quinta-feira, 3 de julho de 2014

Quinta de São Lourenço no Vale de Palença no Pragal

Para se descobrir a Quinta de São Lourenço  no  Vale de Palença no Pragal, tem de se descer a encosta da arriba da Caparica, sobranceira na margem do Tejo onde teve, não sei se ainda tem uma pequena baía de praia e ancoradouro com túnel . A beleza do lugar é perturbada pelo complexo da antiga empresa Tagol, elemento dissonante na paisagem  pela adulteração e perturbação visual dada pela altura da estrutura, das cores fortes, e do meio envolvente com a entrada e saída de camions  em constante tráfego.
Obra é aventura de se atrever a descer em caminhada -, o que fiz com o meu marido pela estrada larga, não marcada, ladeada pelos campos das antigas Quintas do Pragal expropriadas, que na paisagem se mostram de canaviais a perder de vista induzindo a falsa paisagem "Bocage" . Neste agora resistem uma maioria de residentes afro e outros vizinhos, que sobrevivem no amanho de hortas que proliferam neste agora de recessão a cada dia mais extensas por todo o lado, apesar da terra argilosa, sem contudo terem água, apenas poucos poços ainda ativos.

Homem que cortava canas para fazer uma vedação  numa horta, quando passei  na volta já ia com elas de rojão a puxar por elas ...

Muitos camions estacionados ao longo da descida na espera de entrar para a antiga empresa Tagol-, o certo era terem um parque no sopé da encosta (?).
A empresa sita a nascente com frente ribeirinha na margem do Tejo de paredes meias com a Quinta de S. Lourenço a poente.


O Instituto da Qualidade altaneiro  em contraste com a Quinta de São Lourenço ao fundo  da arriba da mesma encosta


Casebres  de lata  com madeiras e lixo escondidos pelos cantos pela vegetação e silvedos

Hetares de terrenos em descampado a perder de vista  pelas encostas...Outrora cobertas de vinhedos e de trigo.Hoje  votados em total abandono onde predominam canas, silvas, ervas daninhas, pragas infestantes à mistura  de árvores  de fruto, oliveiras resistentes e amontoados de lixos. Incultivo medonho, de dar dó, ainda encontrei hortas desirmanadas, semeadas em lugares recônditos por via dos roubos, que os há na hortaliça também! 
Ninguém olha para este abandono em total desespero! E o certo era alguém de olhão ver e atuar! 
Se houver vontade e empenho em gente com visão o poderia voltar a ser produtivo com a plantação de vinha, porque pessoal para trabalhar sobra neste aqui, com tanta gente a precisar de emprego e outros que sabem ainda do cultivo da terra. Assim de novo seria um regalo apreciar as encostas ligeiramente aplainadas se voltarem a vestir de roupagem de cepas mas desta vez ordenadas, modernizadas com vedações sem magoar a vista, o mesmo em infraestuturas de apoio, no auge uma adega vinícola, com escoamento para o Tejo no Vale de Palença, junto da antiga fábrica de tijoloe para a ponte 25 de abril, norte e sul-, lugar de eleição sem dúvida.
O Pragal merecia esta atenção especial  ao fazer deste local o renascer das cinzas, na vaidade e vontade de vencer e voltar a brilhar com produção vinícola e empregabilidade para rivalizar com o Douro vinhateiro, que a cada dia dá cartas! 
Isso sim a maior conquista de Abril, na margem sul, aqui no Pragal defronte de Lisboa tão mal tratada! 


O muro de pedra julgo seria da Quinta de Santa Rita pelo enfiamento , sendo que foi cortado para se abrir a Avenida dos três Vales, de ligação ao Bairro do Matadouro. 
Já onde se encontra o casebre de lata seria a Quinta  das Casadas de Cima-, o que resta o nome na rua da frente. 
Supostamente também a Quinta de S. Lourenço foi expropriada, a fazer fé do que nesta zona aconteceu em 71, desde a arriba da portagem da ponte 25 de abril no Pragal, até ao Porto Brandão.
"Imóvel protegido de interesse público, decreto nº 28/82, DR 1ª série nº 47 de 26 de fevereiro 1982.Obras de restauro efetuadas pelo IGHAPE (?)   em 1990.  
A Quinta de São Lourenço desenvolve-se num complexo  de arquitetura agrícola, maneirista e barroca. Casa rural edificada em formato "L" data provável de construção da residência no século XVII segundo uma inscrição numa pedra 1713. Tem capela integrada, antecedido por alpendrada, rasgada por escada de acesso, murada, assente em terraços ou patamares com degraus e comunicação inicial por ancoradouro fluvial (neste agora não sei se ainda?).Imóvel de construção seiscentista com arranjos no século XIX. Revestimento azulejar de grande qualidade iconográfica. No jardim vê-se ainda, meia desmantelada a bacia de uma fonte barroca, possivelmente quando esteve em abandono a tentaram saquear...

Adquirida pelos Condes da Cunha sendo da família até ao século XIX, cujo brasão se encontra sobre o portal de entrada, sendo 1742, a data inscrita no painel central que ostenta o brasão na sala de entrada; 1760 data de alguns painéis de azulejaria. No século XIX foram feitas obras de acrescento de um piso, e em 1996  a casa em total abandono com projeto do IGAPHE  que laborava estudo de recuperação…Acabou em 1998 por o imóvel  apesar de continuar público, ter sido cedido,em regime de comodato, à Associação Valdecor- Instituição Particular de Solidariedade Social onde funciona um Centro de recuperação de toxicodependentes."
 Planta do imóvel
"Casa de residência com um andar, ampliada à ilharga com um bloco de dois pisos, capela e instalações agrícolas, que delimitam um amplo pátio separado do exterior por portal de volta redonda rusticado em pedra encimado por pedra de armas, abrindo para o Tejo por murete com alegretes e bancos; uma alpendrada de colunas toscanas sobre estilóbata antecede a fachada da casa rasgada por vãos retangulares moldurados de cantaria; um portal com frontão triangular rodeado de vãos retangulares marca a fachada da capela. A fachada oposta da residência abre para um jardim delimitado do lado da encosta por espaldar de recorte contracurvado de acesso a um túnel, continuando-se para norte sobre plataforma e para este em patamares descendentes separados por escadas encosta abaixo.
No interior salas intercomunicantes abrindo para o pátio e jardim, todas as dependências da casa se encontram decoradas com lambris de azulejos de representações diversas, na maioria figurativos.
A capela de três naves, separadas por colunas toscanas, com uma tribuna sobre as laterais, e outra rasgada por arcos redondos na parede fronteira à capela-mor; lambril de azulejos barrocos policromados em todas as paredes do templo; falsa abóbada em madeira pintada e ornatos a estuque, sobre a nave principal; capela-mor coberta por abóbada rebaixada separada da nave por arco triunfal redondo sobre colunas toscanas. O jardim desenvolve-se em vários níveis, apresentando-se decorado por pequenos painéis de azulejos com motivos florais e uma fonte em mármore."
O meu marido a caminhar na rua  privada de acesso. 
Do lado esquerdo visível a mina de água meia soterrada com a subida do asfaltamento do caminho privado que era de terra batida, supostamente abastecia a quinta de água potável
Portal armoriado dos Cunhas
Antes das obras de remodelação o caminho
E neste agora ainda  a decorrerem obras
Onde se vê um carro estacionado  e o limite da estrada que desce a colina e entronca na antiga empresa Tagol, sobranceira ao Tejo ao fundo da arriba, mas antes à esquerda nasce a rua privada de acesso à Quinta de São Lourenço.
Do alto da arriba  oposta a foto  possível sobre a quinta de S. Lourenço
Imagens do abandono


"Recheio azulejar na sala de entrada com silhares em azul e branco com representação heráldica de 1742 e painéis representando animais, alguns refeitos recentemente. Na sala contígua com silhares em azul e branco com cenas palacianas e reviravoltas. A cozinha com azulejos de figura avulsa. A sala nobre com lambril azul e branco atribuível ao período de grande produção joanina com três grandes painéis representado várias caravelas, um estaleiro naval com uma nau a ser lançada ao mar (cortado por chaminé de lareira) um grupo de geógrafos e navegadores rodeando globos terrestres e experimentando instrumentos de medição da latitude pelo sol e vários painéis menores com figuras masculinas segurando de navegação marítima e na sala contígua à anterior silhares azul e branco com cenas palacianas. A casa de jantar com composição em xadrez recente e na pequena sala contígua à anterior cena palacianas com molduras rococó (1760/70), algumas refeitas na Fábrica Santana. A varanda alpendrada com composição em xadrez recente. Na capela silhar de padronagem na nave, figurativo na capela-mor, com cenas hagiográficas em azul e branco com cercaduras policromas (1760/70). Nas paredes da nave, sobre o arco triunfal e do lado oposto sobre a tribuna, duas cartelas rococó em estuque com figurações emblemáticas de S. Sebastião e S. Lourenço. 
No espaldar de acesso ao túnel, no jardim, um brasão gravado sobre o vão de acesso e uma lápide em latim datada de 1713."
Vista da parte ocidental de Lisboa, Alexandre Jean Noel, início da década de 1790

Palença de Baixo
"A melhor notícia de que dispomos desta fortaleza [fortim da Banática] é devida ao conde dos Arcos [D. José Manuel de Noronha e Menezes de Alarcão] que atribui a construção ao mandado de D. João III [que reinou de 1521 a 1577] e a localiza não na actual Banática mas sim em Palença de Baixo...
Duarte Joaquim Vieira Junior refere que "onde está a fábrica de tijolo — hoje é fábrica de guano — existiu em tempos um fortim que foi construído no reinado de D. João III, e do qual ainda hoje há vestígios, existindo os paióis de pólvora, que foram feitos sob a rocha, para o lado de leste, e que ainda no tempo de D. Miguel foi este artilhado e guarnecido até 1833 pelas tropas do usurpador".
Senti uma vontade louca e desenfreada de conhecer o espaço, mas fiquei travada à porta!
Segundos a pensar se me drogasse-, que nem sei bem o que isso é, porque jamais experimentei e nunca experimentaria-, JAMAIS dependente de coisa nenhuma, somente do amor, e desse ainda assim sofro por ser conservadora, regrada na solidão sozinha, apesar de acompanhada, como se fosse reclusa em convento...Vive em mim uma vontade de fugir e perder-me...
Não perdendo o fio à meada, ia dizendo-, se acontecesse neste local a desintoxicação, acaso fosse rica, sei que valeria muito a pena conhecer cada recanto, mirar as arribas, caminhar e deambular pela baía da praia nua de gente e sonhar assim despida  e de trajes, a contemplar o Tejo e Lisboa, pela margem  chapinhar nas ondinhas esbatidas nos pés, qual praia paradisíaca aqui  neste algures perdida...
Como sei amaria!

FONTES 
Informação e algumas fotos cedidas dos endereços, que agradeço a disponibilidade da partilha
http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=2141
http://almada-virtual-museum.blogspot.pt/2014/04/palenca-de-baixo.html

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