quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Osumio e o esmoliadouro na religiosidade da vila de Ansião

Qualquer tema me inspira para me embrenhar pela escrita, sendo que temas sobre as origens de Ansião tem sido ao longo dos tempos um dos favoritos. Sinto sem modéstia alguma evolução das minhas crónicas apesar da parca redobrada atenção e defeito incauto, a pressa minha inimiga, mas também pelo circular de informação errada e contraditória, sobre esta temática. Defeitos colmatados na teimosia em querer saber mais sobre o passado de Ansião se tem vindo no tempo revelado arma capaz de me atrever a visitar locais de cariz semelhante, para melhor entendimento, e no mesmo a leitura de livros; Monografia do Padre José Reis Coutinho e da Numária Medieval do Cemitério, onde pude enxergar pela primeira vez o que quase nada sabia, ou muito pouco, sendo que fiquei encarecidamente grata pela gentil oferta gratuita de exemplares, com que me presenteou. Bem haja o Padre José Eduardo Reis Coutinho, um amante fervoroso da história de Ansião, lamentavelmente sinto na opinião publica, ser homem mal amado (?) e não o devia, merecendo o respeito e gratidão pela alta contribuição dada gratuitamente a esta terra e às suas gentes, por a deixar narrada nos anais da história . Não que precise de defesa-, seja este falar alto reflexo da transmissão de genes de cariz semelhante transmitida por laços familiares, em que a frontalidade, a carateristica tenaz e acutilante e a mesma teimosia na minha pele sinta igual aziago. Tomando em consideração a matéria história das pesquisas editadas em livros, de alto valor creditício, ainda assim sinto espaço para maior aprofundamento sobre a temática. Despertar e alvitrar " especulações" sobre alguns fatos, seja por ser mulher, com outra visão, por ter vivido em miúda muito os locais, curiosa e quiçá apaixonada pela história da nossa terra (minha apenas adoptiva) também pelas pedras e quanto baste atrevida no gosto alvitrar teorias que o tempo tem vindo a clarear à medida que surge mais informação-, o correto deste teimoso pensar no passado das raízes de Ansião na vontade de querer avançar ainda mais, apesar de quase nenhuma prova fatual, embora lute para que se encontrem um dia, seguindo memórias visuais, ouvidas da boca do povo e pistas que surgem em desordem, que sendo ordenadas e analisadas, poderão ser oportunas para dissecar o entendimento desejado ao "jus da discussão nasce a Luz", com isso o respeito, mas também o receio de poder contrariar outros, que pela visão da história e da arqueologia, nesta aventura euzinha por conta própria sem soldo, se melindrem.E disso não faço intenção que aconteça!
Na verdade não pretendo glória nem honras, apenas reclamo que não se descuide o tema, para que surja a verdade que todos queremos deslindar;
Da existência do Mosteiro sito ao Vale do Mosteiro, assim a grafia ainda em 1903.
A localização correta da primitiva Igreja velha no chão do atual cemitério ou mais abaixo junto da margem nascente do ribeiro onde existem ruínas.
A possibilidade do sítio do esmoliadouro ter sido encastrado na parede entestante do mosteiro com a estrada medieval, a metros onde nasceu e floresceu até 1595 o burgo de Ansião, para depois desta data se deslocalizar  200 metros para nascente, o actual.Argumentos mais do que suficientes que acalentam o justo opinar, mais que não seja para "espicaçar" mentalidades!
O avanço da Reconquista Cristã continuada por D. Afonso Henriques marcou em definitivo o conhecimento de novas terras, tomadas aos Muçulmanos, todavia não se regista em caso algum a alusão ao termo ANSIAN (Ansião) sendo que fazia parte da defensiva de Coimbra, certamente tal fato se deverá por estas terras do Maciço de Sicó ser abundante em terrenos baldios de solos pobres, e ainda no domínio muçulmano, salpicadas por vegetação mediterrânica, de maquis; arbustos densos e fechados como o medronheiro, loureiro, urze, giesta espinhosa, piteira e catos, e vegetação garrigue; composta por arbustos de pequeno porte relativamente esparsos como o buxo, carrasco, alecrim, rosmaninho, alfazema, e o tomilho, que também se chama timo, conhecido na região por "erva de Santa Maria" um sub-arbusto aromático, pasto de ovelhas e cabras, confere ao leite um travo especial sem faltar o cardo, outra planta espontânea que cresce na região. Das mãos de boa queijeira é produzido queijo com a denominação "Rabaçal" , cujo sabor carateristico se revela único no palador , inigualável no País. Come-se fresco, meia cura ou curado, duro, como também gosto e muito, no dizer do povo (rijo que nem cornos) os mais velhos sem dentes, o amoleciam na cevada em sopas...Ritual que aprendi em criança nos dias de férias na Moita Redonda na aldeia da minha avó materna !

"Deus ocupado a fazer o Mundo, na pouca atenção ao Maciço de Sicó, o que faz crer" ... "Plantarei no deserto o cedro, a acácia, a murta, e a oliveira; e porei no ermo juntamente a faia, o olmeiro e o buxo" ; Isaias 41: 19

Desde sempre tantas vezes a caminho de Coimbra atenta a olhar para todo o lado depois de passar a Sarzedela ao baixio da curva contra curva em cheganças à Venda do Brasil, até às imediações de Conímbriga, onde sentia uma brutal mudança da paisagem; seja pelas pedras esburacadas que os meus pais com elas enfeitavam os canteiros do jardim, mas também por se mostrar de terra agreste os outeiros em jeito de cone, quase despidos de vegetação apenas  salpicos de outra rasteira e de enfezados pinheiros raquíticos e cedros, que neste agora passados 50 anos, já mostram algum porte baixo, mas cerrado, típico da vegetação mediterrânica ...

"Embora o sítio de Ansian seja mais antigo, remonta à Pré-História, face aos achados de machados de pedra polida aqui encontrados, também vestígios da época dos Romanos: mosaicos, moedas, telhas, pesos de tear, colunas, etc., e vestígios da cultura árabe, infelizmente não sei quais.
O primeiro Foral foi concedido em 1142, sob a condição dos seus habitantes cultivarem a terra e a defenderem dos inimigos. Nessa altura o concelho sofreu uma forte colonização e o sistema defensivo foi alargado com a construção da Torre de Vale de Todos, que dela nada existe nem se sabe onde foi erguida. Mas só nos finais do último quartel do século XII surgem as primeiras referências a Ancião, segundo documentos dum segundo Prior do Convento de Santa Cruz de Coimbra, Dom João Teotónio-, que adquire aqui propriedades a partir de 1175. O mesmo visa se tratar de uma extensa propriedade demarcada por três limites distintos que confinava a nascente pela Moita do Açor, seguia até ao lombo da Fonte Galega, descia ao Pedrulhal até Figueiras Podres, a poente o Osumio e esmoliadouro em Ansião, e a norte o limite na ribeira da Sarzedela. 
Fatalmente pode reportar que o Couto Real em Almoster, no meu julgar avento a hipótese da extrema desta propriedade aflorada de Almoster a poente com a herdade do mosteiro de Ansião a poente se chama  Osumio, seja atual Suímo, cuja grafia se alterou (?).
Melhor local para o esmoliadouro referido na extrema da herdade seria sito em local sagrado, a esmola para os monges que delas viviam para sobreviver e sobreviviam do cultivo do vale, em contrapartida praticavam a evangelização do povo, em local protegido de ladrões e salteadores, a que o povo por nele morarem monges deram o nome porque haveria de ficar até hoje conhecido- Mosteiro, cujo tardoz do altar mor da sua Capela a meu ver seria a parede entestante para a estrada Coimbrã ou medieval, por onde passavam os viandantes, comitivas reais e nobres, a forte probabilidade (?).
Em 1216 o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra indo ao encontro do desenvolvimento agrícola por ordem do Prior Dom João Pedro, concedeu a herdade a cinco homens de terras do norte com mais 30 povoadores, mulheres, filhos, netos, e sucessores, que fazem nascer a primeira igreja em 1259, dedicada a Santa Maria ou S. Lourenço(?).
Nova referência no reinado de D. Dinis em 1321, aquando das diligências para receber o dízimo dos rendimentos eclesiásticos do Reino."
A estes fatos outros se juntam do crescimento do burgo medieval no séc XII compreendido entre a Igreja Velha, sem nunca se terem encontrado os vestígios da referida Igreja no espaço do atual cemitério, e no mesmo saber se de fato existiu um pequeno Mosteiro, sito ao Vale Mosteiro.
No Vale Mosteiro, no que se aventa ter existido um pequeno Mosteiro tive a sorte de entrar com 8 anos onde conheci vestígios do que foi o palco de uma Capela pelos indícios; portal gótico em ogiva ( maior mas igual à do tardoz da Misericórdia, que ao tempo já conhecia por ter brincado no jardim do Tribunal), restos de arcos junto ao teto e num quartito feito à posterior virado a norte com a venda do espaço pelo menos a 5 proprietários diferentes após a abolição das Ordens Religiosas os novos moradores arranjaram o espaço para viver a partir de finais do século XIX e na parte do que foi a Capela se deu o abandono para o Brasil, por incêndio ( olhei os barrotes queimados em declive com telhas Marselha, que deixavam antever um grande buraco que se enxergava o céu negro, o que nos levou aqui entrar pela primeira vez a pensar em abrigo de iminente trovoada em dia de dezembro, quando fui com a minha irmã a uma propriedade dos nossos pais fazer de conta que apanhávamos azeitona para encher as cestinhas de meio quilo, que o Zé Mau de Aquém da Ponte fez de encomenda ao nosso pai). Supostamente esta gente para não profanar a pia de águia benta e uma Cruz alta de pedra que ainda lá existiam as deixaram fechadas nesse exíguo quartito. Quem sabe se a Cruz alta seria de um Cruzeiro, que se partiu (?) como há um muito semelhante no Pessegueiro? Segundo informação da que foi a proprietária da parte da Capela, a Carmita do Bairro de Santo António, disse-me que o marido vendeu a pia de água benta ao Sr. Inácio, que a trouxe para vender em Lisboa, e a Cruz a vendeu para o cemitério novo de Santiago da Guarda.
O povo também fala que aqui havia a cama da Rainha feita em pedra.
Ainda no casario entestante a existência de três arcos de volta perfeita e no tardoz a norte uma pedra de lagar, o que evidencia a prática dos frades explorarem uma adega. Havia também uma passadeira feita em lajes em quadrado imensamente brancas, como a cal da parede após o portal gótico por onde um dia entrei com a minha irmã , o corredor que dava acesso à Capela virado a poente.
Tudo aponta para terem existido nesta restrita zona duas valências religiosas distintas, sendo que ambas existiram, disso não poderão a meu ver existir dúvidas. No sítio do Vale Mosteiro onde estive, uma Capela que teria sido do Mosteiro de orago a S.Lourenço o guardião dos tesouros da Igreja, no caso do esmoliadouro e a outra cita no espaço compreendido no atual cemitério, na  parte nova e o mercado. Os meus bisavós tinham uma propriedade confinante a nascente com o cemitério e que vieram a dispensar terreno para o seu alargamento, reza na escritura - Ribeiro da Igreja , e de facto a escassos metros o ribeiro lhe passa a nascente, o que atesta que a sua localização aconteceu algures naquele local , a juntar a outras evidências-,  restos de Imagens nos escombros da ruína com o abandono. Em 1142 aquando da atribuição do 1º Foral a Ansião, supostamente o burgo medieval já seria habitado desde o que chamamos Igreja Velha, ao limite do Vale Mosteiro, por isso atribuição de Carta de Foral  aflora a vinda de gentes para cultivar as terras e a defenderem. O que pode evidenciar a divisão do terreno que foi sendo desbravado em quintas, como a Quinta da Boa Vista com capela ao Senhor do Bonfim do século XVI  e outras que desconheço os nomes primitivos. A atual quinta do Dr Faria (em parte edificado o mercado ) supostamente será parte integrante da herdade do Mosteiro, e teria limite a nascente com a  Ermida, pertença do cénobio, onde foi edificada sobre esta séculos mais tarde a Capela da Misericórdia. Na sua ampliação em 1702, optaram por deixar o portal gótico e dentro uma tribuna , o púlpito, que também há ainda uma pedra semelhança no Vale Mosteiro, e ainda há gente que se lembra de outra existente a norte da referida Capela do Mosteiro, deitada abaixo na construção da casa da Deolinda. O que pode evidenciar ter sido recicladas.
Enigmas a meu ver que não deveriam continuar a ser descuidados sendo sensato serem de novo motivo de estudo para finalizar que para mim a grande probabilidade a poente  de Ansião, ter sido encastrado no mosteiro, o local ideal do esmoliadouro, para o protegerem dos salteadores.
Senti este feelling ainda agora no Espinhal ao reparar na ermida do séc. XVI plantada num alto morro, cujo muro de suporte, que ladeia a estrada, ostenta o esmoliadouro, a caixa de ferro para as moedas com o azulejo alusivo à Santa( em seu redor nasceu o bairro na mesma altura que das esmolas devia tomar conta).
E na Sertã  distingui outra igual, mas não parei para fotografar.
Não quero deixar de voltar a citar outra informação do pároco Manuel Ventura Pinho
"Sobre o Vale Mosteiro pouco nada sei. Penso que a toponímia se refere apenas à posse do Vale pelo Mosteiro de Santa Cruz. Como sabe, a igreja velha de Ansião ficava para aqueles lados (perto ou dentro do atual cemitério, que deve ter incluído o cemitério do adro da velha igreja) e era pertença daquele Mosteiro. O próprio lugar de Ansião estava implantado naquela região. Penso, mas não vi isso em nenhum documento, que perto da Igreja teria de haver residência para os párocos frades que serviam a paróquia. O mosteiro de Santa Cruz era abastado, pois o próprio D. Afonso Henriques o dotou com muitas propriedades e, por isso, devia ter naquela zona um bom solar para servir de residência aos frades que viviam ou visitavam a zona. O mais provável é que tivessem dentro do próprio solar uma capela, para não terem de se deslocar por tudo e por nada à igreja, quando atendiam pessoas ou faziam as suas orações comuns. A esta residência não chamaria "Mosteiro" mas uma sucursal do Mosteiro. O povo entretanto era capaz de lhe chamar mosteiro. Lembro-me de quando eu estava em Figueiró ter consultado muitos livros e documentos sobre mosteiros na Biblioteca da Universidade de Coimbra e na Torre do Tombo e nunca me apareceu referência a mosteiro algum em Ansião. Figueiró teve dois: um masculino e outro feminino. A extinção das Ordens Religiosas no século XIX fez com que o património dos conventos fosse vendido ao desbarato e encontrei a igreja do convento feminino de Figueiró dos Vinhos totalmente derrubada e a servir de cerca de galinheiro. Na altura ainda se viam alguns azulejos antigos. Quanto a mosteiro no Vale do Mosteiro de Ansião penso que havia apenas umas instalações para recolha das rendas para o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e uma casa (ou casas) para os Frades que paroquiavam a Igreja de Ansião, e eventualmente outro pessoal que estava ao serviço do referido Mosteiro." Para já não tenho mais a dizer."
Mas é relevante pensar  no Vale Mosteiro, no portal gótico grande que conheci e a sequência de arcos de volta perfeita em cantaria, que ainda existem de pé, bastam para aventar a existência de algo importante que aqui existiu, se juntar o contraforte a poente, ao estilo dos fortes para suster as terras.
A Rainha Santa Isabel passou algumas vezes por Ansião, aqui teria pernoitado ou não?
Será que nenhum cronista ao tempo escreveu as viagens, nem narrou nada sobre Ansião?
Restam memórias de Lendas; Esmola dada a um Ancião (pobre) e de lavar os pés em alusão ao Banho Santo no Nabão.
Sendo que não há fumo sem fogo, tema que deveria ser mais aprofundado.

No início do século XX Alberto Pimentel, percorreu a Estremadura escrevendo sobre Ansião...
Apesar do mérito, poderia ao tempo ter procurado mais informação, porque havia gente para falar, e ter ido investigar os locais ainda guardadores de vestígios, e não como hoje adulterados, e assim ter sido mais fiel na mensagem narrada em livro.Na verdade esteve alojado segundo as suas palavras no hotel do Valente sendo que ele era natural dos Nogueiros, foi ao Brasil , no regresso veio a casar com  Maria das Caldas que não era de Ansião e  marido no mesmo nada saberia.
Por exemplo diz que a Ribeira de Ansião vai desaguar no Nabão perto da Sabacheira (Agroal)...
A verdade é que em Ansião, o rio Nabão se chamava até no meu tempo de criança por Ribeira-, tal como o Mondeguinho na Estrela que em Coimbra se chama Mondego.
Refere que a fundação da vila primitiva foi no Vale  do Mosteiro.  

Refere ainda que na Praça do Município havia uma fonte e um marco fontanário. 
Descreve ainda as feiras anuais ainda vivas -, Pinhões e de agosto, mas também na feira que se deixou no tempo esquecida - , a 2 de junho, não sei se seria referente à quinta feira da Ascensão ou da atribuição do Foral (?). Curiosamente destes assuntos nos nossos dias  pouco se vê abordado...
Interessante no tempo que por aqui esteve, início do séc. XX construía-se o Hospital novo da Misericórdia, com a evocação de Nossa Senhora do Pranto, na Cerca ao Bairro de Santo António ao Ribeiro da Vide, onde já era a feira do gado.

O que se sabe  é da existência de um burgo medieval desde o século XII a poente da vila -, que dele reza a toponímia IGREJA VELHA onde aventa a existência da Igreja aqui construída na crista do ligeiro planalto, que se avista para quem aparece do norte, limitada pela estrada real, que lhe passava a poente, já referida em 1250 até 1595. Não se deslinda o porquê do abandono do local , em prol da construção da nova Igreja Matriz a nascente desta primitiva, e com ela a deslocalização do burgo medieval . Na liberdade de se poder aventar hipóteses, sem melindrar quem quer que seja: O local de casario chamado Igreja Velha tenha usado o nome do burgo ditado ao abandono e com isso se tem mostrado as dificuldades em saber onde foi sita a primitiva Igreja, que ao se saber da toponímia da propriedade confinante ao cemitério se chamar Ribeiro da Igreja vem aclarar esta realidade.
Igreja Velha numa complexo ruinal encontrei um linter com data e uma Cruz esculpida
Há poucos anos na Igreja Velha saindo da estrada e tomando o caminho para o Nabão, observei esculpida numa ombreira de porta de casa em ruína , a data 1784? Por cima uma escultura " pequena Cruz". O único enigma sem o ser totalmente é a data na ombreira ser posterior à desativação da referida Igreja, ocorrida em 1595. Ombreira esculpida em tudo muito semelhante a outras que apreciei em casas na Granja (Santiago da Guarda) à volta do que foi o solar do Bispado de Coimbra, eventualmente casas de serviçais da Igreja, que ali moravam, na obrigação da recolha das rendas das terras entre outros serviços aos padres (?). Evidencia que o burgo medieval HOJE conhecido por Igreja Velha nasceu em terreno de planura, confinante da estrada medieval e Coimbrã, a dois passos da travessia do Nabão, que se manteve em atividade no tempo, sem crescimento, porventura uma das causas-, as cheias da ribeira do Nabão, abundantes no inverno com inundações causadas nas margens, fez com que os seus moradores no tempo se deslocalizaram para nascente, onde a vila começou a florescer (?). Com isso se foram perdendo evidências do casario primitivo, pela reconstrução de novo, ficando apenas esta nota (data 1784?) embora mais tardia, ou eventualmente outras ainda por descobrir. No mesmo porquê a razão maior que levou os monges beneditinos, serviçais do Convento de Santa Cruz, ou mendicantes que recebiam esmolas da Rainha Santa, quando por aqui passava e a Rainha se instalava. Outra hipótese a ponderar - a de monges militares-, da Ordem da Santíssima Trindade (?), os Trinos, isto porque Ansião era então a fronteira defensiva da cidade de Coimbra no combate aos sarracenos, e militares eram precisos para acautelar a sua defesa. Plausível ter sido no reinado de D. Afonso II (?) a construção do pequeno Mosteiro por religiosos de origem francesa da Ordem da Santíssima Trindade do Resgate dos Cativos, assim chamada por se dedicar à libertação dos prisioneiros e dos escravos cristãos em posse dos muçulmanos, em terrenos já doados para desbravar em 1216, tendo sido a construção da primeira Igreja referenciada já em 1250, se lhe acrescentar o número de Imagens da Santíssima Trindade que existem na religiosidade pelo concelho, é coisa que faz pensar !
E ainda que a Rainha Santa Isabel e o marido o Rei D Dinis reinauguraram o novo Convento da Ordem Trina ao Chiado  em 1325, depois deste ter sofrido um incêndio onde  hoje é a Cervejaria Trindade.
Se lhe juntarmos a origem do Frei Inácio de Jesus, religioso da Ordem da Santíssima Trindade, homem nascido em Alvaiázere, por volta do ano de 1538, terra que ao tempo ficava na rota da estrada Coimbrã que passava por Ansião a caminho de Ourém e Tomar, faz pensar que esta Ordem andou por esta região  e apesar de serem frades alguns deixaram descendência. Quiçá uns ou outros viveram no pequeno Mosteiro sito ao Vale Mosteiro, mas o que levaria ao abandono do local? 
Teriam morrido de peste? 
Teriam sofrido um brutal incêndio? Plausível ao tempo, era bastante comum.
Saqueados e assassinados? 
Ou foi a destruição com o terramoto de 1531? Que ditou o abandono (?).
Algo de terrível supostamente aconteceu para até hoje nada se deslindar, nem do Mosteiro, nem da vivência dos frades ( apenas resta a toponímia do local Vale do Mosteiro) que é credível entender teria ficado desativado antes ou depois de 1595 (?), data que se sabe deixou de ter culto a Igreja (velha) que apenas dista poucos metros do local, sendo que antes do terramoto de 1755, já não estaria em atividade  porque dele nada fala o pároco na carta enviada ao Rei.Pior as Memórias paroquiais de Ansião perderam-se..

Citar excerto de uma correspondência com o meu amigo Dr. Manuel Dias
"Falando ainda de História, mas de Ansião, cada vez mais me convenço que não houve nenhum Mosteiro em Ansião, o que houve foi uma Igreja dedicada a S. Lourenço na parte Poente da Vila, que hoje não se vislumbra onde seja (provavelmente aquela de que conhece vestígios). E digo que não houve convento porque a documentação vernácula do início do século XVIII descreve a vila e as suas instituições e não fala do Convento (diz-se sempre que há ligações da Igreja local com o Convento de Santa Cruz de Coimbra)."

Segundo o Padre Manuel Ventura
" Sobre o Vale Mosteiro pouco ou nada sei.
Penso que a toponímia se refere apenas à posse do Vale pelo Mosteiro de Santa Cruz.
Como sabe, a Igreja velha de Ansião ficava para aqueles lados (perto ou dentro do atual cemitério, que deve ter incluído o cemitério do adro da velha igreja) e era pertença daquele Mosteiro. O próprio lugar de Ansião estava implantado naquela região. Penso, mas não vi isso em nenhum documento, que perto da Igreja teria de haver residência para os párocos frades que serviam a paróquia. O mosteiro de Santa Cruz era abastado, pois o próprio D. Afonso Henriques o dotou com muitas propriedades e, por isso, devia ter naquela zona um bom solar para servir de residência aos frades que viviam ou visitavam a zona."

A documentação que o Dr Manuel Dias  refere é do início do século XVIII, e o Mosteiro tudo leva a crer que ficou desativado, por volta de 1531 a a 1595 , portanto no  século XVI, quiçá entre a data do terramoto de 1531 e a desativação da Igreja 1595 sita  no local do cemitério atual.

Citar excerto do Livro Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas
"Bula da união a Mesa Conventual, e Infermaria  deste Mosteiro de Santa Cruz da Igreja de Ansião por renuncia que dela fez no Mosteiro Gaspar Fernandes:cuja bula se passou em Roma no ano de 1559.Em vão tentou, nessa altura, a Universidade de Coimbra apoderar-se da Igreja de Ansião, em demanda que travou com os cónegos crúzios."
"A 1 de agosto de 1577, o Bispo D.Manuel de Menezes fez publicar uma sentença que extinguiu a vigaria da Igreja de Ansião. "

A Ordem da Santíssima Trindade, os frades Trinitários, foi muito ativa no século XIII, enquanto que nos séculos seguintes se assistiu a períodos de dificuldade e mesmo declínio em certas áreas."

Citar o padre Manuel Pinho de Ansião
"Há documento de 1627, feito no Cartório de Santa Cruz de Coimbra, que fala da Capela de S. Lourenço "no adro velho", alusão ao adro da Igreja velha. Pensa-se que o Cemitério da Igreja velha tenha sido incluído no que foi feito na segunda metade do século XIX. 
O mais provável é que tivessem dentro do próprio solar uma capela, para não terem de se deslocar por tudo e por nada à igreja, quando atendiam pessoas ou faziam as suas orações comuns.
A esta residência não chamaria "Mosteiro" mas uma sucursal do Mosteiro. O povo entretanto era capaz de lhe chamar mosteiro.Na altura já existiam na freguesia de Ansião as capelas do Escampado de Santa Marta, Casal de S. Brás, Espírito Santo e S. Silvestre na Sarzedela, S. Luís da Fonte Galega, Nossa Senhora da Paz da Constantina e Nossa Senhora dos Anjos na Ribeira do Açor. É interessante que tirando a da Constantina e a da Ribeira do Açor que era particular e já não existe, todas as outras guardam imagens do século XVI. Deste século é também a fundação das paróquias de São Tiago, Ateanha, Torre, Lagarteira e Cumeeira, entre outras. E todas têm imagens quinhentistas.Lembro-me de quando eu estava em Figueiró ter consultado muitos livros e documentos sobre mosteiros na Biblioteca da Universidade de Coimbra e na Torre do Tombo e nunca me apareceu referência a mosteiro algum em Ansião."

Defendo a existência de um pequeno Mosteiro sem qualquer prova documental que o ateste.Não seria sensato não me redimir resignada por anos redondamente enganada, contudo nele acredito!
E ainda que a " igreja de S.Lourenço em 1627 documentada  existir no adro velho" possa ter sido a do mosteiro, a que chamo Capela, pois este Santo é o patrono de guardião dos bens da igreja, e aqui era guardador das esmolas da Rainha Santa e de outros. O séquito da Rainha Santa Isabel por aqui passou os monges em sua memória lhe tenham incluído uma Imagem sua (?).

Citar excerto do livro as Viagens em Portugal de Manuel Severim de Faria 1604, 1609 1625
" nas páginas 146 e 147 na viagem que fez na companhia do tio Chantre de Évora, de onde partiram e aonde voltaram para conhecer os Santuários da Nazaré, Ansião e de Nossa Senhora dos Covões em Alvaiázere , sendo que depois de Tomar passaram por Ceiras, e a forma como foi recebido em "“Maçans de Dona Maria" onde pararam em casa  da  sua irmã, em português arcaico narrou "alegremente e regalados com contínuos banquetes de diuersas iguarias assi de carnes como de fruitas e pescados" afirma que a Vila aem Agosto de 1625, tem 27 “vesinhos e posta em hum pequeno monte donde fica muito descuberta aos ventos, que nela naõ faltaõ. Tem muitas e boas fontes, he bastantemente abundante de fruitas, assi sedo como do tarde, os edifícios são pobres, a comenda della possue hoje D. Cristóvão Manoel, em cuja casa estivemos, 3 feira que foraõ 12 d’Agosto partimos para Nossa Senhora da Paz, que he hua Igreja fabricada de dous annos para qua no termo da Villa de Ansiaão no lugar de Constantina, que será de 50 vesinhos pouco mais ou menos" depois passaram por Ansião, nada de importante é escrito, só relata que houve muito calor e até morreu uma mulher apesar de se cobrir com o manto seguindo depois a caminho das faldas da serra de Alvaiázere para ver outro santuário..."

Tardoz da Misericórdia
Exibe o seu pequeno portal gótico igual o da Igreja no Vale  Mosteiro em maior
Na margem norte do Nabão ao cimo das Lameiras havia do lado direito um grande fontanário com tanque, que conheci, hoje soterrado debaixo do nó do IC8, chamada Fonte da Bica, em tamanho retangular  muito maior, mas em semelhança há que existe e foi a "Fonte das Freiras em Figueiró dos Vinhos" como a foto documenta.Na diferença desta, ao meio era tanque com degraus a toda a volta, sendo a fonte ao canto a poente.Não deixa de ser curioso este tipo de fontanário e lavadouro como fonte de chafurdo (?) também existe por terras de França, na Bretanha, e uma igual assim havia em Ansião igual ao filme. O tanque encontrava-se na beira da estrada real ou Coimbrã e mais acima do lado esquerdo era a casa da Quinta que não sei o nome, sita nas Lameiras .
Contudo fica outra dúvida se não seria um tanque romano, ao ver o que foi descoberto em Chaves, fiquei intrigada.Porque a nascente seria boa, ainda jorra para alimentar um canavial.
Termas romanas de Chaves
 Fonte das Freiras em Figueiró dos Vinhos
Parapeito da janela reaproveitado numa casa em ruína que foi do Mosteiro
Tendo em conta o culto ter deixado de ser praticado na primitiva Igreja Velha depois de 1595 e  consequente desativação do Mosteiro e a construção da Ponte da Cal em meados da centúria de seiscentos com novo traçado pela vila ficando este burgo primitivo ao abandono, antes de 1700 já se passava no caminho defronte da Capela da Misericórdia.

Citar excerto da crónica de Severim Faria
"Vinte e oito anos depois nos escombros da Igreja abandonada foi encontrada uma imagem de uma Virgem, que o povo levou em procissão para a Constantina e mandou erigir uma capela de orago a Nossa Senhora da Paz"
"Séculos mais tarde no espaço do atual cemitério, foi encontrada a base com os pés de uma imagem de S. Sebastião, segundo o padre José Eduardo Coutinho."

Seria estranho a Igreja ter sido desativada e terem deixado as Imagens, absurdo inconcebível, sendo o mais certo terem sido transferidas para a nova Igreja-, e foi precisamente o que aconteceu com algumas, o que acaba por fortalecer a hipótese do episódio com o terramoto de 1531 que a deixou mais fragilizada e depois um brutal incêndio, o motivo da desactivação, por o burgo estar localizado num vale onde ocorreu maior destruição (?) na derrocada da Igreja ficaram nos escombros os pés da Imagem de S. Sebastião, que séculos mais tarde foi encontrado no mesmo sítio agora cemitério. 

Citar outro excerto do Livro Manuel Severim de Faria de 1625
"Severim de Faria esteve em Maças de D. Maria em 12 de agosto de 1625  e daqui partiu para a capela de Nossa Senhora da Paz na Constantina que tinha dois anos (1623) no termo da vila de Ansião com 50 vizinhos.Era esta igreja antigamente uma pequena ermida e porque estava falta de imagem pedirão aos d’Ansião lhe desseest a  senhora, que eles tinhaõ na Samchristia, por ser preceito do Bispo, que não tevessem mna igreja imagem vestida. Comsedeosele aos da Constantina o pediaõ. Porem  pela muita devo-ção que os moradores da vila tinhaõ a esta Senhora foi necessário trazerem a Imagem m de noite por evitar algûa repugnância, que os de  Ansos de Ansião podiaõ fazer se se viraõ des poiados deste tesouro"
Outra nota importante atestada na Lenda da FONTE SANTA em que mandaram gravar a seguinte inscrição: «ESTA FONTE APPARECEU A 11 DE AGOSTO DE 1623»
"Algumas pessoas mais devotas de Nossa Senhora, lembraram-se de colocar no nicho da FONTE SANTA uma imagem da Virgem e encontrando uma nas ruínas da antiga igreja paroquial de Ansião, em S. Lourenço, mandaram-na pintar e no meio de grandiosos festejos para lá a conduziram e ali se conservou até à construção da capela da Constantina, onde hoje se venera o milagrosa imagem, sob a invocação de Nossa Senhora da Paz." 
O QUE FOI ESCRITO EM 1625
 POR MANUEL SEVERIM FARIA
NÃO FOI BEM ASSIM

Conclusão
A Imagem de Nossa Senhora da Paz após a desativação da Igreja velha, a primeira de Ansião, ficou guardada na sacristia da actual Matriz sem roupagem, o que evidencia ter sido estragada por incêndio. O povo da Constantina a veio buscar de noite, para os Ansos não se darem com a falta dela, e a levaram em procissão para depois a mandar pintar e vestir . A imagem da Nossa Senhora da Paz é muito semelhante à Imagem da Igreja matriz, a  Nossa Senhora da Conceição , o que levanta a questão, seria também esta imagem da Igreja Velha? E ainda há outra mutilada igualmente bela a Imagem de Nossa Senhora D'Ó. Atendendo ao fato de ter ficado desativada, as imagens deveriam todas ter transitado para a nova Igreja...O certo, ou não? Para não serem profanadas, roubadas...Séculos mais tarde foi encontrado no cemitério o pedestal com os pés de uma imagem de S.Sebastião, evidencia estar mutilado por isso a hipótese do terramoto provocaria alguns estragos, a deixando ficar.Afinal o meu raciocínio quando escrevi a crónica em janeiro estava certo sem o saber, só agora onze meses depois descobri o Livro e fiquei surpresa, apesar de algumas palavras em português arcaico serem para mim quase imperceptíveis...Nasce assim mais um dado para explorar sobre a Imagem de Nossa Senhora da Paz que estava guardada na sacristia da Matriz e não encontrada nos escombros, fez parte do espólio da Igreja de Santa Maria.
A devoção a Nossa Senhora da Paz começou no século XI em Toledo, Espanha. O nome "PAZ" advêm dos confrontos entre cristãos e muçulmanos expulsos, com o povo orando à Santa para a catedral, a casa de Deus, não voltar a ser profanada pelos infiéis, por terem almejado o sucesso pretendido, a partir daí consagraram o fato à devoção da imagem de Nossa Senhora da Paz. Teria a Igreja Velha sido ocupada também pelos muçulmanos? Seja a sua saída apressada das terras de Ansião, em fúria destruíram a Igreja e o Mosteiro ? Ou ao contrario, os infiéis deixaram de profanar  a casa de Deus e assim ambos os povos passaram a viver cordialmente, ou se foram embora destas terras? Seria interessante apurar a razão de lhe terem atribuído o nome de Nossa Senhora da Paz? Seria o nome primitivo ou foi rebatizada? E o porquê  deste nome, por ser pouco usual?
Em finais de 1875 julgo com a obrigatoriedade de não se procederem a enterros no adro e dentro das Igrejas, havia de ser novamente este espaço da Igreja Velha, outrora ocupado por cemitério medieval, e mais tarde por uma Igreja construída por gentes vindas para colonizar as terras, em abandono desde 1595, o palco de novo escolhido para aqui ser edificado um cemitério de raiz, o atual.
Mas por se mostrar de espaço insuficiente em 1969, viria a ser alargado pelo lado sul , único que confinava com terrenos de particulares, sendo que a parte da propriedade confinante a nascente foi pertença dos meus bisavós paternos, reza na escritura de seu nome RIBEIRO DA IGREJA.

Segundo relato do Padre José Eduardo Reis Coutinho
"O caterpillar ao preparar o terreno que era de oliveiras, pôs a descoberto lajes, ossadas humanas, pedras esculpidas, a exumação de um tambor em coluna em pedra calcária amarelecida pelo tempo, e a base de uma imagem ingénua de S. Sebastião, a qual conserva visível o cuidado deposto na escultura, como evidenciam os pés, e certamente deixada nos escombros por estar muito danificada e datável do séc. XV, bilhas cerâmicas grosseiras, telhas tegulas, ímbreces, e pesos de tear partidos.
Apenas consta que o Presidente da Junta de Freguesia na altura em exercício, determinou guardar a base de uma pequena estátua em calcário, e um marco lavrado no mesmo material com quatro letras STTL(?) que foi abusivamente pelos trabalhadores encastrada no novo muro do cemitério e por lá esteve até 1979, quando foi retirada e guardada convenientemente(?)."
"Com o tempo outros achados foram encontrados, sempre que se procedia à abertura de uma sepultura: ossadas sobre laje com 3 a 4 cm de espessura, moedas, fragmentos de cerâmica e vidro, de várias épocas, desde romana à medieval."

Apesar do espanto dos achados, desconheço onde se encontram? Também gostaria de saber se os mesmos se encontram preservados?
Elementos que atestam aqui ter sido o "burgo mais antigo de Ansian, desde a época romana, pelos achados de telhas que o comprovam, e do medieval pelos dinheiros da 1ª dinastia e da 2ª reais e ceitis, ainda moedas de catorze reinados, no total de 86 .A referida igreja existiu exatamente no espaço dos terrenos adquiridos para alargamento do cemitério atual"
A corroborar essa certeza: O Ribeiro da Vide corre aos pés da escadaria do atual cemitério, embora hoje encanado, fazendo extrema da referida propriedade, com o nome Ribeiro da Igreja, que em parte foi vendida para alargar o cemitério, pertença que foi dos meus bisavós. 
A edificação da Igreja, na Igreja Velha, aponta a evidência do Padre José dos Reis Coutinho ter sido no espaço das terras adquiridas para o alargamento do cemitério.
No papel de especuladora , o que me parece mais plausível é que esse espaço referido pelo padre José Coutinho, seja o sítio do cemitério medieval, pelos achados aí sucessivamente encontrados de ossadas e lajes de sepulturas (?). Pelos achados o sítio da Igreja velha se localizou no cemitério novo, sendo que o cemitério velho já era cemitério, no talhão do cemitério velho junto do muro na campa do Sr. César Nogueira, quando foi aberta com 1,60 mts, o coveiro o Sr Mateus encontrou muita ossada velha, que podem aventar restos do cemitério antigo (?).
Hipóteses a ter em consideração:
Em 1875 foi decidida a reedificação do cemitério no mesmo local onde já na era medieval existiu no adro da Igreja velha.Os meus bisavós paternos eram donos da propriedade em parte vendida para alargar o cemitério em 1964.Na verdade  a Matriz edificada a nascente, a nossa atual Igreja, ostenta na fachada a data de 1593, o que revela a decisão de se construir um edifício novo, em virtude do mau estado de conservação jamais no tempo restaurada, acabando por ruir -, o povo no tempo fidelizou este topónimo  - Igreja Velha  ao casario a uns 50 metros a norte, porque aqui onde é o cemitério, sempre assim o conheci com este nome.

Fragmento de azulejo
Encontrei este fragmento de azulejo em verde estriado, mais bonito que na foto nas imediações do cemitério, no terreno da quinta da frente que foi do meu tio António Paz.  Pode ser árabe? Pode ter sido da Igreja? Pode ser apenas coincidência ali ter acabado...
Explorar a via mais interessante da mudança do burgo para nascente tenha sido do interesse do proprietário de apelido Veiga, no meu opinar!

O brasão da vila de Ansião com as romãs
Símbolo da rainha da fruta, na representação da fertilidade das hortas do Nabão, desde o Moinho das Moitas às Lameiras.

Fontes:
Livro Noticias e Memorias Paroquiais Setecentistas

http://www.numismatas.com/alberto/Pdf/Numaria%20Medieval%20do%20Cemiterio%20Antigo%20de%20Ansiao.pdf
www.facebook.com/igrejadeansiao/photos
http://www.jagoz.com/historia/os-condes-da-ericeira.html
Reedição Grupo de Jovens da Constantina 1984(Transcrição do documento original)
Wikipédia
https://www.academia.edu/10230102/Manuel_Severim_de_Faria_e_a_sua_ida_a_Ma%C3%A7%C3%A3s_de_D._Maria
http://purl.pt/12926/4/ea-326-a_PDF/ea-326-a_PDF_24-C-R0150/ea-326-a_0000_capa-capa_t24-C-R0150.pdf

2 comentários:

  1. Boa noite cara Isa,

    Antes demais parabéns pelo seu blog!

    Em relação a esta passagem "Monografia do Padre José Reis Coutinho e da Numária Medieval do Cemitério, onde pude enxergar pela primeira vez o que quase nada sabia, ou muito pouco-, pelo que estou encarecidamente grata pela oferta gratuita e de boa fé gentilmente me presenteou".

    Ando há anos à procura de obter esta obra sobre a numária do cemitério do Ansião. Será que me conseguiria ajudar nesta matéria? Alguma forma de entrar em contacto com o Padre para que pudesse ter um exemplar?

    Obrigado pela atenção.

    Melhores cumprimentos

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  2. O meu endereço de e-mail: miguel_soarez@hotmail.com

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