terça-feira, 24 de junho de 2014

Vou ver se te escrevo ao jus do verso de prato falante...

Confidenciava-me o Sr. Maia, na feira de Algés, a propósito de ter vendido a semana passada um desses pratos falantes com uma menção deliciosa...Jamais assim ouvida!

Divagar sobre pratos falantes sinto um prazer inexplicável e platónico a pensar no pintor, na sua criatividade, imaginação e sentido de humor, num tempo de pobreza, igual a este agora -, ainda assim se revelou no tempo fatalmente, sem globalização, em ser homem amante, amoroso de cariz romântico -, sentimentos que me fascinam no ser humano!
Pois sinto uma grande tristeza por não ter ainda um exemplar para a minha coleção.
Sendo caros, arrepio o pensar!
O raças do mote do falante, não arreda da minha cabeça onde fica a martelar...
"Vou ver se te escrevo" ...
Despedi-me num até já para parar no estaminé de chão do Nuno onde estava um homem glamoroso -, o segundo que neste dia a minha vista alcançou, negociava uma peça Companhia das Índias. Não sei o que me deu e embutida de força bastante meti conversa no momento que regateava o preço por se mostrar esbeiçada com o chamado "cabelo"...Ao lhe sentir um sorriso delicioso, atrevida e intrusa meti-me a falar " desculpe, não me contenho a partilhar um verso de prato falante que agora me falaram "…
Soltaram-se sorrisos sinceros pelo inusitado na alegre cavaqueira logo despertada pela empatia que se gerou  naquele estar assim quase do nada...não, a falar de afetos!
Discutimos ideias sobre faiança -, demos azo à  criatividade em  reinventar o falante, consoante o nosso imaginário ao fugir do conceito do verso original -, suposto aventar  arrufo de namorados, saudade, lembrança boa (?) ...
  • Das nossas bocas soltaram-se ecos na ar com sorrisos rasgados "vou ver se dou corda aos sapatos" Vou ver se vendo alguma coisa" "vou ver se encontro alguma preciosidade em conta" " vou ver se bebo um café" "vou ver se algo me desperta o olhar"...Vou ver!
No comentário da IF que muito me honra na continuidade escreve com sabor a poesia "São tão deliciosos estes pratos falantes. Ingénuos, mas cheios de sabedoria e verdade."
  • Ninguém o definiria melhor! Só amantes de verdade da faiança e de coração aberto a falar de afetos, porque os há colecionadores de coração ainda fechado, reprimidos...
Como quem diz, só lemos o que queremos ler, para nossa total satisfação!
Isto de travar conhecimento com gente anónima é muito interessante e estimulante. Adoro e de que maneira!

O terceiro homem com quem travei conversa  também de olhos azuis, com setenta aviados, muito enxuto e de boa conversa é de Sintra, dizia-se um ajuntador de coisas. Deixou escapar que há coisa de três anos quando morreu a mãe do Jorge Sampaio, o caseiro vendeu-lhe um candeeiro com uma bailarina carote em vidro coalhado...

Interrogava-se como é possível pessoas com tanto estudo e conhecedoras do mundo desprezassem assim objetos de uma vida que também foi  deles...
Consolador foi o facto de todos comungarmos tais sentimentos.

Em jeito de remate devo acrescentar que os achei aos três homens, todos de perfil para os cacos e para o humor de cariz extraordinário.
Sinto-me muito mais rica. Ainda este último dizia a talhe de comparação, para o meu marido, o senhor tem muita sorte, a sua esposa gosta de velharias, acompanha-o.
A figura o prato onde a mão doce em jeito de dizer Adeus…
Vou ver se te escrevo!
Alguém ditou o pensar que chorar é dar paz à alma. 
É dizer ao coração: "Tem paciência, que tudo vai passar!
E passa mesmo, o tempo tudo apaga tudo faz esquecer... 
Um dos grandes problemas nos problemas é persistir no sofrimento! 
Há que escolher outro caminho, um caminho mais luminoso.
Escolhi sem escolha, por medo, o mesmo de sempre!
No sentir de corações abandonados
 "Quero que sintas que há saudade imensa, abismal que reina em mim, por ti  !"

3 comentários:

  1. São tão deliciosos estes pratos falantes. Ingénuos, mas cheios de sabedoria e verdade.
    if

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  2. Cara IF sem dúvida, aliás se me permite acrescentarei no post, pois o engrandece.
    Bem haja
    Bjo

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