sexta-feira, 4 de julho de 2014

Alma alentejana em livre arbítrio seja o falar de paixões...

Bafejo o nascer na planície alentejana ao alvoroço da aurora em ano de fevereiro ameno, abençoado na graça de Quixote, ao jus do romance do cavaleiro andante, livro devorado pelo pai na adolescência. 
Cresceu a comer rebuçados de gema de receita conventual que a mãe fazia todas as semanas, que só o afincou na doçura e aprumou no gosto de apreciar mulheres. Agraciado de olhar esverdeado lânguido, seja inveja, a rivalizar um lago de nenúfares, robusto de feições, simpático e alegre, abençoado de bondade no estar e no ser, lírico, e sonhador aventureiro, ainda assim homem de sucesso e de brilho profissional. 
Namoradeiro, a rivalizar o sedutor e galã Casanova? Não -, esse de signo quente "carneiro" levou vida de gozo de amante debochado, sendo um libertino, colecionador de mulheres, escroque, um conquistador empedernido, assim reza dele a sua memória -, e o nosso Quixote não passa de homem pacato, de estar afável, calmo, humilde, de conduta séria, sendo só errante na herança do nome que carrega na procura da sua alma gémea -, mulher que seja gentil, engalanada a romantismo, atributos que adora e sonha, no imprevisto o estime em demasia, e seduza na sedução de o deixar a nadar em águas, sendo signo "aquário" no mais alto prazer o eleve em aventura e diversão em famigerado romance fogoso, estonteante seja a destilar labaredas de fogo!
Sonhador ama partir e chegar, no limite se perder em divagar a vida apaixonante e sempre feliz a saltar aqui e ali, a lembrar no relato conquistas, inexplicavelmente abre o gramofone armado de voz suave como se fosse a tocar piano...E me deleita também nesse viver!
"A namorada que um dia sonhei vivia perto do mar, na casa dela se ouvia estivesse zangado a barafustar... 
Recém chegado à sua beira de tão saudoso desejo de a possuir "não desgrudava de a comer com o olhar " mas logo o instinto pedia para de mãos dadas e chinelos nos pés subir ao fundo da courela pelo carreirinho de cabras a saltitar caganitas encosta arriba, para no alto a olhar resplandecente coberta de céu  com a brisa de mansinho sentida no corpo, apesar da nortada , enfim sós, abraçados no desafio em deslumbre do amor, imbuídos e perdidos, loucos prostrados a contemplar o oceano, na nossa frente vasto, imensamente prata, a imitar escamas de sereia efeito dado pelo encadear do sol à tardinha, cenário de puro manifesto que se mostrava demoníaco e desafiador, além de medonho, me incitava ao desnorte de loucuras tamanhas...Dei comigo a inspirar golfadas de ar puro, e de pulmões sadios, atiço a minha amada na fuga a caminho da duna, e em pés descalços estatelado no areal, onde jamais se fazia rogada, caída no meu abraço em rebolo a rebolar, no findar tamanho reboliço, de pés a banhar ondinhas frescas em risos francos, amantes, o clímax de tamanha fantasia de adolescente, em corpos de gente feita!
Sacudido o grãozinho de areia enfiado em sitio proibido que incomoda, fazia-se chegar a hora do regresso a casa, para o regenerador banho de chuveiro de água tépida aquecida pelo sol no tanque altaneiro, abrigado no jardim com a trepadeira -, de corpo nu vestido de avental mal a noite se avizinhava acendia o fogareiro, ela desfilava em biquíni a tirar guelras ao peixe -, jantar sempre a dividir tarefas, com mesa posta no jardim à luz de velas, espalhadas por todo o lado em clima romântico com o candeeiro de três lumes a alumiar a noite escura a quebrar o luar negro deste paraíso plantado a oeste, onde só pirilampo e luzicus se viam emanar luz ao lusco fusco, sendo o nosso gosto, ainda trabalhar noite dentro na contraluz seja mitigar carícias seja de novo despontar  ardor mais uma vez !
Havia vezes que o cafezinho se saboreava nos sofás de paletes azuis da cor do mar forte e bravo na fofura dos almofadões macios debruados a mantas de trapos que foram da sua avó, ambiente sedutor a lembrar as arábias, pelas altas cortinas transparentes vindas do telheiro na proteção de mosquitos, bicharoco que o calor arrebita e se mostra perturbador, sendo que nós não queríamos ser incomodados com outros ais...
O desejo de fazer amor aconteceu em recantos onde se via do chão, o azul do céu e no ar pairava cheiro forte a trovisco, arruda, rosmaninho, esteva, alecrim e camarinha de cachos cheios de bolinhas opacas ...
Parados e mudos tanta vez fincados a olhar o mar, ainda assim sedentos de amor comichoso com a comichão das formigas,  no seu lavouro o jeito de andar no verão, enquanto as cigarras só cantavam, já nós no deleite destemido no estrago de seus caminhos onde desfilava o vaivém de filas enfadadas, para cima e para baixo de avelhentas formigas a sabanicar com alimento preso nas garras da boca sempre em passo apressado, se mostravam apenas presentes no intuito de arrecadar provisões, já nós a desfrutar prazeres carnais...Grande ensinamento deste animal tão pequeno!
Esfregaço sério aquele de afastar formigas no meio de risos em nos despir sempre atabalhoado...Não fosse o corropio de aves gordas no céu em voo rasante a controlar o seu espaço que não queriam invadido, mais pareciam águias pelas garras, seriam gaviões, e atrás vinham outras de porte pequeno e ar gracioso, como nós, no mesmo brilho, doçura e elegância, as andorinhas do mar...
Partimos de mochila às costas na descoberta de ruínas de moinhos desertos perdidos nos morros, na perpétua deixa de o marcar de beijos e caricias para partir na esperança de encontrar qualquer coisa velha, e no lamento constatar nada haver de espólio, apenas pedras soltas, acontecia muita vez o pôr-do-sol neste cenário idílico, extasiante estando prostrados  no monte de pés fincados a mirar o horizonte que se fazia a tons quentes matizados em laranja avermelhado salpicados de ocre, a lembrar África que no embalo me seduz a viagens, no gosto de conhecer outras paragens e em ser imortal!
A pequena janela na cimalha do moinho já sem portada de vidro, nem meio para a escalar, apenas restos da haste de madeira seca e carcomida do mastro da vela ainda hirta no firmamento, de tão bela assim nua, a distingui mas mal me encostei no abraço, se partiu e num ápice me vi caído no chão debaixo dela...Depois de ver e sentir tudo em delírio por dentro e por fora, queria ainda mais, fosse o enjoo de tanta tarte de pêra rocha maçã riscadinha e de ver por tudo o que é canto souvenirs das Caldas... Fatigado e sedento de mais sonhar e ter. Um dia despedi-me! 
Na mente sentia partir em nova viagem para parar desta vez no norte, junto ao Minho na beira do rio. Na semelhança, a mesma força brutal das águas -, sei que preciso delas para me aquietar fosse pelo grande estuário, e pelo barco que ela pilotava, agraciado deleite jamais vivido na grata e forte emoção, assim só comungada na banheira com espuma e sais a beber champanhe, e aqui neste meio salpicado de gotículas grossas de sabor a sal, no delírio a aventura a testar frenesim e adrenalina na louca excitação que me colmatava de soslaio!
Maravilhoso a sensação de atracar na ilha no Forte da Ínsua onde mirei cada pedra, senti a água a bater forte na enseada, no melhor a sensação de estar a desafiar a fronteira, num pulo já na Galiza no prazer de degustar travessas de mexilhão e beber taças de vinho verde, e redescobrir Santa Tecla de novo...No tino a bater a ferro e fogo experenciar "tirar os três" no barco ao luar, para depois relaxar de barriga para o ar de ancora presa a descobrir no céu a Ursa maior e a Cassiopeia...Imprevisível a vontade intrínseca de me agradar esta mulher, sentia a satisfação de a ver partir rio acima até Monção, para se degustar um arroz de lampreia, e depois passear a deambular pelas ameias do castelo em abraços a desafiar turistas e a espreitar o rio e o barco no cais. Ainda na primavera perto da raia espanhola atracou o barco num ancoradouro frágil de pescadores que servia também a hospedaria de turismo rural, casa encravada na encosta de xisto com leirões de vinhedos, defronte as águas calmas onde só se ouvia o bulício dos pescadores e de cães negros Castro Laboreiro, na guarda dos domínios do patrão. Havia vezes que me levava a lançar redes para a lampreia, sável e salmão...Confesso quando vi uma lampreia viscosa me lembrou uma cobra às voltas enrolada na rede, assustei-me, mas fingi que não... Mulher firme de punho e saber na arte da cozinha, manhoso o seu jeito de arranjar peixe e apresentar comida farta e saborosa, grato o encanto ao jantar na casa de praia de Moledo, na varanda envidraçada defronte do mar, cenário de abrigo romântico enfeitado com estrelas-do-mar, conchas e búzios sendo o jardim protegido da brisa pelo Pinhal do Camarido, no contraforte a miragem do moinho que já não faz rodar Mós, estando neste agora na Mó de baixo, a engrandecer a paisagem, e nas noites brandas e quentes saiamos de mãos dadas na direção da vila, a pensar se o maestro Vitorino Almeida já estaria de férias na estância, na deixa tomar café na sua companhia, porque conversa aprazível de cultura é sabido ser homem de enciclopédico saber!
Mas era muito, muito longe para se amar, chegava estafado e cansado apesar do bom carro a conduzir na autoestrada a mais de 200, eram multas, tanta multa paga...A vontade de estar na sua companhia, de a sentir e de amar, sentimento forte acometido no trabalho que me deixava confuso e de mente quente, nem o bom senso era mediador, perdia rápido a estribeira na desarvorada partida, só ao meio do caminho ao parar para alívio de secura fosse a beber ou verter águas, sentia tamanho fatal destino...A necessidade de a amar!
Paixão louca desenfreada deixou-me perdido neste norte completamente sonâmbulo...Mulher vistosa e alegre, atrevida e fogosa, expoente da verdadeira minhota, que me ofereceu um Lenço bordado dos Namorados, artesanato vivo na sua região, por si bordado no recado da oferta, ainda abençoada de carnes e demais atributos, uma deusa, sábia, divertida e influente, com grande força de vontade, e jamais uma mulher que discutia questões de princípio, por isso durou tempo até acabar!
Mas de um dia para o outro aconteceu, porque me fartei sempre do mesmo queijo, presunto e azeitonas!
Descobri o meu poder pessoal para prevalecer a minha vontade com mestria, fatalmente finada sendo abençoada pela experiência! 
Sabendo que qualquer um tem coisas boas e más guardadas dentro de si (o nosso anjinho e diabinho), o importante é saber distingui-las, para as poder aproveitar ou melhorar, no que ainda está por vir.A sorte foi minha companheira nesta lide de se abrirem novas portas neste campo sentimental, a minha vida nunca foi monótona nem rotineira, antes sempre agitada, com forte dinamismo na grande vontade de seduzir.Esfrego as mãos de contentamento por sentir que a vontade de amar prevalece em mim, embora sinta fortes puxadas de adrenalina que já me estão a causar distúrbios no sistema nervoso e dores de estômago nesta indisposição de amar e querer ser amado!
Na verdade nem sei bem o que cansou esta verdadeira loucura de vadiar tão a norte a pensar no desnorte de assentar arraiais mais a sul, fossem os gastos e os quilómetros... 
Quase inexplicável assim aconteceu. Há muito a meu lado, nem dava por ela por ser discreta, de estar pacato e de carater sensível não se revelava em manifesto seduzir. Degastado por falta de amor até ao dia que o seu sorriso doce nas palavras trocadas aguçou o apetite de a descobrir, seria mulher enigma, de cariz sério, reservada quiçá fogo -, senti que tinha de ser minha, sem perda de tempo no final desse dia no meu hábito irresistível lhe dirigi convite para sair, logo aceite sem delongas em sorriso rasgado ainda que enigmático. Foi uma agradável surpresa. Nessa diuturnidade o tem sido desde que estamos juntos. Divinal enlace de namoro, pelas cumplicidades, a fazer as mesmas coisas que fazia com as outras, mas de maneiras diferentes. O peixe grelhado comemos no restaurante, as coisas velhas que gostamos, compramos nas feiras e antiquários, as viagens e os passeios são sempre a dois, e o que gostamos de fazer faz-se em casa, pousadas e hotéis...Sabes que mais minha amiga? Nunca me senti tão bem, feliz, inteiro e completo em família!
Olha ainda sinto o tamanho potencial, acreditas que também nasceu a ver águas cálidas do Mondego a transbordar em cheia, sendo abençoada de cariz límpido e transparente como as águas puras vindas da Estrela apesar dos afluentes, ainda assim se revela companheira, amiga e amante -, neste agora as águas que preciso e me bastam, para navegar em calmaria, descansado e feliz!
Sinto que a estou mesmo a amar! 
Ainda assim algumas carências, colmatadas noite dentro com chocolate preto para não engordar...Ainda não se fartou de pastéis de feijão, um bom prenúncio de calmaria...No remate a lembrança do conselho " cuidado com a ambição, ao limite poderá levar por caminhos pouco luminosos neste continuado querer a desfrutar famosas tentações…"
Em glória este D Quixote se revela homem de autenticidade, ao invés do real da história que só lhe deu vontade de partir depois de muito ler sobre heróis-, abençoado de alma alentejana, herói no prazer de amar incessantemente mulheres.Refinado gosto, o fruto do risco viver intensamente a paixão!
Sem medos ninguém jamais negue se abrir a esse continuar a novas possibilidades de amar e ser amado!
Se a vida presenteia que haja muito homem e mulher nessa tamanha vontade, que seja devorar de prazer ao jus do verdadeiro romantismo, sendo felizes -, e na idade farta já de cabelos alvos e de pouca força muscular no restolho ao homem, seja o voltar a saborear rebuçados de ovos...Porque as mulheres essas não envelhecem, só enrugam, ainda assim trémulas, sintam prazer seja a tirar devagarinho o papelinho de seda do rebuçado no sonho de ambos que se derreta  na boca de enamorados, e brilho nos olhos ... 
"Oh cuns diabos o caracho da porra do alerta" -, cuidado com os diabetes, nessa altura de vida, não querem em muito corpo sentir sequer o doce! 
Clímax seja o reviver memórias com cheiros às flores da duna!

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