quarta-feira, 4 de junho de 2014

Quinta de Santa Rita no Pragal

A Quinta de Santa Rita a primeira quinta que vou abordar, confina na frente com a quinta de S. Miguel. Parece que do tempo que foi edificada apenas existe o torreão inserido no muro primitivo que se implanta junto da estrada do Casquilho caraterizado como a Casa de Fresco dos meados do século XVIII, de planta quadrada com cunhais de pilastras em rusticados. No piso térreo a entrada por túnel com o piso da Casa de Fresco  seguia em rampa para os jardins e para a casa.
Hoje além do torreão a nascente, existe um aglomerado habitacional de cariz séc XIX ? com frontaria para a estrada do Casquilho com um portão  lateral de entrada seguido do muro de vedação que fecha a quinta.
Supostamente o solar foi reconstituído perdendo a traça original, teria inicialmente capela de orago a S. Rita (?) fazendo na analogia a outras quintas nas imediações da mesma época com nomes de Santos, e com a respetiva capela. Por trás da fachada distingue-se um muro curvado semelhante ao que existe na quinta do Almaraz na ribeirinha do Tejo, que não sendo capela, se mostra uma espécie de oratório(?).
A casa do Fresco, o Torreão de planta quadrada; volume simples coberto por telhado duplo, de tipo mardeliano, com pináculo terminal. Seria um mirante para o Mar da Palha e Serra da Arrábida, afinal para os quatro pontos cardeais, tendo portas em todas as paredes.
Entrada a poente com túnel de acesso à quinta
No 2º piso janelas de sacada  a norte, sul e nas laterais com balcões com guardas em ferro forjado, de vão moldurado com verga em arco .
Na fachada a frontaria apresenta ornatos em estuque até à cimalha com grinaldas, elementos vegetalistas e o nome do patrono da quinta  -, S. RITA 
Curiosa a cobertura, a acusar a influência chinesa, erguendo-se em dois andares que recordam as estruturas do pagode chinês. 

A entrada na Casa do Fresco com dois degraus em calcário

 A ruína em decadência total 
Não tive medo de entrar, já o meu marido nem se atreveu...

O que resta dos frescos e marmoreados com motivode grinaldas como no exterior por cima das sacadas

O túnel da Casa do Fresco de acesso à quinta, por cima a pedra do varandim que já não tem a grade em ferro forjado
Banquinhos com o canteiros, nele nasceu uma oliveira...seguido de banco corrido ao longo do muro
Vista sobre a quinta da Bela Vista e do Mar da Palha
Subi ao muro para perceber o carreiro para espreitar o poço... 
 Hortas divididas por muros frágeis de persianas em fim de vida no intermeio o muro primitivo da quinta Santa Rita com a quinta S. Francisco de Borja

O poço da quinta, o que resta da engrenagem da nora em ferro e do terreiro em círculo na sua volta onde animais andavam às voltas a puxar alcatruzes, ainda o aqueduto para levar a água para abastecimento da casa.
Apreciei o torreão de todos os lados
O esplendor da casa do Fresco em total ruína no meio de hortas de afro dos Bairros limítrofes.Apanhavam vagens de feijão de debulhar, e sachavam o milho, as feijocas trouxeram a semente de França. 

Muro na frente da estrada do Casquilo, a quinta faz gaveto para o Vale de Palença, junto do rio, sendo que antes também foi cortada para a rua dos Três Vales (Vale de Mourelos, Vale de Palença e Vale?  ainda não descobri se será Vale Figueira ou outro)
 
Estrada do Casquilho a caminho da Quinta de S. Francisco de Borja já na freguesia de Caparica
Os catos na enfiamento da saída para a rua nova rasgada que decepou ao meio a quinta-, que se chama Rua dos Três Vales.
  • Tenho o hábito de primeiro postar umas fotos com uma pequena crónica no face para me inspirar depois na crónica no blog.
  • Sobre esta em especial recebi dois comentários que passo a transcrever com as respetivas respostas.
"Somos um país rico. Não precisamos destas velharias, para nada!..."
 - Olha, não enxerguei o teu comentário-, quanto a mim acho que se deve falar do que está prestes a desaparecer que foi esplendor num tempo passado e que por razões várias caiu no esquecimento e na destruição. São pedaços de história, e sendo eu uma amante em conhecer, divirto-me na aventura a entrar em lugares estranhos, subir a muros, calcorrear carreiros, registar fotos, sobretudo a ficar nelas, e a escrever, podia ter outros defeitos -, mas nesta idade madura estou-me maribando para a opinião dos demais, o que conta é o que me faz efetivamente feliz, e hoje foi um desses dias. 

"Eu apoio incondicionalmente o nosso património. Mas como os portugueses, na sua maioria, só olham para o que é novo e moderno esquecem o passado como coisa inútil. Daí o meu comentário. Somos ricos. Não precisamos do que é "velharias". 

 - Pois, mas não sei se já te apercebeste eu gosto muito de velharias, sejam objetos ou pessoas-, nelas consigo enxergar o belo de antanho -, nem só os Jerónimos me encantam, o mesmo em relação ao auge da juventude...A beleza está nas pequenas coisas, embora a grandiosidade seja bela pelo esplendor. Ainda acrescento, a ruína tem um não sei quê que me fascina pelos resquícios do belo e do fausto de outrora, mas deixa-me triste a pensar-, como foi possível herdeiros, votarem ao abandono tais preciosidades, porque na verdade cresci a ver a minha mãe sempre a preservar, a gastar rios de dinheiro, no orgulho de gostar de manter o seu património em bom estado, com a agravante de gostar de ajudar as filhas no património delas, no meu caso pagou-me a pintura da minha casa de Ansião quando procedi à mudança do telhado. São ensinamentos destes, e de outros, que não se aprendem na igreja nem na escola, é da sensibilidade e grandeza de visão de pouca gente, onde ela se inclui, que lhe foi ditada pelos genes.

2 comentários:

  1. Que corajosa! Mulher de armas e máquina fotográfica. Parabéns pela reportagem.
    if

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  2. Obrigada IF pelo carinho de sempre. A sua força tal como outras são o alimento para jamais desistir. Ainda agora acrescentei no post anterior sobre o Pragal, o que me faltou dizer, pois absorvo tanta informação que na hora da escrita na pressa de publicar venho sempre à posterior acrescentar, um defeito.
    Bjo

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