domingo, 8 de junho de 2014

O visconde da Vargem da Ordem revelou-se contador de estórias ...

Nome e apelido a somar a mais treze por iniciais no bilhete de identidade,  num total de quinze, tendo o  seu saudoso pai sido batizado com dezoito, já nos filhos reduzido, e nos netos quiçá o mesmo, a fazer fé na lista da Wikipédia  dos viscondados em Portugal,  cuja data de criação ocorreu em  1863  a 23 de janeiro,  ao seu avô Gaspar Pessoa Tavares de Amorim da Vargem, o 1º Barão da Vargem da Ordem -, supostamente a Ordem de Santiago, com propriedades no seguimento da Comporta, no concelho de Grândola. O título atualmente encontra-se extinto.
Homem  de estatura baixa, peito emproado, estar altivo a puxar  linhagem  monárquica, na deixa se revela de perfil castiço pelo uso de bigode, à imagem do herdeiro da coroa portuguesa, que dele fala com algum desdém que concordo , seja pela falta na ousadia de se mostrar líder no dom da palavra nesta terra que foi herança dos seus antepassados -, antes pelo contrário, na prática se mostra apagado no estar e no fazer, já do acessório bigode se evidencia de arrebites arrebitados como usava o D.Carlos, já o visconde apenas puxa parecenças aos genes do herdeiro de Portugal pelo peito emproado, cabelos finos, e aparente sorriso envergonhado, encoberto de pêlos na boca pequena, debruada a lábios finos onde se abre a montra de dentes cerrados em miniatura , armado de humor sarcástico de sabor ao estilo irónico típico aquariano -, homem sonhador e gosto pela aventura -, no discernimento, sinto julgar esteja atravessar uma fase de boa fortuna -, assim creio deste modo neste agora se dissipe a considerável tensão inteletual dos últimos tempos, na boa nova da esperança, deste modo a trate, como coisa penosa do passado, sendo mais feliz  no presente!

Impressionante a revelação de conversa fluída arremedar o enciclopédico, sem paranço. Nato contador de estórias da história deste nosso Portugal, no tempo do passado feudal, e títulos angariados, por feitos prestados à pátria!
Haveria na curiosidade do questionar sobre a ostentação do anel brasonado do anelar debruado a oiros. Orgulhosamente me confidenciou, que todos os anos, pelo menos um dia, tem o prazer da presença do Dom Duarte Pio de Bragança -, sentindo orgulho duma foto ainda em bebé, ao colo do seu pai,  ladeado pelo rei D. Carlos. Haveria de confidenciar a família envolvida com o armamento que assassinou este rei...
Fanática  a paixão da bandeira da monarquia que nele  exala auto estima -, sem peneiras, ainda assim peneirado de clichés, senti o orgulho do autocolante no seu porta bagagens ...
Azeitão decorria no desfile da hora tardia num palco de poucas vendas na feira de artesanato e velharias .
O visconde logo de manhã armou na calmaria a sua banca sob toalha lavrada em damasco cor púrpura, com ligeiro buraco, alinhando estrategicamente as peças na elegância e requinte, a fazer inveja à sua bonita idade de 84 anos, bem conservado, dinâmico, dizendo à boca cheia  "quando me perguntam a idade digo que tenho 48..." Quando o elogiei sobre as peças da banca não se faz rogado ao gabanço falando do que deixou na mala do carro...Nisto abala à procura de porquinhos para alargar a coleção que já vai em 180 -, ao questiona-lo o porquê -, diz-me dizem que dá sorte!
Preocupado, atento, cavalheiro e bom colega, nas minhas deambulações a namorar peças e olhares ficou de olho na minha banca,  me chamou para dar atenção a quem nela parou o olhar.
Prevenido e poupado neste tempo de recessão, de avio trouxe o farnel  de casa. Calmo e metódico abriu o termo para tirar a lata de coca cola fresquinha, que ingeriu num copo de café,  ao mesmo tempo degustava grandes pastéis de massa tenra uma tradição nas casas ricas de antanho, isto ao almoço, porque na ceia, ao meia da manhã , saboreou metades de pãezinhos de leite com presunto -, em cima da banca sem colidir com a mostra de peças , o maço de toalhetes húmidos usado para limpar o rabinho aos bebes, sem pedir licença os foi usando para desinfetar as mãos, só um olhar mais atento o identificava ao lado do leque de madeira aberto em declive...
Refastelado na sua cadeira, estilo realizador de cinema, armado de chapéu de palhinha na cabeça, uma vez arreigado do poiso na despedida -, se revela no papel de galã, pelo corte de cabelo sob o comprido, com ligeiro encaracolar em tom amaciado de cinza seda -, stlyle que lhe confere ar travesso no disfarce disfarçado da pouca altura, mas o faz grande!
Falou de Angola e Moçambique -, o ultramar onde nasceu, e de onde teve de sair apressado, sem nada do que nesta vida conquistou pela força do trabalho...Houve criados e empregados após a fuga dos portugueses apressada das colónias que à posterior o haviam de voltar a questionar "quando regressa o patrão"...A que lhes respondeu " vocês é que lutaram pela independência...". Agonia-se no pensar de ter falhado na altura a hipótese de ter ido para a Austrália onde tinha emprego garantido...
Casado há 58 anos, onde nem sempre a relação foi "um mar de rosas"  -, incrível aos dias d'hoje, sendo esse tempo mais idoso do que a minha própria pessoa...Homem abençoado com dois filhos, deles falou com orgulho, também de um irmão que viu falecer numa semana com 62 anos, ainda hoje se constrange na saudade.
Neste agora de recessão lamentou-se por mais de uma vez com o dinheiro que o Estado lhe detém, não devolve, e deveria! Tristeza tamanha com o filho mais velho, por práticas e atitudes indevidas por desajustadas -, um mãos largas em relação às mulheres, quando as deixa, faz gosto em as deixar amparadas (?), a última, simples cabeleireira, a deixou de salão montado. Homem  licenciado em gestão, sem emprego, neste agora pelo carrego de meio século de idade, remedei-se na companhia da mãe nas vendas ...Senti as dores, da ajuda nesta idade tardia, seja do regresso imprevisto de novo à casa paternal, a que acresce a pensão ao neto, e à filha que não o sendo de sangue, mas que quis perfilhar...Pesada cruz  nesta bonita idade que merecia ser de descanso e lazer -, teimei aligeirar "olhe pelo que fala puxou costela ao bisavô da Vargem da Ordem, nesse pressuposto , quem sai aos seus, não degenera na geração..."
Do filho mais novo vibrou de gálio ao falar com satisfação e orgulho do seu estatuto profissional  quiçá auspiciado e ganho supostamente ao abrigo da organização da Opus Dei -, a dar credibilidade ao alto cargo que teve no Bcp -, trampolim para outros cargos de valor credetício noutras empresas, com boas regalias e vencimento, dizia-me satisfeito " se calhar já ouviu falar dele, ou o viu na televisão, ou..." fiquei a ponderar o bom senso a tentar equilibrar o que um engenheiro faz num banco? Logo parei o pensar ao recordar o Jardim Gonçalves... Relata o dia  que precisava de lhe falar com urgência, a secretária dizia sempre o mesmo"o Sr. Dr. não pode atender " sem jamais se anunciar na paternidade, na vestidura de semblante chateado por não gostar de ver o filho ser tratado por Dr. sendo é Engº. não hesita em derradeiro telefonema armado de raiva  que transmite em tom grave   " diga ao Sr. Dr. que o pai dele morreu..." 
Remédio Santo, o filho apareceu em casa num repente!De olhos bem abertos o questiona de tal atitude a que lhe responde " foi a única maneira que arranjei para falar contigo..."
Na verdade o visconde mostra-se homem imprevisível  e destemido, não olha a meios para atingir os fins.
Na vaidade arreigada solta delírio de grandeza sobre o filho -, agora passeia-se de Porsche, já a mulher está um palito erguendo o dedo num gesto de comparação...Respondi, então se está bem na vida só tem de gozar desde que se acautele em segurança, o certo!
Sem estreia estreado, se revela na excelência sem lamentações, supostamente pelo orgulho do titulo que carrega...Na verdade  teima manter o brio da boa disposição no rol de horas a somar a horas, em  que o sol se fez brilhar nas mesmas vezes no modo encoberto de nuvens escuras, a descarregar algures, porque salpicos de clientes o foram parcos a interromper  silêncios -, preço da jarra de cristal, a gorda que se encadeia com a cópia de Limoges, e outro de ar refinado mirou e remexeu os talheres de banho a prata. Ainda assim  o visconde sem estreia nas vendas continuava alegre, de sorriso de orelha a orelha lança o repto final " quando chegar a casa vou dizer à minha mulher, olha foram 600 euros... " Mas afinal foram 6 €  -, o valor da casota para o gato que uma colega de Sintra ao constatar arrumação da bancada muito antes das quatro, de modo apressada se faz chegar em aflitos na lança lançada, se a vendera ? Ao que ele lhe responde, já a levei para o carro...Colega que todo o dia se fez passear de coroa de flores em jeito de grinalda a embelezar os cabelos oxigenados queria só dar 5 €  dos 7,50 € solicitados, aflorando que era para a Luisinha, a gata que encontrou abandonada a juntar a mais dez, agora onze que tinha em casa -, por isso pedia desconto, o Visconde Botelho de olhar e sorriso matreiro, mata-a com o ultimato -, então dá 6 € que só sofro de prejuízo 50 cêntimos...De volta ao carro para buscar a casota larga o desaforo " é lucro, a casota era do meu gato siamês que morreu, ainda o pensei vender, mas no entretanto  finou-se..."
Do visconde  seu avô, falou ter sido um homem que gozou uma boa vida com muita mulher, sem poiso certo em nenhuma, vivia acima da média , à conta do rendimento anual das propriedades de Grândola, cujos rendeiros sucessivamente foram adiantado as rendas anuais ao "menino" na recompensa delas um dia serem os donos, assim perdidas , supostamente para o avô da família do toureiro Núncio. Quanto ao palacete de família, nas imediações do Tourel em Lisboa, hoje entaipado, o viria a perder para pagamento de dívidas ao Estado, sendo ao tempo obrigado a se mudar para o Campo Grande para morar num pequeno solar, alugado com capela, na companhia trouxe as duas criadas com as malas e o espólio que restava. As criadas após ele falecer foram viver com o primogénito, o sucessor do anel brasonado,  até morrerem -, na prática continuaram no trato, a pequenos e graúdos por "meninos"...Assim é difícil gente crescer e se fazer homem -, não nascendo príncipes, o trato era como se o fossem na vivências de fartura e desperdício, sem aprendizado para administrar os bens de família, apenas o gozo e desfrute em viver na  luxuria da  grandeza , enquanto houver rendimento, sem jamais pensar que um dia tudo se pode acabar, acabando, por falta de orientação e olhamento ao que é seu -, sim porque quem não cuida do seu património, o acaba perdendo duma forma ou de outra, mais cedo ou mais tarde. Militantes de conduta egoísta no estar e no pensar, na defesa apenas e somente do  próprio coiro, sem elevar o pensar nos seus descendentes, que sem pejo de vergonha deixaram derradeiramente pobres, tendo sido oriundos de famílias abastadas -, por isso neste País tanto conde, visconde, barão falido o mesmo de palacetes e solares em ruína!
Da herança herdada pelas Índias, a dizimou na totalidade...
O caricato aconteceu quando faleceu, para lhe fazerem o funeral  tiveram de vender um tinteiro em prata, vindo da Índia, onde o pai dele tinha sido Governador.
Armada de sofisma lancei o repto sem medos, na questão do herdeiro do anel brasonado, com uma história de mais de trezentos anos na família-, não se engasga na resposta dizendo, o certo na linhagem da hierarquia...
Apreciou o meu olhar sem palavras, sentindo o que pensei...
Não se fez rogado, de  soslaio e olhar sereno, solta a voz  de visconde -, mas pode não ser !
Estória deliciosa contada na primeira pessoa do Visconde da Vargem da Ordem, sem pudor, nem vergonha, antes gálio dos seus antepassados, e do presente na luta nesta sua vida nesta bonita idade cheio de vitalidade -, fatalmente o que senti, espero não se amofine comigo, não me pediu sigilo, nem segredo, simplesmente o gosto da conversa desatou nele a falar, falar, sem limites...Chegou um tempo que sentados lado a lado na sombra da árvore que me levantei da cadeira receosa de não absorver tanta informação para não cair na tentação da escrita, debalde o encanto da personagem foi de tal ordem delicioso, pela energia, pelo carisma, pelas histórias,sendo nato provocador de cariz simpático, e mui amável -, ao invés de tantos outros aristocratas de meandros de riqueza passada, e neste agora de ruína presente, ainda assim com desgostos semelhantes-, antes se revelam camaleões farsantes que não valem o chão que pisam na mania de grandeza, sem grandeza alguma, apenas tostões, uns coitados sempre a viver num tempo passado quando deveriam assumir o presente de cabeça erguida!
Confidenciaram- me sobre o perfil da sua esposa como a melhor vendedora que se conhece, a fazer fé a este atributo de valia logo a imaginei na sorte se tivesse vivido ao tempo do barão na sorte de o ter conhecido-, sendo uma grande mulher de visão para as vendas, por certo não deixaria cair por mãos alheias o património de família!

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