terça-feira, 15 de julho de 2014

Ansião celebrou no dia 4 de julho 500 anos do Foral Manuelino

Apogeu a celebração de 500 anos da atribuição de Cartas de Foral às Cinco Vilas.
O conhecimento chegou pelo Facebook pela mão do Henrique Dias a 15 de janeiro, a propósito do Foral de Maças de D. Maria que vai celebrar os 500 anos  a 12 de Novembro, em que abordou se deveriam esperar iniciativas (?)depois o Rafael Henriques também abordou a temática, seguido de outros,  no mesmo intuito a divulgação -, em remate na sorte brilhar no ensejo com a iniciativa comemorativa. Supostamente não tendo sido os primeiros a pensar nela, tudo aventa aproveitamento em carrinho da ideia primária lançada em tempo, por isso o desagravo (?). 
Ora quero falar de dois bons homens  Henrique Dias e Rafael Henriques que apenas os conheço virtualmente, neles sinto o amor pelas raízes, pela história, património, tradições, gentes, ainda a sapiência a compilar árvores genealógicas, e tantos outros saberes destas terras de Maciço de Sicó com algares, grutas, águas fartas no inverno, flores campestres, oregãos e tomilhos de cheiro intenso na primavera-, a erva de Santa Maria, lírios pela Páscoa, e alecrim, com incursões de boa onda em tudo o que é assunto destas terras que amamos. 
Homens nutridos de humildade pelo gosto da partilha, senhores e sábios, que muito admiro e estimo e me honram na amizade! 
Estranhei  em tempo não ver nada que me chamasse à atenção de cariz semelhante por parte da vereadora do Pelouro da Cultura de Ansião, nem anúncio na sua página de facebook (?)Apesar de saber que a Câmara colocou convites no Facebook,  não sou amiga da página, nem vi o Ansião TV...
Folhetos  e cartazes  mencionavam que o responsável por estas comemorações é um filho da terra, no verso diz: " Para coordenar este programa está o nosso conterrâneo e historiador M.A.D que através de várias iniciativas dará a conhecer aos cidadãos..."
Não me dei conta, porque a minha habitação permanente  não é em Ansião, só a secundária, como sou educada, assim sendo peço desculpas se alguém se sentir incomodado!
Pelos vistos o evento muito publicitado (?) no entanto me pareceu de brilhos baço, e não foi por ter sido palco ocorrido ao meio da semana, com presenteio de chuva e chuvisco -, faltou a meu ver o incremento da população em aderir ao evento em massa , para na graça, presentear convidados e plateia com travessas de arroz doce típico na região... 
Teria sido ex-libris de hospitalidade em bem receber, mas mais parecem algarvios que deles se fala-, comem da gaveta!
O que efetivamente estranhei  foi o fato das pessoas envolvidas no evento não me terem dirigido convite, apesar de muito anunciado (?) e dele, pouco, quase nada  soube ou dei conta, nem tão pouco a minha querida mãe assídua do Café na vila,  nada soube ou tão pouco dele ouviu falar, sendo senhora  com o 5º ano dos Liceus na década de 50 e cultura e globalizada desde 62 quando comprou a primeira televisão -, para estranhar nada se ter apercebido!
Mais uma bofetada! Mas que grande disparate! Pois o é -, isso exatamente!
Brasão em mármore de quatro belas romãs
Houve uma vez em miúda na década de 60 que pela mão do Prof. Albino Simões  então Presidente da autarquia, aqui estive na varanda por detrás do brasão, queria saber o porquê das romãs... Carinhosamente na companhia do meu querido pai me falou do fruto, que eu mal conhecia, até nem apreciava pela membrana amarela que envolve as sementes comestíveis cor de carmesim -, na Bíblia fala que os judeus quando chegaram à Terra Prometida depois da fuga do Egipto, os doze espias voltaram carregados de romãs e outros frutos, como prova da fertilidade das terras, em alusão à mesma fertilidade aqui nesta terra de Ansião de regadio e  bom milheiral nas Lameiras com feijão, e hortas nas margens a nascente do Nabão.
Há falta no YOU TUBE da canção de Maria de Lurdes Resende "Quem quiser passar seguro pelas serras de Ansião"  que a ouvi cantar nas Festas de agosto nos anos 60, no então recreio do Externato, onde o palco era feito em cima da placa das casas de banho, deixo um cântico gregoriano.

O antigo Solar dos Menezes, hoje Paços do Concelho -, edifício emblemático que faz parte da minha vida por o ter muito usado, a brincar no jardim sito  no tardoz a poente, inexplicavelmente nele fizeram mais tarde alargamento de instalações, onde haviam canteiros delimitados por buchinhos e cerejeiras que outras assim igual, só havia  na Quinta do Bairro de Santo António, e claro em Maças de D. Maria, onde roubei muita cereja empoleirada  nos muros esventrados do caminho, antes da Fonte do Pereiro, quando a minha mãe a esta terra se deslocava para trabalhar nos CTT, e eu a acompanhei algumas vezes.

Também porque o meu bisavô ANTÓNIO RODRIGUES VALENTE homem que  viveu no Bairro de Santo António, pedreiro que assumiu a empreitada da obra de ampliação deste edifício, depois do incêndio em 37-, tendo sido um homem tão dedicado à vila na prestação de valorosos serviços (plantou os plátanos no Ribeiro da Vide, tomava conta dos fontanários, limpando a mina da Garriaza e do Castelinho)  carregava a pesada imagem de Nossa Senhora da Conceição do altar da Misericórdia, para a procissão e,...Tantos préstimos e outros que não sei, sinto  deveria ser presenteado com uma rua com o seu nome, em vez disso as trocaram no Bairro de Santo António ...
Escândalo  a ousadia em atribuir o nome à  Rua do Hospital que jamais o foi, sendo no passado a Estrada Real, sendo  que a Rua que deveria ostentar o nome do Hospital  que deixaram perder lhe atribuíram o nome de Santo António, e a que desce do Largo do Bairro, nem nome lhe deram-, ora  que seja Quintais do Bairro de António  Rodrigues Valente o que reza a escritura dos terrenos, coisa que ainda estão a tempo de alterar,  e o mesmo ao Largo, assumindo o nome que teve de prestigio no passado, com a atribuição de  Largo das Estalagens.
Mas claro para se saberem estas coisas é essencial quem tem o Poder Político ter nascido em Ansião, e não aparecer tardiamante, desconhecendo o passado, apenas  o que sabe, o vai aprendendo no dia a dia na vivência do ouvir falar, sobretudo o que parece não se  tem mostrado no  tempo curiosos (?) ou pouco por influencia se deixam encadear por gente que gosta de história, mas também apresenta lacunas, porque uma coisa é averiguar papéis guardados em gavetas, e outra  bem diferente é falar com o povo, ainda assim com ressalvas, porque nem todos fazem juízos de consciência acertada ( estou a lembrar-me da nascente da fonte do Ribeiro da Vide, o presidente da Junta até chamou um vizinho o Carlitos Parolo -, a sua impressão realista "deu em chelas"...Já eu, brinquei  por entre o juncal onde o poço se encontra -, quem falhou foi quem fez a primeira intervenção no jardim tapando descaradamente com terra o poço da nascente coberto com pedras grandes presas por barras de ferro, que o vi um dia ser aberto para o  limparem...

A propósito disso não deslindei o meu primo Padre José Eduardo Coutinho na comitiva de convivas, supostamente não foi convidado (?) pela autarquia...Lamentavelmente sei que não foi ouvido nesta temática, nem tão pouco convidado a apresentar o seu estudo sobre o Foral  de Ansião pronto há anos, que dele sabiam pessoas, e também na Biblioteca -,  e feedback(?) das funcionárias, não sei se o deram à vereadora -, com isso em "cima do joelho" foi publicado um livro de outro autor.
O Padre é também mais um homem que se revela grande amante de Ansião, sendo historiador reconhecido além de arqueólogo. Teceu monografia desta terra sobre o seu passado histórico de inegável valor e tributo de valia com edição esgotada, pelo que merecia reconhecimento mais digno, até porque além do mérito dos estudos, pesquisas, e das dádivas aos conterrâneos no conhecimento do seu passado histórico, se revela um homem simples, integro e de carater sem vaidades -, sei que jamais usou outros para vingar no sucesso de escritor, muito menos plagiou, ou se vangloriou com a sabedoria alheia para brilhar -, já o mesmo de outros não se pode dizer o mesmo -, um dia o Padre foi abordado em sua casa para dar informação  sobre uma determinada ermida , vindo a constatar mais tarde com espanto que a matéria  fazia parte da edição de um livro, sendo que nem sequer tal temática era lavra para o autor, no pior, nem sequer lhe deu conhecimento, muito menos endereçou convite para o lançamento, o que me deixa a pensar nesta atitude mesquinha e emproada (?)...Senti o mesmo com algumas fotos na mostra dos 500 anos do Foral...
Quem me segue nas minhas crónicas, sabe bem que adoro a fotografia e com isso publico fotos nos meus blogs e falo sobre vários temas da nossa terra. Constato para mal dos meus pecados, que delas alguns tiram ideias para ganhar lucro, e outros ainda receberem louvores...Mas que falta de saber e de criatividade de uns e de outros. 
O Padre José Eduardo é  de raiz  de apelido nobre, sendo descendente de homem ilustre desta terra. Ora se há coisa que não gosto mesmo nada é o desprezo dado a pessoas de mérito, em detrimento de louvores, a outros, que se alevantam da miséria  e do desdém  ditado pelos sábios(?) Pura glória encapuçada  e falsária em gente que não olha a meios para atingir os fins, só revela ambição desmedida, mas quem enxergue claro consegue neles discernir  no restolho das suas vidas -, o trigo do joio, basta pronunciar os seus nomes e as pessoas ficam caladas, o que revela o saber do povo no desagravo ...
Intrujo, intrujão, intrujões? A fazer fé no adágio malfadado desta terra " Ansião terra de 30 moradores e 31 ladrões"...
No pior opinar e supostamente  me parece que há gente na autarquia de olho vesgo a empranhar pelos ouvidos!

Não estando presente o Padre José Coutinho acredito por desdém ou desaguisados nestas COISAS de HISTÓRIA, seja pelo seu cariz  frontal, sem papas na língua no opinar nu e cru, o certo-, que em abono da verdade deve sempre existir, porque da discussão nasce a Luz (supostamente feitio (?) que já lhe valeu dissabores) perfil  tão parente comigo... O conhecendo bem pode até em determinadas alturas se mostrar em desagravo (?) por falar VERDADES, que em gente hipócrita e mesquinha gosta de esconder aos demais os podres de casa, com isso  " caminham com altivez e vaidade pelas ruas a fingir  que vivem em harmonia e paz, e andando de candeias ao avesso" com estas atitudes só impingem imagem de gente de BEM, com isso o vangloriar falsário -, que em gente de cabeça inteligente não passa despercebido, até lhe tiro o chapéu por essa verticalidade no confronto com as massas. Homem abençoado por pais trabalhadores e poupados , estudou no Externato António Soares Barbosa, onde foi meu colega e já mostrava vontade em ingressar no Seminário, que veio a completar, abraçando a vida da  religião ao se tornar padre, eloquência mayor de vocação, ao invés de outros na região e pelo País, que apenas se aproveitaram dos Seminários para  estudar quase à borla e deste modo afastados do contexto na sua adolescência na terra  que os viu nascer, com isso a perda de vivências cruciais - , aprenderam no entanto o estilo ao género "falinhas mansas " artimanha para granjeio de amigos e neles o ganho de oportunidades e "cunhas"...Então não é por demais sabido e infelizmente constatado!

Ora sabendo que não sendo nem licenciada, muito menos ilustre "lambe botas" nem filiada em partido político-, o que  sei  ? GOSTO DE ANSIÃO! 
Sem contudo ser a minha terra natal -, nascida em Coimbra, vivi no Bairro de Santo António em Ansião até aos meus 20 anos. Nesta terra faço questão de manter uma habitação secundária que comprei a parte da minha irmã em 2004 quando foi alterado o IMI, sou das cidadãs desta terra que MAIS IMPOSTO pago em relação aos demais  vizinhos, e outros de casario agregado a barracões, garagens e alpendres que eu nada disso tenho, há quem pague 29€ sendo que pago 267,20 €, valor que tenho reclamado em som de estrebucho sem dó nem piedade e ninguém me dá ouvidos -, mas  vou pagando com sacrifício, porque sou mulher de contas certas! 
Só por via disso merecia convite!
Falta de um Museu digno nesta terra querida  que já  se mostra em grande atraso  a sua reabertura...Não há teimosia do querer crescer em cultura ! Sem palavras fico a pensar o que fizeram ao espólio que tinham na sala da cadeia, porque panelas em cobre que muitos populares ofertaram consta-se que a esposa de um presidente  da autarquia no passado se dignou usa-las na escadaria da sua casa para vasos...

Amo Ansião e as suas gentes, sobre as quais tenho vindo a escrever ao longo dos anos com carinho, em memórias vividas durante a minha juventude até casar, que me deliciam e a outros também-, mas também os há que não!  Então não me deram uma desculpa esfarrapada sobre a edição de um livro dizendo "por contingências financeiras não é possível editar o seu livro, quando o pelouro tinha na forja quatro para editar ?". ..Santa paciência, mas ar de  impostura ou pedincha nunca fui -, de genes igual ao meu pai, que ajudou  no Tribunal muita gente em tempo de grande analfabetismo, nesta terra e redondezas, sendo que deles recebeu de gorjeta, copos de vinho, enquanto outros em cargos semelhantes se encheram de dinheiro. 
Para pensar!
O que me magoou foi sentir que  amigos não passam de supostos (?) que no tempo me tem vindo a tecer convites,  e neste caso não me dirigiram palavra, NADA de NADA!
A minha amiga de infância  a Dália Dâmaso  saiu de Ansião para Tomar com 5 anos de idade, ainda assim tão novinha se recorda da festa do meu aniversário de doze primaveras, na loja da casa dos meus pais ,onde comeu aletria pela primeira vez.
Os meus bons amigos na entrada do portão da Escola Primária que eu frequentei e eles não!
Que fique bem claro tanto a Dália como o João Patrício, estão de fora desta quezília que se derrama em tristeza -, porque sempre julgaram que eu sabia do evento, também por outras razões, que agora não vem à baila. Depois pouco podiam fazer sendo que havia alguém por trás, conotado como o Chefe das Comemorações, nada se podia fazer sem o seu conhecimento!

Cinco séculos de julho  a novembro com iniciativas pelo concelho.

Momento solene a celebração desta data histórica -, iniciativa que decorreu no dia 4 do corrente mês pelas 18.30H com duas palestras no auditório de Ansião

Convidados: Dra. Margarida Sobral Neto apresentou  "O Foral Manuelino de Ansião"

Seguidamente o Dr. Manuel Augusto Dias apresentou 

 "Os Forais de Chão de Chão de Couce, Avelar e  Pousaflores" 
Ora estranho a fraca afluência-, sendo 500 anos, devia estar  a sala cheia a abarrotar de gente!
Ora dia que deveria ser o  feriado em Ansião anual, em detrimento da quinta feira de Ascenção, no meu modesto opinar.

O meu continuar a achar nestas incursões históricas...
Se fosse eu a tomar parte do  staff do comando destas comemorações teria exercido pressão na teimosia de inovar e de que maneira -, ao incitar a colaboração da igreja na permissão da abertura da Misericórdia para solenemente se ouvir a Leitura do Foral no altar, acredito soaria ao público em ousadia celebrar com brio tamanha autenticidade histórica de cinco séculos num  espaço emblemático, pela antiguidade. No tardoz ainda uma porta  estilo gótico, supostamente mais antiga que a data da atribuição do Foral  à vila-, testemunho de antiguidade que esta terra ainda exibe e deveria ter sido merecedora de Foral séculos antes desde o tempo de D. Afonso Henriques, D. Sancho, por aqui se passearam ou D. Dinis, pois o foi abençoada apenas em era tardia!
Portal oval em pedra que conheci em miúda  quando brincava no jardim do solar, outra conheci assim igual em maior tamanho com 8 anos, na companhia da minha querida irmã, a minha  Mena, sendo miúdas curiosas, sem medos, ainda assim de coração medroso pelo tempo escuro que nele se adivinhava  trovoadas em dezembro, a pensar em abrigo numa fazenda próxima com a cestista da azeitona nas máos caminhantes ao portal  em arco com porta de madeira a cair aos bocados, que abri devagar e andantes como princesas na passadeira de pedras alvas ladeada de terra dos lados -, no que  se conta foi o Mosteiro sito no Vale Mosteiro, onde vimos restos de arcos no teto, uma pia de água benta e uma Cruz alta talhada em pedra, fechadas num quartito, no tempo que foi vendido a vários vizinhos e do espaço fizeram uso para nele viver.De pé ainda dois arcos de volta perfeita, um a descoberto, e outro entaipado que é visível, e mais dois rebocados a cimento na arrecadação da casa da Deolinda-, havia um arco parede sim parede não.
  • Por incrível que pareça ainda nenhum historiador identificou em anais, tal existência... 
Seria pequeno, coisa de uma dezena de frades (?) a fazer fé no Convento de São Paulo em Almada, e noutros o mesmo em numero a semelhança, o que arrasa a minha impressão e supostamente de outros, por supor que nestes espaços de Deus e oração, o seriam  de grandes comunidades, situado em local privilegiado na beira da Estrada Real , plantado na beira do caminho de ligação de Lisboa a Coimbra, onde a Rainha Santa Isabel, que dela lhe tomei o mesmo nome na pia batismal , aqui teve de passar e alguma vez  pernoitar (?) acredito jamais na ponte da Cal, supostamente nem existia(?) quem sabe aqui lendarizado o Milagre das Rosas (?) ( o primeiro registo escrito da Lenda das Rosas encontra-se na Crónica dos Frades Menores, de Frei Marcos de Lisboa, de 1562 " levava uma vez a Rainha santa moedas no regaço para dar aos pobres/ Encontrando-a El-Rei lhe perguntou o que levava/ela disse, levo aqui rosas. E rosas viu El-Rei não sendo tempo delas". 
Pois rosas bravas e de Alexandria ainda  lá moram entrelaçadas na hera do arco de volta perfeita ainda de pé, o mesmo de pobres anciãos, seriam mais que muitos naquele tempo (... e por qualquer lugar onde fosse não aparecia pobre que dela não recebesse esmola(...)  -, ANSIÃO recorda um velho ANCIÃO protegido pela Rainha Santa Isabel...
Não se deve esmorecer a pesquisa sobre a existência deste Mosteiro no Vale Mosteiro em Ansião, ora um bom começo ler crónicas de Frades Menores( que pertenciam a Mosteiros pequenos (?).
Sabiam que o tesouro da Rainha Santa Isabel e o seu túmulo são preciosidades da arte medieval europeia. 
E contam-nos outras histórias sobre a célebre esposa de D.Dinis. Uma rainha caridosa, sim, mas também muito ligada ao poder e à política.
O milagre das rosas começou por ser atribuído a uma tia sua e só entrou no elenco dos milagres da Rainha Isabel de Portugal séculos depois de ela ter morrido.
Excerto  da lenda sobre a Rainha Santa de M. Lurdes Cidrães

Porta no tardoz da Misericórdia
A Câmara convidou a Oficina de Teatro Canto Firme de Tomar para fazer um Ensaio de Portugal do século XVI dirigindo  pessoalmente  o convite para organizar o espetáculo ao João Patrício, que em maio se deslocou a Ansião com a Dália Dâmaso para agilizarem pormenores com a vereadora da cultura.  Ora me pareceu a contento o convite, que poderia ter sido alargado a outros-, não sei se o Grupo de Ferro Alma Teatro de Torre de Moncorvo  que integra  um casal amigo, sendo ele de Figueiró dos Vinhos,  há anos aqui esteve presente em Workshops com o  Grupo de Teatro Olimpo de Ansião, nem sei se este ainda se mantêm no ativo? E  neste agora noutro contexto de animação sócio cultural  de paredes quase meias O Palco dos Sentidos? Que de genes a Rita Miguel os tem dos "Valente" herança da casa dos Bisavós, ao Fundo da Rua, onde os  tios da mãe, e neste agora em festas de família as primas, fazem cenas teatrais com vestimenta diversa  que a Anabela  Paz guarda em baú desses tempos de tertúlias em glória, vividas nesta terra de Ansião, para não falar da minha irmã que acredito teria  quase sozinha feito o espetaculo e que espetáculo!
Sabendo que eram precisos voluntários para o Cortejo Real de D. Manuel I -, o Grupo de Teatro trouxe vestuário de sobra ...E faltou gente para os vestir!
Ora a minha amiga de infância Dália Dâmaso nascida em Ansião, encenadora, e chefe do vestuário, tanto haveria de gostar de abraçar e eu a ela!

Os Encenadores Paulo Serafim e Dália Dâmaso conceberem o espetáculo para as comemorações dos 500 anos do Foral Manuelino com um Cortejo Histórico pelas ruas de Ansião -, uma maneira de dizer, porque se vestiram  figurantes, e atores no Centro Cultural,  de onde saíram em cortejo descendo a rua para dar a volta ao Pelourinho, para depois se chegarem à Praça do Município, onde se  fez a Leitura do Foral na varanda dos Paços do Concelho.
Sabendo o jeito travesso  do João Patrício, fez questão da escolha do fato para o seu amigo Manuel Dias envergar no desfile como arauto,  sendo mensageiro do Foral de Ansião!
                                                                                 Cânticos do coro de Alvaiázere

Pelas 21h30, fez-se uma reconstituição da atribuição do Foral
A cara de espanto do encenador Paulo Serafim  a olhar para o João Patrício no desplante do interromper  com aquela expressão de dor exaltada  e sentida de mão no peito fervente, alumiados à luz do archote...
Em baixo  todos os presentes ouviam a ênfase da Leitura do Foral












Sendo o Foral difícil de entender o encenado Paulo Serafim  decidiu que o mesmo se apresentasse aos demais -, ao público "  como se fossem Duas Leituras" - lidas em voz declamada de intenso cremor , ao querer vibrar corações na plateia dirigidas do alto da varanda -, estando de um lado o Rei e a Rainha e do outro lado o Paulo Serafim que fez a leitura original em Português Arcaico, e ao  seu  lado o João Patrício, conterrâneo de Lisboinha que  fazia a tradução para o Português moderno  para ser estendível obviamente do mesmo modo vestido à  época contemporânea.
Objetivo  proposto em feliz contrastes na Leitura Foral , feito à moda antiga e no linguarejar atual, cada um envergando vestes usadas ao tempo-, ideia fascinante!

Ao que sei o meu amigo João Patrício arrancou aplausos, pois deles está habituado pelo desempenho de gálio, em tantos papéis que encarna, tendo também sido granjeado  com elogios pela Tradução Foral, ao decidir em boa hora  a tornar mais atraente na leitura na teimosia em brincar com inusitados.

Ao tempo cada Ansianense tinha de capar um galo -, que uma vez CAPÃO  tinha de ser dado aos Frades do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, para as suas suculentas refeições degustadas depois das orações.
No seu jeito espontâneo e  criativo, armado de grande dinâmica na voz que Deus lhe deu de líder expedito , incita o público na pergunta "sabem o que são Capões?" São galos CAPADOS! Capavam os galos para deixarem de andar em cima das galinhas e por via disso ficavam magrinhos de tanto andar em cima delas a GALAREM... Porque o costume é os galos de 10 em 10 minutos saltarem para cima das galinhas, no caso de verem minhocas as chamam para elas, as comerem, assim fortes são mais bem galadas, e os galos uma vez capados, perdem interesse nas galinhas, e passam a ver as minhocas que comem, com isso engordam para ser comida farta para as barrigas dos Frades...
Rapsódia  que fez despoletar uma forte risada na assistência -, ainda mais, porque os jovens nem sabiam deste fato antigo na tradição destes animais domésticos.

A leitura continuou no jeito brejeiro  em arrebatar admiração ao falar agora nos Alqueires (cerca de 11 quilos) uma quarta e um salamim-,  termos ainda comuns nos hábitos dos antigos, mas dos novos não.
Ainda sou do tempo de comprar uma medida de tremoços ao fim da missa, ora deles o Foral fala que nada se pagava pelos tremoços.
O nosso ator João Patrício aflorou em gracejo que os tremoços  se empurravam com um copito de vinho e assim o Povo ficava animado e pagava sem reclamar...O que desarmou outra grande ovação de risada na plateia.
Ora nem sei se o seria pois na leitura menciona" pagam 1/5 do pão, linho e tremoços"...
O que revela o grande potencial deste grande ato no brilho e habilidade ao insinuar a história, com estórias, tão ao estilo do Prof. Hermano Saraiva, de quem tenho tanta saudade!
O bom João Patrício de garrafa de vinho em punho obsequiou convivas como um bom Ansianense deve fazer!
Graçolas. No propósito simples  e direto  e na atitude maior de chegar ao coração do público.
No final houve gente de idade a querer dizer " eu sei que é um alqueire " e  novos a perguntar se era verdade CAPAREM os Galos... 
Sinal que se encantaram, por isso se riram a bom rir em gargalhada, ficando amarrados na audição teatral apesar da  chuva que passou a "chuva molha tolos" ...Que de tolos nenhum tinha nada! 
Mas que supostamente afastou público.
Não se pode dizer que estava uma multidão, ou muita gente, estava alguma, nas fotos distingui as minhas sempre amigas que foram na juventude moradoras no Cimo da Rua-, a Luz e a Anita, nem sei se vinham da sua caminhada noturna, e se chegaram ao recinto deram de caras com a festa onde abancaram, para não perder esta oportunidade única!Também a Rosa, esposa do Dr Manuel Dias. com a neta Isabel ao colo.
O Foral de Ansião era duro para o Povo  com muitos impostos -, a TEIGA -, dois alqueires e uma quarta de trigo nesta terra de limites em arrabaldes de Façalamim (Pinheiro) onde se cultivava bom trigo em extensas propriedades vedadas por muros de pedra seca, ladeados a nascente com  a calçada romana de ligação a Conímbriga -, sendo uma delas enorme pertença do meu bisavô Elias, onde  se ceifou muito trigo, que outros donos antes dele, acredito daqui levaram alqueires  e quartas para dar  de Teiga aos Frades...
Apareceu no recinto a BRUXA, papel  desempenho na pele pela Dália Dâmaso-, no querer mayor, salvar a vila de  Ansião da Teiga, que dela se via EMBRUXADO!



Os Guardas  da comitiva real pegaram nela, e a levaram...
Até que  aparece um Frade e um Padre 

O padre no papel  desempenhado pelo João Patrício no propósito de Esconjurar a Bruxa -, para dela afastar o demónio...

De novo envergando outra vestimenta o nosso bem alegre João Patrício a dançar com uma plebeia, que bem poderia ter sido eu...Ora houve falta de homens, pois bailavam mulheres com mulheres...

Danças e cantares  em fecho de cena, envolveram figurantes e alguns da plateia

A Fada...Vestida de azul
Além dos figurantes do Grupo de Teatro se distingue o Presidente da edilidade e a vereadora na dança...
Aplausos por  mérito do sucesso da peça teatral. O povo gostou eu também teria amado.
Senti-me  ainda assim triste, mas percebo -, sem perceber, assim em despedida no meu tom maldizente, à laia da época representada, desatino em  escárnio e maldizer, que assino e da boca exclamo -, alguém teve receio de perder brilho com a minha presença, e assim se revelou na mudança  brusca de atitude na amizade que assim se revela falsa!
... E tudo o que me parecia errado poderá neste agora parecer certo, e tudo o que achava ser fundamental perde agora importância. Certezas, poucas tenho, mas senti necessidade de agir pela escrita, vomitando o desaforo!
Porque se tenho pernas é para andar, se tenho braços é para trabalhar, logo se tenho coração é para amar, e não para me deixar trancada a sete chaves sem nada fazer -, por isso pus mãos à obra e com o disponível, ainda nem recebi o Jornal, escrevi a  crónica  para deixar o meu testemunho no evento histórico assim vivido à distância , quando o querido o era o ter sido vivido na presença!
Sendo verão, altura ideal para libertação de "lixos" acumulados ao longo da vida, o lema é o de sempre, seguir em frente ainda com mais FORÇA!
  • Sendo que a melhor maneira de se receber é dando -, isso sempre fiz no  papel ao FALAR DE ANSIÃO E SUAS GENTES, se não recebo nada, sendo completamente  ignorada, é  no mínimo estranho! 
Curiosamente nesta terra não se dá valor a gente que foi importante-, não há uma estátua de ninguém-, nunca pensaram nisso? Percorro o País de lés a lés e em cada terriola está patente o busto, ou estátua do padre, do médico, do benfeitor, de alguém que foi bom para o povo -, aqui em terra de bons calcários e canteiros não há nenhuma, e ele houve e há gente de talentos.
Saber reconhecer o valor e mérito das pessoas é atributo de valia de quem é apossado de inteligência . Parem de se deixar ludibriar e enganar. 
Termino com uma frase célebre de uma senhora distinta de Ansião a Sra D. Amélia Rego
Porque uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa!
A crónica não suprirá a lacuna, nem me será atribuída semelhante tarefa, pessoalmente imprópria, risível até se a julgar consentânea. O intento visou falar de dores e mágoas em amanso de desabafos no relato de memórias, a que reuni considerações e ilações sobre o tema circunscrito, por ser mulher apaixonada por Ansião, pela sua história, e tradições, numa visão continuada e atenta -, nesse pressuposto o ter  sentido a picardia afligida, sem contudo pretender doutrinar o assunto, tampouco arbitrar autorias, inconscientes, quase sempre em labor anónimo, como é o de pesquisas de cariz histórico, trabalho árduo de persistência quando nada se encontra do que se pretende achar, o desanimo é quase total, mas na fé concisa e abstrata digo-, abençoado seja o dia na minha vida que se vislumbre algo real escrito sobre a existência do Mosteiro no Vale Mosteiro -, autoria que reivindicarei na partilha, porque sempre acreditei que nesta terra existiu, disso tenho vindo a escrever há anos, e disso não abdico, não deixarei ninguém roubar de mim tal persistência na descoberta e nos louvores!

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