristides do Banco Pinto e Sotto Mayor da Rua do Ouro homem de ascendência indiana, alto, cavalheiro, vindo de Moçambique, em comemoração da sua reforma.

Com os filhos a trabalhar nos EUA, numa das suas visitas pedi-lhe que me comprasse uma potente  máquina fotográfica Canon (preço=100cts), que teimou estrear no Estádio com o meu grande Sporting Clube de Portugal.

Edifício da antiga sede do BANCO PINTO SOTTO MAYOR 
 Trabalhei no 1º andar com o Aristides na Seção de Descontos, na foto a seguir ao candeeiro entre a porta um e a dois. Mais tarde viria a trabalhar no r/c.
Ambiente de trabalho no mundo da concessão de crédito, sem computadores -, propostas com letras, livranças e verbetes de operações compensadas de várias categorias -, a tramitação diária a distinguir letras de livranças.

As Letras tem como intervenientes: o sacador que é o tomador que dá ordem ao aceitante que na data do vencimento tem de a pagar. Já na livrança é uma promessa que o subscritor dá ao Banco que na data do vencimento a paga, sendo que ambas podem ter avales e ser reformadas no vencimento. 
A certificação de avales ( que houve maridos que falsificaram os das esposas...) penhores (bacalhau verde...só conhecia o seco e o demolhado) e hipotecas a um famoso corretor com resmas de títulos de ações no escritório aos magotes pelo chão e escadas, onde se consta muitos foram roubados, pois eram ao portador...) e,...
Fiz limpeza a penhores mercantis e hipotecas de 1940...39 tão antigos que deles por certo nunca ninguém conferiu(?), destruí papéis de valor selado com grandes assinaturas, seriam hoje obras d'arte numa feira de velharias!
Ora o diário seria aplicar a fórmula da contagem de juros de mora a cada dia nos valores entrados em Efeitos Devolvidos-, o crédito mal parado, no fim do dia a contabilidade diária ainda manual numa folha de razão longa onde os débitos e os créditos, os papelinhos azuis e amarelos, tinham de bater certo. Os títulos de milhares de contos das grandes empresas já batidos à maquina com tantos zeros que os contava da frente para trás, e vice versa que me passaram pelas mãos...
A conferência a detetar erros e rasuras nas propostas e nos títulos-, acaso escapasse unzinho mesmo insignificante (?) havia sempre alguém armado de altivez em tom alto a desarvorar se fazer ouvir para angariar trunfos-, quiçá mais valia para as promoções por mérito...
Claro tempos infinitos ao telefone a resolver pendências com as Letras na Avª da Liberdade, e para agradar aos Gerentes que todos os dias andavam à caça das propostas-, a eficácia na polivalência em as procurar perdidas no circuito da seção de Responsabilidades, Garantias ou Controle, e em fila de espera na Direção para receber autorizações.
Grata lembrança retenho o carinho extremoso de colegas das Garantias, Responsabilidades, Controle, Posições, Transferências, Balcão e da seção de Descontos onde trabalhei, assim recordo o saudoso Dantas Guimarães homem reservado difícil daquela boca sair uma palavra, só sorria com o olhar, já falecido; do Basílio saloio de Pêro Negro, chefe de setor, bom homem, de cariz apressado por ser taurino, armado de óculos de massa e casaco de cabedal à policial; a bela e alta Maria do Carmo, amante ferverosa de touradas e da festa brava da Moita do Ribatejo, no mesmo gosto da lide o Rhodes Sérgio, chefe de Seção, homem leão de silhueta alta e um belo par de olhos verdes de sorriso tímido no contraste forte da voz de líder,de basta cultura enciclopédica, integro, justiceiro e humano -, uma perda não ter seguido a política -, seria o chefe político mais integro neste País em quem votaria sem favor, muito menos seria voto útil, sendo ele devoto do PS -, o partido que jamais votei; do Abrantes angolano, puro sagitariano de carater fogoso, contador de estórias, de ascendência africana por parte de mãe; do Vaz de Almeida puritano, celebrava o aniversário no dia de S. José; o Araújo mostrava-se ansioso julgo pela má sorte ditada pela ex mulher, com isso picuinhas; a Elisabete de raízes indianas carinhosa e doce me obsequiou com um casaquinho branco para a minha filha quando nasceu, feito pelas suas mãos finas, o Morais rodas curtas pouco falava, não passava de um pobre diabo (?)... massacre contínuo em manter a secretária abarrotar de dossiers -, cheguei a ter medo de o ter de substituir, quando aconteceu, percebi que afinal não passava de mote em dar impressão falsa que tinha trabalho difícil, sem o ser ; a Rosália algarvia com resquícios de bela moura encantada o mesmo glamour de simpatia e cordial colega, vestida de cruz ao pescoço; a Rita uma paz d'alma para o pachorrento tal como a Maria da Conceição, que no malfadado dia ao abrir um armário, os dossiers se abriram em queda sobre a sua cabeça, mulher pacata, amável e prestável, um sábado aproveitou a visita à sogra no Margem Sul para me visitar e fazer entrega de uns papéis, numa das minhas raríssimas partes de doente -, não estava em casa, tinha ido à feira no descampado enfeirar uma terrina de Alcobaça que não assentava bem na travessa, e por isso não passou na linha de qualidade, a vendi a uma estrangeira em Miranda do Corvo; a Clara de ascendência brasonada beirã por parte de pai, chamava os sogros da Linha por Tios -, fazia-se vaidosar de cabelos loiros engalanada de brilho igual em peças antigas, para inveja das demais; a Emília Ginja, saloia do Gradil, tímida, mas de olho vivo quando apareceram as primeiras listagens da Processa com os nossos dados, o chefe Basílio seu conterrâneo, incita-me a acabar o 7º ano por me sentir perfil para subir no Banco -, ela estranha o tempo que ele falou comigo, mal chegada à secretária na sua frente, pois assim trabalhávamos na altura, sem papas na língua me questiona o assunto, que lhe confidenciei porque sempre fui frontal sem evasivas, ao contrário dela que quando me ensinou o serviço não me explicou o essencial, tomei nota de toda a tramitação onde houve essa falha gritante -, fez-me passar a maior vergonha nas Posições, no meio de homens acesos de gozo, caídos em meu redor, com o Fadigas acabado de entrar atrás de mim de mãos presas no fundilho dos bolsos a tremer, sem balbuciar defesa e no mesmo o bom do Pina Correia ...Na entrega dos créditos todos agrafados quando o deveria ser por parciais, para que cada funcionário os carregasse nas contas dos clientes, nas estridentes máquinas Niksdorf... A Emília aparentemente com genes à robustez do aspeto ao saudoso Joaquim Agostinho também saloio, fosse pela grande cremalheira branca ou pelos olhos pequenitos, decidida, se mal o pensou melhor o fez e se aventura na matricula num colégio particular sem nada dizer mas chumbou, repetiu no ano seguinte e conseguiu fazer o 5º ano. Chegou a subgerente primeiro do que eu -, na altura não aceitei a transferência para a Fontes Pereira de Melo a convite do Gerente Fernandes, sendo que ela não deixou escapar a oportunidade, o trampolim... 
Havia outros colegas igualmente amigos, infelizmente mais velhos, deles recordo a imagem, mas do nome já não,O Sr Alves e,... antigos cobradores da Siderurgia Nacional num tempo que o patrão foi o mesmo. 
Pelo natal na Seção comia-se bolo rei, havia gente que engolia a fava para não dar azo ao mote de oferecer o próximo...Mas também me cruzei com gentalha sem valia, por ser brutalmente destituída de inteligência, incompetente, alguns ficavam com os trunfos na manga, e ainda outras de instinto mau a fel com ares de bruxa !
Tempos que fui magra de belos cabelos negros brilhantes que tantos elogios ouvi...E gostei!
Um colega doutro Banco meu companheiro na viagem de barco dizia-me 
" Isabel quando vestes essa roupa ( blusa de seda preta brutalmente decotada nas costas e calça amarela torrada de cintura alta) fazes parar o transito..." 
Demorei a perceber que o transito era ele!
Incrível a ingenuidade sempre fez parte de mim, da minha personalidade, por isso me entalei, entalada e mal paga nesta minha vida! 
Hoje aos 57 anos de novo vestida de seda às florzinhas em tom mais claro, tal como no primeiro dia que neste edifício entrei com 23 aninhos, envergava o segundo fato do meu casamento, mui parecido, só de tonalidade mais escura...

Hoje sei que NUNCA devia ter saído da Rua do Ouro onde me cruzei com outros colegas doutras seções e departamentos, gente boa que ainda recordo com carinho. 
Se o arrependimento matasse estaria MORTA -, que o estou, ainda assim uma VIVA MORTA!
No dia do grande incêndio no Chiado abrimos as portas para ver o aparato de bombeiros em correria.
Entre muitas prendas e flores recebi recordo um ramo de belas rosas de porcelana vindas de Cabo Verde trazidos por um cliente arquiteto, com os caules tinham quase um metro, o caricato foi que as teve de trazer ao colo no avião, como não me encontrou saiu com elas e voltou mais tarde para me as entregar finalmente...E que inveja fizeram quando as pus no balcão...
O Banco mudou entretanto de mãos câmara municipal de Lisboa (?), neste agora mostra-se despido de letras na fachada que lhe davam a dignidade que sempre fez por merecer!

O Banco Sottomayor permanecerá no meu coração para sempre!
Sei que teria muito gosto em oferecer um relógio ROLEX a um antigo colega, bom amigo , homem especial pelo humanismo e uns euros com alguns zeros...a lembrar o mote do título que vos falei -, 100.000.000$00...
Dobrei esta esquina vezes sem conta fosse para a entrada ou na saída em rancho, porque aqui os horários cumpriam-se, e sempre vaidosa.
RUA ÁUREA
Ajuda muito na nossa caminhada libertar carga emocional. 
O que nos derruba de fato são as memórias tristes, as amarguras, as desilusões…Mote que envelhece uma pessoa precocemente!
"Um covarde é incapaz de demonstrar amor. Isso é privilégio dos corajosos segundo, Gandhi. "
Só quem está de bem com a vida pode sentir o sublime sentimento -, o resto é apego, ou qualquer outra emoção inferior.
Ora sinto-me jovem de cabelos alvos mas sempre mulher de afetos -, mas bate uma Saudade imensa que doí!

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