quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Rico fausto redescobrir a vila do Espinhal

Sobre o passado desta terra cujo nome deriva supostamente do espinheiro? Planta que seria de grande abundância na região, espinhosa-, na antítese seja o valor patrimonial existente desde o século XVI a destacar; faustosa Igreja Matriz, Capela de Santa Lúzia e Capela de S. João Batista; do século XVII; a Capela de Santo Cristo, Capela de Nossa Senhora da Amparo, Capela de São Pedro, Capela de Nossa Senhora dos Milagres e a Capela de Nossa Senhora de Guadalupe; Casas Nobres dos séculos XVII e XVIII; Capela de Santo António do Calvário, século XVIII e Capela do Senhor dos Aflitos, século XIX; Cruzeiros e Fontes, bem como aldeias serranas, moinhos e azenhas de água, além do património natural, assente nas paisagens deslumbrantes do S. João do Deserto, Penedo Gordo, Pedra da Ferida (cascata com 25m), Represas Naturais da Louçainha, Ribeira da Azenha e Ribeira do Pisão, encosta do Trilho e Pé do Esquio, Fonte da Lapa, e árvores multisseculares como a Sobreira da Fonte da Rolha.
ESPINHAL
Fatal crescimento se deveu provavelmente à nobreza rural que por aqui construiu casas senhoriais para as suas famílias, entretanto ganharam reconhecimento e prestígio no despertar interesse de figuras ilustres nacionais, entre as quais o Duque de Saldanha, o Marquês Sá da Bandeira e D. Fernando II, alemão esposo de D. Maria II, que manteve estreitas relações com a família Vellasquez Sarmento ( durante o reinado de D. Sebastião, em 1557, veio residir para o Espinhal, D. Manuel Caetano Vellasquez Sarmento de Vasconcelos, ilustre personalidade que impulsionou a vivência do povoado).
Nobres que apostaram neste filão serrano de subsolo mineral na exploração de ferro e de cobre, cuja Fundição do Espinhal no reinado de D. Manuel -, por via dos descobrimentos marítimos ganhou honras de "Bens da Coroa" -, progresso que leva o Espinhal a ser menção em 1561, no mais antigo mapa de Portugal da autoria de Fernando Álvares Seco. Ao que se juntam os rendimentos auferidos das colheitas, de foros, como também das ordens religiosas, nomeadamente do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, que aqui recolhiam rendas e doações de propriedades. 
A prosperidade deste povoado provocou a sua elevação a aldeia, conforme se deduz do adágio do século XV, em que se afirmava "três aldeias tem Portugal; Fundão, Condeixa e Espinhal".
Celebrizada no painel de azulejo da Fábrica Viúva Lamego, a precisar de limpeza

Posteriormente, aquelas duas foram elevadas a Vilas e sede de Concelho. 
No término monárquico o rei D. Luís a elevaria a vila no século XX por decreto régio de 16 de Julho de 1906. Mas o Espinhal, apenas recebeu tal distinção, embora sem as prerrogativas de sede de concelho. Em consequência disso, acrescentaram ao adágio popular a expressão; "Mas agora, cada uma, de vila tem seu foral"... O século XVIII vincou a importância cultural e social do Espinhal, quando Dª Maria I aqui criou uma escola de ler, escrever e contar, pelo decreto de 27 de Outubro, chegando a haver um professor de gramática latina. Fruto desta iniciativa, foi Dª Palmira Filipe, umas das primeiras mulheres a frequentar a Universidade de Coimbra.
A família Alarcão terá vindo para Portugal aquando das segundas núpcias de D. Manuel I, em 1500; " Das nobres famílias que se fixaram nas quintas do Engenho, do Castelo, das Pontes, de Santo António e de Vouzela, descendem gradas personalidades de que se salientam: D. Frei Félix, Bispos dos Estados Unidos da América; Doutores Simão de Campos, João Rodrigues e Francisco dos Reis, graduados em Medicina; D. Vivente da Gama Leal, Bispo de Hytalónia e Sucessor do Bispado de São Sebastião do Rio de Janeiro; D. João Vellasquez Sarmento, Desembargador e Conselheiro da Fazenda; Viscondessa do Espinhal, Dª Maria da Piedade de Melo Sampaio Salazar; D. Luíz de Alarcão; Conselheiros Oliveira Guimarães, Adolfo Guimarães e Lobo do Amaral ; Doutor Luís de Oliveira Guimarães, entre outros ilustres, que perduram na memória de todos os espinhalenses.
Aqui por estas terras a  família Alarcão tinha uma quinta com cerejeiras, com portal e brasão que desapareceu julgo nos anos 70 -, supostamente viria a dar nome à aldeia que nasceu nas redondezas -, CEREJEIRAS, onde se come bom leitão da família Coimbra, que faço parte, descendente da serra da Nexebra, e numa tasca na saída sopa de ossos.
Cheguei a conhecer um velhote em Lisboa, sem filhos, aqui nascido, uma pena na altura não ter sabido histórias. 
Largo Alberto Monteiro na lateral os fontanários, e ao meio pedestal dos 130 anos da Filarmónica. 

A graça da toponímia na maioria em placas de esmalte em azul e letras em branco
 
 
Licenciado em Direito em 1923, o Dr. Luís Oliveira Guimarães, natural do Espinhal, exerceu a magistratura em várias localidades do país e foi secretário do Ministério da Justiça. Dedicou-se desde os tempos de estudante à literatura, publicando vários livros de prosa, poesia e teatro, além do jornalismo, que exerceu em vários jornais e revistas. Foi ainda colaborador da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira e foi o primeiro Presidente da Sociedade de Autores. Viveu quase toda a sua vida em Lisboa, visitando o Espinhal todos os anos por altura das férias de Verão e aproveitando esta ocasião para brindar os espinhalenses com peças de teatro representadas pela Companhia de Teatro Itinerante de Lisboa. Também durante muitos anos, o Espinhal era animado com a representação dos "Autos", Revistas e peças teatrais de sua autoria no Adro da Igreja e na Quinta do Castelo. Fundou com a sua família a Casa de Beneficência Conselheiro Oliveira Guimarães e doou o terreno onde está implantado o Jardim de Infância do Espinhal. Grande amigo da sua terra natal, cujos interesses sempre defendeu, deixou uma interessante monografia, "Espinhal - Vila da Beira".

Acolhimento turístico ao comércio local
 
A Ti Ernestina ?
A tasca de gaveto ao largo da feira desanimada com o fraco negócio  um dia destes fecha portas, dito da sua boca em jeito brejeiro!

Rua do Chafariz (1885) 

"Homenagem ao centenário Chafariz do Largo da Feira, local também conhecido por Largo da Fonte. Mas, o seu verdadeiro topónimo é Largo Alberto Monteiro, engenheiro da Direcção de Obras Públicas de Coimbra, a quem se deve o primeiro troço da estrada para a Castanheira de Pêra.

Construído em 1885, foi desde o início o local mais importante de abastecimento de água potável aos habitantes do Espinhal.Noutros tempos, à tardinha, ou de preferência à noite, era o ponto escolhido para os encontros de namorados.Ali, sentados nos bancos laterais, rapazes e raparigas trocavam juras de amor eterno, enquanto, incessante, o tempo corria, como a água cantante das bicas, que lhes matava a sede de água e de amor..."
Parede lateral a pintura da Gioconda...
O meu marido nem reparou nela...
Ruas desertas...
Incrível nesta terra viveu tanta família abastada, com boas casas solarengas , nem nesta época se dignam aparecer ?-, os criados hoje saem caros, e aquecer casario com tanto metro quadrado não será fácil, porque nem tudo o que parece confortável o é. Sei amaria ter sido descendente de uma destas família, jamais deixaria de aqui sempre marcar presença, e trabalharia incansavelmente, para manter a tradição de antanho, porque aqui tudo me parece a minha cara!
Igreja Matriz
Estacionado o carro partimos em deambulações
A igreja foi a primeira visita que havia de me deixar completamente rendida e extasiada fosse pela riqueza da pedra de Ançã, ricamente trabalhada, com retábulos tardo-renascentistas, de oficina coimbrã, seguidora da arte de João de Ruão. 
O portal da Igreja Paroquial de São Sebastião, ostenta data de 1886 sendo que a sua origem data do século XVI, seja fruto de uma possível remodelação?
Assim sendo me surpreende tamanha riqueza aqui ter sido mandada executar e dela pouco, quase nada se saber? Desses tempos de antanho pela demora de séculos em ser elevada a vila -, sendo que Ansião a escassos 15 km já em 1514 recebeu foral de D. Manuel, e o mesmo as Cinco Vilas na redondeza: Aguda, Avelar, Maças de D. Maria, Pousaflores e Chão de Couce, que ao tempo de importância não sei se teriam como o Espinhal, atendendo ao valor da igreja matriz na comparação com as congéneres, todas de menor riqueza e valor arquitectónico.
Largo da Viscondessa do Espinhal (1796 -1882)
Benemérita - Figura de referência na história do Espinhal. Contribuiu generosamente para muitas obras do Espinhal, designadamente no restauro da Igreja Matriz, doando os terrenos que hoje formam o Adro da Igreja -, Largo D. Luíz de Alarcão. O Rei D. Luís distingui-a pelos seus méritos, concedendo-lhe o título de Viscondessa do Espinhal. O Palácio dos Salazares na Lousã era sua pertença,onde hoje funciona o Hotel Melia. Ouvi comentar que uma sua descendente, possivelmente nem estará válido o título? -, vive na miséria?Lembrei-me de Mira, de uma história semelhante com um Conde, que doou tudo e acabou mal... 
Calçada do adro em ziguezague a pedrinhas a preto e branco
  
"Igreja tardo-renascentista e barroca, datada do século XVI. É constituída por três naves e por duas capelas nos flancos. Destaque para a sua torre e para o conjunto arquitetural da cabeceira em pedra lavrada da renascença coimbrã."
 Três mulheres sentadas no banco lateral da igreja ao sol a quem enderecei Bom Ano Novo
"Planta longitudinal, composta, de três naves e cabeceira tríplice com mais duas capelas nos flancos, no primeiro tramo, a jeito de transepto, sacristia e anexos; volumes articulados, com predomínio da horizontalidade, tendo como contraponto vertical a torre sineira, à direita e recuada da frontaria; coberturas exteriores diferenciadas em telhado de uma e duas águas. 
No interior, três naves divididas por arcadas de cinco vãos, sustentadas por colunas jónicas monocilíndricas sem pedestais; pavimento e tetos de madeira. Capela-mor retangular, com abóbada redonda e retábulo de talha dourada, com colunas e arcos torcidos, de pâmpanos e camarim fechado por pintura de São Sebastião; as paredes decoram-se com 8 telas com os Doutores da Igreja e subpostos a eles os Evangelistas, de menor tamanho; uma grande pintura evocativa do Aparecimento de Cristo à Virgem domina o arco da entrada. Aos lados, integradas no conjunto arquitetural, abrem-se, em arco triunfal, duas capelas, de paredes azulejadas de enxaquetados, cúpulas de quartelas de pedra e retábulos do mesmo material; os arcos, de grande efeito estético, surgem enquadrados por dois nichos com esculturas, decorados por querubins e medalhões nas cantoneiras e rematados por frontão de edículas desiguais. As capelas dos flancos mostram aberturas redondas mais simples."
  
Presépio  da região, não faltam as eólicas, feito com cortiça na entrada no lado direito
 
Fascinada com as cantaras, os estuques, os tetos da capela mor em círculos
 
Púlpito com a Cruz Templária
 Altar no lado direito
"Aos lados da igreja, integradas no conjunto arquitetural, abrem-se, em arco triunfal, duas capelas, de paredes azulejadas de enxaquetados, cúpulas de quartelas de pedra e retábulos do mesmo material (talha dourada); os arcos, de grande efeito estético, surgem enquadrados por dois nichos com esculturas, decorados por querubins e medalhões nas cantoneiras e rematados por frontão de edículas desiguais. As capelas dos flancos mostram aberturas redondas mais simples."
Painel alegórico num dos altares com azulejos de caixilho, do século XVII e painéis com anjos orantes e custódias.
Altar mor
 
A Capela lateral da esquerda
 
Outro altar lateral na esquerda
Presépio pequeno na igreja na esquerda

Batismo de S João
Interessante as estatuetas julgo em bronze , lampiões, na entrada e no altar mor, não sei de origem da igreja ou oferta de algum nobre proveniente dos muitos solares existentes na vila.
 Pia de água venta e o chão em mosaico cerâmico preto e vermelho
Ainda ficou por fotografar no tardoz uma escada que deve dar para a torre do relógio, só a vi na saída, mas de carro...
O portão na lateral da igreja
"Alminhas"
Encontram-se algumas espalhadas pela vila , no mesmo mote painéis de azulejos, alusivos a "Santos" nas fachadas das casas.

Solares e casas burguesas, de belos beirados, grades e ostentação de datas, coisas que gosto.Ficaram outros por fotografar, para despertar a vontade de também aqui virem conhecer.
 
 
 
O nome da Rua do Castelo implícita que aqui tenha existido algum castelejo? Ou então seja esta casa alta com gradeamentos em ferro que o povo apelidou de castelo por ter sido cadeia ou...
Património em aparente ruína e abandono
 

 
Capela Datada de 1893, em aparente abandono, merecia ser recuperada, não sei o orago. 
Aliás muito me surpreendi pela negativa o património religioso da vila. Porque ao tempo os particulares quase que construíram dentro das ermidas-, vejam-se os tardoz da igreja e da capela.
Património de cariz elevado que se apresenta em declínio e mau estado, como esta capela , já na matriz há paredes em certos sítios com musgo, resultante da infiltração de humidades? No cadeiral reparei num pedaço de madeira desagregada, não devia antes que se perca do seu legítimo lugar. 
Seria importante alguém de direito na pessoa do pároco interferir junto do Bispo de Coimbra para limpeza e restauro deste património sendo devidamente supervisionado -, pois a igreja merece a meu ver um programa na RTP 2 "Visita Guida conduzido por Paula Moura Pinheiro" que muito dignificaria a vila, e o reconhecimento patrimonial.
 
Esmoliadeiro de Santa Luzia em ferro no muro de suporte da capela, e miradouro do adro com penedo escavado em formato de banco
 Do adro da capela as vistas sobre a quinta do solar dos herdeiros de Oliveira Guimarães

" Rua António Neves Loureiro (1848 - 1928)Benemérito - Veio de Pinhanços, sua terra natal, para o Espinhal, como caixeiro da loja de Aires Quaresma.Prosperou e acabou por se fixar por conta própria em 1875. Fundou uma das mais importantes lojas de comércio do Espinhal cuja fama extravasava as fronteiras concelhias.De baixa estatura, conta-se que mandou construir a casa mais alta do Espinhal por uma humilhação recebida do patrão quando pretendeu casar com a sua filha, com o seguinte comentário: "casar com um homem tão pequeno que ainda por cima mora numa casa que nem se vê!...". Vingou-se, não casou, solteiro e apaixonado ficou, mas cumpriu uma jura: mandou construir no Espinhal um "arranha céus".
Em 1927 fez uma importante doação à terra que o acolheu e lhe deu fama e prestígio. Doou à Igreja a casa e o quintal anexo que é hoje a residência paroquial."
Supostamente será esta a casa?

Independentemente dos dados históricos aflorados, outros se juntam como os vestígios de uma calçada romana, mas não sei o seu local, do possível trajeto de passagem das tropas romanas que se instalaram na Lomba do Canho, em Arganil, e em Bobadela. Aliás, um mapa do Séc. XVIII, faz transparecer que o imperador Júlio César, em 61 a.C., não utilizou a estrada de Coimbra, mas outra mais interior. 
A via romana se bifurcava depois de Conímbriga, na zona do Rabaçal: uma seguia por Santiago da Guarda no concelho de Ansião, e outra na rota mais a nascente pela Venda dos Moinhos, Espinhal, com troço catalogado na Tojera no Avelar, também do concelho de Ansião, com seguimento para as Vendas de Maria e outras povoações até Tomar.
A existência de um documento refere uma vinha pertencente a uma herdade, de 1219. "Nesse dia, João Dinis e mulher, venderam a Domingos Lourenço e mulher, todas as suas vinhas na Leiga de Adpsiote, Espinhal".
E cópia de um outro documento de 1842, menciona a existência da Ponte do Espinhal, em 1242, que atravessa o rio Dueça, ligando a povoação de Penela a Coimbra por Podentes.
Vila de ruas vazias, pouca gente apesar da publicidade...
"Tarde bem passada no Espinhal.
No dia seguinte ao passeio ao chegar a casa da minha mãe logo me surpreende com umas folhas escritas sobre o que sentiu neste alegre passeio...
Não resisti a transcrever as suas emoções, afinal tão semelhantes às minhas…

"2 de janeiro de 2015
Ao acordar neste primeiro dia do ano não previa que pudesse saborear de um passeio tão agradável como o que partilhei com a minha filha Isabel e o marido, no destino à vila do Espinhal, no concelho de Penela, a ideia partiu da minha filha Filomena que nos tinha informado sobre os vários presépios, e a exposição alusiva aos Correios, em que participou no empréstimo de objetos, já em desuso.
Tomamos um dos caminhos que mais gosto pela Lagarteira a caminho de Chãos de Ourique, para logo divagar onde provavelmente aconteceu o palco da batalha de Ourique onde gosto de avistar a paisagem árida dos outeiros em cone do Rabaçal no contraste com o morro da Ateanha, que na surdina escondem a aldeia de Aljazede, paisagem surreal que se confunde num místico de beleza incomum e selvagem, pelo contraste das dolinas cársicas, e dos verdes do pinhal interior, que nas Talíscas se avistam pela frente com a serra de Nossa Senhora do Amparo nos costados da Lousã, e das serranias das faldas da Ribeira d'Álge e Figueiró dos Vinhos também a perder de vista.
O movimento na estrada se mostrava em calmaria, o mesmo das eólicas nos cumes do Rabaçal, rota em velocidade de cruzeiro por causa dos limites de velocidade, um pulinho para chegar em glória à vila do Espinhal, após termos saboreado um apetitoso almoço cujo prato principal foi um arroz de cabidela com frango da minha capoeira, e um bom pudim de abóbora com coco.
Vila que já conhecia em parte, pois no meu tempo de profissionalismo aqui fiz trabalho no Posto de Correios, mas sempre em tempo limitado, só na parte de manhã porque de parte partia para Penela para acabar o dia de serviço. O que não me deu oportunidade de conhecer na íntegra esta localidade, daí a minha agora admiração d' hoje. 
Subida a rua principal para se estacionar junto e um pequeno parque circundado a grandes plátanos , com gradeamento e desafogadas vistas, para o rasgado e profundo vale em pradaria de quintais muito verdes e bem cuidados."
Muita parede a precisar de cal...
Bairro Verde

Obra emblemática do Prof. Dr. Bacalhau nos anos 60 na estância erudita de luxo, mas faltou-lhe capacidade financeira...
A primeira vez que visitei o local ainda era assim
Não sei o pilar de remate  de acesso aos sanitários é de origem, ou se foi desviada da obra acima...
O mesmo dos vasos gomados que ladeiam os pilares da entrada do portão e doutros quadrados no jardim revestidos a azulejos, porque a antiguidade deles nada tem haver com a idade da vivenda, a meu ver.Após a morte do médico muito espólio foi saqueado do local que tinha vindo de várias demolições e também do hotel Avis, onde o Calouste Gulbenkian vivia em Lisboa.
"Grande beleza em redor, no alto da Capela de Santo António do Calvário com a via sacra, por segundos teimei divagar o olhar pelo casario branco e perder-me no prazer de aqui gostar de viver e morrer!"
Ladeira do Calvário
"Pelas ruas encontrei desfile de bonecos em tamanho normal, figurantes vestidos à quadra natalícia.
Constatei um presépio encantador, simples, artesanal, mas muito bem conseguido com muita arte e naturalidade."
"Deparei-me com o rebate da porta entrada da igreja em meia-lua, e no adro calçada artística a pedrinhas a preto e branco de onde partem três ruas, sendo que uma nos leva a conhecer casarios de muita envergadura em traça antiga, mas que bem se enquadra nos tempos de hoje; observei uma casa enorme com gradeamento simples que na minha curiosidade fiquei em saber a sua função no passado, quem sabe aqui funcionou uma cadeia? 
Gostei de ver o Lar para idosos de cariz moderno em local aprazível.
Mais à frente uma quinta enquadrada na Rua do Castelo, em muito bom estado de conservação com altos muros e resmas de pilares de pedra onde antigamente talvez fossem servidão de suporte a latadas."
Imponente CASA NOBRE enquadrada no que se chama a Quinta do Castelo do Epinhal, de grande fachada brasonada mandada construir em 1770 pelo desembargador Manuel Pereira da Silva Caldas, pertença actualmente dos herdeiros Oliveira Guimarães.
Na parte térrea onde entrei apreciei a exposição alusiva à temática dos Correios do meu tempo de profissão.Reconheci o relógio da Reguladora e as badaladas à meia noite quando o turno acabava, a placa do posto público,o PBX,o telefone de manivela, a caixa vermelha do CORREIO, os selos, as malas de cabedal dos carteiros, a corneta, a balança, o carimbo e,...
Em 30.06.1906 foi a inauguração da estação telégrafo-postal.
Paralelamente havia um presépio com figuras de homens e mulheres nos seus ofícios
Ao lado decorria outro presépio pago em articulação com o de Penela.
Ao reconhecer os objetos que a  minha irmã  cedeu temporariamente para a exposição -,  o disse ao rececionista, parte no imediato para a porta perguntar o nome dela à colega que apanhava sol " olha lá como se chama a senhora a quem pedi um autografo...diz-lhe ela é Filomena"...
Rendida às pias de cerâmica provavelmente  feitas em Miranda do Corvo na aldeia de Carapinhal onde desde o século XVI houve oleiros de loiça preta e, vermelha.
Leite de Vasconcelos recolheu ao tempo umas quadras alusivas
Menina, donde é ela?
Da terra dos pucarinhos;
Vá devagar com a loiça,
Olhe, num faça caquinhos.

Meu sogro é paneleiro,
Minha sogra faz panelas,
Minha cunhada Maria
Amassa o barro pra elas.

Meu amor é paneleiro,
Paneleiro, faz panelas,
Cada vez que me bem ber
Traz-me uma carrada delas.

Esta terra é Miranda,
Mais abaixo Mirandinha;
Minha terra não a nego,
Eu sou da Eira Pedrinha.

Hei de rodear Miranda
Com vara e meia de fita;
À porta do meu amor
Há de ser a mais bonita.

Menina, não se despreze
De casar cum paneleiro,
Qu’ele de barro faz panelas,
E de panelas dinheiro.

Dá-me água, que eu tenho sede,
Não me dês pela panela,
Dá-me pela tua boca
Que eu não tenho nojo dela.

Tinha uma bilha tão linda!
Valia tanto dinheiro!
Fui um dia e partia
Na Fonte dos Castanheiros.

O lugar do Carapinhal
Ao longe parece vila,
Tem nas almas à entrada,
S. Silvestre na saída.
"A entrada deste solar também em calçada de pedrinhas igual à da igreja, que me fascinou descobrir o primeiro andar onde me aventurei no átrio para o lado esquerdo onde descobri a escadaria com balaústres em pedra imponentes, logo pensei nas pobres mulheres que por aqui andaram de joelhos a lavar tamanhas lajes, num tempo em que não havia detergentes nem produtos de limpeza para as desencardir..."
"No início e no final do lance dois belos cadeirões corridos, sendo que no cimo na parede da porta de entrada, distingui um belo painel de azulejos. A minha ideia seria entrar para conhecer o solar -, calculo como deveria ter sido belo!"
O solar visto do parque



"Deixei o solar para em frente me sentar por momentos num banco do parque aprazível que achei muito engraçado e bem cuidado com os carreiros feitos com laje, bem posicionadas com espaços circundantes relvados , salpicadas por esculturas em ferro e arame de animais, que conferem ao local uma arte nova que bem se enquadra no antigo.
Parece que foi nesta quinta que o rei D. Luís vinha passar férias? Quiçá para se deliciar em caçadas e passeios pela região verdejante e maravilhosa-, sendo em demasia apegada ao antigo confesso que senti um pouco de inveja por não ter vivido nesse tempo em que se partilhava desta vida rural tão deliciosa, como afinal devia sempre ser-, sentir o crepitar das grandes lareiras, do cheiro dos fornos a deambular de cozer broa e assar carnes ...
Tamanha paixão engrandeceu o meu coração no despertar da pobre, ainda assim a minha veia poética...
Natal é a alma de um povo
Que festeja ano após ano sem parar
Um nascimento muito velho mas sempre novo
De Jesus que nasceu para nos salvar.

Natal é o desabrochar duma flor
Numa linda noite de luar
É ajudar o próximo na sua dor
E ao pobre como nobre gesto poder dar.

Natal é criança nascida em berço pobre
Neste mundo de tanta insegurança
É desejar-lhe com gesto muito risonho
Um futuro de paz e de bonança.

Divide o que viveres com coração
Ao pobre e ao sem-abrigo, por igual
Dirige a Deus uma prece na oração
Encanta-te, este será o teu Natal!

Versos à Vila do Espinhal
Autora , a minha mãe Ricardina Ferreira Afonso

Espinhal é uma aguarela
De brancos, verdes e outros mais
Em que brancas são as casas
E verdes são os quintais.

Ao passar pelo Espinhal
Minha vista se deslumbrou
Casas antigas tão belas
Que a mão do homem criou.

Esta vila teve outrora
Altos nobres visitantes
Vinham aqui em folia
Reis, princesas e infantes.

Por cá passou o D. Luís
Rei fogoso e interessante
Deliciado com esta terra
E uma provável amante...

Casas brancas muito belas
Com outras tão jovial
As quais só descobri
Nesta vila do Espinhal

Vim hoje e hei-de voltar
Se não me faltar a razão
A esta vila tão linda
Que cativou meu coração

Se algum dia me perder
Por terras de Portugal
Procurem que me hão-de ver
Nesta vila do Espinhal
Vila com infraestruturas para aqui se viver bem; Mercado, Caixa Agrícola, Junta de Freguesia, Lar, Farmácia, Padaria, Comércio e,...A chaminé desta casa é airosa em redondo, ao gosto típico do Algarve, que se fizeram na região, algumas ainda se encontram de pé, que bem mereciam uma monografia, seria pedreiro que andou no Algarve que sendo daqui ou vindo para cá as construiu, desde Areias, Cabaços, estae,...
Na fachada estão afixadas as placas.
"Finalmente um apelo-, visitem esta localidade e desfrutem deste cantinho do paraíso onde será tão bem por certo viver! Também comer uma boa chanfana-, carne de cabra assada  em vinho e alhos, no forno a lenha em caçoila de barro preto não vidrada. Uma herança inventada do tempo das Invasões francesas. Acompanha com batata cozida e couves ou grelos.
"Fernão Lopes, na crónica de D. Fernando, descreve-nos uma jornada do Infante D. João, filho de D. Pedro e de Dª Inês de Castro, de Tomar para Coimbra, do seguinte modo: "Aquele dia o Infante de Tomar fez partida, foi dormir a hum lugar que chamam o Espinhal, e como foi meia noite cavalgou com os seus para Foz d' Arouce, dês ahi a Almalaguez, comarca de Coimbra, e chegou aos olivaes da cidade e desceu ao Mondego". A estrada a que se refere o cronista e que conduziu o príncipe até ao Espinhal, onde pernoitou, seria aquela que vindo do Sul passava por Vouzela, pela Quinta das Pontes, subia pelo Fundo da Rua, depois pelo meio do lugar, dirigindo-se ao Cabo da Aldeia até Foz de Arouce, Almalaguês e, finalmente, Coimbra. Não conhecemos nenhum documento que comprove esta teoria mas, também, não se conhece notícia que comprove o contrário."
De volta a casa ao cair da tarde a pensar na estrada real, o sol mostrava-se baixo e luminoso!
Gentes que se cruzaram na minha vida do Espinhal-, uma colega que estudou em Coimbra hospedadas na mesma casa, o seu nome já não recordo, que me ensinou a fazer o "arroz frito" e a avó fazia calda de tomate que ela trazia em garrafas de litro.
Outra senhora que mora no Laranjeiro, o marido aqui nascido com uma bonita casa na entrada, julgo com a estatueta do menino a fazer xixi, típica na Bélgica onde julgo esteve emigrado e o Sr. Silvério Mendes, um apaixonado, como eu , por velharias.







Fontes:

Redação da minha mãe Ricardina Afonso
http://blogimagens.blogspot.pt/2012/06/interior-da-igreja-do-espinhal.html
http://www.jf-espinhal.pt/historia.php
http://repositorium.sdum.uminho.pt/
2 http://solaresebrasoes.blogspot.pt/2012/05
2 fotos de ruin'arte

2 comentários:

  1. Como habitante do Espinhal e a cursar História, revejo no seu excelente trabalho sobre esta Vila o quanto muito ela é "rica" em património e o que falta fazer na recuperação do edificado. Bem haja pela visita e trabalho abrangente sobre a Vila e volte sempre, porque precisamos de pessoas para visitar e quiçá para viverem. Obrigado

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  2. Caro Sérgio Manuel Baltazar Zuzarte, eu é que agradeço a cortesia da visita e o seu elogio à crónica. Parco foi o meu tempo, ainda assim o bastante para assimilar cultura, espevitar memórias e depois arte, desculpe a vaidade, para a compilar. Melhoro todos os dias, hoje por certo teria feito melhor e acrescentaria outras descobertas, como a ascendência judaica, a propósito da família Alarcão,veio na corte do rei D Filipe II. Um deles o Dom João, juiz, veio casar a Ansião com uma senhora de apelido Lima, estando lá sepultado e ninguém sabia quem tinha sido nem tão pouco onde viveu, de teimosia bastante acabei por descobrir, porque a História pode ser relevante, de tantas formas. A título de exemplo, cheguei à conclusão que no Espinhal e Ansião, onde tenho raízes houve uma comunidade judaica que se estendeu aos concelhos limítrofes, jamais estudada por ninguém.Foi ao dar gosto às Coisas que gosto, sobretudo na visita à arte fúnebre, descobri que uma maioria temos ascendência judaica. O seu apelido Zuzarte, é capaz de o ser também, por ser oriundo de Espanha, nalguns casos sofreu uma mutação- julgo para Lisarte, porque o Condado Portucalense já era habitado por ascendentes judaicos ,vindos com os Fenícios e não apenas no grande êxodo de 1492.Esta partilha para o "espevitar" a mais saber das suas origens, que se mostra temática muito interessante. Sobre a qual estou a elaborar uma crónica. Cumprimentos

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