quarta-feira, 27 de maio de 2015

Atribuição de flores às ruas em Pousaflores no concelho de Ansião

Largo das Tílias no adro de Pousaflores
 Quando deveria ser Largo do Pelourinho ou da Igreja
1709: excerto da obra: "Corografia Portuguesa" - tomo III de Antº Carvalho da Costa
Capítulo sobre POUSAFLORES:"uma VILA sem morador algum"...Tanto esta obra, como outras, referem que a vila de Pousaflores não tinha população. Contudo, a freguesia no seu todo tinha grande número de habitantes. Com efeito, quem estuda os registos paroquias desta freguesia raramente encontra referência a pessoas residentes no local sede do então Concelho de Pousaflores. O contexto da atribuição do estatuto de vila perdeu-se na história, mas, por certo, foi algo de muito interessante. Apenas temos algumas lendas que, quem sabe, têm algum fundo de verdade..."

O meu tio  materno, Alberto Lucas, nascido na aldeia de Moita Redonda, da freguesia de Pousaflores trocou um grande olival de herança no Vale Covo, pelo terreno  de cultivo no centro de Pousaflores, na beira da estrada, onde veio a construir a sua habitação e loja, no início da década de 50.Ora teria sido interessante saber o nome que consta na matriz-, a ser distinto e sonante, porque não o  entestar  em placa na rua que lhe nasce a sul, ou ainda melhor  do nome do meu tio, pelos feitos que fez a esta terra, por ter sido um visionário apaixonado pelas gentes e pelo belo, sempre bem disposto no prazer de partilhar o que viu e sentiu neste mundo. Um poeta! 
Sendo bem merecido pelo contributo a esta terra, e na mesma contemplação outros ilustres como o sacristão e,...
Gosto muito de Pousaflores de onde herdei metade das costelas. De facto fiquei impávida e pouco serena ao saber que na atribuição do nome de ruas na vila, o povo não tivesse sido chamado a intervir (?) tão pouco a Junta de Freguesia, revelou nesta faceta clarividência e criatividade, em atribuir à sua terra, a dignidade de antanho, tendo Pelourinho com 500 anos, bem podia ter devolvido às suas gentes os nomes ancestrais, que constam nas certidões das terras dos proprietários-, em detrimento desse trabalho que era fácil, lavou as mãos como Pilatos, atribuindo o nome de Flores, sendo que o nome da vila por si só, já as contempla no sufixo, sendo que tanta flor ,acaba a meu ver por enxovalhar o ramo. Deveriam ter atribuído o nome de Rua da Chousa, que sempre dela ouvi falar, onde está o Pelourinho devia ser o Largo do Pelourinho, Pedra da Adega , Rua da Eira da Pedra, Rua da Portela e,...Porque as terras só se engrandecem com a história sempre presente , e a meu ver a atribuição de flores em ruas, é coisa de terras que nada tem de histórias para contar, ou as tendo, as omitem, porque o poder está na mão de gente de ideia curta...Porque flores, é coisa de jardins!
Reparei na placa identificativa com o nome da rua de S. Lourenço-, ultra modernista usada nas urbanizações novas-, iguais no concelho na parte histórica de muito mau gosto, descontextualizadas aqui no costado e sopé de serra, que a meu ver nada tem haver com a história da região que data desde os primórdios da nacionalidade.
Gostava de andar a pé por Pousaflores, sentir as placas em pedra ou em painel de azulejo, com nomes que dizem algo do tempo da infância: Pedra da Adega, Chousa, e outras que muitos dos que lá nasceram as devem saber de cor e salteado, melhor do que eu...
Todos temos direito a opinião, cada um fala sobre o que sentiu, duma terra que gosta, eu também, sendo que as críticas são sempre importantes para sobre elas se repensar e de futuro agir de forma mais ponderada, com inquérito à população. Falo de mim, não vivo, nunca vivi, conheço desde sempre Pousaflores e Moita Redonda, onde tenho uma casa e vou amiúde, onde me farto de trabalhar com o meu marido, seja a cortar ervas e silvas, e ainda limpar as valetas e bermas na frente da casa, tarefas que só se fazem uma vez por ano em julho, pela Junta de Freguesia, mas de fato, não vejo ninguém da minha geração nos seus terrenos a fazer nada parecido. Pela paixão que nutro por estas terras do Maciço de Sicó serei sempre observadora e atenta, também frontal e de palavra acutilante, jamais me calarei quando ficar indignada-, e fiquei na atribuição do nome das ruas.
Felizmente as pessoas que foram no passado travão no desenvolvimento das aldeias onde viveram, se vão finando, fazendo crer que o futuro poderá ser ainda mais risonho. A esperança é que move as convições!
Continuo a falar e falarei sobre Pousaflores, porque pago impostos na freguesia.As ruas mereciam ter nomes diferentes, ao invés de flores que já existem no brasão da vila.
Ao que parece as pedras encontradas do Pelourinho foram encontradas no muro da escola onde poderá ainda estar o fuste? Um bom mote para a sua descoberta, certo que estará por certo reutilizado algures, em Pousaflores.
Quanto ao Bairro Novo construído na Chousa-, local onde haviam restos de ruínas que podiam evidenciar a origem do povoamento de Pousaflores, que se perderam.
Quanto ao nome Chousa, que sempre me intrigou a sua origem-, descobri numa reportagem televisiva em Oliveira de Azeméis, zona caraterizada ainda por grandes soutos de castanheiros, sendo que por aqui a maioria morreu com uma doença-, a chousa era o preceito de acamar os ouriços de castanhas com fetos e mato, depois de algum tempo retiravam as castanhas libertas deles, macias, e mais doces.
Ao tempo ouvi na radio a publicidade do loteamento com oferta do lote e material pela Junta de Freguesia, para quem se quisesse instalar em definitivo vindo de fora, e povoar Pousaflores-, mas não sei se foi isso que aconteceu... Aparentemente são vivendas modernas, não sei se 2ª habitação (?) e não de cariz social para gente viver e fazer crescer a vila que sendo pequena em habitantes, em relação às aldeias circundantes, como parecia a publicidade anunciar... 
Sobre o Delfim, alguém opinou que merecia ter uma rua com o seu nome-, claro que podia, no meu opinar ainda é homem muito novo, com tempo para mais dar à terra e ao concelho -, deixo duas deixas;
Voltar a ser Presidente da Junta no condão de alterar o nome das ruas e a descoberta que vai ajudar mais  a saber sobre o passado de Ansião -, duas a três pedras com inscrições, que fizeram parte do Mosteiro de Ansião, se encontram algures em seu terrado envoltas em silvas...e ai sim honra mayor, de haver avenida com o seu nome!
Já os seus antecessores tiveram mandato num tempo de parcas receitas em que fizeram o que puderam pela freguesia, por isso se lhes distingue, paciência, esforço, altruísmo e mérito.
Recordo o tempo que o Delfim foi presidente da Junta, em que se podia fazer coisas, muitas coisas-, por certo as eólicas no Anjo da Guarda, serão uma grande fonte de rendimento para a Junta de Freguesia, já na Nexebra fui eu que andei com o Engenheiro que andava perdido, que me questionou, mas o assunto não vingou porque alguém não quis...Não foi meritória a parceria camarária com a Junta, no alargamento da estrada da Moita Redonda para a Nexebra, terem fechado o caminho do Vale à mina de S. João e ao acesso a terrenos, também à liberdade de circulação pedonal que faz imensa falta. Jamais deveria ter sido entupida com eucaliptos sob o comprido, que os vi, ainda falei e a minha mãe, mas nada fizeram, supostamente a Engenheira que tomou conta da obra seria nova, de pouca experiência e muito menos em zona florestal, porque até no entroncamento com a estrada principal não foram colocadas manilhas, e as consequentes enxurradas trouxeram a brita para a via, só mais tarde ao serem alertados o erro foi retificado. A aldeia deveria ter mais caminhos abertos para em caso de incêndio se acautelarem as pessoas e os seus valores, não sei se foi no  seu mandato que foi feita a estrada alcatroada, junto das casas não fizeram valetas, nem muros de suporte nos terrenos de ribanceiras altas, cuja obra no orçamento as deveria contemplar.Lembro-me bem do tempo do seu mandato nomeadamente na propaganda em fazer um largo ajardinado na Pedra da Adega, na frente do cemitério, no terreno pertença dos meus avós dividido pela estrada principal para Chão de Couce, sendo uma parte do sogro na frente da estrada para o Pobral, que foi alargada retirando metragem ao mesmo.
Não passa despercebido ao mais incauto a falta de um parque de estacionamento condigno numa das entradas da vila, nas imediações do cemitério, contemplando o Cruzeiro  e Forno da Cal.
O que resta desta indústria-, tanque de arrefecimento da pedra, junto existe uma mina de água.
 Entrada do Forno da Cal coberto de silvedo
 A foto possível da abertura do forno
Seria interessante que a Junta estabelecesse contato com o proprietário do pinhal, para se proceder à limpeza da entrada do complexo do forno, do que ainda existe, com direito a placa identificativa, na vontade de atestar a industria que aqui existiu, também no olival dividido ao meio sito na frente do cemitério a teima de ser ajardinado, mantendo as oliveiras para os proprietários retirarem o seu usufruto, que em nada colidia,  como na requalificação do Nabão, as oliveiras que ficaram , e a colocação de um pedestal com o nome ancestral , Pedra da Adega emoldurada na beleza de uma romanzeira, testemunhos do passado ainda presentes hoje nas vivências de muitos...
Não sei o que falhou na atribuição do nome das ruas!
O que se constata do miradouro do Anjo da Guarda  na serra da Portela é haver no seu tardoz um grande Campo de Futebol, supostamente exagerado para a terra, pelos gastos, mas sou eu a dizer.
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Este tamanho inusitado fez-me recordar outra terra também pequena-, FONTE COBERTA ali ao Rabaçal, sem Pelourinho, apesar de histórica, em que se honra a toponímia de antanho nas suas parcas ruas
Rua do Caminho de Santiago - Esta rua chamou-se Rua Principal. No mandato da Junta de Freguesia de 2005-2009, por sugestão feita pelo seu Presidente, à Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, passou a designar-se pelo nome que atualmente ostenta. 
Por aqui passa desde há doze séculos o principal e mais antigo caminho português para Santiago de Compostela. Nele foi edificada no século XVII uma estalagem particular para os caminhantes, que, ainda hoje, como residência, está na posse da mesma família.
No extremo norte da via existe a ponte filipina  sobre o Rio de Mouros, mandada construir pelo rei Filipe III (IV de Espanha) entre 1636-1637, sendo o mestre de obras de Ansião, José Fonseca, no sentido de contribuir para a circulação de pessoas e bens objetivando a União Ibérica.
Rua dos Alpendres - Assim chamada por, possivelmente, uma das suas casas, ainda existente, possuir um passadiço, e por ser visível na pintura de Pier Maria Baldi uma ou outra casa, na povoação, com alpendre. Perto desta rua bivacou o Marechal Massena e o seu Estado-Maior no dia 13 de Março de 1811, aquando da passagem das tropas francesas em direção a França depois da derrota em território português.
Rua da Capela Antiga - Foi incorretamente chamada de Valsinho por uma Junta de Freguesia anterior. A Junta de Freguesia, no mandato de 2005-2009, por proposta do seu Presidente decidiu pedir à Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova para ela se chamar Rua da Capela Antiga (fundada em 1688), na medida em que era assim conhecida pela população, por, no seu extremo Poente, ter existido o antigo templo religioso, provavelmente destruído aquando das invasões francesas ocorridas no século XIX. A rua foi calcetada no mandato de 2005-2009. (1) 
Rua da Fonte - Esta rua liga a Fonte Coberta à Póvoa de Pega. Nela encontra-se um fontanário centenário coberto por uma estrutura de cimento. O seu original é retratado no painel de azulejo existente no Largo Pier Maria Baldi. O espaço onde foi erguida a fonte é calcetado e embelezado por árvores. A Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova procedeu a essas obras no mandato de 2002-2005, após pedido do Presidente da Junta de Freguesia, bem como ao seu alargamento e asfaltamento.
 
Largo Pier Maria Baldi - Este largo foi calcetado pela Junta de Freguesia no mandato de 2002-2005. Passou a designar-se assim, em 2004, em homenagem ao arquiteto e pintor toscano- Itália, Pier Maria Baldi, que acompanhou a comitiva do príncipe Cosme de Medicis III, de Florença-Itália, a Santiago de Compostela. Graças a ele existe na Biblioteca Medicea Laurenziana, de Florença, uma gravura da Fonte Coberta datada de 22 de Fevereiro de 1669, reproduzida num painel de azulejos edificado no mesmo largo.
Largo da Capela – Aqui localiza-se a atual capela da Fonte Coberta. É sua padroeira Santa Inês. Foi erguida em 1919, em terrenos ofertados pelos Senhores Manuel José da Silva e esposa, Emília de Jesus Silva. A primeira missa celebrou-se no dia 1 de Novembro de 1920. O largo da capela foi calcetado pela Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova no mandato de 2002-2005 a pedido do Presidente da Junta de Freguesia. É o largo onde se efetuam as festas locais.
Travessa do Curral do Concelho- Esta travessa foi assim batizada pelo executivo da Junta no mandato de 2005-2009 por sugestão do seu Presidente, após parecer favorável da Câmara Municipal. O nome deriva do facto de aqui se ter localizado o curral do extinto e pequeno município que foi a Fonte Coberta. Nesse curral guardava-se o gado abandonado ou tresmalhado, cujos proprietários para o reaverem tinham que pagar uma coima.
Ora um bom exemplo, houve gente com  iniciativa e "tomates"  de grande saber na teima alterar o que outros no poleiro, antes alvitraram sem nexo, nem história do local. Isto sim -, gente de fibra, motivada em melhorar e preservar as tradições dos seus ancestrais, quiçá descendente de mouros , romanos, franceses  e dos peregrinos ( do latim "Per Aegros", aquele que atravessa os campos) no caminho de Santiago de Compostela.
Curiosamente no dia 10 de outubro de 2015 ao fazer uma pesquisa na net encontrei com data do dia 7
" Toponímia da Freguesia de Pousaflores
Proposta de alteração de topónimo (PED/DOPU/171/2015);"
Pois vamos aguardar quais!

Fontes
Página Facebook  Grupo Pousaflores 
http://www.freguesiadezambujal.com/

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