quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Festas de Ansião o cortejo alegórico do povo como ex -libris

Este ano com a comemoração dos 500 anos do Foral Manuelino

A concentração dos carros do cortejo acontece há anos a sul, na sala de visitas da vila de Ansião na estrada de Alvaiázere, ao Ribeiro da Vide, junto da casa da minha mãe
DESFILE
Lagarteira
Apresentou um alambique a destilar aguardente de ameixa burga típica na região.
O alambique apresentado no carro é  típico no Algarve, composto de caldeira (ou cucúrbita), cabeça (ou capitel), serpentina e um recipiente onde circula a água que vai refrigerar o sistema.Esqueci-me de perguntar a lenha utilizada se azinho ou carvalho.
A cabeça é feita em aço inox e a caldeira em cobre, sendo vulgar encontrar um filtro entre estes dois componentes, de carbonato de cálcio, caso se pretenda atenuar a acidez, ou de carvão natural ativado,se houver aromas a retirar ao destilado.
    http://tovi.blogs.sapo.pt/tag/aguardentes
O sistema de refrigeração pode ser um tubo rectilíneo (sistema usado em Monchique) ou uma serpentina (em uso na serra do Caldeirão), sendo o primeiro sistema óptimo para se efetuar a limpeza (e consequentemente obter aguardentes com menos teor em cobre) e a outra solução a que nos dá a refrigeração mais eficaz e com menor perda de aromas.
Dizem os entendidos que uma forma de tornar mais agradáveis as aguardentes de frutos é adicionar ao fermentado substâncias aromatizantes (bagas de zimbro maduras, casca de laranja, funcho e erva-doce) conseguindo-se assim ocultar defeitos de produção.
Na segunda metade do século XX vulgarizou-se no Algarve o alambique de dupla coluna (sistema de arraste de vapor – entra por uma das colunas que contém massa acabada de destilar e depois passa à massa da outra coluna) permitindo assim não só um processamento mais rápido mas também a destilação de mais do dobro do volume de um alambique tradicional.
Durante a recolha do destilado temos inicialmente a “cabeça” (a rejeitar por conter excesso de composto indesejados), depois o “coração” (a fracção bebível da aguardente, ou seja, 75 a 80% do destilado) e finalmente a “cauda” ou “frouxo” que normalmente se utiliza para adicionar à destilação seguinte.
Ora demasia de labuta a destilação-, logo eu que cheguei a pensar este ano experimentar fazer de medronho, por os ter em abundância...Julgo que na região os particulares só usavam alambiques com serpentina e cuba tudo em cobre.

  • Aquecimento com lume direto, arrefecimento da destilação através de tubo de cobre mergulhado em água fria corrente, contida em recipiente de madeira e recolha da aguardente em cântaro de barro. 
Aguardente de ameixas que muitos, e eu chamo de abrunhos-, os homens da Lagarteira chamam-lhe burga (azuis e amarelas), crescem por toda a região fértil de terrenos argilosos que se multiplicam,em miúda ao cimo do quintal dos meus pais na extrema com o da minha tia havia uma  raquítica onde prendiam o arame de estender a roupa, os dava amarelo/esverdeado, saborosas,  tantas cortei desalmadamente este agosto na Moita Redonda, uma praga!

Alambique que se prese tem sempre fregueses que  levam avio de casa para a bucha: batatas  que assam em colar de arame, o mesmo as cebolas, e umas postas de bacalhau no brasido que se come na bela bacia "ratinho".
Ao Ribeiro da Vide bebi um pixel de aguardente de ameixa acabadinha de sair no púcaro de barro-, o  bom homem despejou para o outro púcaro mais pequeno e deste para o copo
Rapsódia que estes homens me contaram que a viveram nos anos que foram às ceifas a Évora, de onde picavam do "ratinho grande, palangana, aqui chamado de barranhão".
  • "Olha o Ratinho dum cabrão, desce do carro, salta o balogueiro(ribeiro) pega num pau furado na ponta sempre tocado a maibem, o Ratinho dum cabrão" ...
Na Praça do Município muitos foram os que também  provaram a aguardente 

No final na Mata o carro em exposição
A carroça com os arados e charruas para as lavras das terras
Avelar
Apresentou um carro colorido em forma de ferro de engomar .
Presenteou  brilhantemente o tempo áureo dos lanifícios que na vila proliferam, a fazer eco ao futuro Museu, cujas peças em mostra, supostamente irão integrar o espólio-, só a mesa se mostrava desadequada,a meu ver deveria ter sido em madeira, o certo. 
Belos trabalhos criativos em novelos de lã
Os belos xailes  franjados  usados pelas tricanas de Coimbra
O farrapeiro andava a comprar farrapos pelas aldeias
Não faltou no bico do ferro a alusão ao Forno da Senhora da Guia, no corpo do ferro, o pequeno tear, a máquina de costura, o espelho, o manequim a mesa de corte, não vi a tesoura...

Vale Florido
Aldeia de uma das avós do escritor Fernando Namora onde passou férias e num livro escreveu memórias

Tema do carro-, aromas da terra com as plantas aromáticas para infusões de chás que crescem na região: Funho, hipericão,marcela, oregãos,erva de Santa Maria, e...
Cada cestinha de verga cheia de ervas de cheiros intensos somente a 10€...Não sei se venderam algum...
Pousaflores
Grande ideia das gentes das Cavadas da Macieira -, um trator,  cujo corpo nele fizeram um pipo com torneira, alegoria a um taberna tradicional de antanho.
Na prateleira não faltava loiça do Outeiro Águeda e uma bacia "ratinho" de Coimbra, enfusas das Caldas da Rainha, candeia , cabaça, o rádio, os copos, o alguidar, a réstia de alhos, e o ramos de louro pendurado-, sinal ainda hoje presente em muita taberna que se prese!
Torre de Vale Todos
Cozinha tradicional de antanho -, não faltou o forno, o fumeiro, a panela de três pés de ferro junto dos cavacos e do posseiro da munha, a arca da farinha, o alguidar e amassadeira, a peneira, as cabaças, oregãos, cebolas e alhos, a pá de enfornar o pão, a vassoura de urse, rematado no belo varandim de madeira, ricamente recortado, não faltava o garrafão de 20 litros de vinho e,...
  • O padeiro de bicicleta com os cestos  em forma de alforge na venda que o Presidente da autarquia o Dr. Rui Rocha, prontamente lhe quis tirar o protagonismo na teima de experimentar uma voltinha... Não faltou uma palangana de velozes de abóbora  para obsequiar os convivas na ousadia de lembrar outros tempos, no gosto de dar.
Lagoa Parada
A descamisada, o tema escolhido, não faltou a bela eira em pedra com a casita ornada com a trepadeira, a buganvília roxa e hera.Os utensílios usados e as espigas doiradas, algumas com belas tranças, não faltou o milho rei.
Esta foto vale pelo perfil do idoso de olho atento pois não viu a palangana(prato de diâmetro superior a 30 cm) do arroz doce, um uso nas grandes descamisadas nas Beiras no agradar o pessoal depois de acabada.
A nogueira, árvore que se dá na região de folha erguida, apesar do calor
Rancho Infantil das Serras de Ansião
Representou uma horta, como há muitos anos, mais de 40 a vila representou o mesmo tema com a minha prima Isabelinha Paz junto do poço a fazer de conta que regava-, cujo aro em cimento de fazer o poço na altura uma manilha larga...esteve no terreno defronte do Consultório do Dr Travassos ,décadas.
Desta vez o poçito feito em pedra da calçada larga, muito bem engendrado, a picota com o balanço onde não faltaram as pedras furadas a fazer de contrapeso, a barrica de madeira, a pia de pedra que deu trabalho a seis homens para a carregarem para o carro. Na horta havia pimentos, tomates, feijão verde, alfaces e abóboras.A ornamentação do carro com milho, estava um encanto de frescura.
Netos
Belas flores em papel cor de champanhe, que requinte numa alusão à réplica da aguarela abaixo retratada da Monografia de Ansião em 1669 da autoria do Padre José Eduardo Coutinho.
Parabéns.Belo tema, muito a meu gosto com comitiva à época de letrados e do povo na leitura do Foral. 
A réplica do Pelourinho a fazer jus aos artificies de alta qualidade nesta terra.
Alvorge


Recriação da Escola Primária com a Professora vestida a rigor, com a blusa de rendinha a debruar o pescoço, não faltou o mapa de Portugal e o das Províncias Ultramarinas, o quadro em ardósia com o giz e o compasso, o quadro do Presidente da Republica da época, o quadro da Mocidade Portuguesa, as carteiras e claro as crianças onde não faltou o recreio e as tropelias.
Santiago da Guarda
Chegou a tempo pelo contratempo, abalroaram um fio telefónico...Inadmissível as grandes empresas dos telefones e EDP que há anos descuidam os postes, altura dos fios , para não falar do sentido estético na paisagem, que não há nenhum, pois o descuidam completamente, apenas pensam em ganhar dinheiro fácil e com isso se vêem aberrações com cruzamentos de fios com barrigas, sobrepostos que de olhar até arrepia...
Um munho de madeira que roda consoante o tempo, típico na região.
A diferença de moinho e munho, o primeiro é feito de pedra e cal em formato redondo, o munho em madeira, de quinas vivas, uma casota,  assente em rodas de pedra que giram numa eira, também de pedra, com a ajuda de braços conforme o vento.
O ano passado com a minha irmã descobri a eira de um-, o que resta ,porque roubaram as pedras na Serra da Costa, aos Escampados, quando procurávamos as extremas de uma propriedade confinante, por estar selva, com altura de 3 metros, fomos em cima dos muros de pedra solta, um perigo sempre a balançar...aventura que deveria ter sido filmada...
O pé do munho, um morro na confluência de muros de pedra ao endireito da vila de Ansião, para que saibam que não só existiram na Serra do Anjo da Guarda, Outeiro e Melriça, aqui na Costa também, chamava-se MUNHO, assim reza na escritura, serventia com o Munho.
Tabelei conversa com o Presidente da Junta de Freguesia sem o saber na função, que na pergunta que lhe dirigi-, o que iam fazer com o munho, que a meu ver deveria ficar em local público em Santiago da Guarda-, responde no gozo, que seria para vender...logo se arrependeu, disse estar a brincar, que sim, seria essa a finalidade, a que o felicitei, ainda lhe disse que num cortejo há muitos anos com um coreto alusivo à Capelinha de S. Pedro em Além da Ponte, o então presidente da autarquia disse ao povo que o iriam repor no rio, acabando por apodrecer no estaleiro da câmara...
 
Banda Filarmónica de Herbach
Germinação com Ansião, convidados assíduos, adoram estas festas , gostam da região, da comida, sobretudo do cortejo -, o mesmo não vejo de "Santos"no Brasil  outra cidade geminada...

Filarmónica de Ansião com o Maestro Simão
Homem novo, dinâmico, de cariz de liderança, sempre de mãozinha no ar, a sua batuta.
Grupo Canto Firme de Tomar
Tudo correu dentro da normalidade à exceção da cena teatral encomendada, onde não faltava o Professor e ator, o nosso conterrâneo João Patrício de Lisboinha para fechar o Cortejo alegórico na companhia doutra amigo e colega o Dr. Manuel Dias, no tema alusivo aos 500 anos da atribuição do Foral com o Rei D. Manuel. Um imprevisto com uma falha na programação do aparelho de som, debalde na hora final, o grande contratempo, uma falha da música de fundo teimou se deixar finada e muda -, e assim sem o brilho real , não aconteceu fineza em glória de sangue azul!
O cortejo fechou com a corrida noturna de BTT
Fui a casa mudei de roupa porque esfriou, encontrei o João Patrício, alvitrou uma foto...diz-me ele olhando para mim..."ah agora estás mais baixa"...( porque o cumprimentei no final do cortejo de sandálias altas...

Na Mata não faltou a barbo do Zêzere, assado nas frigideiras negras das mulheres da Cumeeira, comprei um para matar saudade do sabor.

A Matriz serena às 11,30 da noite...não consigo de deixar de pensar nos silhares de azulejos mourisco árabes, substituídos em 1942 pelos atuais, que no tempo do Padre Filipe Antunes levaram sumiço...
A esplanada quase vazia...
O mote era a caminho da Mata
Espero que esta janela de avental ( pintada, mal se repara nela) enquadrada na Praça do Município, o novo dono não a destrua. Vamos esperar para ver!
Foi preservada em 2016.
Depois dos ranchos folclóricos, sobretudo o do Ribatejo, registei a minha mãe feliz junto da CGD
Sentados no chão para assistir ao espetaculo de Pedro Pais. 
Senti o recinto do antigo campo da bola alcatroado e a rampa de acesso -,deixaram um poste sem serventia ao endireito da rampa a estragar a imagem do palco, a erva mal cortada picava, as obras do muro na frontaria com a avenida -, uma ideia brilhante, seja pela visualização aberta para melhor segurança de todos os passeantes, o terreno não foi alisado, e devia.
O grande Pedro Pais ao vivo. Muita afluência de jovens, e miúdas atiçadas em "modelos", nem faltou o mágico Luís de Matos com a namorada, ou será companheira(?).
Muita gente a fazer filas para comer kebaz ...também experimentei e não fiquei fã.
Bebi licor de chicharo,  uma bifana no restaurante do Clube dos Caçadores, comprei um anel e uma cesta de cana à Flor da Bairrada.Na Escola E B Pascoal José de Melo, era um entra e sai de gente que se apresentou por convite camarário para comer à borla.Um medida acertada, que sai mais barata à autarquia.
Fiquei com vontade de dar um pezinho de dança...
Estou farta de ver património continuar a ser destruído, vandalizado e ignorado nesta terra!

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