quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Anjo da Guarda no Monte da Ovelha na serra maior de Ansião

Tarde de Carnaval sem vontade de jogar o entrudo, ensejo para sair de casa para almoçar em Rio de Couros-, e aqui me desculpem a nota negativa, o mais mal servido repasto neste grande restaurante, em tantas outras vezes no mesmo lotado, onde desde sempre me recordo ter saboreado boa comida e com fartura, não fosse a empregada, atenta e boa ouvinte aos lamentos,  se revela sabia e remediou a contento...Na sala um empresário da Sarzedela com a família, na despedida a senhora ainda nos diz "estive para me levantar e avisar-vos para não pedirem batata assada porque não estão boas, ainda ontem as assei em minha casa e o meu marido que diga, não tem comparação"...Pois não estavam efetivamente, usaram batata velha acerbadas em molho, de aspecto mole, empapadas de corante, sem apresentação, valeu o pedido da travessa de batata frita...Com água na boca a salivar, inesperadamente tinha acabado o polvo à lagareiro,  ainda não era meio dia e meio, e na marcação ao telefone tinham falado em vitela e essa "nem viste-la"...Até a montanha do molotof se apresentou abatida, porque alguém inesperiente abriu o forno e não devia, sendo doce melindroso..Longe vai o tempo que serviam bom cabrito ao domingo...
De regresso agradável passeio pela Lagoa do Grou, que um dia ali me perdi na procura dela e não a vi em lado nenhum...Aqui ainda existem espigueiros como no Minho, e no Fárrio uma boa quinta com cavalos em venda, senti muita falta de sinalética, para seguir em direção do Arneiro, onde  ficou a vontade de aqui vir experimentar um  dia destes, o rodízio.
Ao S. João de Brito, encetamos caminho pela Gramatinha, a recordar o tempo que a estrada era de terra batida na década de 60, e o alcatrão se finava rés vez a Venda do Negro, onde passa o Caminho de Santiago, até se nota que quando foi asfaltada ficou ligeiramente  aqui mais larga. Para logo entrarmos na Portela de S. Lourenço, na rota da calçada de pedra que se fazia sentir em barulho pelo rodado do carro no ocupa total da estrada tabelada por muros de pedra seca, para  logo na saudade recordar bons repastos na casa dos meus tios Rosária e o marido "António Paredes"-, anfitriões e grande amabilidade em saber receber na sua casa, ou no barracão, e da cachopada abrir o bar  chinês com incrustações a madre pérola, ou sentados a bisbilhotar os álbuns com imensas fotos na Serra, na Chousa no 15 de agosto,  passeios, casamentos, de Luanda , e havia muita alegria a rodos , até do velho Mercedes branco que se falasse da viagem a Badajoz...Tempo que jamais volta!
Meia volta  ao alcatrão ainda na emoção tamanha saudade, para entrar serra adentro ao Anjo da Guarda apesar do tempo de friagem e meio nublado...
As Serras de Ansião tem a sua elevação máxima em Portugal Continental, com 612 metros de altitude, situa-se na transição entre a Beira Litoral, a Beira Baixa e o Ribatejo. O seu ponto mais alto situa-se na Freguesia de Pousaflores, concelho de Ansião, no Monte da Ovelha conhecida erradamente pelo nome da Serra do "Anjo da Guarda", desde a construção da pequena capela com orago a esse Santo. Localmente, a zona (extremo norte da Serra de Ansião) é denominada "Serra da Ameixieira", nome da pequena localidade que se situa no cimo da primeira vertente da serra, a partir do Norte vindo de Ansião, para  nascente chama-se Serra do Mouro e, para sul chama-se Serra da Portela ( portela quer dizer entrada).
O tempo ditou fraca qualidade nas fotos possíveis. 
Nunca tinha visto o Campo de Futebol da vila de Pousaflores -,foi projeto de envergadura caro...
 
 As eólicas de braços abertos indiciam chuvinha...
 


 
Debalde na mira que o Ciclo do Pão estivesse de balcão aberto...Mas demos com o nariz na porta!
 Muita pedra e tomilhos que exalam cheiros a serra

 A capelinha dedicada ao Anjo da Guarda
 
Abrigo de caçadores 1961
 
Alpendre com três fornos para quem quiser trazer a massa levedada e cozer pão, apreciei de longe, mas julgo não terá mesa ou bancada para se pôr o alguidar e do mesmo modo para o  tabuleiro para tender e depois pôr o pão  cozido, nem sei se há pá para enfornar...Quando fazem podas bem podiam deixar aqui um molhinho de lenha...
Grande parque para merendas, abrigado a nascente
 
Pela serra mesas isoladas em pedra com os bancos


Miradouro daqui se avistam outras serras: Nexebra, Rabaçal, Alvaiázere , Figueiró dos Vinhos e,...
Ao pôr do sol nestas paragens é assim digno de ser visto ...
Contrate da eólica com o tradicional moinho a vento típico no Maciço de Sicó, feito em madeira de forma poligonal , irregular, que roda sobre três rodas de pedra na eira, também de pedra, à força de braços, consoante o vento.
A reflorestação da serra tem sido nos últimos anos aposta dura por setores, pelos costados avista-se um sem número de canudos de plástico na proteção a raquíticas espécies de árvores e arbustos desde carvalhos ao alecrim e,... Espécies plantadas nesta pobreza de terra, de grande amplitude térmica-, na súplica a mensagem a Deus, que as deixe sobreviver na teima abrandar a serra com clareiras, recantos e retiros para tudo e para nada, se perder o viandante a contemplar a graça dos prazeres do campestre, do bucólico e do romantismo...Apesar da empedernida brutal massa de pedra, a serra que um dia aqui emergiu das entranhas, dita às coitadas jovens árvores e arbustos fatal sobrevivência na  maldita agrura em tantos dias aflitas no difícil enraizar por trilhos desconhecidos até conseguir abrir caminho por fendas , na premissa se manter vivas e crescer abrigadas pelo Anjo da Guarda, seu protetor, na vitória maior amolecer raízes nas bordas do algar do Nabão, ao poço da Ameixieira, sendo que nada lhes vale no verão, que o nível desce e de que maneira...
Curiosamente o Maciço de Sicó  é calcário, rocha que aqui acaba estrategicamente no sopé da serra a nascente, como se fosse uma linha talhada em longitudinal, sendo que a partir dela irrompe barro grosso com matérias plásticas e pedrinhas, para depois entre 2 a 3 quilómetros irromper o xisto em definitivo até Espanha. 
Cedros plantados há anos, se mostram desiguais, não medraram todos por igual ...
Lindo efeito do pôr do sol nestas paragens...
Este pôr do sol na Lagoa da Ameixieira que fotografei
Desafio é  atravessar a serra a caminho da Ameixieira.
Nunca nesta serra me atrevi a conduzir, mete respeito o desatino da aventura abismal, seja pelas estradas de terra batida, de piso irregular, em algumas descidas de grande inclinação,  percalços que se podem encontrar pelas barreiras em avalancha com pedras que desabam, buracos e regos profundos das regateiras que as chuvadas rasgam em aluvião, entroncamentos de caminhos sem sinalética, por aqui o sentido certo da orientação seja dos pontos cardeais... Saindo do Anjo da Guarda a caminho de Ansião, a vista esbarra em brutais costados em altura que se descampam em abruptos vales profundos onde ainda persiste uma primitiva diversidade de vegetação única na Europa (?) idílica a  mística dos silêncios,  aqui só acordado pela regateira no outono e primavera, e pelo poiso de perdizes, perdigotos, coelhos, melros, tordos e peneireiro de dorso malhado, de maior porte, que vagueia em voo rasante neste paraíso de vegetação mediterrânica, semeada de muita pedra e de muito mais cascalho mas também flores e folhas em tonalidades de verdes sem igual ...Ambiente selvagem, entalado em garganta funda, por uma barreira de pedra natural a nascente, na Serra do Mouro, de cortar a respiração, a quem se aventure na descida da nova variante roteada há poucos anos, graças à minha imã que me deu o privilégio de conhecer, e foi simplesmente amazing! Um único senão, não se revela mulher de paragens, o vício da fotografia que a abraçou em nova, neste agora se mostra menos intenso, ao invés de mim que gosto em demasia, na ideia, um marco para a posterioridade-, voltarei um dia em caminhada, para desfrutar a primavera, deve ser estonteante, recanto tão especial, que só gente sensível e amorosa sabe apreciar em plenitude e total êxtase!
Sítio que inspira a poetar sem jamais o título de poetisa!
Aspirante, sem medo nem cliché.
Almejo a brisa na ânsia do pombo correio
Chegança seja o norte na crista das ondas...
Preguiça vadia o nada dizer,  ainda calado...
Ânsia de amor, nas sábias e ternas palavras ..

Cenário agridoce clama quadro Monet 
Emoção desperta em escorrido suor 
Jus ao chocolate quente  a derreter...
Enlace desfeito  a saudade  entertainment

Sítio árido e belo em nó confuso a desatar
Naufraga na saga maior da serra de Ansião
O que se sente aqui? O que não se devia sentir?
Marasmus presos em  fechado coração!

Á toa salpicos de pedra adorna  chãos 
Ao espinheiro espiam luar cinza moirouços
Sem jamais  advir quaisquer notícia!

                                                       Mística  serra  nua e vestida arrepia
Teima seja recordar sonho perdido...
Teima seja ainda vingar abraço leal... 
Amarradoiro ao pôr do sol o epílogo fatal!


 
Neste canudo desfeito pelo calor e pelo vento, coitado do alecrim que tenta sobreviver apesar da agrura do terreno inóspito.
Pela Páscoa vou voltar para fotografar , lírios roxos, amarelos e brancos, cucas, orquídeas de tantas espécies, alecrim  e erva de Santa Maria,  por aqui são esplendorosas.
orquídeas
Já antes da saída da serra distingui outro grande buraco de extração de pedra à direita, porque na esquerda conheço o esburacanço da pedreira errante, que muda de telheiro onde se parte em tamanhos vários os montes de  pedra para calçada, e ainda retiram da terra lajes finas para jardins, até doí o coração, as grutas esventradas... Antes da descida íngreme, sem bermas de  regateira em ziguezague pelo meio, na tristeza declinar o olhar na que foi a casa dos Caçadores o mirante sobre o Camporês e o Rabaçal, em total agonia, será que ninguém olha para este património que teve um dia o seu auge e pujança? Revejam-se no conceito de "Cooking and Nature" Emotional Hotel nos Alvados, no concelho de Porto de Mós, já nomeado para o International Hotel Design Award, neste hotel no melhor senti a massa construída fazendo parte integrante do que existe no terreno, pedras que se encaixam na deck de madeira da esplanada e outras, aliá como na Casa do Chá de Siza Vieira em Matosinhas.
As gentes das bandas de Ansião deviam abrir os olhos para a sua serra maior, das Serras de Ansião, dando-lhe maior credibilidade ao jus do mesmo mérito, que os irmãos de Pousaflores,  que nela se mostram mais atentos, ao que é seu! 
Um rebanho comunitário pela serra da Amexieira e arrebaldes com queijaria certificada para completar o Ciclo do Pão, uma ideia interessante a desenvolver.Fica lançado o desafio!
Será que as antenas dos telemóveis estão em terreno de baldio da serra, ou particular? Porque julgo as eólicas, será o proveito a favor da Junta de Freguesia de Pousaflores (?). 
Poderiam ainda melhor investir na serra, apostando em sinalética ecológica nos caminhos que por ela se dividem, também na aposta da sua melhoria, e no mesmo mérito na subida a partir da Ameixieira , se possível abertura de novo troço em alternativa, para melhor acessibilidade, e não permitir que depois da extração da pedra fique a serra esburacada, na obrigatoriedade de a entupirem-, no passado os barreiros em Lisboa depois de extraírem o barro para as olarias, eram obrigados a entupi-los, e o faziam com cacos de faiança que se partia nos fornos...
Já me senti muito feliz aqui na serra a descobrir pedras na mira sonhar em atingir o mar... 
Mostro algumas da minha coleção, entre fósseis e outras esculpidas pela erosão e ainda possíveis machados do neolítico(?).
 
Chegados a casa sem pão quente para comer com manteiga, na mesa os arbustos da serra  que deram aroma ao carro aqui deram conta do recado a ornar a broa de milho e os queijos  Rabaçal,  na teima ainda de pasta mole, em secagem  morosa, para trazer de avio para a capital culpa da maldita friagem, neste tempo agreste de invernia fria...

Fontes:
Wikipédia
Fotos do google

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